terça-feira, 31 de dezembro de 2019

2019 em músicas

Ao longo do ano fui mantendo um diário musical, aqui algumas das entradas mais significativas:

Janeiro: Só agora fui me ligar em George Ezra! Que está fazendo sucesso desde 2014, como pude não perceber? Escutei várias e gostei de muitas, acho que minha preferida é ♪ Budapest. Torrei a paciência do meu marido de tanto ouvir Budapest no carro.

Fevereiro: Meu marido gosta de um estilo de música que eu chamo de "música de gnomo". Eu escuto esse tipo de música e imagino um monte de gnomos marchando pela floresta, até chegar numa clareira onde fazem uma festa com música e dança ao redor de uma fogueira. De tanto ele escutar eu até já estou gostando de uma ou duas
♪ Mago de Oz, Hazme un sitio entre tu piel
♪ Celtas Cortos, Silencio

Março: O som da opressão no ar! Tive que ir pra Catalunha e entre mil bandeiras e cartazes nacionalistas uma música me chamou a atenção:  ♪ Caminem Lluny - Doctor Prats

Abril: graças ao Spotify cheguei no Bailão do Ruivão e cantei várias vezes ♪ Lindo Balão Azul com o Nando Reis e o meu marido, enquanto dirigia até o lugar onde pedalamos diversas vezes. Meu abril foi muito florido e divertido. Aproveitamos para cantar novamente ♪ O Carimbador Maluco. Na parte do "tem que ser selado carimbado avaliado" - cantamos também homologado, que aqui na Espanha tudo tem que ser homologado kkk.

Maio: No avião a caminho do Brasil vi alguns filmes novos, mas revi também um filme que para mim é divertido e super reconfortante: Little Miss Sunshine. É como beber chá enrolada numa coberta num dia de muito frio. E adoro a música que rola nos créditos: ♪ till the end of time. Fiquei ouvindo várias vezes, essa infelizmente não está disponível no spotify, mas tem no youtube. 

♫ Our hearts irrevocably combined
Star-crossed souls slow dancing
Retreating and advancing
Across the sky until the end of time ♫

Chegando em Poa arrastei meu pai para o show do Almir Sater. Sendo que meu pai adora Almir Sater mas não queria ir, por preguiça. Interessante só agora notar isso no meu pai; tive a quem puxar nessas questões de ter preguiça de fazer as coisas que eu sei que gosto. O Almir Sater cantou a preferida do meu pai ♪ Chalana entre várias que eu não conhecia. Gostei muito de uma música cuja letra dizia o seguinte:

♫ A vida vem lá de longe
É como se fosse um rio
Para rios pequenos, canoas
Grandes rios, navios
E lá bem no fim de tudo
Começo de outro lugar
Será como Deus quiser
Como o destino mandar...♫

E fiquei muito feliz que ele cantou uma música que eu lembrava de ter ouvido várias vezes no rádio, nos anos 80, na voz de Tetê Espíndola:

♫ É pra Corumbá, é lá que eu vou pegar um barco
E descer o rio paraguai, cantando as canções que não se ouvem mais ♫

Bah, quanto tempo! Adoro mesmo essa música, finalmente descobri seu nome: ♪ Cunhataiporã.

Ainda em maio: fiquei muito mas muito feliz que consegui manter minha rotina de exercícios enquanto estava em Porto Alegre. Eu sempre chego na cidade cheia de planos, mas questoes familiares me desanimam de uma tal forma que entro num momento deprê em que não faço nada. E dessa vez foi diferente: não me deixei abater, fiz tudo o que queria e até mais. E uma das coisas que eu queria era continuar meu programa de exercícios (para fechar minhas 470h enquanto tenho 47 anos). Em dias que não pude caminhar/pedalar eu aproveitei para dançar, correr e pular ao redor da mesa da cozinha, ouvindo músicas aleatórias no Spotify. 

Junho: fiz uma viagem no tempo, de volta para 2002. Fiquei sabendo da morte do ex-vocalista da banda Angra e fiquei com pena - ele só tinha 47 anos, a mesma idade que eu tenho hoje. Em 2002 o meu irmão (bem mais jovem que eu) morou um tempo conosco e naquela época ele gostava desse tipo de música. Então foi um ano em que fui exposta a músicas que normalmente não ouviria. E ouvi novamente ♪ Carry On:

♫ Follow your steps and you will find
The unknown ways are on your mind
Need nothing else than just your pride to get there
So carry on, there's a meaning to life which someday we may find
Carry on, it's time to forget the remains from the past ♫

Aproveitei e escutei uma outra música daquele tempo: ♪ Rubina's blue sky happiness de Joe Satriani. Apesar de ser de 1992, eu só fui escutar em 2002 com meu irmão, que passou por uma fase de escutar muito Satriani e outros guitarristas cujos nomes não lembro agora. Rubina's blue sky happiness é a música que mais associo com aquela época boa da minha vida.

Ainda junho: escutei uma música no rádio do banheiro do camping, que inicialmente me pareceu ser cantada por uma mulher. Fiz uma nota mental e conferi depois, fiquei sabendo então que a música é de JS Ondara, um cantor natural da Nigéria. Gostei de várias das suas músicas, acho que minha preferida é ♪ Lebanon, apesar da letra não fazer muito sentido:

♫ Oh, Lebanon, life is brief
Don't sit alone in your constant fear
Open up, I shan't be like Canada ♫

Julho: escutei tanta música nova! Fui num festival de música e escutei Le Naf, Shipswool e outros... Num outro dia escutei um cantor senegalês que eu não conhecia chamado Ali Boulo Santo e o melhor de tudo foi uma apresentaçao de músicas muito doidas de acordeão com uma linda paisagem de fundo.

Agosto: uma coisa que eu gosto de fazer no spotify é escutar versões de músicas que eu já conheço por outros intérpretes, e procurando uma outra versao de ♪Admirável Gado Novo cheguei num cantor chamado Canindé. Resolvi escutar o disco todo e nossa, que choque foi ouvir uma música lá da minha infância, que eu nem me lembrava mais. Mas quando chegou no refrão logo lembrei de tudo, quantas vezes escutei isso no rádio nos anos 70?

♫ Eu queria nessa vida simplesmente
Um lugar de mato verde
Pra plantar e pra colher
Ter uma casinha branca de varanda
Um quintal e uma janela para ver o sol nascer ♫

♪ Casinha branca de Gilson, recomendo a versão de Canindé.

Setembro: gosto muito de escutar um podcast chamado "viajando despacio", sobre viagens em bicicleta. Muitas das músicas seguem o tema das bicis também, e uma que escutei no podcast e gostei muito foi de um português chamado João Afonso:

♫ Carteiro em bicicleta, leva recados de amor..♫

Comemorando 30 anos que conheço meu marido, lembrei de algumas músicas do tempo em que nos conhecemos, entre as quais ♪Waiting for a star to fall, de Boy Meets Girl, mas nada que tenha lá muita vontade de escutar de novo kkk. Aliás os poucos músicos da juventude que eu ainda escuto de vez em quando são Nei Lisboa e Tracy Chapman, e cada vez menos. Aliás uma pequena vitória que eu tive nesse sentido foi NÃO assistir o show do Nei Lisboa enquanto eu estava em Porto Alegre em maio. Acho que é a primeira vez que perco um show do Nei para fazer alguma outra coisa. Preferi sair pra jantar e conversar com minha irmã e meu cunhado, muito mais divertido do que ficar ouvindo ♪telhados de paris ou ♪revolução pela enésima vez. Eu simplesmente adoro Spotify e a possibilidade de estar sempre escutando coisas novas. Se é pra se agarrar no passado, vou me agarrar num passado super remoto e no meu programa de rádio preferido: "música antigua", com Sérgio Pagan.

