Ao longo do ano fui mantendo um diário musical, aqui algumas das entradas mais significativas:
Janeiro: Só agora fui me ligar em George Ezra! Que está fazendo sucesso desde 2014, como pude não perceber? Escutei várias e gostei de muitas, acho que minha preferida é ♪ Budapest. Torrei a paciência do meu marido de tanto ouvir Budapest no carro.
Fevereiro: Meu marido gosta de um estilo de música que eu chamo de "música de gnomo". Eu escuto esse tipo de música e imagino um monte de gnomos marchando pela floresta, até chegar numa clareira onde fazem uma festa com música e dança ao redor de uma fogueira. De tanto ele escutar eu até já estou gostando de uma ou duas
♪ Mago de Oz, Hazme un sitio entre tu piel
♪ Celtas Cortos, Silencio
Março: O som da opressão no ar! Tive que ir pra Catalunha e entre mil bandeiras e cartazes nacionalistas uma música me chamou a atenção: ♪ Caminem Lluny - Doctor Prats
Abril: graças ao Spotify cheguei no Bailão do Ruivão e cantei várias vezes ♪ Lindo Balão Azul com o Nando Reis e o meu marido, enquanto dirigia até o lugar onde pedalamos diversas vezes. Meu abril foi muito florido e divertido. Aproveitamos para cantar novamente ♪ O Carimbador Maluco. Na parte do "tem que ser selado carimbado avaliado" - cantamos também homologado, que aqui na Espanha tudo tem que ser homologado kkk.
Maio: No avião a caminho do Brasil vi alguns filmes novos, mas revi também um filme que para mim é divertido e super reconfortante: Little Miss Sunshine. É como beber chá enrolada numa coberta num dia de muito frio. E adoro a música que rola nos créditos: ♪ till the end of time. Fiquei ouvindo várias vezes, essa infelizmente não está disponível no spotify, mas tem no youtube.
♫ Our hearts irrevocably combined
Star-crossed souls slow dancing
Retreating and advancing
Across the sky until the end of time ♫
Chegando em Poa arrastei meu pai para o show do Almir Sater. Sendo que meu pai adora Almir Sater mas não queria ir, por preguiça. Interessante só agora notar isso no meu pai; tive a quem puxar nessas questões de ter preguiça de fazer as coisas que eu sei que gosto. O Almir Sater cantou a preferida do meu pai ♪ Chalana entre várias que eu não conhecia. Gostei muito de uma música cuja letra dizia o seguinte:
♫ A vida vem lá de longe
É como se fosse um rio
Para rios pequenos, canoas
Grandes rios, navios
E lá bem no fim de tudo
Começo de outro lugar
Será como Deus quiser
Como o destino mandar...♫
E fiquei muito feliz que ele cantou uma música que eu lembrava de ter ouvido várias vezes no rádio, nos anos 80, na voz de Tetê Espíndola:
♫ É pra Corumbá, é lá que eu vou pegar um barco
E descer o rio paraguai, cantando as canções que não se ouvem mais ♫
Bah, quanto tempo! Adoro mesmo essa música, finalmente descobri seu nome: ♪ Cunhataiporã.
Ainda em maio: fiquei muito mas muito feliz que consegui manter minha rotina de exercícios enquanto estava em Porto Alegre. Eu sempre chego na cidade cheia de planos, mas questoes familiares me desanimam de uma tal forma que entro num momento deprê em que não faço nada. E dessa vez foi diferente: não me deixei abater, fiz tudo o que queria e até mais. E uma das coisas que eu queria era continuar meu programa de exercícios (para fechar minhas 470h enquanto tenho 47 anos). Em dias que não pude caminhar/pedalar eu aproveitei para dançar, correr e pular ao redor da mesa da cozinha, ouvindo músicas aleatórias no Spotify.
Junho: fiz uma viagem no tempo, de volta para 2002. Fiquei sabendo da morte do ex-vocalista da banda Angra e fiquei com pena - ele só tinha 47 anos, a mesma idade que eu tenho hoje. Em 2002 o meu irmão (bem mais jovem que eu) morou um tempo conosco e naquela época ele gostava desse tipo de música. Então foi um ano em que fui exposta a músicas que normalmente não ouviria. E ouvi novamente ♪ Carry On:
♫ Follow your steps and you will find
The unknown ways are on your mind
Need nothing else than just your pride to get there
So carry on, there's a meaning to life which someday we may find
Carry on, it's time to forget the remains from the past ♫
Aproveitei e escutei uma outra música daquele tempo: ♪ Rubina's blue sky happiness de Joe Satriani. Apesar de ser de 1992, eu só fui escutar em 2002 com meu irmão, que passou por uma fase de escutar muito Satriani e outros guitarristas cujos nomes não lembro agora. Rubina's blue sky happiness é a música que mais associo com aquela época boa da minha vida.
Ainda junho: escutei uma música no rádio do banheiro do camping, que inicialmente me pareceu ser cantada por uma mulher. Fiz uma nota mental e conferi depois, fiquei sabendo então que a música é de JS Ondara, um cantor natural da Nigéria. Gostei de várias das suas músicas, acho que minha preferida é ♪ Lebanon, apesar da letra não fazer muito sentido:
♫ Oh, Lebanon, life is brief
Don't sit alone in your constant fear
Open up, I shan't be like Canada ♫
Julho: escutei tanta música nova! Fui num festival de música e escutei Le Naf, Shipswool e outros... Num outro dia escutei um cantor senegalês que eu não conhecia chamado Ali Boulo Santo e o melhor de tudo foi uma apresentaçao de músicas muito doidas de acordeão com uma linda paisagem de fundo.
Agosto: uma coisa que eu gosto de fazer no spotify é escutar versões de músicas que eu já conheço por outros intérpretes, e procurando uma outra versao de ♪Admirável Gado Novo cheguei num cantor chamado Canindé. Resolvi escutar o disco todo e nossa, que choque foi ouvir uma música lá da minha infância, que eu nem me lembrava mais. Mas quando chegou no refrão logo lembrei de tudo, quantas vezes escutei isso no rádio nos anos 70?
♫ Eu queria nessa vida simplesmente
Um lugar de mato verde
Pra plantar e pra colher
Ter uma casinha branca de varanda
Um quintal e uma janela para ver o sol nascer ♫
♪ Casinha branca de Gilson, recomendo a versão de Canindé.
Setembro: gosto muito de escutar um podcast chamado "viajando despacio", sobre viagens em bicicleta. Muitas das músicas seguem o tema das bicis também, e uma que escutei no podcast e gostei muito foi de um português chamado João Afonso:
♫ Carteiro em bicicleta, leva recados de amor..♫
Comemorando 30 anos que conheço meu marido, lembrei de algumas músicas do tempo em que nos conhecemos, entre as quais ♪Waiting for a star to fall, de Boy Meets Girl, mas nada que tenha lá muita vontade de escutar de novo kkk. Aliás os poucos músicos da juventude que eu ainda escuto de vez em quando são Nei Lisboa e Tracy Chapman, e cada vez menos. Aliás uma pequena vitória que eu tive nesse sentido foi NÃO assistir o show do Nei Lisboa enquanto eu estava em Porto Alegre em maio. Acho que é a primeira vez que perco um show do Nei para fazer alguma outra coisa. Preferi sair pra jantar e conversar com minha irmã e meu cunhado, muito mais divertido do que ficar ouvindo ♪telhados de paris ou ♪revolução pela enésima vez. Eu simplesmente adoro Spotify e a possibilidade de estar sempre escutando coisas novas. Se é pra se agarrar no passado, vou me agarrar num passado super remoto e no meu programa de rádio preferido: "música antigua", com Sérgio Pagan.
