terça-feira, 10 de julho de 2018

#27 unplugged


Viajei para comemorar meu aniversário. Foram 3 dias/2 noites de férias total: férias da rotina, da internet... inclusive férias dos dados no celular, ou seja, nada de ligações, emails ou whatsapps.  

Ao sair de casa coloquei o celular no modo avião e só conectei novamente ao voltar. Levei o celular para ter como tirar fotos e usar os mapas offline. Fora isso não conferi absolutamente nada no telefone: não usei google, não fiquei pesquisando mil trilhas no wikiloc como sempre faço, não marquei acomodação pela internet: simplesmente fui. Ou melhor: fomos. Marido veio junto. Foram dias inesquecíveis.  

Na primeira noite estacionamos o carro num fim de mundo e dorminos dentro do carro mesmo. Peguei no sono olhando para as estrelas, pela janela. Infelizmente ele acordou com dor nas costas; na noite seguinte dormimos num hotel. Que não procuramos pela internet. Como a vida era uma vez. Adorei a experiencia como um todo e espero repetir, tanto dormir no carro (usando um colchao inflável para ele ficar mais confortável) como sair por ai sem planejar tudo nos mínimos detalhe. Alias um dos ponto alto foi fazer um picnic com vista para esta lagoa: 


Sendo que nunca tinha ouvido falar na lagoa, simplesmente seguimos a sugestão da dona do hotel. Hotel que ficava num vilarejo que nunca tinhamos ouvido falar também. E só entramos no vilarejo as 16h atrás de uma padaria. Era um lugar muito simpático e quando vimos um hotel, perguntamos se tinha acomodação e resolvemos passar a noite ali.  

Na manhã segujnte acordei bem cedo e voltei na lagoa, para uma caminhada circular. Quando chegou perto das 10h pensei 'daqui a pouco meu marido acorda e me manda um whatsapp, como sempre faz'. Quase liguei os dados pensando nele, mas não fiz. 'Ele vai se lembrar que estou sem dados, provavelmente vai assumir que estou caminhando, como sempre faço'. A vida desconectada, como era uma vez. Vivi a maior parte da minha vida, até agora, sem celular. Não lembro quando tive meu primeiro celular, provavelmente depois de 2008, ou seja, já fiz muitas caminhadas, pedaladas e saídas por aí sem poder me comunicar com ninguém. Nesse dia meu marido mandou o bom dia costumeiro, mas depois lembrou que eu tinha desligado os dados.  

Gostei tanto tanto tanto de experimentar outra vez "a vida desligada" que vou começar a adotar a prática mais seguido. Eu preciso de celular o tempo todo? Claro que não. Na verdade o que tem mais me cansado é receber msgs de whatsapps no telefone do meu grupo de caminhadas. Talvez "fróidexplique" tudo isso: eu entro no grupo de livre e espontânea vontade mas acho uma chatice toda a interação que rola no whatsapp.  Cada vez que olho para o telefone, tenho >30 mensagens de whatsapp do grupo. Será que a coisa mais fácil a fazer não era simplesmente SAIR do grupo do whatsapp? Mas daí penso: e minha vida social como ficaria? Através do whatsapp fico sabendo das atividades do grupo, apesar de ter ido em poucas, mas enfim... Já me dei conta que tanta conectividade não me traz felicidade, pelo contrário, só me traz agonia. Socialização em doses homeopáticas funciona melhor para mim.

Perto da nascente do Rio Tejo, que na Espanha leva o nome de Tajo.
 