Outubro: outra música que escutei no podcast viajando despacio, pra variar uma que não está relacionada com bicicletas. Mas tem tudo a ver com momentos difíceis:

Vivir - estopa y rozalen

♫ ¿Sabes? hace tiempo que no hablamos
Tengo tanto que contarte, ha pasado algo importante
Puse el contador a cero
¿Sabes? Fue como una ola gigante
Arrasó con todo y me dejó desnuda frente al mar
Pero ¿sabes? Sé bien que es vivir
No hay tiempo para odiar a nadie
Ahora sé reír... ♫

Novembro: Vivi um momento divertido com uma música do George Ezra. Estava visitando um amigo e seus filhos (de 6 anos) e perguntei para os meninos quais músicas eles gostavam. Um responde "não sei bem a letra, mas é mais ou menos assim..." e começa a cantar uma parte de ♪ Shotgun, de George Ezra! Haha, que divertido, cantou justo uma música que eu conheço. Então fiquei cantando

♫ I'll be riding shotgun underneath the hot sun feeling like someone ♫ com o amiguinho e me sentindo como alguém que não é assim tão distraída :)

Mas a música que martelou na minha cabeça durante o mês de novembro foi ♪ Cidade, de Mafalda Veiga:

♫ A ponte despida e solitária agarra-se à terra e ao tempo
Entre golpes de raiva e ternura
os meus sonhos e os meus fracassos
Está escuro na inquietação do vento
Nas luzes esquecidas do rio
E tentam roubar-nos os dias, tentam calar-nos as forças
Mas algo em mim sobrevive, desesperadamente
Quero que por fim nos traga o sol
Andando pelo rio, perdidos na claridade
Hoje só quero deixar viver esse momento
Hoje só quero caminhar pela cidade ♫

Dezembro: Pra terminar o ano, nem tudo está perdido:

La respuesta no es la huida - Maldita Nerea

♫ Dímelo de verdad, la respuesta no es la huida
O que tu alma cansada, se quede ahí, rendida
No encontrando el camino, enunciando un destino
Que vive en ti, que vive en ti
En ti ahora y siempre!
Y aunque ahora el mundo gire en otra dirección
Eres tu quién le da sentido
A lo que dice tu dormido corazón, no todo está perdido ♫

Amém.

Estava escrevendo esta longa mensagem (uns dias atrás) quando chegou um email do Spotify, me dizendo que Maldita Nerea foi o artista que eu mais escutei nos últimos anos. Não fiquei surpresa, adoro essa banda espanhola!

Segundo o Spotify, as descobertas de 2019 para mim foram: George Ezra, JS Ondara, Canindé e Almir Sater. E o estilo musical que eu mais escutei em 2019? MPB. Sim, nossa boa e velha música popular brasileira continua sendo meu estilo musical preferido, adoro adoro adoro! Faltou anotar aí pelo meio, mas em agosto eu fiz uma playlist com música brasileira para um amigo que pensava que música brasileira se resumia a samba e bossa nova.

E segundo o Spotify, durante 2019 eu escutei 8701 minutos de podcasts. O que dá em torno de 23 minutos por dia. Mas não é o número total, porque meu podcast preferido (música antigua) nem está no spotify, kkk. E segue o baile. O que será que 2020 vai me trazer, musicalmente falando?

terça-feira, 19 de novembro de 2019

resiliência, que bom te ver por aqui


Este verão foi um dos melhores dos últimos anos... Desde 2014 eu não tinha um verão assim, tão leve e tão divertido. Vários fatores contribuíram: estar viajando e fazendo o que eu tanto gosto, a companhia de pessoas queridas em alguns momentos, estar num período de excelente saúde física e poder aproveitar tanto, ver meu marido animado com seus projetos... E a satisfação de conseguir manter o trabalho em dia, não só o trabalho mas conseguir manter minha rotina de objetivos no meio de tantas coisas diferentes e divertidas acontecendo. 

Eu estava feliz de verdade com tudo. Feliz feliz como fazia tempo que eu não me sentia! Até que no começo de outubro sofri um golpe da vida, foi uma experiência bem negativa e pra falar a verdade prefiro não entrar em detalhes. Mas quero registrar o momento aqui no blog porque se por um lado fiquei super triste com o acontecido, fiquei muito feliz comigo mesma, por dois motivos: 

  1. Minha reação: sincera, serena e gentil (comigo também, ou talvez devesse dizer: gentil com todos os envolvidos mas principalmente gentil comigo mesma).
  2. Passei alguns dias pensando no grande impacto de uma mudança radical de circunstâncias. Considerando como eu sou uma pessoa avessa a mudanças (estou sempre escrevendo sobre o assunto aqui no blog), talvez o esperado fosse eu ter dramatizado a situação e me agoniado com isso? Não foi nada disso que aconteceu. Pensei em aspectos práticos, na importância de seguir com meus projetos e não deixar esse percalço me abalar, e coisas assim. 

Foi interessante (e não vou mentir: para mim foi surpreendente) finalmente pensar em mudanças de uma nova maneira: "vou conseguir superar isso, não será nenhum fim do mundo". Sinto que estou no caminho certo, me transformando na pessoa que eu gostaria de ser: mais serena e mais resiliente.  

Lembro que ano passado eu estava sentindo falta de resiliência. Perguntei para o google sobre isso e recebi várias sugestões que anotei aqui no blog. E terminei aquele texto questionando em que momento eu poderia dizer "estou mais resiliente agora". Pois é, quem diria: estou me sentindo mais forte, com a mente no lugar para lidar melhor com as dificuldades.  

Acredito o que mais me ajudou ou tem me ajudado nessa questão nem foi seguir as sugestões do google e sim abraçar o estoicismo. O estoicismo é uma filosofia que surgiu na Grécia e depois viajou para Roma. Um dos grandes textos do estoicismo é um livro de meditações de um imperador romano, Marco Aurélio. Esse ano li e reli alguns livros relacionados com o tema e diariamente tenho pensado no assunto. E me dei conta que o podcast que eu mais escutei no ano passado (happiness podcast) é de um psicólogo (Robert Puff) que segue uma linha estoica, sem admitir isso abertamente. Então várias das ideias do estoicismo já tinham sido marteladas na minha cabeça de tanto escutar aquele podcast, que é bem repetitivo mesmo. Se alguém quer se transformar numa pessoa mais resiliente, acredito que o melhor a fazer é ler e interiorizar a mensagem dos sábios estoicos: Epiteto, Marco Aurélio, Sêneca.  