Outubro: outra música que escutei no podcast viajando despacio, pra variar uma que não está relacionada com bicicletas. Mas tem tudo a ver com momentos difíceis:
Vivir - estopa y rozalen
♫ ¿Sabes? hace tiempo que no hablamos
Tengo tanto que contarte, ha pasado algo importante
Puse el contador a cero
¿Sabes? Fue como una ola gigante
Arrasó con todo y me dejó desnuda frente al mar
Pero ¿sabes? Sé bien que es vivir
No hay tiempo para odiar a nadie
Ahora sé reír... ♫
Novembro: Vivi um momento divertido com uma música do George Ezra. Estava visitando um amigo e seus filhos (de 6 anos) e perguntei para os meninos quais músicas eles gostavam. Um responde "não sei bem a letra, mas é mais ou menos assim..." e começa a cantar uma parte de ♪ Shotgun, de George Ezra! Haha, que divertido, cantou justo uma música que eu conheço. Então fiquei cantando
♫ I'll be riding shotgun underneath the hot sun feeling like someone ♫ com o amiguinho e me sentindo como alguém que não é assim tão distraída :)
Mas a música que martelou na minha cabeça durante o mês de novembro foi ♪ Cidade, de Mafalda Veiga:
♫ A ponte despida e solitária agarra-se à terra e ao tempo
Entre golpes de raiva e ternura
os meus sonhos e os meus fracassos
Está escuro na inquietação do vento
Nas luzes esquecidas do rio
E tentam roubar-nos os dias, tentam calar-nos as forças
Mas algo em mim sobrevive, desesperadamente
Quero que por fim nos traga o sol
Andando pelo rio, perdidos na claridade
Hoje só quero deixar viver esse momento
Hoje só quero caminhar pela cidade ♫
Dezembro: Pra terminar o ano, nem tudo está perdido:
♪ La respuesta no es la huida - Maldita Nerea
♫ Dímelo de verdad, la respuesta no es la huida
O que tu alma cansada, se quede ahí, rendida
No encontrando el camino, enunciando un destino
Que vive en ti, que vive en ti
En ti ahora y siempre!
Y aunque ahora el mundo gire en otra dirección
Eres tu quién le da sentido
A lo que dice tu dormido corazón, no todo está perdido ♫
Amém.
Estava escrevendo esta longa mensagem (uns dias atrás) quando chegou um email do Spotify, me dizendo que Maldita Nerea foi o artista que eu mais escutei nos últimos anos. Não fiquei surpresa, adoro essa banda espanhola!
Segundo o Spotify, as descobertas de 2019 para mim foram: George Ezra, JS Ondara, Canindé e Almir Sater. E o estilo musical que eu mais escutei em 2019? MPB. Sim, nossa boa e velha música popular brasileira continua sendo meu estilo musical preferido, adoro adoro adoro! Faltou anotar aí pelo meio, mas em agosto eu fiz uma playlist com música brasileira para um amigo que pensava que música brasileira se resumia a samba e bossa nova.
E segundo o Spotify, durante 2019 eu escutei 8701 minutos de podcasts. O que dá em torno de 23 minutos por dia. Mas não é o número total, porque meu podcast preferido (música antigua) nem está no spotify, kkk. E segue o baile. O que será que 2020 vai me trazer, musicalmente falando?
rotina, constância, pequenas vitórias, a luta do bem contra o caos, a busca da felicidade
terça-feira, 31 de dezembro de 2019
terça-feira, 19 de novembro de 2019
resiliência, que bom te ver por aqui
Este
verão foi um dos melhores dos últimos anos... Desde 2014 eu não tinha um verão
assim, tão leve e tão divertido. Vários fatores contribuíram: estar viajando e
fazendo o que eu tanto gosto, a companhia de pessoas queridas em alguns momentos, estar num período de
excelente saúde física e poder aproveitar tanto, ver meu marido animado com
seus projetos... E a satisfação de conseguir manter o trabalho em dia, não só o
trabalho mas conseguir manter minha rotina de objetivos no meio de tantas
coisas diferentes e divertidas acontecendo.
Eu estava
feliz de verdade com tudo. Feliz feliz como fazia tempo que eu não me sentia!
Até que no começo de outubro sofri um golpe da vida, foi uma experiência bem
negativa e pra falar a verdade prefiro não entrar em detalhes. Mas quero
registrar o momento aqui no blog porque se por um lado fiquei super triste com o acontecido, fiquei muito feliz comigo mesma, por
dois motivos:
- Minha reação: sincera, serena e gentil (comigo também, ou talvez devesse dizer: gentil com todos os envolvidos mas principalmente gentil comigo mesma).
- Passei alguns dias pensando no grande impacto de uma mudança radical de circunstâncias. Considerando como eu sou uma pessoa avessa a mudanças (estou sempre escrevendo sobre o assunto aqui no blog), talvez o esperado fosse eu ter dramatizado a situação e me agoniado com isso? Não foi nada disso que aconteceu. Pensei em aspectos práticos, na importância de seguir com meus projetos e não deixar esse percalço me abalar, e coisas assim.
Foi
interessante (e não vou mentir: para mim foi surpreendente) finalmente pensar
em mudanças de uma nova maneira: "vou conseguir superar isso, não será
nenhum fim do mundo". Sinto que estou no caminho certo, me transformando
na pessoa que eu gostaria de ser: mais serena e mais resiliente.
Lembro
que ano passado eu estava sentindo falta de resiliência. Perguntei para o
google sobre isso e recebi várias sugestões que anotei aqui no blog. E terminei aquele texto questionando em que momento eu poderia dizer
"estou mais resiliente agora". Pois é, quem diria: estou me sentindo mais forte, com a mente no lugar para lidar melhor com as dificuldades.
Acredito
o que mais me ajudou ou tem me ajudado nessa questão nem foi seguir as
sugestões do google e sim abraçar o estoicismo. O estoicismo é uma filosofia
que surgiu na Grécia e depois viajou para Roma. Um dos grandes textos do estoicismo é um livro de meditações de um imperador romano, Marco Aurélio. Esse ano li e reli
alguns livros relacionados com o tema e diariamente tenho pensado no assunto. E me dei conta que o podcast que eu mais escutei
no ano passado (happiness podcast) é de um psicólogo (Robert Puff) que segue
uma linha estoica, sem admitir isso abertamente. Então várias das ideias do
estoicismo já tinham sido marteladas na minha cabeça de tanto escutar aquele
podcast, que é bem repetitivo mesmo. Se alguém quer se transformar numa pessoa
mais resiliente, acredito que o melhor a fazer é ler e interiorizar a mensagem
dos sábios estoicos: Epiteto, Marco Aurélio, Sêneca.
Uma das
práticas do estoicismo (que eu já tinha aprendido no podcast) é a visualização
negativa. Consiste em tentar imaginar sua vida sem as coisas que você disfruta
hoje. Então as vezes quando vou beijar meu marido eu penso "estou beijando
um mortal". Quando saio por aí correndo/caminhando/andando de bicicleta,
as vezes penso que talvez algum dia perca o uso das minhas pernas, por acidente
ou doença. E assim por diante. Pode parecer uma ideia deprimente, mas tenho
certeza que a prática de visualização negativa está me trazendo benefícios. Talvez eu disfrute da companhia do meu marido ou do uso das
minhas pernas até o fim dos meus dias, talvez não. Além de ajudar nessa questão
de aceitar a impermanência, a prática da visualização negativa tem me ajudado a desfrutar bastante
do que tenho hoje. Sinto que estou finalmente incorporando na minha vida a
sabedoria do avô do meu marido: "vamos aproveitar hoje, que amanhã a gente
não sabe".
Uma outra
ideia interessate do estoicismo é a "dicotomia do controle". Uma
ideia que todos já conhecemos: a importância de aprender a diferenciar o que
está sob o nosso controle do que não está, e só nos ocupar com aquilo que está
sob o nosso controle. Eu estava me sentindo feliz de novo quando no começo de
novembro recebi uma outra notícia difícil de engolir, envolvendo a saúde de uma
pessoa super próxima e extremamente querida. A saúde deste ser querido está sob
o meu controle? Infelizmente não. Não ganho nada me preocupando com isso. Tenho direcionado minhas energias a ser a melhor amiga que eu consigo ser para a pessoa querida nesse momento difícil.
