quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

repensando a minha atenção


Um dia desses aconteceu uma coisa que me deixou um pouco surpresa e muito feliz comigo mesma. Meu marido estava vendo um vídeo no youtube e uma música clássica começou a tocar como fundo musical do vídeo. Ele se vira para mim e pergunta: sabe que música é essa? Prestando atenção logo me dei conta que era uma das estações de Vivaldi... suspeitei que fosse o Outono, mas qual movimento? Entrei rapidamente no Spotify e procurei o terceiro movimento do Outono, e não é que estava certa? 

Fiquei feliz mesmo de lembrar do Outono de Vivaldi. Já é a segunda vez que me acontece isso esse ano, num outro dia ele me perguntou se eu conhecia uma outra música. Aquela era de Mozart, o primeiro movimento da "Pequena Serenata Noturna". Na verdade nem precisei conferir a serenata do Mozart no Spotify; já escutei tantas vezes que não tenho a menor dúvida.

Fiquei supresa e feliz porque eu me considero uma pessoa distraída que não presta atenção em muita coisa e não lembra dos detalhes de quase nada. Por exemplo de vez em quando ainda tenho que olhar no dicionário o significado de anaeróbico, a priori, empírico, pragmático e outras palavras assim, parece que tenho dificuldade de fixar certos conceitos. Mas se eu for pensar bem, a verdade é: sim, eu lembro dos detalhes de muita coisa. Quando revejo uma flor ou um pássaro pouco comum, lembro exatamente onde eu vi ou prestei atenção naquela flor ou pássaro pela primeira vez. Lembro exatamente onde eu estava quando vi todos os diferentes pica-paus que já vi até agora. Sendo que já vi 6 tipos de pica-paus em 5 lugares bem diferentes.  

Também presto atenção em obras de arte. Ano passado estive no Museu Thyssen em Madri. Olhando de longe uma obra me chamou a atenção e desconfiei que fosse de Marc Chagall, apesar de só ter visto uma única obra de Chagall até então (vitrais de uma catedral que visitei em 2002). Mas realmente aqueles vitrais ficaram gravados na minha memória, de tão bonitos que eram. E o azul do quadro era o mesmo azul dos vitrais, a mesma leveza das figuras etc. E conferindo o painel ao lado da obra, a confirmação que era mesmo de Chagall.
 
Então talvez eu devesse atualizar a ideia que eu faço de mim mesma. Admitir que sou uma pessoa atenta para algumas coisas. Estou sempre prestando muita atenção no que EU considero interessante. O resto geralmente dá pra conferir nas notas, nos livros ou no google :)

Faz algumas semanas que escrevi o texto, mas fiquei na dúvida se publicava ou não. Mas realmente eu tenho que lembrar que é perfeitamente OK celebrar minhas pequenas vitórias aqui no blog.

detalhe da obra "A Virgen da Aldeia" de Chagall, no museu em Madri

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

2019 fotos em 2019?


Escrevi o texto ao longo do mês:

02.01 Resolvi finalmente abraçar com ganas um dos meus projetos que faz anos e anos que está na lista de "coisas pra fazer", só que nunca faço:  organizar minhas fotos, tanto as reveladas como as digitais. Desde 2002 estou acumulando fotos digitais, sem maiores organizações e sem deletar as piorzinhas. Quando quero encontrar uma foto é aquele drama, e muitas vezes nem encontro. A única organização é anual, tenho um folder para cada ano, e média de 5600 fotos por ano(!). Essa média é desconsiderando o ano de 2010, porque se eu incluir 2010, a média sobe para 6000. Tirei mais de 11 mil e quinhentas fotos em 2010, o ano em que tudo saiu do controle. Nossa, que vergonha admitir isso. E pra quê tanta foto? Sou fotógrafa profissional? Não. Tenho blog de fotografia? Não. Estou no instagram/facebook/etc? Também não. Lembro que em 2010 eu tive alguns problemas emocionais e talvez fotografia tenha sido uma forma de lidar com isso. De qualquer forma, 5600 fotos por ano já é um número bem exagerado. Em 2018 tentei manter a fotografia sob controle e ao mesmo tempo fiz um projeto muito divertido, uma colagem semanal das fotos. Aliás gostei tanto  de prestar atenção na beleza dos meus dias que estou repetindo o projeto em 2019.