Uma das práticas do estoicismo (que eu já tinha aprendido no podcast) é a visualização negativa. Consiste em tentar imaginar sua vida sem as coisas que você disfruta hoje. Então as vezes quando vou beijar meu marido eu penso "estou beijando um mortal". Quando saio por aí correndo/caminhando/andando de bicicleta, as vezes penso que talvez algum dia perca o uso das minhas pernas, por acidente ou doença. E assim por diante. Pode parecer uma ideia deprimente, mas tenho certeza que a prática de visualização negativa está me trazendo benefícios. Talvez eu disfrute da companhia do meu marido ou do uso das minhas pernas até o fim dos meus dias, talvez não. Além de ajudar nessa questão de aceitar a impermanência, a prática da visualização negativa tem me ajudado a desfrutar bastante do que tenho hoje. Sinto que estou finalmente incorporando na minha vida a sabedoria do avô do meu marido: "vamos aproveitar hoje, que amanhã a gente não sabe".  

Uma outra ideia interessate do estoicismo é a "dicotomia do controle". Uma ideia que todos já conhecemos: a importância de aprender a diferenciar o que está sob o nosso controle do que não está, e só nos ocupar com aquilo que está sob o nosso controle. Eu estava me sentindo feliz de novo quando no começo de novembro recebi uma outra notícia difícil de engolir, envolvendo a saúde de uma pessoa super próxima e extremamente querida. A saúde deste ser querido está sob o meu controle? Infelizmente não. Não ganho nada me preocupando com isso. Tenho direcionado minhas energias a ser a melhor amiga que eu consigo ser para a pessoa querida nesse momento difícil. Custei muito mesmo para aprender que "o estado de preocupação não é meritório". Ficar se agoniando não acrescenta, pelo contrário, só diminui da nossa experiência.  

Talvez a vida seja isso mesmo, uma constante montanha russa com seus altos e baixos. Mas por mais resiliente que eu esteja me sentindo agora estou torcendo para que a vida dê uma trégua...  e pare de jogar coisas sérias na minha direção, kkk.  

domingo, 1 de setembro de 2019

o jardim é pequeno mas a alegria é enorme


Ao adotar essa vida viajante tive que deixar minhas plantas para trás, deu até pena. Eu estava muito feliz com todas as plantas que tinha pela casa. Principalmente com as plantas na cozinha, no pátio e na sacada: consegui criar ambientes aconchegantes e sei que o mérito era das plantas.  

Vida que segue! Perdi aqueles ambientes mas ganhei outras coisas que tem muito valor para mim: sossego, canto de passarinho e ultimamente... barulho de grilo durante a noite! ALEGRIA! Era o que eu mais queria: dormir com as janelas abertas e escutar os grilos. Tenho ido para a cama tão feliz. Aliás todos os dias eu penso "que sorte poder viver assim", realmente estou muito feliz com tudo. 

Mas de qualquer forma arrisquei trazer plantas para o motorhome. Antes de sair de casa fiz mudinhas de algumas que eu já tinha:
 

  1. flor de maio 
  2. corações emaranhados (ceropegia woodii)
  3. rabo de burro (sedum morganianum)
  4. jiboia
  5. lambari (tradescantia zebrina)
  6. jiboia prateada (scindapsus pictus)

Apenas um planta veio tal e qual: tillandsia, que não precisa de terra, vive de ar/água. Essa foi pendurada no teto, baixei para tirar a foto: 
 
 

Acabei comprando outras plantas, assim que meu marido se acostumou com a ideia - inicialmente ele andava muito preocupado com excesso de peso, mas depois desencanou. Plantas que comprei pelo caminho:

Corações emaranhados bem grande: adoro esta planta e acabei comprando uma bem estabelecida. Coloquei por cima do armário da cozinha. Do lado coloquei uma avenca, mas infelizmente a avenca eu não consegui manter viva.

No passado já tive fitônias em tamanho normal, recentemente encontrei essas minis. Foram parar atrás de um dos bancos do motorhome:
 
 

O plano do verão era ficar bastante tempo no mesmo camping, então ao chegar comprei uns cravos de defunto (tagetes) para colocar do lado de fora e dar uma alegrada na nossa porta. Comprei também uma muda de margarida do mar (asteriscos maritimus), mas não tive sorte, foi atacada por cochinilhas. Achei melhor jogá-la fora do que espalhar as cochinilhas para todas as plantas:
 
 

Outro dia visitando uma exposição de plantas encontrei  corações emaranhados de uma cor diferente. Coisa mais fofa, que até então eu só tinha visto na internet! E num potinho minúsculo, que sorte! Foi parar no meio das fitônias:


Coisa boa ter plantas! Várias vezes por semana eu olho com atenção para todas e como são bem poucas dá pra notar pequenas diferenças, como folhas novas que vem surgindo. Tanto o lambari como os corações emaranhados já cresceram tanto que podei e fiz novas mudinhas em água:
 

Depois que criaram raízes plantei as mudinhas de volta no mesmo pote para deixar as plantas com um aspecto mais "cheinho". Outro dia a jiboia prateada colocou uma folha nova! E assim vou seguindo, prestando atenção nos pequenos detalhes e me sentindo muito feliz e sortuda de poder ter plantinhas. Não sabia se isso seria possível na estrada; não fazia ideia de como seria fácil.

Eu achei que tinha atingido a lotação máxima de plantas, mas outro dia reorganizei umas coisas no banheiro e liberei uma prateleira. Então agora tenho espaço para mais duas plantinhas. Ou se forem bem pequenas, talvez três ou quatro. E se encontrar outras tillandsias, então? O teto é o limite :)

sábado, 31 de agosto de 2019

impermanência, outra vez


Outro dia estava fazendo uma viagem mental, lembrando de todos as plantas que eu já tive nos vários lugares onde morei desde que saí da casa dos meus pais. E não conseguia me lembrar das plantas nos 2 primeiros apartamentos de aluguel, logo que casamos. Até que me lembrei: não tive nenhuma planta, naquela época eu tive um gato. Um gato adulto, sem um pedaço da orelha. O gato tinha um jeitinho tão feioso que quando eu cheguei em casa, voltando do centro de adoção, meu marido ficou admirado: mas porque tu pegou um gato tão horrível? Pois é, quem vê pelagem não vê coração. Ainda lembro daquela experiência maravilhosa na casa de adoção: ele foi o primeiro gato que eu peguei no colo e para a minha surpresa imediatamente ficou todo relaxado e tranquilo nos meus braços. Me apaixonei na mesma hora! Decidi adotá-lo, sem olhar para nenhum outro. Poucas semanas depois ele estava com outro aspecto, muito saudável - talvez faltasse comida no lugar onde estava. Era um gato muito fofinho mesmo, estava sempre me seguindo pelo apartamento, inclusive quando eu ia no banheiro ele entrava junto e ficava ali me acompanhando, kkk. Ou se eu fechava a porta antes do gato entrar ele ficava paradinho, do outro lado da porta, esperando que eu saísse. Adorava pular no meu colo e dormia sempre na cama conosco. Quando eu fui morar na Inglaterra não consegui levar o gato junto, ele ficou com uma amiga. Senti tanto a falta daquele gato! Foi uma experiência difícil mesmo. Foi um baque emocional tão grande que resolvi não adotar nenhum outro gato (afinal não sabia quanto tempo ficaria por lá) e voltei minha atenção para as plantas. Então foi assim que desenvolvi um interesse por plantas: tentando preencher o grande vazio que aquele gatinho encantador tinha deixado na minha vida. Acabei me interessando não só por plantas, mas também por cultivo de horta, flores silvestres, identificação de árvores... faz anos que adoro mesmo tudo isso. 