Custei muito mesmo para aprender que "o estado de preocupação não é
meritório". Ficar se agoniando não acrescenta, pelo contrário, só diminui
da nossa experiência.
Talvez a
vida seja isso mesmo, uma constante montanha russa com seus altos e baixos. Mas
por mais resiliente que eu esteja me sentindo agora estou torcendo para que a vida dê uma trégua... e pare de jogar coisas sérias na minha direção,
kkk.
domingo, 1 de setembro de 2019
o jardim é pequeno mas a alegria é enorme
Ao adotar
essa vida viajante tive que deixar minhas plantas para trás, deu até pena. Eu
estava muito feliz com todas as plantas que tinha pela casa. Principalmente com as plantas na cozinha, no pátio e na sacada: consegui criar
ambientes aconchegantes e sei que o mérito era das plantas.
Vida que
segue! Perdi aqueles ambientes mas ganhei outras coisas que tem muito
valor para mim: sossego, canto de passarinho e ultimamente... barulho de grilo
durante a noite! ALEGRIA! Era o que eu mais queria: dormir com as janelas
abertas e escutar os grilos. Tenho ido para a cama tão feliz. Aliás todos os
dias eu penso "que sorte poder viver assim", realmente estou muito
feliz com tudo.
Mas de
qualquer forma arrisquei trazer plantas para o motorhome. Antes de sair de casa
fiz mudinhas de algumas que eu já tinha:
- flor de maio
- corações emaranhados (ceropegia woodii)
- rabo de burro (sedum morganianum)
- jiboia
- lambari (tradescantia zebrina)
- jiboia prateada (scindapsus pictus)
Apenas um
planta veio tal e qual: tillandsia, que não precisa de terra, vive de ar/água. Essa foi pendurada no teto, baixei para tirar a foto:
Acabei
comprando outras plantas, assim que meu marido se acostumou com a
ideia - inicialmente ele andava muito preocupado com excesso de peso, mas
depois desencanou. Plantas que comprei pelo caminho:
Corações
emaranhados bem grande: adoro esta planta e acabei comprando uma bem estabelecida.
Coloquei por cima do armário da cozinha. Do lado coloquei uma avenca, mas infelizmente a avenca eu não consegui manter
viva.
No
passado já tive fitônias em tamanho normal, recentemente encontrei essas minis. Foram
parar atrás de um dos bancos do motorhome:
O plano do verão
era ficar bastante tempo no mesmo camping, então ao chegar comprei uns cravos de defunto (tagetes) para colocar do lado de fora e dar uma alegrada na nossa porta. Comprei também uma muda de margarida do mar (asteriscos maritimus), mas não tive sorte, foi atacada por cochinilhas. Achei melhor jogá-la fora do que espalhar as cochinilhas para todas as plantas:
Outro dia
visitando uma exposição de plantas encontrei corações emaranhados de uma cor diferente. Coisa mais fofa, que até então eu só
tinha visto na internet! E num potinho minúsculo, que sorte! Foi parar no meio
das fitônias:
Coisa boa ter plantas! Várias
vezes por semana eu olho com atenção para todas e como são bem
poucas dá pra notar pequenas diferenças, como folhas novas que vem surgindo.
Tanto o lambari como os corações emaranhados já cresceram tanto que podei e fiz
novas mudinhas em água:
Depois que criaram raízes plantei as mudinhas de volta no mesmo pote para deixar as plantas com um aspecto mais "cheinho". Outro dia a jiboia prateada colocou uma folha nova! E assim vou seguindo, prestando atenção nos pequenos detalhes e me sentindo muito feliz e sortuda de poder ter plantinhas. Não sabia se isso seria possível na estrada; não fazia ideia de como seria fácil.
Eu achei que tinha atingido a lotação máxima de plantas, mas outro dia reorganizei umas coisas no banheiro e liberei uma prateleira. Então agora tenho espaço para mais duas plantinhas. Ou se forem bem pequenas, talvez três ou quatro. E se encontrar outras tillandsias, então? O teto é o limite :)
sábado, 31 de agosto de 2019
impermanência, outra vez
Outro dia
estava fazendo uma viagem mental, lembrando de todos as plantas que eu já tive
nos vários lugares onde morei desde que saí da casa dos meus pais. E não
conseguia me lembrar das plantas nos 2 primeiros apartamentos de aluguel, logo
que casamos. Até que me lembrei: não tive nenhuma planta, naquela época eu tive
um gato. Um gato adulto, sem um pedaço da orelha. O gato tinha um jeitinho tão
feioso que quando eu cheguei em casa, voltando do centro de adoção, meu marido
ficou admirado: mas porque tu pegou um gato tão horrível? Pois é, quem vê
pelagem não vê coração. Ainda lembro daquela experiência maravilhosa na casa de
adoção: ele foi o primeiro gato que eu peguei no colo e para a minha surpresa
imediatamente ficou todo relaxado e tranquilo nos meus braços. Me apaixonei na
mesma hora! Decidi adotá-lo, sem olhar para nenhum outro. Poucas semanas depois
ele estava com outro aspecto, muito saudável - talvez faltasse comida no lugar
onde estava. Era um gato muito fofinho mesmo, estava sempre me seguindo pelo
apartamento, inclusive quando eu ia no banheiro ele entrava junto e ficava ali
me acompanhando, kkk. Ou se eu fechava a porta antes do gato entrar ele ficava
paradinho, do outro lado da porta, esperando que eu saísse. Adorava pular no
meu colo e dormia sempre na cama conosco. Quando eu fui morar na Inglaterra não
consegui levar o gato junto, ele ficou com uma amiga. Senti tanto a falta
daquele gato! Foi uma experiência difícil mesmo. Foi um baque emocional tão
grande que resolvi não adotar nenhum outro gato (afinal não sabia quanto tempo
ficaria por lá) e voltei minha atenção para as plantas. Então foi assim que
desenvolvi um interesse por plantas: tentando preencher o grande vazio que
aquele gatinho encantador tinha deixado na minha vida. Acabei me interessando
não só por plantas, mas também por cultivo de horta,
flores silvestres, identificação de árvores... faz anos que adoro mesmo tudo isso.
Isso me
fez pensar em outras mudanças: lembrei que em 2006 resolvi passar mais tempo em
Poa, para curtir a companhia dos meus pais, irmãos e sobrinhos. Arrumei uma
bicicleta para pedalar enquanto estivesse lá. Nos anos 80/90 eu pedalei muito
pela cidade, inclusive usava a bici como meio de transporte. Acontece que a
situação de trânsito tinha mudado muito nesses anos todos. Por questão de
poucos centímetros não perdi minha vida, na segunda vez que aconteceu desisti
total de andar de bicicleta por lá. Resolvi abraçar um outro esporte enquanto
estivesse no BR. Escolhi remo, esporte que poderia praticar tanto no Guaíba
como no rio da minha cidade inglesa. Mas achei melhor aprender primeiro a
nadar. E uma coisa incrível aconteceu: me apaixonei total por natação e me dei
conta que nadar por si só era suficiente, não precisava remar para ser feliz.
Difícil explicar a alegria que natação trouxe para a minha vida, principalmente
para os invernos frios e chuvosos do hemisfério norte. E pensar que só aprendi
a nadar porque senti que não tinha mais como pedalar em Poa.
E a mudança mais recente: este ano
me mudei para um motorhome porque estava realmente infeliz com a questão de "ruídos" no último endereço. Foi uma decisão difícil: relutei muito.
E agora estou tão feliz - está sendo uma experiência fantástica.
Apesar de
todas as mudanças que já passei (endereços/trabalhos/países) a verdade é que eu
sou uma pessoa muito apegada à rotina e sinto uma imensa relutância em
mudar. Já sofri muito com mudança. Diria até que já tive trauma com mudança,
talvez por ter vivido uma infância instável de constante mudança. Mas pensando
rapidamente lembrei desses 3 exemplos em que uma mudança de circunstâncias
trouxe algo muito positivo para a minha vida: novo interesse, novo esporte,
novo estilo de vida. Provavelmente eu tenha vários outros exemplos que não
lembro agora. Outras mudanças virão pela frente, afinal a vida é impermanência
mesmo. Tenho que lembrar que o novo sempre vem, e o novo pode ser divertido.