Comemorei meus 47 anos fazendo uma trilha até esse rio e dando um mergulho nas suas águas cristalinas e mega geladas. Lavei a alma! Estar na natureza é tudo. Que alegria imensa se banhar num rio tão limpo, rodeada por árvores decíduas. Fiquei com vontade de voltar no outono, com minha roupa de neoprene.

terça-feira, 3 de julho de 2018

#26 revisão 1/2


Então que cheguei na metade do ano, como estou com meus objetivos? Acabo de abrir o texto que escrevi na semana 13 (progresso 1/4) e notei que dei vários passos para trás em alguns objetivos, então obviamente estou precisando retomar o foco. Enquanto outros seguem numa boa. Vou me concentrar nos objetivos em que fiz certo progresso:
 
3. Combater a preguiça mental:
 
. Finalmente descobri onde fica a biblioteca pública! Até fiz minha carteirinha e retirei um livro.
. Assisti algumas palestras interessantes pelo youtube, principalmente sobre geopolítica, revolução russa, Stalin etc.
. passei 3 semanas riscando montes de coisas da minha lista de tarefas
 
5. Destralhar a casa, os projetos, a mente:

No quesito destralhar a mente: fazia um tempão que algum evento religioso não me incomodava tanto como aconteceu com a páscoa esse ano. Por 20 anos a páscoa passou desapercebida na minha vida... mas agora, por estar novamente vivendo num país de maioria católica, o aspecto religioso da páscoa é bem evidente, com imagens da crucificação em qualquer lugar que se olhe, vários eventos públicos etc. Religião é um assunto bem controverso que eu geralmente evito comentar com terceiros. Minha infância foi marcada pelo excesso de fervor religioso (pra não dizer fanatismo) da minha família. Estou tão mais feliz desde que consegui me desligar disso tudo (gradualmente a partir dos 18 anos, e radicalmente a partir dos 24 quando finalmente consegui sair de casa - queria ter saído antes mas não tinha dinheiro). Desde então prefiro manter uma enorme distância de qualquer coisa religiosa, mística ou espiritual. Evito comentar esses assuntos para não me estressar nem ofender ninguém. Aliás outra coisa boa de destralhar seria essa necessidade que eu sinto de não ofender ninguém, mas talvez seja querer demais. Lembrar que a única pessoa que eu tenho qualquer chance de conseguir agradar (ou ao menos não ofender) sou eu... e as vezes nem isso eu consigo.

Mas de vez em quando algumas mágoas antigas vem a tona pra me incomodar, como aconteceu esse ano. O que fazer? Aceitar que minha infância foi o que foi e que hoje em dia estou livre para ignorar a religiosidade que me incomoda. Posso dar um passo além e criar minhas próprias tradições. Posso fazer com a páscoa o mesmo que já fiz com o natal, dei minha própria interpretação, tirei toda a religiosidade fora, e comemoro de uma maneira minha. Hoje em dia adoro natal. Mas na verdade natal é mais fácil porque sempre foi uma festa mais alegre, enquanto que páscoa... bom, prefiro nem entrar em detalhes o que era páscoa na minha infância, não preciso reviver o trauma. Mas quero destralhar essas associações negativas que tanto me incomodam. Resolvi aproveitar que moro no hemisfério norte para associar a páscoa com primavera: plantas que rebrotam, animais que nascem, etc. A partir de agora vou comemorar o feriado da chegada da primavera com um picnic na natureza. E o resto, todo o resto, vou encarar como um evento passageiro: como uma feira, um parque de diversões itinerante ou um circo. Apenas um evento que está passando pela cidade e eventualmente se vai, com suas cores e dramas que não me dizem respeito. 
 
Ainda sobre destralhar: fiz progresso com a organização das fotos, deletando várias e colocando tag nas restantes.

7. ... conhecer gente nova:

Entrei em alguns grupos e aceitei convites, acabei conhecendo amigos de amigos. Nem tudo deu certo mas aos poucos estou expandindo meu círculo social.

Fiquei muito surpresa que ter conseguido escrever tanto no blog até agora, mas admito que muitas vezes foi extremamente difícil. Então vou me dar os parabéns de ter conseguido até aqui. A partir de agora, só volto quando tiver qualquer coisa relevante para comentar. Tomara que seja na semana que vem; se não for, paciência :)