Isso me fez pensar em outras mudanças: lembrei que em 2006 resolvi passar mais tempo em Poa, para curtir a companhia dos meus pais, irmãos e sobrinhos. Arrumei uma bicicleta para pedalar enquanto estivesse lá. Nos anos 80/90 eu pedalei muito pela cidade, inclusive usava a bici como meio de transporte. Acontece que a situação de trânsito tinha mudado muito nesses anos todos. Por questão de poucos centímetros não perdi minha vida, na segunda vez que aconteceu desisti total de andar de bicicleta por lá. Resolvi abraçar um outro esporte enquanto estivesse no BR. Escolhi remo, esporte que poderia praticar tanto no Guaíba como no rio da minha cidade inglesa. Mas achei melhor aprender primeiro a nadar. E uma coisa incrível aconteceu: me apaixonei total por natação e me dei conta que nadar por si só era suficiente, não precisava remar para ser feliz. Difícil explicar a alegria que natação trouxe para a minha vida, principalmente para os invernos frios e chuvosos do hemisfério norte. E pensar que só aprendi a nadar porque senti que não tinha mais como pedalar em Poa.  

E a mudança mais recente: este ano me mudei para um motorhome porque estava realmente infeliz com a questão de "ruídos" no último endereço. Foi uma decisão difícil: relutei muito. E agora estou tão feliz - está sendo uma experiência fantástica.

Apesar de todas as mudanças que já passei (endereços/trabalhos/países) a verdade é que eu sou uma pessoa muito apegada à rotina e sinto uma imensa relutância em mudar. Já sofri muito com mudança. Diria até que já tive trauma com mudança, talvez por ter vivido uma infância instável de constante mudança. Mas pensando rapidamente lembrei desses 3 exemplos em que uma mudança de circunstâncias trouxe algo muito positivo para a minha vida: novo interesse, novo esporte, novo estilo de vida. Provavelmente eu tenha vários outros exemplos que não lembro agora. Outras mudanças virão pela frente, afinal a vida é impermanência mesmo. Tenho que lembrar que o novo sempre vem, e o novo pode ser divertido. Faz anos que eu sei disso, mas parece que ainda não interiorizei a mensagem. Um dia serei craque em mudanças.

quinta-feira, 18 de julho de 2019

simbora vencer a preguiça, mental principalmente


Outro dia fiz aniversário, agora estou com 48 anos. Comemorei da maneira que eu mais gosto: volta de bicicleta e picnic na natureza. Sendo que o picnic foi num lugar muito simpático, uma praia de rio:
 
 

Foi difícil mas consegui atingir o objetivo esportivo dos meus 47 anos: dedicar 470 horas às atividades físicas. No fim fechei 476. Dificultei a minha vida me dando vários "dias de férias" em dezembro/janeiro e depois tive que correr atrás. Curioso que apesar de adorar pedalar caminhar e nadar ainda assim muitas vezes sinto preguiça de sair de casa. Faz muitos anos que ter um objetivo esportivo bem definido e anotar tudo na planilha do excel tem me ajudado a vencer a preguiça. Na verdade faço poucas horas de atividades físicas de alta intensidade, a maior parte do tempo estou tranquilamente por aí pedalando ou caminhando na natureza me admirando com a beleza do mundo, algumas vezes na companhia de pessoas queridas. Gostei muito de ter feito isso nos 47 anos, provavelmente vou repetir nos 48 (talvez reduzindo o tempo total).

Finalmente resolvi fazer o que devia ter feito muito tempo atrás: adotar este mesmo esquema para meu outro grande objetivo que é "vencer a preguiça mental". Resolvi dedicar 480 horas pra vencer a preguiça mental enquanto tenho 48 anos. Este ano já consegui (re)incorporar leitura na minha vida mas tem outras coisas que gostaria de fazer mas nunca faço, como estudar italiano e aprender mais sobre assuntos variados... objetivos vagos que tomam tempo. Então agora estou com outra aba na minha planilha em que anoto o tempo dedicado a essas outras atividades também. Dividindo 480 por 365 dá em torno de 1h19 por dia ou então um pouco mais de 9h por semana. Trabalho meio turno, caso contrário não conseguiria dedicar tanto tempo para mim dessa maneira. Sem falar no tempo em que me divirto fuçando na minha planilha :)

terça-feira, 9 de julho de 2019

mudança na trilha sonora


Então que a vida deu uma reviravolta: deixei minha casa para trás (o mais difícil foi deixar as plantinhas para trás) e agora estou morando em campings, num motorhome. Parece que aquela vida convencional de antes faz parte do meu passado remoto, a sensação que eu tenho é que faz um tempão que estou nessa nova vida na estrada... mas na verdade só saí da casa dia 25 de maio. Estou super feliz, ele também - é o que importa.  

O que mais me motivou a sair da casa foi o problema de barulho na vizinhança. Ano passado gastamos uma quantia considerável em isolamento acústico no quarto. Que amenizou o problema mas não chegou a resolver. Então investimos também num sistema de som bem bacana, na tentativa de abafar os barulhos desagradáveis com outros tipos de ruídos. Estava me dando uma agonia viver num lugar de clima tão gostoso e ter que dormir com tudo fechado, ar condicionado ligado e uma gravação de barulho de chuva no modo repetição, para poder ter um pouco de sossego. E nunca escutar os grilos de noite, nem os passarinhos de manhã.
 
Então embarquei nessa vida atrás de sossego, de verde e de canto de passarinho. No passado já tínhamos ficado muito tempo em campings. Sempre com barraca e na meia estação (evitando o agito de julho/agosto). Aliás em 2009 eu fiz um destralhe pensando em algum dia viver num camping, de tanto que gosto do sossego e das simplicidade da vida nos campings. O plano era viver com tudo o que conseguisse levar no carro - não pensava em motorhome naquela época, queria viver numa barraca mesmo. E pensar que só agora, 10 anos depois, estou realizando aquele velho sonho. Só que de outra maneira, com muito mais conforto. E estou maravilhada com a flexibilidade do motorhome. Se não estamos felizes com os vizinhos de camping: com um motorhome é super fácil mudar de parcela ou até mesmo de camping. Estou curiosa para ver como será viver julho/agosto  em campings, quando provavelmente estará tudo lotado e não teremos tanta flexibilidade. 

Quanto a viajar: gosto de viajar mas não sou a louca das viagens. Faz mais de 20 anos que moro na Europa e ainda não visitei todos os países europeus. E o tempo vai passando e eu tenho menos e menos vontade de visitar capitais e cidades grandes. Se eu nunca visitar Budapeste ou Riga ou sei lá qual a capital europeia da moda no momento sei que não vou ficar triste. Como é a viagem ideal para mim: gosto de ficar várias semanas (ou até meses) num lugar só, fazendo minhas pedaladas e caminhadas na natureza, sem estresse e sem correria alguma. Acho super divertido visitar cidades grandes de vez em quando, principalmente para visitar museus de arte (adoro!). Mas só de vez em quando, no mais prefiro a tranquilidade de lugares pequenos. Na verdade o lugar não importa tanto assim desde que tenha sossego, passarinhos e verde, muito verde. Não imaginei que eu iria me sentir feliz de simplesmente estar longe da aridez do sul da Espanha. As paisagens que já foram corriqueiras uma vez estão voltando a fazer parte do cotidiano. Que alegria  rever esse tipo de coisa:


Olá rolinho de feno, que bom te ver por aqui :)
♫ é no verde que eu vou, pedalar até cair no chão ♫ 

dedaleira (digitalis purpurea) embelezando os caminhos
 
 
Um simples rolinho de feno, flores silvestres que eu já conheço pelo nome, um caminho verde no meio do nada, várias árvores decíduas juntas... eu sabia que estava com saudade desse tipo de coisa, mas não fazia idéia de como eu ficaria feliz em reencontrar coisas assim, todos os dias.

