quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

lobos e hábitos


Gosto de um podcast que se chama The One You Feed, é baseado na parábola dos dois lobos:" vovó explica para sua netinha que dentro de cada um de nós há uma batalha entre dois lobos. O lobo bom, que representa características como honestidade, generosidade, gentileza... e um lobo mau, que representa características como inveja, medo e preguiça. E a netinha pergunta: qual lobo vence a batalha? Vovó responde: aquele que você alimenta". A primeira vez que escutei isso foi em 2016 e foi como um tapa na cara: eu andava mesmo obcecando com um assunto político que tanto me atormentava na época. O podcast sempre começa perguntando para os entrevistados o que essa parábola representa para a vida deles - acho bem interessante mesmo escutar a perspectiva de cada um. 

Outro dia o entrevistado era James Clear, que escreveu um livro sobre hábitos. Achei o interessante o que ele tinha a dizer sobre o papel da identidade nessa questão dos hábitos:

"Uma vez que você adota uma identidade, você não está mais buscando a mudança de comportamento, você está apenas agindo de forma condizente com o tipo de pessoa que você já acredita que é. Um exemplo: imagine que você tem duas pessoas que são fumantes e estão tentando desistir. À primeira você oferece um cigarro e ela diz: não, obrigado, estou tentando parar. E a segunda pessoa que você oferece um cigarro diz "não, obrigado, eu não sou fumante". Mesma ação, ambos estão recusando o cigarro. Mas a primeira pessoa ainda se identifica como alguém que fuma. Ela está tentando fazer algo que não é. A segunda pessoa está se identificando como não fumante. Isso sinaliza uma mudança na identidade. Isso é uma coisa muito poderosa, porque uma vez que você se vê como esse tipo de pessoa, você tem uma razão adicional para reforçar esse comportamento. Pequenos hábitos e pequenas ações são o melhor método que temos para moldar nossa identidade. De certo modo, seus hábitos são como você incorpora uma identidade particular. Toda vez que você faz sua cama de manhã, você personifica a identidade de alguém que é caprichoso e organizado. Cada ação que você toma é um voto para o tipo de pessoa que você quer ser ou acreditar que você é. Ao votar, ao repetir esses pequenos hábitos, você cria evidências de ser esse tipo de pessoa. E a evidência é uma parte crucial: enraíza a identidade, é a prova de ser esse tipo de pessoa. Algumas pessoas dizem coisas como "fingir até você conseguir". Mas "fingir até você conseguir" é um pouco diferente do que estou falando aqui. Seria pedir para você acreditar em algo sem ter provas disso (uma ilusão). Em algum momento, o cérebro não gosta dessa desconexão. Mas se você pode olhar para trás e dizer "eu arrumei a cama em 13 dos últimos 14 dias", você tem provas de ser uma pessoa caprichosa. Seus hábitos e ações dão a você uma prova de quem você é e, gradualmente, com o tempo, eles podem remodelar um pouco sua identidade ou expandi-la ou atualizá-la em alguns aspectos."
 
Então eu posso parar de pensar em mim mesma como alguém que está tentando meditar e me identificar como alguém que medita.

2 comentários:

Pri e seu mundo disse...

Amei essa postagem. Já havia lido algumas coisas sobre "fingir até conseguir" e como se relaciona com a programação neurolinguística, mas a nova visão que o texto falou é bem interessante. Eu sou o tipo de pessoa que falo "estou tentando" pra tudo nessa vida, acho que isso realmente me atrapalha a conseguir. Muito interessante mesmo.
Muito obrigada por explicar sobre os comentários no meu blog. Posso te pedir um favor, quando puder tente deixar um comentário por lá pra eu saber se funcionou.
Obrigada!!!

Dri disse...

Que bom que vc gostou da idéia, vale a pena escutar toda a entrevista. Esqueci de deixar o link para o podcast...eu escuto sempre no spotify mas dá pra ouvir no site também: http://www.oneyoufeed.net/james-clear-1/ (em inglês).
Podexá que vou verificar o sistema de comentário no seu blog, tomara que tenha dado certo! Bjo!

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