Faz anos que eu sei disso, mas parece que ainda não interiorizei a mensagem. Um dia
serei craque em mudanças.
quinta-feira, 18 de julho de 2019
simbora vencer a preguiça, mental principalmente
Outro dia
fiz aniversário, agora estou com 48 anos. Comemorei da maneira que eu mais
gosto: volta de bicicleta e picnic na natureza. Sendo que o picnic foi num lugar
muito simpático, uma praia de rio:
Foi
difícil mas consegui atingir o objetivo esportivo dos meus 47 anos: dedicar 470
horas às atividades físicas. No fim fechei 476. Dificultei a minha vida me
dando vários "dias de férias" em dezembro/janeiro e depois tive que
correr atrás. Curioso que apesar de adorar pedalar caminhar e nadar ainda assim
muitas vezes sinto preguiça de sair de casa. Faz muitos anos que ter um
objetivo esportivo bem definido e anotar tudo na planilha do excel tem me
ajudado a vencer a preguiça. Na verdade faço poucas horas de atividades físicas de alta
intensidade, a maior parte do tempo estou tranquilamente por aí pedalando ou
caminhando na natureza me admirando com a beleza do mundo, algumas vezes na
companhia de pessoas queridas. Gostei muito de ter feito isso nos 47 anos, provavelmente
vou repetir nos 48 (talvez reduzindo o tempo total).
Finalmente
resolvi fazer o que devia ter feito muito tempo atrás: adotar este mesmo
esquema para meu outro grande objetivo que é "vencer a preguiça
mental". Resolvi dedicar 480 horas pra vencer a preguiça mental enquanto
tenho 48 anos. Este ano já consegui (re)incorporar leitura na minha vida mas
tem outras coisas que gostaria de fazer mas nunca faço, como estudar italiano e
aprender mais sobre assuntos variados... objetivos vagos que tomam tempo. Então
agora estou com outra aba na minha planilha em que anoto o tempo dedicado a
essas outras atividades também. Dividindo 480 por 365 dá em torno de 1h19 por
dia ou então um pouco mais de 9h por semana. Trabalho meio turno, caso
contrário não conseguiria dedicar tanto tempo para mim dessa maneira. Sem falar
no tempo em que me divirto fuçando na minha planilha :)
terça-feira, 9 de julho de 2019
mudança na trilha sonora
Então que
a vida deu uma reviravolta: deixei minha casa para trás (o mais difícil foi
deixar as plantinhas para trás) e agora estou morando em campings, num
motorhome. Parece que aquela vida convencional de antes faz parte do meu
passado remoto, a sensação que eu tenho é que faz um tempão que estou nessa
nova vida na estrada... mas na verdade só saí da casa dia 25 de maio. Estou super feliz, ele também - é o que importa.
O que
mais me motivou a sair da casa foi o problema de barulho na vizinhança. Ano
passado gastamos uma quantia considerável em isolamento acústico no quarto. Que
amenizou o problema mas não chegou a resolver. Então investimos também num
sistema de som bem bacana, na tentativa de abafar os barulhos desagradáveis com
outros tipos de ruídos. Estava me dando uma agonia viver num lugar de clima tão
gostoso e ter que dormir com tudo fechado, ar condicionado ligado e uma
gravação de barulho de chuva no modo repetição, para poder ter um pouco de
sossego. E nunca escutar os grilos de noite, nem os passarinhos de manhã.
Então embarquei nessa vida atrás
de sossego, de verde e de canto de passarinho. No passado já tínhamos ficado muito tempo em campings. Sempre com barraca e na
meia estação (evitando o agito de julho/agosto). Aliás em 2009 eu fiz um
destralhe pensando em algum dia viver num camping,
de tanto que gosto do sossego e das simplicidade da vida nos campings. O plano
era viver com tudo o que conseguisse levar no carro - não pensava em motorhome
naquela época, queria viver numa barraca mesmo. E pensar que só agora, 10 anos depois, estou realizando
aquele velho sonho. Só que de outra maneira, com muito mais conforto. E estou maravilhada com a flexibilidade do motorhome. Se não estamos felizes com os vizinhos de
camping: com um motorhome é super fácil mudar de parcela ou até mesmo de
camping. Estou curiosa para ver como será viver julho/agosto em campings, quando
provavelmente estará tudo lotado e não teremos tanta flexibilidade.
Quanto a
viajar: gosto de viajar mas não sou a louca das viagens. Faz mais de 20 anos
que moro na Europa e ainda não visitei todos os países europeus. E o tempo vai
passando e eu tenho menos e menos vontade de visitar capitais e cidades
grandes. Se eu nunca visitar Budapeste ou Riga ou sei lá qual a capital
europeia da moda no momento sei que não vou ficar triste. Como é a viagem ideal para mim: gosto de ficar
várias semanas (ou até meses) num lugar só, fazendo minhas pedaladas e
caminhadas na natureza, sem estresse e sem correria alguma. Acho super
divertido visitar cidades grandes de vez em quando, principalmente para visitar
museus de arte (adoro!). Mas só de vez em quando, no mais prefiro a tranquilidade de lugares pequenos. Na verdade o lugar não importa tanto assim desde
que tenha sossego, passarinhos e verde, muito verde. Não imaginei que eu iria
me sentir feliz de simplesmente estar longe da aridez do sul da Espanha. As
paisagens que já foram corriqueiras uma vez estão voltando a fazer parte do
cotidiano. Que alegria rever esse
tipo de coisa:
![]() |
| ♫ é no verde que eu vou, pedalar até cair no chão ♫ |
![]() |
| dedaleira (digitalis purpurea) embelezando os caminhos |
Um simples rolinho de feno, flores silvestres que eu já conheço pelo nome, um caminho verde no meio do nada, várias árvores decíduas juntas... eu sabia que estava com saudade desse tipo de coisa, mas não fazia idéia de como eu ficaria feliz em reencontrar coisas assim, todos os dias.
Mas o melhor de tudo mesmo mesmo mesmo MESMO está sendo escutar outros barulhos: chuva de verdade no teto do motorhome. Grilos durante a noite. Canto de passarinho de manhã cedo. Estou me sentindo tão feliz e sortuda por estar vivendo tudo isso. Tenho certeza que assim que o frio chegar vamos sentir falta do inverno ensolarado e ameno do sul da Espanha e será ótimo voltar. Mas falta muito ainda, todo um verão VERDE pela frente para ser vivido na sua plenitude, bora curtir.
Mas o melhor de tudo mesmo mesmo mesmo MESMO está sendo escutar outros barulhos: chuva de verdade no teto do motorhome. Grilos durante a noite. Canto de passarinho de manhã cedo. Estou me sentindo tão feliz e sortuda por estar vivendo tudo isso. Tenho certeza que assim que o frio chegar vamos sentir falta do inverno ensolarado e ameno do sul da Espanha e será ótimo voltar. Mas falta muito ainda, todo um verão VERDE pela frente para ser vivido na sua plenitude, bora curtir.
sexta-feira, 24 de maio de 2019
feliz da vida
Escrevi o
texto semana passada, no dia 16, mas esqueci de publicar:
Estou em
Porto Alegre visitando meus pais. Eles moram a 8km do centro/mercado público.