Mas o melhor de tudo mesmo mesmo mesmo MESMO está sendo escutar outros barulhos: chuva de verdade no teto do motorhome. Grilos durante a noite. Canto de passarinho de manhã cedo. Estou me sentindo tão feliz e sortuda por estar vivendo tudo isso. Tenho certeza que assim que o frio chegar vamos sentir falta do inverno ensolarado e ameno do sul da Espanha e será ótimo voltar. Mas falta muito ainda, todo um verão VERDE pela frente para ser vivido na sua plenitude, bora curtir.

sexta-feira, 24 de maio de 2019

feliz da vida


Escrevi o texto semana passada, no dia 16, mas esqueci de publicar: 

Estou em Porto Alegre visitando meus pais. Eles moram a 8km do centro/mercado público. Se não fosse o murmúrio de trânsito na distância, seria fácil esquecer que estou numa grande metrópole. Nos dias que não saio de casa é como se estivesse morando pra fora: entre árvores frutíferas, horta e galinhas:

 
O bairro mudou muito desde que meus pais compraram o terreno. Nos anos 70 a rua não tinha calçamento algum, era só uma estradinha de chão (sem saída). Nos anos 80 chegou o paralelepípedo. E o asfalto uns 10 anos atrás. As casas originais eram todas bem simples, mas muitos vizinhos estão vendendo seus enormes terrenos (20m de frente x 100m de comprimento) e novas moradias estão sendo construídas (prédios altos ou loteamento de casas iguais). O vizinho do lado direito colocou o terreno a venda e por algum tempo meu pai teve receio que construíssem um prédio alto que tirasse o sol da sua horta. Mas por sorte foram construídas várias casas de 2 andares que não chegam a atrapalhar, já que esse terreno está num nível mais baixo que a horta do meu pai. O vizinho do lado esquerdo tem uma mini floresta: todo o terreno está tomado por árvores, algumas frutíferas. Mas mesmo que venda e um prédio seja construído, a orientação é tal que não vai interferir no sol no terreno dos meus pais. Mas a perda será imensa: será o fim do mato e da visita de todos os passarinhos que passam por ali. 

Atualmente o pai está com 6 galinhas. Teve que se livrar do galo depois que algum vizinho se queixou do barulho. Parece que agora não pode mais ter galo em área urbana. Quando eu morei aqui (entre 1983 e 1995) uma coisa que eu adorava era escutar o canto do galo, tanto o nosso como o de outros galos pelo bairro. Acho curioso mesmo esse preconceito contra canto de galo, enquanto que várias pessoas tem cachorro de guarda que latem a qualquer hora do dia ou da noite.

 

Então nesses dias aqui tenho acompanhado meu pai na sua rotina. Apesar de estar com 84 anos e caminhando com dificuldade com a ajuda da bengala, ele ainda se diverte dando de comer às galinhas, buscando ovos, colhendo bergamotas, essas coisas. Ontem ficamos procurando um camapu que estivesse maduro, parece que ainda não é bem a época. Enquanto caminhava pela horta/pomar com meu pai me bateu uma saudade imensa dos tempos que eu tive meu jardim e minha horta. Do cuidado do plantio e expectativa da colheita, de acompanhar o ciclo das plantas ao longo do ano. Foi ao mesmo tempo um aperto no coração e um momento de clareza: fiz bem em tomar a decisão de vender minha casa na Espanha (sem jardim, apenas pátio com laje). E estou empolgada com o futuro: viver alguns anos viajando, e enquanto viajamos vou ficar de olho em alguma propriedade que tenha quintal, boa orientação solar, comércio não muito longe, essas coisas. E quero eventualmente (em 10 anos no máximo) viver outra vez com quintal e horta. E finalmente ter as minhas sonhadas galinhas. 

Na verdade está tão gostoso aqui mesmo (na casa dos meus pais) que até pensei que ficar por aqui seria uma opção também. Se algum dia o vizinho do lado colocasse seu terreno/mato a venda eu poderia tentar comprar, mas certamente não conseguiria bater a oferta de uma construtora. Fiquei pensando nessa possibilidade (remota, afinal meu marido odeia P. Alegre): em ficar aqui mesmo, comprar o terreno do vizinho e ter meu próprio mato na minha cidade natal. O que me desanima é a violência. Meu pai e o vizinho nunca foram assaltados, mas muitas pessoas já foram. Inclusive as cuidadoras da minha mãe, caminhando pela rua em direção a parada de ônibus que fica lá embaixão, na avenida, a longínquos 600m. 

Na visita anterior (em setembro do ano passado) os conhecidos comentaram tanto de violência que eu fiquei com muito medo e só andei de taxi. Mas dessa vez resolvi deixar as paranóias de lado e voltar a fazer o que sempre fiz em Porto Alegre: caminhar e usar transporte público. Adoro andar de ônibus e ler os poemas nas janelas.  
 
Estou super feliz de estar aqui, feliz pela saúde do meu pai, feliz de ainda ter amigos na cidade, feliz de ter um trabalho flexível que me permite viajar bastante, feliz de não ser funcionária pública. Sim, eu senti uma imensa sensação de alívio em relação a isso. Obrigada Adriana dos anos 90, que mandou segurança pro espaço e largou aquele emprego público.

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Escrevi os parágrafos anteriores no dia 16/05. Agora já estou de volta na Espanha. Mas antes de partir comi camapus que meu pai colheu para mim, e duas paneladas de pinhões. Fui na médica, e fiz todos os exames. Tive tempo de renovar meu passaporte. Encontrei as pessoas queridas. Pedalei 70km pela serra, em ótima companhia. E joguei cartas com meu pai. Tentei deixar ele ganhar na escova mas mesmo assim eu ganhei. Mas ele sempre ganha na canastra (mesmo facilitando para mim) então no fim tudo saiu dentro da nossa normalidade :)

segunda-feira, 29 de abril de 2019

guardar só o que é bom de guardar :)


Lembro que muitos anos atrás a professora de inglês fez a seguinte pergunta: se a casa estivesse pegando fogo e cada pessoa da família só pudesse pedir aos bombeiros salvar um único pertence, o que cada um salvaria? Eu estava com 17 anos e não tinha nenhum bem material digno de ser salvo do fogo. Aliás de bem material eu só tinha minhas roupas, meus livros/cadernos e a bicicleta. Na verdade naquela época eu já era aficionada em andar de bicicleta e tinha duas: uma caloi 10 para pedalar nos findis e uma caloi Ceci para ir no colégio durante a semana. Mas ainda assim não achava a bicicleta tão importante a ponto de arriscar a vida de alguém para que fosse salva. Afinal é um bem facilmente substituível. Mas para responder alguma coisa, escolhi salvar uma das bicicletas. Lembro que todos os demais colegas escolheram salvar as fotografias. Achei ótima ideia mas eu não tinha fotografias, elas eram todas dos meus pais; então seria para eles decidir se queriam salvar as fotos ou não.