Durante 2019 o plano é tirar menos fotos (ficaria muito feliz se conseguisse terminar o ano com 2019 fotos, ao invés das +5000 costumeiras). E quero também organizar as fotos anteriores, de alguma maneira... Mas por outro lado não sei quanto tempo vou querer dedicar a olhar pra trás. Afinal, pra frente é que se anda!
 
23.01: estou muito feliz que estou conseguindo manter as fotos de 2019 sob controle. Em 22 dias até agora estou com apenas 70 fotos, o que dá 3.18 fotos por dia. Se eu manter esse ritmo, vou terminar 2019 com 1161 fotos. Mas sei que quando estiver por aí viajando no verão vou tirar bem mais fotos por dia, então na verdade talvez devesse estar tirando ainda menos fotos agora para poder tirar mais depois!
 
24.01: Resolvi encarar as fotos de 2018. Na minha cabeça eu tinha a ideia que tinha maneirado um pouco a quantidade de fotos, mas na verdade tenho 5403 fotos na pasta de 2018. Então resolvi começar com o mês de janeiro. 455 fotos, média de 14.6 fotos por dia. Uma hora depois, tinha reduzido para 133 fotos, menos de 5 fotos por dia. Tenho os demais meses para repassar. Ficaria muito feliz se conseguisse reduzir o número total de fotos de 2018 pela metade.
 
31.01: Estou num ciclo do bem e acho que finalmente vou conseguir resolver essa questão das fotos. Entrei no hábito de repensar as fotos do dia, todos os dias! Então não tenho mais deixado as fotos duplicadas acumular e tenho muitas vezes deletado todas as fotos de alguma coisa. E em muitas situações que eu tirava fotos, agora não tenho mais tirado e pronto. Tenho pensado "nossa pra que tirar foto disso, só pra deletar depois?". E ser mais seletiva no dia a dia está me ajudando a deletar as fotos de 2018 sem remorso algum. Estou gostando mesmo de fazer isso, e acho que vai me ajudar no destralhe em geral.
 
E cheguei no fim de janeiro com apenas 90 fotos, então consegui ficar com menos de 3 fotos por dia. Três fotos por dia talvez seja um montão ainda, mas para quem estava com quase 15 fotos/dia em janeiro de 2018, é um progresso enorme. Parabéns para mim!

E um apanhado do meu progresso em relação as fotos de 2018:
Janeiro: comecei com 488 fotos, estou com 133
fevereiro: comecei com 372, reduzi para 153
março: de 288 para 137
abril: de 218 para 152
maio: 788 fotos! Viagem para Madri e vários passeios nas montanhas. Foi difícil, mas consegui reduzir para 414.

O que tanto fotografo: de vez em quando fotografo algum prato de comida que me deixa feliz só de olhar; minha casa quando está tudo lindo e arrumado, para me lembrar depois como pode ser;  meu fotogênico marido e seu lindo sorriso; nossos bichinhos de estimação; qualquer passeio que eu faço, toda e qualquer caminhada e volta de bicicleta. Alguma obra de arte em museus que me marcam muito (mas na verdade prefiro anotar o autor/nome e procurar online depois). Mas principalmente fotografo a natureza: flores, o mar, as nuvens, a alvorada de todo dia e as árvores, sempre as árvores. Adoro fotografar árvores.

Aiaiai, quero só ver quando eu chegar nas fotos de julho e setembro, que foram os meses com passeios mais interessantes e arborizados! O desafio continua...


Alguns ótimos momentos de janeiro até maio, 2018