sexta-feira, 29 de junho de 2018

#25 procrastinação, natacão, meditação

Cheguei no fim da semana 25 com a sensação de estar andando para trás.

Uma coisa que estou fazendo este ano é uma colagem semanal de fotos, no meu telefone mesmo. Todas as segundas quando eu penso na semana que passou aproveito e olho para as fotos que eu tirei e faço um apanhado das mais significativas. E foi tão bom olhar para as fotos da semana 25 e me dar conta que "pensando bem... minha semana foi ótima em vários aspectos". Teve pedalada com minha amiga, caminhada com outros amigos, momentos divertidos na cozinha com meu marido e café com ele na cafeteria (com o bônus do jornal estar disponível, nem sempre é o caso). E linda floração de uma árvore que não sei o nome, mas embelezou a cidade. Teve muita natação também, mas isso não entrou na colagem semanal de fotos já que sempre deixo o celular em casa quando saio para nadar.

Um grande atraso na minha vida é a procrastinação. Umas semanas atrás eu tinha comentado aqui no blog de um desafio de nadar 46km antes do meu aniversário (começo de julho), só que acabei procrastinando nisso também. Semana passada finalmente caiu a ficha: se eu não encarasse o desafio com mais seriedade, não iria conseguir. Considerando que eu já tive que abandonar meu desafio esportivo original, não queria abandonar esse da natação. Então durante a semana 25 nadei feito uma louca: dez quilômetros e meio numa semana. Por um lado fiquei muito feliz de ter conseguido nadar tudo isso (primeira vez na vida). Lembrei que um ano depois de aprender a nadar (9 anos atrás) eu estava nadando em torno de 10 km por mês. Ou seja, consegui nadar em uma semana o que uma vez eu custava o mês todo para nadar. Mas por outro lado fiquei chateada com a maneira que encarei meu desafio, me enrolando por vários dias e me colocando nessa situação de ter que nadar um montão no fim. Uma coisa tão recorrente na minha vida, essas corridas malucas de última hora.

Nadar é o tipo de atividade repetitiva que propicia viajar nos pensamentos e ruminar nos problemas. Tenho feito um esforço para apenas curtir o momento enquanto nado - evitando as ruminações. As vezes fico admirando os azulejos no fundo da piscina e contando as minhas braçadas, prestando atenção no barulho da minha respiração e coisas assim. Estou realmente tendo cuidado para não me perder nos pensamentos.

Adotei um método de contagem de voltas diferente, em forma de escadinha. Digamos que o objetivo seja nadar 9 voltas. Antes eu contava as voltas de maneira sequencial, 1,2,3...até 9.  Mas um amigo do meu marido sugeriu um método menos entediante, que vem a ser uma escadinha (ou pirâmide), funciona assim: nada 1 volta, faz uma pausa, 2 voltas, pausa, 3 voltas, pausa, 2 voltas, pausa, 1 volta. Bem mais fácil de contar e não se perder. E as pausas pelo meio, segundo esse amigo que é profissional do ramo esportivo, são benéficas por algum motivo que já esqueci. Claro que é super fácil contar 9 voltas sem se perder, mas eu tenho nadado pelo menos 36 voltas. Então no novo método basta fazer a escadinha de 6. Super fácil de contar, adorei. E também tem o aspecto psicológico: é muito mais fácil encarar uma escadinha de 6 do que uma sequência de 36. 

Para evitar as ruminações as vezes incorporo a meditação "bondade amorosa" enquanto estou nadando. Essa é a minha meditação preferida, em que desejamos coisas boas para nós mesmos e para os demais. Que tanto podem ser pessoas do nosso círculo de relacionamentos ou estranhos que vemos com regularidade. No método escadinha está sendo super fácil incorporar essa meditação. No momento da pausa eu aproveito para escolher quem serão as próximas pessoas. Quando chego nas 4 voltas, geralmente penso minha irmã, meu cunhado, meus sobrinhos. 5 voltas, escolho 5 amigos. 6 voltas, minhas 6 tias. E vou mudando as pessoas: as vezes penso nos meus vizinhos, alguns primos (tenho bem mais de 36, podia dedicar um dia só para os primos, rsrsrs), ou penso nos funcionários do mercado da esquina ou da agência do banco, ou as pessoas que sempre passam com seus cachorros... e outras pessoas que vejo com regularidade (ou não vejo, como blogueiras que eu gosto de ler). Enfim, são várias possibilidades, nunca faltam pessoas. Fica tão mais gostoso contar pessoas do que contar voltas.