Se não fosse o murmúrio de trânsito na distância, seria fácil esquecer que
estou numa grande metrópole. Nos dias que não saio de casa é como se estivesse
morando pra fora: entre árvores frutíferas, horta e galinhas:
O bairro
mudou muito desde que meus pais compraram o terreno. Nos anos 70 a rua não
tinha calçamento algum, era só uma estradinha de chão (sem saída). Nos anos 80
chegou o paralelepípedo. E o asfalto uns 10 anos atrás. As casas originais eram
todas bem simples, mas muitos vizinhos estão vendendo seus enormes terrenos
(20m de frente x 100m de comprimento) e novas moradias estão sendo construídas
(prédios altos ou loteamento de casas iguais). O vizinho do lado direito
colocou o terreno a venda e por algum tempo meu pai teve receio que
construíssem um prédio alto que tirasse o sol da sua horta. Mas por sorte foram
construídas várias casas de 2 andares que não chegam a atrapalhar, já que esse
terreno está num nível mais baixo que a horta do meu pai. O vizinho do lado
esquerdo tem uma mini floresta: todo o terreno está tomado por árvores, algumas
frutíferas. Mas mesmo que venda e um prédio seja construído, a orientação é tal
que não vai interferir no sol no terreno dos meus pais. Mas a perda será
imensa: será o fim do mato e da visita de todos os passarinhos que passam por
ali.
Atualmente
o pai está com 6 galinhas. Teve que se livrar do galo depois que algum vizinho
se queixou do barulho. Parece que agora não pode mais ter galo em área urbana.
Quando eu morei aqui (entre 1983 e 1995) uma coisa que eu adorava era escutar o
canto do galo, tanto o nosso como o de outros galos pelo bairro. Acho curioso
mesmo esse preconceito contra canto de galo, enquanto que várias pessoas tem
cachorro de guarda que latem a qualquer hora do dia ou da noite.
Então
nesses dias aqui tenho acompanhado meu pai na sua rotina. Apesar de estar com
84 anos e caminhando com dificuldade com a ajuda da bengala, ele ainda se
diverte dando de comer às galinhas, buscando ovos, colhendo bergamotas, essas
coisas. Ontem ficamos procurando um camapu que estivesse maduro, parece que
ainda não é bem a época. Enquanto caminhava pela horta/pomar com meu pai me
bateu uma saudade imensa dos tempos que eu tive meu jardim e minha horta. Do
cuidado do plantio e expectativa da colheita, de acompanhar o ciclo das plantas
ao longo do ano. Foi ao mesmo tempo um aperto no coração e um momento de
clareza: fiz bem em tomar a decisão de vender minha casa na Espanha (sem
jardim, apenas pátio com laje). E estou empolgada com o futuro: viver alguns
anos viajando, e enquanto viajamos vou ficar de olho em alguma propriedade que
tenha quintal, boa orientação solar, comércio não muito longe, essas coisas. E
quero eventualmente (em 10 anos no máximo) viver outra vez com quintal e horta.
E finalmente ter as minhas sonhadas galinhas.
Na
verdade está tão gostoso aqui mesmo (na casa dos meus pais) que até pensei que
ficar por aqui seria uma opção também. Se algum dia o vizinho do lado colocasse
seu terreno/mato a venda eu poderia tentar comprar, mas certamente não
conseguiria bater a oferta de uma construtora. Fiquei pensando nessa
possibilidade (remota, afinal meu marido odeia P. Alegre): em ficar aqui mesmo,
comprar o terreno do vizinho e ter meu próprio mato na minha cidade natal. O
que me desanima é a violência. Meu pai e o vizinho nunca foram assaltados, mas
muitas pessoas já foram. Inclusive as cuidadoras da minha mãe, caminhando pela
rua em direção a parada de ônibus que fica lá embaixão, na avenida, a
longínquos 600m.
Na visita
anterior (em setembro do ano passado) os conhecidos comentaram tanto de
violência que eu fiquei com muito medo e só andei de taxi. Mas dessa vez
resolvi deixar as paranóias de lado e voltar a fazer o que sempre fiz em Porto
Alegre: caminhar e usar transporte público. Adoro andar de ônibus e ler os
poemas nas janelas.
Estou
super feliz de estar aqui, feliz pela saúde do meu pai, feliz de ainda ter
amigos na cidade, feliz de ter um trabalho
flexível que me permite viajar bastante, feliz de não ser funcionária pública. Sim, eu senti uma imensa sensação de alívio em relação a isso. Obrigada Adriana dos anos 90, que mandou segurança pro espaço e largou aquele emprego público.
-----
Escrevi
os parágrafos anteriores no dia 16/05. Agora já estou de volta na Espanha. Mas
antes de partir comi camapus que meu pai colheu para mim, e duas paneladas de
pinhões. Fui na médica, e fiz todos os exames. Tive tempo de renovar meu
passaporte. Encontrei as pessoas queridas. Pedalei 70km pela serra, em ótima companhia. E joguei cartas com meu pai. Tentei deixar ele ganhar na
escova mas mesmo assim eu ganhei. Mas ele sempre ganha na canastra (mesmo
facilitando para mim) então no fim tudo saiu dentro da nossa normalidade :)
segunda-feira, 29 de abril de 2019
guardar só o que é bom de guardar :)
Lembro
que muitos anos atrás a professora de inglês fez a seguinte pergunta: se a casa
estivesse pegando fogo e cada pessoa da família só pudesse pedir aos bombeiros
salvar um único pertence, o que cada um salvaria? Eu estava com 17 anos e não tinha nenhum bem material digno de ser salvo do fogo. Aliás de bem
material eu só tinha minhas roupas, meus livros/cadernos e a bicicleta. Na verdade naquela
época eu já era aficionada em andar de bicicleta e tinha duas: uma caloi 10
para pedalar nos findis e uma caloi Ceci para ir no colégio durante a semana. Mas ainda assim
não achava a bicicleta tão importante a ponto de arriscar a vida de alguém para
que fosse salva. Afinal é um bem facilmente substituível. Mas para responder
alguma coisa, escolhi salvar uma das bicicletas. Lembro
que todos os demais colegas escolheram salvar as fotografias. Achei ótima ideia mas eu
não tinha fotografias, elas eram todas dos meus pais; então seria para eles
decidir se queriam salvar as fotos ou não.
Tenho
pensado bastante nas minhas coisas e no meu apego às coisas. Se o fogo fosse
hoje em dia, o que eu escolheria salvar? Ou se tudo fosse destruído antes da
chegada dos bombeiros, do que eu realmente sentiria falta? Desconfio que
sentiria pena de ter perdido alguns itens (quadros pintados pela minha mãe e as nossas xícaras, cada uma com sua história) mas também sentiria uma imensa sensação de
alívio por todas as tralhas perdidas, principalmente projetos inacabados:
livros que ainda não li, costuras que não fiz, projetos de madeira que andam
parados. Seria uma oportunidade de abandonar de vez
alguns hobbies / interesses, sem remorso. E seguir adiante.
Tenho
pensado nisso tudo porque resolvi me mudar para um espaço reduzido. Meu marido
e eu compramos um motorhome. Inicialmente o plano era viajar no verão e passar
os invernos aqui na nossa casa... Aliás até ontem de manhã eu ainda estava com esse
plano. Inclusive ontem comecei a escrever um texto sobre isso aqui para o blog,
e acabei refletindo mais sobre o assunto. Melhor vender a casa, investir o dinheiro por uns anos e mais
adiante alugar/comprar outro tipo de propriedade. Uma casa
com terreno pela volta, já que um dos sonhos que ainda não realizei é ter
galinhas. E viver num lugar mais tranquilo. E nesse meio tempo,
curtir a vida sobre rodinhas. O plano é embarcar numa viagem de motorhome a
partir de maio (depois da minha ida ao BR visitar os parentes). Provavelmente
no inverno a gente acabe voltando para esta região que gostamos tanto, mas para
isso não precisamos ter uma casa: podemos ficar num camping. Estou
sentindo uma imensa sensação de alívio agora que decidi sair definitivamente desta casa. Foi
um erro enorme ter comprado isso aqui. E pensar que eu insisti tanto nesse erro. Custei bastante para me perdoar, mas já consegui. Hora de seguir adiante.
Voltando
ao assunto "coisas": o que fazer com nossas coisas, já que o espaço no motorhome é super limitado? Resolvi que vou reunir todas as coisas que
para mim tem algum valor, colocar numa caixa e guardar num depósito ou na casa
de algum amigo. Quero manter alguns objetos significativos.