Tenho pensado bastante nas minhas coisas e no meu apego às coisas. Se o fogo fosse hoje em dia, o que eu escolheria salvar? Ou se tudo fosse destruído antes da chegada dos bombeiros, do que eu realmente sentiria falta? Desconfio que sentiria pena de ter perdido alguns itens (quadros pintados pela minha mãe e as nossas xícaras, cada uma com sua história) mas também sentiria uma imensa sensação de alívio por todas as tralhas perdidas, principalmente projetos inacabados: livros que ainda não li, costuras que não fiz, projetos de madeira que andam parados. Seria uma oportunidade de abandonar de vez alguns hobbies / interesses, sem remorso. E seguir adiante. 

Tenho pensado nisso tudo porque resolvi me mudar para um espaço reduzido. Meu marido e eu compramos um motorhome. Inicialmente o plano era viajar no verão e passar os invernos aqui na nossa casa... Aliás até ontem de manhã eu ainda estava com esse plano. Inclusive ontem comecei a escrever um texto sobre isso aqui para o blog, e acabei refletindo mais sobre o assunto. Melhor vender a casa, investir o dinheiro por uns anos e mais adiante alugar/comprar outro tipo de propriedade. Uma casa com terreno pela volta, já que um dos sonhos que ainda não realizei é ter galinhas. E viver num lugar mais tranquilo. E nesse meio tempo, curtir a vida sobre rodinhas. O plano é embarcar numa viagem de motorhome a partir de maio (depois da minha ida ao BR visitar os parentes). Provavelmente no inverno a gente acabe voltando para esta região que gostamos tanto, mas para isso não precisamos ter uma casa: podemos ficar num camping. Estou sentindo uma imensa sensação de alívio agora que decidi sair definitivamente desta casa. Foi um erro enorme ter comprado isso aqui. E pensar que eu insisti tanto nesse erro. Custei bastante para me perdoar, mas já consegui. Hora de seguir adiante.

Voltando ao assunto "coisas": o que fazer com nossas coisas, já que o espaço no motorhome é super limitado? Resolvi que vou reunir todas as coisas que para mim tem algum valor, colocar numa caixa e guardar num depósito ou na casa de algum amigo. Quero manter alguns objetos significativos.

 
Dá pra ser feliz sem a dupla de imãs de geladeira que nos acompanha desde 1990, sendo que o pinguim até já perdeu uma patinha? Sim, claro que dá. Não preciso das minhas xícaras para ser feliz, nem dos quadros da minha mãe para me lembrar dela. Mas um dia quero ter uma casa outra vez, e ao invés de estar numa situação estéril em que nada me diz coisa nenhuma, onde tudo é descartável ou facilmente substituível, tenho certeza que uma das alegrias será voltar a usar esses objetos que me acompanham desde tanto tempo, cada um com sua história e uma memória feliz por trás. Por exemplo ainda tenho as primeiras facas de serrinha que compramos juntos em 1996 quando chegamos nos Eua. Compramos um conjunto bem barato e genérico, e que surpresa boa ao chegar em casa e abrir a caixa: as facas eram todas da Tramontina! Que alegria: facas de qualidade, da minha terra, compradas tão longe. Lembro até de ter escrito para a minha mãe sobre isso, tão feliz que eu fiquei. Já comprei outras facas de serrinha desde então (Ikea e outras), nenhuma tão boa como as nossas velhas facas tramontina. Aliás duas vão viajar conosco.

domingo, 31 de março de 2019

vencendo a preguiça


Então que resolvi parar de enrolar e voltar a ler. Durante o mês de março li 30 minutos por dia, em média. Sei que não é nada para quem lê bastante; eu mesma já li bem mais que isso no passado, no tempo em que vivia devorando livros. Mas faz anos que não tenho lido quase nada então estou super feliz de retomar o hábito da leitura. Estou com vários livros na lista para ler; tinha esquecido como é bom essa coisa de estar lendo um livro e já se empolgar com os próximos.

quarta-feira, 20 de março de 2019

o balançar da carroça


Então que viajei por 4 dias para visitar amigos na minha velha cidade, e nem sei dizer o que estava me deixando mais feliz: rever os amigos ou a cidade que eu tanto adoro! Parti na maior empolgação. 
 
O objetivo principal da viagem era rever uma determinada amiga. Infelizmente essa parte aí foi uma experiência meio negativa. Eu simplesmente CANSEI das pessoas que não sabem conversar, que não entendem que conversa é troca. Cansei de ser interrompida, cansei de não ser ouvida, cansei de me sentir 'usada', como se eu só estivesse ali para servir de audiência. Não é a primeira vez que minha amiga faz isso, mas no passado eu sempre relevei: "vai ver que está estressada com o novo emprego, tadinha", "vai ver que está estressada com o divórcio", etc. Agora saturei de uma tal forma que não tem mais volta, não tenho mais como dar para ela o benefício da dúvida. Principalmente depois do desastre na janta de domingo (quando eu mencionei fazer alguma coisa com L, nossa amiga em comum, e a reação da minha amiga foi a pior possível. Bah, que decepção). Em vários momentos pensei "isso também passará" e fui gentil até o último momento. Mas tenho 100% de certeza que nosso tchauzinho final foi um adeus bem definitivo, porque para mim chega. Continuo gostando da pessoa e desejando tudo de maravilhoso, sempre - mas a partir de agora no que depender de mim o contato será esporádico e apenas por escrito. Estou escrevendo isso aqui para não esquecer: tenho que me valorizar, me respeitar e me afastar de pessoas assim. 

Revi também um velho amigo inglês, que já foi mencionado aqui no blog: tivemos um desentendimento político em 2016. Ano passado conseguimos nos acertar (por email/telefone), e essa foi a primeira vez que nos reencontramos desde então. Evitei conversar sobre política. Está tudo indo ladeira abaixo e seria tão fácil dar uma alfinetadinha, mas me contive. Ele também evitou qualquer assunto controverso. Foi extremamente gentil: fez questão de me buscar de carro na estação de trem, arrumou o quarto de visitas para a minha chegada, cozinhou uma janta deliciosa e no dia seguinte fez questão de me levar até a estação de trem. Eu podia ter caminhado até a estação local, mas ele fez questão de me levar na estação mais longe, com melhores conexões, para eu não precisar ficar esperando o trem por tanto tempo. Que coisa boa ser paparicada! Desde que nos mudamos para a Espanha recebemos hóspedes em casa, várias vezes por ano, e buscamos e levamos pessoas no aeroporto, que fica a 1h20 de distância - admito que muitas vezes tenho vontade de lembrar as visitas que na Espanha também existe transporte público, quem diria!? Mas enfim, foi uma experiência muito bacana experimentar o outro lado disso tudo, me senti tão sortuda e agradecida por tanta gentileza e esforço do amigo para que eu me sentisse bem. 