Dá pra ser feliz sem a dupla de imãs de geladeira que nos
acompanha desde 1990, sendo que o pinguim até já perdeu uma patinha? Sim, claro
que dá. Não preciso das minhas xícaras para ser feliz, nem dos quadros da minha
mãe para me lembrar dela. Mas um dia quero ter uma casa outra vez, e ao invés de estar numa situação estéril em que nada me diz coisa nenhuma, onde tudo é descartável ou facilmente substituível, tenho
certeza que uma das alegrias será voltar a usar esses objetos que me acompanham
desde tanto tempo, cada um com sua história e uma memória feliz por trás. Por exemplo ainda tenho as primeiras facas de serrinha que
compramos juntos em 1996 quando chegamos nos Eua. Compramos um conjunto
bem barato e genérico, e que surpresa boa ao chegar em casa e abrir a caixa: as facas eram todas da Tramontina! Que alegria: facas de qualidade, da
minha terra, compradas tão longe. Lembro até de ter escrito para a minha mãe
sobre isso, tão feliz que eu fiquei. Já comprei outras facas de serrinha desde
então (Ikea e outras), nenhuma tão boa como as nossas velhas facas tramontina.
Aliás duas vão viajar conosco.
![]() |
domingo, 31 de março de 2019
vencendo a preguiça
Então que
resolvi parar de enrolar e voltar a ler. Durante o mês de março li 30 minutos por dia, em média. Sei que não é nada para quem lê bastante; eu mesma já li bem mais que isso no passado, no tempo em que vivia devorando livros. Mas faz anos que não tenho lido quase nada então estou super feliz de retomar o hábito da leitura. Estou com vários livros na lista para ler; tinha esquecido como é bom essa coisa de estar lendo um livro e já se empolgar com os próximos.
quarta-feira, 20 de março de 2019
o balançar da carroça
Então que viajei por 4 dias para visitar amigos na minha velha cidade, e nem sei dizer o que estava me deixando mais feliz: rever os amigos ou a cidade que eu tanto adoro! Parti na maior empolgação.
O
objetivo principal da viagem era rever uma determinada amiga. Infelizmente essa
parte aí foi uma experiência meio negativa. Eu simplesmente CANSEI das pessoas
que não sabem conversar, que não entendem que conversa é troca. Cansei de ser
interrompida, cansei de não ser ouvida, cansei de me sentir 'usada', como se eu
só estivesse ali para servir de audiência. Não é a primeira vez que minha amiga
faz isso, mas no passado eu sempre relevei: "vai
ver que está estressada com o novo emprego, tadinha", "vai ver que
está estressada com o divórcio", etc. Agora
saturei de uma tal forma que não tem mais volta, não tenho mais como dar para
ela o benefício da dúvida. Principalmente depois do desastre na janta de
domingo (quando eu mencionei fazer alguma coisa com L, nossa amiga em comum, e
a reação da minha amiga foi a pior possível. Bah, que
decepção). Em vários momentos pensei "isso também
passará" e fui gentil até o último momento. Mas tenho 100% de certeza que
nosso tchauzinho final foi um adeus bem definitivo, porque para mim chega.
Continuo gostando da pessoa e desejando tudo de maravilhoso, sempre - mas a
partir de agora no que depender de mim o contato será esporádico e apenas por escrito. Estou escrevendo isso aqui para não esquecer: tenho que me
valorizar, me respeitar e me afastar de pessoas assim.
Revi também um velho
amigo inglês, que já foi mencionado aqui no blog: tivemos um desentendimento político
em 2016. Ano passado conseguimos nos acertar (por email/telefone), e essa foi a primeira
vez que nos reencontramos desde então. Evitei conversar sobre política. Está
tudo indo ladeira abaixo e seria tão fácil dar uma alfinetadinha, mas me
contive. Ele também evitou qualquer assunto controverso. Foi extremamente
gentil: fez questão de me buscar de carro na estação de trem, arrumou o quarto
de visitas para a minha chegada, cozinhou uma janta deliciosa e no dia seguinte
fez questão de me levar até a estação de trem. Eu podia ter caminhado até a
estação local, mas ele fez questão de me levar na estação mais longe, com
melhores conexões, para eu não precisar ficar esperando o trem por tanto tempo.
Que coisa boa ser paparicada! Desde que nos mudamos para a Espanha recebemos
hóspedes em casa, várias vezes por ano, e buscamos e levamos pessoas no
aeroporto, que fica a 1h20 de distância - admito que muitas vezes tenho vontade de lembrar as visitas que na Espanha também existe transporte público, quem diria!? Mas enfim, foi uma experiência muito bacana
experimentar o outro lado disso tudo, me senti tão sortuda e agradecida por
tanta gentileza e esforço do amigo para que eu me sentisse bem.
Revisitei Cambridge, a cidade que eu tanto adoro e onde morei por tantos anos.
Foi a cidade em que vivi por mais tempo até hoje. Nem mesmo em Porto Alegre,
minha cidade natal, eu morei por tanto tempo. E foi uma experiência curiosa: se
por um lado eu fiquei extremamente feliz de rever certos lugares preferidos,
como o museu Fitzwilliam, o jardim botânico e algumas ruas e parques que eu
gosto tanto, por outro lado... acabei olhando a cidade de outra maneira. Nunca
imaginei que isso fosse acontecer e eu voltaria a ver a cidade como eu a vi
pela primeira vez: sem purpurina. Logo quando me mudei para lá (nos anos 90!)
eu reparei inicialmente no lado mais feioso. Só depois, quando minha situação de trabalho mudou e tive mais tempo livre para curtir, é que me encantei com a oferta cultural e passei a relevar a feiura. Mas
agora percebi o lado feio outra vez. E por um lado foi
interessante ver a cidade tal como é, além da oferta cultural, da beleza
arquitetônica, do multiculturalismo que eu tanto gosto. Me senti tão aliviada ao perceber isso, foi como me sentir livre de um feitiço, amém.
Ao mesmo tempo fiquei com vontade de visitar Cambridge com certa regularidade. Não deixar tanto tempo passar: voltar pelo menos uma vez por ano, assim como faço com Porto
Alegre. Bater ponto nos lugares favoritos e rever determinadas pessoas. Não apenas as mais chegadas; gostei também de rever os
conhecidos de vista, como o proprietário do mercadinho asiático.
Ele ficou tão feliz quando eu mencionei que tinha me mudado para longe e sentia
muita falta da sua loja. Por anos e anos eu fiz as compras no seu mercadinho
(adoro cozinhar comida asiática). Conversamos bastante; ele estava mesmo saindo
de férias no dia seguinte - 4 dias em Portugal. Pena que nem lembrei de tirar
uma foto com essa pessoa que também faz parte da minha história.
Outro momento muito
legal da viagem foi pedalar de Cambridge até Ely. Peguei uma bicicleta
emprestada e fui. Uma pedalada que já fiz tantas vezes, em torno de 40km pela
imensidão das planícies. E as planícies não decepcionaram, continuam lindas. O
grande obstáculo é sempre o vento, que nesse dia estava cruel. Mas tive sorte e
não choveu, pelo contrário - estava um dia ensolarado.
Outro lugar que
nunca decepciona é o jardim botânico da universidade: continua encantador. Inclusive tive sorte de ver floridas as campainhas de inverno que eu ajudei a plantar, anos atrás. Mas o que me surpreendeu foi que uma parte boa da viagem foi VOLTAR PARA CASA! Houve
momentos nos últimos anos em que duvidei se algum dia iria me sentir assim em
relação a esta casa/este lugar. Ufa, até que enfim. Sinto que o coração vai
entrando nos eixos. E que agora estou em melhores condições de lidar com as
próximas mudanças pela frente.