Revisitei Cambridge, a cidade que eu tanto adoro e onde morei por tantos anos. Foi a cidade em que vivi por mais tempo até hoje. Nem mesmo em Porto Alegre, minha cidade natal, eu morei por tanto tempo. E foi uma experiência curiosa: se por um lado eu fiquei extremamente feliz de rever certos lugares preferidos, como o museu Fitzwilliam, o jardim botânico e algumas ruas e parques que eu gosto tanto, por outro lado... acabei olhando a cidade de outra maneira. Nunca imaginei que isso fosse acontecer e eu voltaria a ver a cidade como eu a vi pela primeira vez: sem purpurina. Logo quando me mudei para lá (nos anos 90!) eu reparei inicialmente no lado mais feioso. Só depois, quando minha situação de trabalho mudou e tive mais tempo livre para curtir, é que me encantei com a oferta cultural e passei a relevar a feiura. Mas agora percebi o lado feio outra vez. E por um lado foi interessante ver a cidade tal como é, além da oferta cultural, da beleza arquitetônica, do multiculturalismo que eu tanto gosto. Me senti tão aliviada ao perceber isso, foi como me sentir livre de um feitiço, amém.
 
Ao mesmo tempo fiquei com vontade de visitar Cambridge com certa regularidade. Não deixar tanto tempo passar: voltar pelo menos uma vez por ano, assim como faço com Porto Alegre. Bater ponto nos lugares favoritos e rever determinadas pessoas. Não apenas as mais chegadas; gostei também de rever os conhecidos de vista, como o proprietário do mercadinho asiático. Ele ficou tão feliz quando eu mencionei que tinha me mudado para longe e sentia muita falta da sua loja. Por anos e anos eu fiz as compras no seu mercadinho (adoro cozinhar comida asiática). Conversamos bastante; ele estava mesmo saindo de férias no dia seguinte - 4 dias em Portugal. Pena que nem lembrei de tirar uma foto com essa pessoa que também faz parte da minha história. 

Outro momento muito legal da viagem foi pedalar de Cambridge até Ely. Peguei uma bicicleta emprestada e fui. Uma pedalada que já fiz tantas vezes, em torno de 40km pela imensidão das planícies. E as planícies não decepcionaram, continuam lindas. O grande obstáculo é sempre o vento, que nesse dia estava cruel. Mas tive sorte e não choveu, pelo contrário - estava um dia ensolarado. 

Outro lugar que nunca decepciona é o jardim botânico da universidade: continua encantador. Inclusive tive sorte de ver floridas as campainhas de inverno que eu ajudei a plantar, anos atrás. Mas o que me surpreendeu foi que uma parte boa da viagem foi VOLTAR PARA CASA! Houve momentos nos últimos anos em que duvidei se algum dia iria me sentir assim em relação a esta casa/este lugar. Ufa, até que enfim. Sinto que o coração vai entrando nos eixos. E que agora estou em melhores condições de lidar com as próximas mudanças pela frente.  

O balançar da carroça sempre ajeita as melancias... Vida que segue, me sentindo bem mais leve agora.
 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

repensando a minha atenção


Um dia desses aconteceu uma coisa que me deixou um pouco surpresa e muito feliz comigo mesma. Meu marido estava vendo um vídeo no youtube e uma música clássica começou a tocar como fundo musical do vídeo. Ele se vira para mim e pergunta: sabe que música é essa? Prestando atenção logo me dei conta que era uma das estações de Vivaldi... suspeitei que fosse o Outono, mas qual movimento? Entrei rapidamente no Spotify e procurei o terceiro movimento do Outono, e não é que estava certa? 

Fiquei feliz mesmo de lembrar do Outono de Vivaldi. Já é a segunda vez que me acontece isso esse ano, num outro dia ele me perguntou se eu conhecia uma outra música. Aquela era de Mozart, o primeiro movimento da "Pequena Serenata Noturna". Na verdade nem precisei conferir a serenata do Mozart no Spotify; já escutei tantas vezes que não tenho a menor dúvida.

Fiquei supresa e feliz porque eu me considero uma pessoa distraída que não presta atenção em muita coisa e não lembra dos detalhes de quase nada. Por exemplo de vez em quando ainda tenho que olhar no dicionário o significado de anaeróbico, a priori, empírico, pragmático e outras palavras assim, parece que tenho dificuldade de fixar certos conceitos. Mas se eu for pensar bem, a verdade é: sim, eu lembro dos detalhes de muita coisa. Quando revejo uma flor ou um pássaro pouco comum, lembro exatamente onde eu vi ou prestei atenção naquela flor ou pássaro pela primeira vez. Lembro exatamente onde eu estava quando vi todos os diferentes pica-paus que já vi até agora. Sendo que já vi 6 tipos de pica-paus em 5 lugares bem diferentes.  

Também presto atenção em obras de arte. Ano passado estive no Museu Thyssen em Madri. Olhando de longe uma obra me chamou a atenção e desconfiei que fosse de Marc Chagall, apesar de só ter visto uma única obra de Chagall até então (vitrais de uma catedral que visitei em 2002). Mas realmente aqueles vitrais ficaram gravados na minha memória, de tão bonitos que eram. E o azul do quadro era o mesmo azul dos vitrais, a mesma leveza das figuras etc. E conferindo o painel ao lado da obra, a confirmação que era mesmo de Chagall.
 
Então talvez eu devesse atualizar a ideia que eu faço de mim mesma. Admitir que sou uma pessoa atenta para algumas coisas. Estou sempre prestando muita atenção no que EU considero interessante. O resto geralmente dá pra conferir nas notas, nos livros ou no google :)

Faz algumas semanas que escrevi o texto, mas fiquei na dúvida se publicava ou não. Mas realmente eu tenho que lembrar que é perfeitamente OK celebrar minhas pequenas vitórias aqui no blog.

detalhe da obra "A Virgen da Aldeia" de Chagall, no museu em Madri

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

2019 fotos em 2019?


Escrevi o texto ao longo do mês:

02.01 Resolvi finalmente abraçar com ganas um dos meus projetos que faz anos e anos que está na lista de "coisas pra fazer", só que nunca faço:  organizar minhas fotos, tanto as reveladas como as digitais. Desde 2002 estou acumulando fotos digitais, sem maiores organizações e sem deletar as piorzinhas. Quando quero encontrar uma foto é aquele drama, e muitas vezes nem encontro. A única organização é anual, tenho um folder para cada ano, e média de 5600 fotos por ano(!). Essa média é desconsiderando o ano de 2010, porque se eu incluir 2010, a média sobe para 6000. Tirei mais de 11 mil e quinhentas fotos em 2010, o ano em que tudo saiu do controle. Nossa, que vergonha admitir isso. E pra quê tanta foto? Sou fotógrafa profissional? Não. Tenho blog de fotografia? Não. Estou no instagram/facebook/etc? Também não. Lembro que em 2010 eu tive alguns problemas emocionais e talvez fotografia tenha sido uma forma de lidar com isso. De qualquer forma, 5600 fotos por ano já é um número bem exagerado. Em 2018 tentei manter a fotografia sob controle e ao mesmo tempo fiz um projeto muito divertido, uma colagem semanal das fotos. Aliás gostei tanto  de prestar atenção na beleza dos meus dias que estou repetindo o projeto em 2019.

Durante 2019 o plano é tirar menos fotos (ficaria muito feliz se conseguisse terminar o ano com 2019 fotos, ao invés das +5000 costumeiras). E quero também organizar as fotos anteriores, de alguma maneira... Mas por outro lado não sei quanto tempo vou querer dedicar a olhar pra trás. Afinal, pra frente é que se anda!
 