O balançar da carroça sempre ajeita as
melancias... Vida que segue, me
sentindo bem mais leve agora.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019
repensando a minha atenção
Um dia desses aconteceu uma coisa que me deixou um pouco surpresa e muito feliz comigo mesma. Meu
marido estava vendo um vídeo no youtube e uma música clássica começou a
tocar como fundo musical do vídeo. Ele se vira para mim e pergunta: sabe que música é essa?
Prestando atenção logo me dei conta que era uma das estações de Vivaldi...
suspeitei que fosse o Outono, mas qual movimento? Entrei rapidamente no
Spotify e procurei o terceiro movimento do Outono, e não é que estava
certa?
Fiquei
feliz mesmo de lembrar do Outono de Vivaldi. Já é a segunda vez que me acontece isso esse ano, num outro dia ele me perguntou se eu conhecia uma outra música. Aquela era de Mozart, o primeiro movimento da "Pequena Serenata Noturna". Na verdade nem precisei conferir a serenata do Mozart no Spotify; já escutei tantas vezes que não tenho a menor dúvida.
Fiquei supresa e feliz porque eu me considero uma pessoa distraída que não presta atenção em muita coisa e não lembra dos detalhes de quase nada. Por exemplo de vez em quando ainda tenho que olhar no dicionário o significado de anaeróbico, a priori, empírico, pragmático e outras palavras assim, parece que tenho dificuldade de fixar certos conceitos. Mas se eu for pensar bem, a verdade é: sim, eu lembro dos detalhes de muita coisa. Quando revejo uma flor ou um pássaro pouco comum, lembro exatamente onde eu vi ou prestei atenção naquela flor ou pássaro pela primeira vez. Lembro exatamente onde eu estava quando vi todos os diferentes pica-paus que já vi até agora. Sendo que já vi 6 tipos de pica-paus em 5 lugares bem diferentes.
Fiquei supresa e feliz porque eu me considero uma pessoa distraída que não presta atenção em muita coisa e não lembra dos detalhes de quase nada. Por exemplo de vez em quando ainda tenho que olhar no dicionário o significado de anaeróbico, a priori, empírico, pragmático e outras palavras assim, parece que tenho dificuldade de fixar certos conceitos. Mas se eu for pensar bem, a verdade é: sim, eu lembro dos detalhes de muita coisa. Quando revejo uma flor ou um pássaro pouco comum, lembro exatamente onde eu vi ou prestei atenção naquela flor ou pássaro pela primeira vez. Lembro exatamente onde eu estava quando vi todos os diferentes pica-paus que já vi até agora. Sendo que já vi 6 tipos de pica-paus em 5 lugares bem diferentes.
Também
presto atenção em obras de arte. Ano passado estive no Museu Thyssen em Madri. Olhando de longe uma obra me chamou a atenção e desconfiei que fosse de
Marc Chagall, apesar de só ter visto uma única obra de Chagall até então (vitrais
de uma catedral que visitei em 2002). Mas realmente aqueles vitrais ficaram gravados na
minha memória, de tão bonitos que eram. E o azul do quadro era o mesmo azul dos
vitrais, a mesma leveza das figuras etc. E conferindo o painel ao lado da
obra, a confirmação que era mesmo de Chagall.
Então
talvez eu devesse atualizar a ideia que eu faço de mim mesma. Admitir que sou uma pessoa atenta para algumas coisas. Estou sempre prestando muita atenção no que EU considero interessante. O resto geralmente dá pra conferir nas notas, nos livros ou no google :)
Faz algumas semanas que escrevi o texto, mas fiquei na dúvida se publicava ou não. Mas realmente eu tenho que lembrar que é perfeitamente OK celebrar minhas pequenas vitórias aqui no blog.
Faz algumas semanas que escrevi o texto, mas fiquei na dúvida se publicava ou não. Mas realmente eu tenho que lembrar que é perfeitamente OK celebrar minhas pequenas vitórias aqui no blog.
![]() |
| detalhe da obra "A Virgen da Aldeia" de Chagall, no museu em Madri |
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019
2019 fotos em 2019?
Escrevi o texto ao longo do mês:
02.01 Resolvi finalmente abraçar com ganas um dos meus projetos que faz anos e anos que está na lista de "coisas pra fazer", só que nunca faço: organizar minhas fotos, tanto as reveladas como as digitais. Desde 2002 estou acumulando fotos digitais, sem maiores organizações e sem deletar as piorzinhas. Quando quero encontrar uma foto é aquele drama, e muitas vezes nem encontro. A única organização é anual, tenho um folder para cada ano, e média de 5600 fotos por ano(!). Essa média é desconsiderando o ano de 2010, porque se eu incluir 2010, a média sobe para 6000. Tirei mais de 11 mil e quinhentas fotos em 2010, o ano em que tudo saiu do controle. Nossa, que vergonha admitir isso. E pra quê tanta foto? Sou fotógrafa profissional? Não. Tenho blog de fotografia? Não. Estou no instagram/facebook/etc? Também não. Lembro que em 2010 eu tive alguns problemas emocionais e talvez fotografia tenha sido uma forma de lidar com isso. De qualquer forma, 5600 fotos por ano já é um número bem exagerado. Em 2018 tentei manter a fotografia sob controle e ao mesmo tempo fiz um projeto muito divertido, uma colagem semanal das fotos. Aliás gostei tanto de prestar atenção na beleza dos meus dias que estou repetindo o projeto em 2019.
Durante 2019 o plano é tirar menos fotos (ficaria muito feliz se conseguisse terminar o ano com 2019 fotos, ao invés das +5000 costumeiras). E quero também organizar as fotos anteriores, de alguma maneira... Mas por outro lado não sei quanto tempo vou querer dedicar a olhar pra trás. Afinal, pra frente é que se anda!
02.01 Resolvi finalmente abraçar com ganas um dos meus projetos que faz anos e anos que está na lista de "coisas pra fazer", só que nunca faço: organizar minhas fotos, tanto as reveladas como as digitais. Desde 2002 estou acumulando fotos digitais, sem maiores organizações e sem deletar as piorzinhas. Quando quero encontrar uma foto é aquele drama, e muitas vezes nem encontro. A única organização é anual, tenho um folder para cada ano, e média de 5600 fotos por ano(!). Essa média é desconsiderando o ano de 2010, porque se eu incluir 2010, a média sobe para 6000. Tirei mais de 11 mil e quinhentas fotos em 2010, o ano em que tudo saiu do controle. Nossa, que vergonha admitir isso. E pra quê tanta foto? Sou fotógrafa profissional? Não. Tenho blog de fotografia? Não. Estou no instagram/facebook/etc? Também não. Lembro que em 2010 eu tive alguns problemas emocionais e talvez fotografia tenha sido uma forma de lidar com isso. De qualquer forma, 5600 fotos por ano já é um número bem exagerado. Em 2018 tentei manter a fotografia sob controle e ao mesmo tempo fiz um projeto muito divertido, uma colagem semanal das fotos. Aliás gostei tanto de prestar atenção na beleza dos meus dias que estou repetindo o projeto em 2019.
Durante 2019 o plano é tirar menos fotos (ficaria muito feliz se conseguisse terminar o ano com 2019 fotos, ao invés das +5000 costumeiras). E quero também organizar as fotos anteriores, de alguma maneira... Mas por outro lado não sei quanto tempo vou querer dedicar a olhar pra trás. Afinal, pra frente é que se anda!
23.01:
estou muito feliz que estou conseguindo manter as fotos de 2019 sob controle.
Em 22 dias até agora estou com apenas 70 fotos, o que dá 3.18 fotos por dia. Se eu manter
esse ritmo, vou terminar 2019 com 1161 fotos. Mas sei que quando estiver por aí
viajando no verão vou tirar bem mais fotos por dia, então na verdade talvez
devesse estar tirando ainda menos fotos agora para poder tirar mais depois!
24.01:
Resolvi encarar as fotos de 2018. Na minha cabeça eu tinha a ideia que tinha
maneirado um pouco a quantidade de fotos, mas na verdade tenho 5403
fotos na pasta de 2018. Então resolvi começar com o mês de janeiro. 455 fotos,
média de 14.6 fotos por dia. Uma hora depois, tinha reduzido para 133 fotos,
menos de 5 fotos por dia. Tenho os demais meses para repassar. Ficaria muito
feliz se conseguisse reduzir o número total de fotos de 2018 pela metade.
31.01: Estou num ciclo do bem e acho que finalmente vou conseguir resolver essa questão das fotos. Entrei no hábito de repensar as fotos do dia, todos os dias! Então não tenho mais deixado as fotos duplicadas acumular e tenho muitas vezes deletado todas as fotos de alguma coisa. E em muitas situações que eu tirava fotos, agora não tenho mais tirado e pronto. Tenho pensado "nossa pra que tirar foto disso, só pra deletar depois?". E ser mais seletiva no dia a dia está me ajudando a deletar as fotos de 2018 sem remorso algum. Estou gostando mesmo de fazer isso, e acho que vai me ajudar no destralhe em geral.
E cheguei no fim de janeiro com apenas 90 fotos, então consegui ficar com menos de 3 fotos por dia. Três fotos por dia talvez seja um montão ainda, mas para quem estava com quase 15 fotos/dia em janeiro de 2018, é um progresso enorme. Parabéns para mim!
E um apanhado do meu progresso em relação as fotos de 2018:
Janeiro: comecei com 488 fotos, estou com 133
fevereiro: comecei com 372, reduzi para 153
março: de 288 para 137
abril: de 218 para 152
maio: 788 fotos! Viagem para Madri e vários passeios nas montanhas. Foi difícil, mas consegui reduzir para 414.
O que tanto fotografo: de vez em quando fotografo algum prato de comida que me deixa feliz só de olhar; minha casa quando está tudo lindo e arrumado, para me lembrar depois como pode ser; meu fotogênico marido e seu lindo sorriso; nossos bichinhos de estimação; qualquer passeio que eu faço, toda e qualquer caminhada e volta de bicicleta. Alguma obra de arte em museus que me marcam muito (mas na verdade prefiro anotar o autor/nome e procurar online depois). Mas principalmente fotografo a natureza: flores, o mar, as nuvens, a alvorada de todo dia e as árvores, sempre as árvores. Adoro fotografar árvores.
Aiaiai, quero só ver quando eu chegar nas fotos de julho e setembro, que foram os meses com passeios mais interessantes e arborizados! O desafio continua...
E um apanhado do meu progresso em relação as fotos de 2018:
Janeiro: comecei com 488 fotos, estou com 133
fevereiro: comecei com 372, reduzi para 153
março: de 288 para 137
abril: de 218 para 152
maio: 788 fotos! Viagem para Madri e vários passeios nas montanhas. Foi difícil, mas consegui reduzir para 414.
O que tanto fotografo: de vez em quando fotografo algum prato de comida que me deixa feliz só de olhar; minha casa quando está tudo lindo e arrumado, para me lembrar depois como pode ser; meu fotogênico marido e seu lindo sorriso; nossos bichinhos de estimação; qualquer passeio que eu faço, toda e qualquer caminhada e volta de bicicleta. Alguma obra de arte em museus que me marcam muito (mas na verdade prefiro anotar o autor/nome e procurar online depois). Mas principalmente fotografo a natureza: flores, o mar, as nuvens, a alvorada de todo dia e as árvores, sempre as árvores. Adoro fotografar árvores.
Aiaiai, quero só ver quando eu chegar nas fotos de julho e setembro, que foram os meses com passeios mais interessantes e arborizados! O desafio continua...
| Alguns ótimos momentos de janeiro até maio, 2018 |
quarta-feira, 30 de janeiro de 2019
lobos e hábitos
Gosto de um podcast que se chama The One You Feed, é baseado
na parábola dos dois lobos:" vovó explica para sua netinha que
dentro de cada um de nós há uma batalha entre dois lobos. O lobo bom,
que representa características como honestidade, generosidade, gentileza...
e um lobo mau, que representa características como inveja, medo e preguiça. E a
netinha pergunta: qual lobo vence a batalha? Vovó responde: aquele que você
alimenta". A primeira vez que escutei isso foi em 2016 e foi como um tapa na cara: eu andava mesmo obcecando com um assunto político que tanto me atormentava na época. O podcast sempre começa perguntando para os entrevistados o que essa
parábola representa para a vida deles - acho bem interessante mesmo escutar a
perspectiva de cada um.
Outro dia o entrevistado era James Clear, que escreveu um livro sobre hábitos. Achei o interessante o que ele tinha a dizer sobre o papel da identidade nessa questão dos hábitos:
"Uma
vez que você adota uma identidade, você não está mais buscando a mudança de
comportamento, você está apenas agindo de forma condizente com o tipo de pessoa
que você já acredita que é. Um exemplo: imagine que você tem duas pessoas que
são fumantes e estão tentando desistir. À primeira você oferece um cigarro e
ela diz: não, obrigado, estou tentando parar. E a segunda pessoa que você
oferece um cigarro diz "não, obrigado, eu não sou fumante". Mesma
ação, ambos estão recusando o cigarro. Mas a primeira pessoa ainda se
identifica como alguém que fuma. Ela está tentando fazer algo que não é. A
segunda pessoa está se identificando como não fumante. Isso sinaliza uma
mudança na identidade. Isso é uma coisa muito poderosa, porque uma vez que você
se vê como esse tipo de pessoa, você tem uma razão adicional para reforçar esse
comportamento. Pequenos hábitos e pequenas ações são o melhor método que temos
para moldar nossa identidade. De certo modo, seus hábitos são como você
incorpora uma identidade particular. Toda vez que você faz sua cama de manhã,
você personifica a identidade de alguém que é caprichoso e organizado. Cada
ação que você toma é um voto para o tipo de pessoa que você quer ser ou
acreditar que você é. Ao votar, ao repetir esses pequenos hábitos, você cria
evidências de ser esse tipo de pessoa. E a evidência é uma parte crucial:
enraíza a identidade, é a prova de ser esse tipo de pessoa. Algumas pessoas
dizem coisas como "fingir até você conseguir". Mas "fingir até
você conseguir" é um pouco diferente do que estou falando aqui. Seria
pedir para você acreditar em algo sem ter provas disso (uma ilusão). Em algum
momento, o cérebro não gosta dessa desconexão. Mas se você pode olhar para
trás e dizer "eu arrumei a cama em 13 dos últimos 14 dias", você tem
provas de ser uma pessoa caprichosa. Seus hábitos e ações dão a você uma prova
de quem você é e, gradualmente, com o tempo, eles podem remodelar um pouco sua
identidade ou expandi-la ou atualizá-la em alguns aspectos."
Então eu posso parar de pensar em mim mesma como alguém que está tentando meditar e me identificar como alguém que medita.
terça-feira, 1 de janeiro de 2019
Feliz 2019, Pri!
Quando eu digo que leio poucos blogs, são poucos mesmo, apenas 4. Acabo de deixar um recadinho de Feliz Ano Novo para todos, com exceção do blog da Pri. Então vou ter que sair da programação normal para escrever para a Pri.
Querida Pri: não sei porque, mas faz alguns meses que eu não consigo mais deixar recados no teu blog. Fiquei super feliz com a volta do seu gatinho, mas não consegui comentar porque o google quer que eu crie uma conta google+ e eu não pretendo fazer isso (se puder evitar). Antes dava pra comentar normalmente, não sei o que aconteceu. Umas semanas atrás até deixei recado em outro dos teus blogs, alertando para esse fato.
Então fica aqui o meu desejo de um Feliz Ano Novo, que em 2019 vc siga enchendo sua casa e sua vida de bondade e beleza. Desejando muita saúde (e que vc se lembre de comer salada e frutas, beber água e fazer seus exercícios). E por falar em beleza, olha só que bacana: meu cactus finalmente floresceu um pouco antes do Natal! Lembrei de vc, sei que vc tem um parecido (numa cor diferente):
Bjo e Feliz 2019!