23.01: estou muito feliz que estou conseguindo manter as fotos de 2019 sob controle. Em 22 dias até agora estou com apenas 70 fotos, o que dá 3.18 fotos por dia. Se eu manter esse ritmo, vou terminar 2019 com 1161 fotos. Mas sei que quando estiver por aí viajando no verão vou tirar bem mais fotos por dia, então na verdade talvez devesse estar tirando ainda menos fotos agora para poder tirar mais depois!
 
24.01: Resolvi encarar as fotos de 2018. Na minha cabeça eu tinha a ideia que tinha maneirado um pouco a quantidade de fotos, mas na verdade tenho 5403 fotos na pasta de 2018. Então resolvi começar com o mês de janeiro. 455 fotos, média de 14.6 fotos por dia. Uma hora depois, tinha reduzido para 133 fotos, menos de 5 fotos por dia. Tenho os demais meses para repassar. Ficaria muito feliz se conseguisse reduzir o número total de fotos de 2018 pela metade.
 
31.01: Estou num ciclo do bem e acho que finalmente vou conseguir resolver essa questão das fotos. Entrei no hábito de repensar as fotos do dia, todos os dias! Então não tenho mais deixado as fotos duplicadas acumular e tenho muitas vezes deletado todas as fotos de alguma coisa. E em muitas situações que eu tirava fotos, agora não tenho mais tirado e pronto. Tenho pensado "nossa pra que tirar foto disso, só pra deletar depois?". E ser mais seletiva no dia a dia está me ajudando a deletar as fotos de 2018 sem remorso algum. Estou gostando mesmo de fazer isso, e acho que vai me ajudar no destralhe em geral.
 
E cheguei no fim de janeiro com apenas 90 fotos, então consegui ficar com menos de 3 fotos por dia. Três fotos por dia talvez seja um montão ainda, mas para quem estava com quase 15 fotos/dia em janeiro de 2018, é um progresso enorme. Parabéns para mim!

E um apanhado do meu progresso em relação as fotos de 2018:
Janeiro: comecei com 488 fotos, estou com 133
fevereiro: comecei com 372, reduzi para 153
março: de 288 para 137
abril: de 218 para 152
maio: 788 fotos! Viagem para Madri e vários passeios nas montanhas. Foi difícil, mas consegui reduzir para 414.

O que tanto fotografo: de vez em quando fotografo algum prato de comida que me deixa feliz só de olhar; minha casa quando está tudo lindo e arrumado, para me lembrar depois como pode ser;  meu fotogênico marido e seu lindo sorriso; nossos bichinhos de estimação; qualquer passeio que eu faço, toda e qualquer caminhada e volta de bicicleta. Alguma obra de arte em museus que me marcam muito (mas na verdade prefiro anotar o autor/nome e procurar online depois). Mas principalmente fotografo a natureza: flores, o mar, as nuvens, a alvorada de todo dia e as árvores, sempre as árvores. Adoro fotografar árvores.

Aiaiai, quero só ver quando eu chegar nas fotos de julho e setembro, que foram os meses com passeios mais interessantes e arborizados! O desafio continua...


Alguns ótimos momentos de janeiro até maio, 2018



 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

lobos e hábitos


Gosto de um podcast que se chama The One You Feed, é baseado na parábola dos dois lobos:" vovó explica para sua netinha que dentro de cada um de nós há uma batalha entre dois lobos. O lobo bom, que representa características como honestidade, generosidade, gentileza... e um lobo mau, que representa características como inveja, medo e preguiça. E a netinha pergunta: qual lobo vence a batalha? Vovó responde: aquele que você alimenta". A primeira vez que escutei isso foi em 2016 e foi como um tapa na cara: eu andava mesmo obcecando com um assunto político que tanto me atormentava na época. O podcast sempre começa perguntando para os entrevistados o que essa parábola representa para a vida deles - acho bem interessante mesmo escutar a perspectiva de cada um. 

Outro dia o entrevistado era James Clear, que escreveu um livro sobre hábitos. Achei o interessante o que ele tinha a dizer sobre o papel da identidade nessa questão dos hábitos:

"Uma vez que você adota uma identidade, você não está mais buscando a mudança de comportamento, você está apenas agindo de forma condizente com o tipo de pessoa que você já acredita que é. Um exemplo: imagine que você tem duas pessoas que são fumantes e estão tentando desistir. À primeira você oferece um cigarro e ela diz: não, obrigado, estou tentando parar. E a segunda pessoa que você oferece um cigarro diz "não, obrigado, eu não sou fumante". Mesma ação, ambos estão recusando o cigarro. Mas a primeira pessoa ainda se identifica como alguém que fuma. Ela está tentando fazer algo que não é. A segunda pessoa está se identificando como não fumante. Isso sinaliza uma mudança na identidade. Isso é uma coisa muito poderosa, porque uma vez que você se vê como esse tipo de pessoa, você tem uma razão adicional para reforçar esse comportamento. Pequenos hábitos e pequenas ações são o melhor método que temos para moldar nossa identidade. De certo modo, seus hábitos são como você incorpora uma identidade particular. Toda vez que você faz sua cama de manhã, você personifica a identidade de alguém que é caprichoso e organizado. Cada ação que você toma é um voto para o tipo de pessoa que você quer ser ou acreditar que você é. Ao votar, ao repetir esses pequenos hábitos, você cria evidências de ser esse tipo de pessoa. E a evidência é uma parte crucial: enraíza a identidade, é a prova de ser esse tipo de pessoa. Algumas pessoas dizem coisas como "fingir até você conseguir". Mas "fingir até você conseguir" é um pouco diferente do que estou falando aqui. Seria pedir para você acreditar em algo sem ter provas disso (uma ilusão). Em algum momento, o cérebro não gosta dessa desconexão. Mas se você pode olhar para trás e dizer "eu arrumei a cama em 13 dos últimos 14 dias", você tem provas de ser uma pessoa caprichosa. Seus hábitos e ações dão a você uma prova de quem você é e, gradualmente, com o tempo, eles podem remodelar um pouco sua identidade ou expandi-la ou atualizá-la em alguns aspectos."
 
Então eu posso parar de pensar em mim mesma como alguém que está tentando meditar e me identificar como alguém que medita.

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Feliz 2019, Pri!


Quando eu digo que leio poucos blogs, são poucos mesmo, apenas 4. Acabo de deixar um recadinho de Feliz Ano Novo para todos, com exceção do blog da Pri. Então vou ter que sair da programação normal para escrever para a Pri.

Querida Pri: não sei porque, mas faz alguns meses que eu não consigo mais deixar recados no teu blog. Fiquei super feliz com a volta do seu gatinho, mas não consegui comentar porque o google quer que eu crie uma conta google+ e eu não pretendo fazer isso (se puder evitar). Antes dava pra comentar normalmente, não sei o que aconteceu.  Umas semanas atrás até deixei recado em outro dos teus blogs, alertando para esse fato.

Então fica aqui o meu desejo de um Feliz Ano Novo, que em 2019 vc siga enchendo sua casa e sua vida de bondade e beleza. Desejando muita saúde (e que vc se lembre de comer salada e frutas, beber água e fazer seus exercícios). E por falar em beleza, olha só que bacana: meu cactus finalmente floresceu um pouco antes do Natal! Lembrei de vc, sei que vc tem um parecido (numa cor diferente):



Bjo e Feliz 2019!