Que o homem do cachorro magrela
...seja saudável e feliz
...viva livre de dor e de sofrimento
...não se deixe abalar pelas dificuldades
...seja capaz de aceitar mudanças 
...seja sempre gentil consigo mesmo
...etc etc

Talvez essa entrada de hoje soe como coisa de gente doida, mas estou gostando MUITO de fazer isso. Não acredito que desejar o bem vá fazer diferença na vida das pessoas. Apenas me sinto bem cultivando sentimentos positivos e pensando nas pessoas assim. Tenho saído da piscina em paz com o mundo.

E para ficar em paz comigo mesma? Agir é o melhor remédio. Manter um resolução, aprender uma coisa nova, riscar uma coisa difícil da minha lista de tarefas... Já sei tudo isso - mas nem sempre faço o que tenho ou gostaria de fazer.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

#24 um dia normal


Um dos poucos blogs que gosto de ler é de um sujeito apaixonado por música. Semana passada ele marcou o dia dos namorados com um simples "feliz dia dos namorados", que eu só li no dia seguinte. Daí é aquela coisa que acontece todos os anos: "bah, é mesmo, dia dos namorados! tinha esquecido". 

E pensei: o que fizemos ontem? Tínhamos ficado um tempão juntos, pintando duas paredes na casa. Foram várias mãos de tinta. Terminamos o dia bem cansados mas felizes de ter conseguido chegar no fim da tarefa. 

Vivendo na Europa temos a desculpa do dia dos namorados aqui ser em outra data (algum dia de fevereiro), mas muitas vezes também não lembramos da data européia. É o tipo de coisa que não me diz nada mesmo. Eu tenho duas datas românticas gravadas no meu coração: o dia que conheci meu marido e o dia que nos casamos no cartório.   

Eu não mudei meu sobrenome ao casar. Então em situações burocráticas (principalmente envolvendo contadores) várias vezes escutamos a pergunta: "vocês são casados?". Sim, somos casados. E mentalmente sempre acrescento "de papel passado"... e lembro de um momento especial: depois de voltar do cartório, nós em casa, felizes, com nossa certidão na tábua de passar roupa, os dois conduzindo o ferro elétrico, no meio das gargalhadas. Uma maneira bem nossa de marcar o começo oficial da vida a dois.

Estou tão feliz no meu casamento. E pensar que eu QUASE não me casei com ele por conta das nossas muitas diferenças, principalmente políticas. No começo as diferenças me estressavam muito. Com o passar do tempo aprendi a aceitar que cada pessoa tem direito a ser como é e entender e explicar o mundo a sua maneira. E no fim das contas ter alguém que pensa diferente do meu lado sempre me faz ir atrás e investigar melhor os assuntos e meu posicionamento. 

domingo, 10 de junho de 2018

#23 embelezando minha casa por fora


Depois que me animei com as plantas dentro de casa, resolvi passar para o lado de fora. Custei um pouco para ir para o lado de fora porque estava realmente triste com tanta laje. Mas enfim, comprei diversas plantas para o pátio e a sacada, e aproveitei também e coloquei floreiras na janelas. Estou com flores em todas as janelas da casa, até mesmo no banheiro. Estou achando essa coisa de cultivar em potes um grande mistério e inicialmente matei várias plantas (tanto por excesso como por falta de água). Mas ultimamente estou conseguindo controlar o planticídio com a ajuda de um hidrômetro. 

Vou mostrar as flores que causaram maior impacto na minha felicidade. Na sacada da frente, o lugar onde me sento para ver o sol nascer de manhazinha, e onde almoçamos quando o tempo está favorável, coloquei uma fila de gerâneos:



E na janela do nosso quarto, que também dá pra frente da casa, coloquei mais gerâneos. Agora quando eu dobro a esquina já vejo os meus gerâneos de longe. Minha casa é absolutamente igual às casas dos vizinhos, mas é a única que está cheia de flores - ver minha casa florida de longe é uma alegria e tanto. 

É a primeira vez que estou com várias plantas iguais, de um tipo só. Quando eu tinha o meu jardim eu sempre cultivava várias plantas diferentes juntas, era uma grande bagunça. Mas aqui na casa nova resolvi fazer diferente, e gostei do resultado. Ao escolher flores tenho evitado minhas velhas conhecidas e aproveitado a oportunidade para cultivar plantas novas.  

Aliás outro dia um amigo do meu marido esteve aqui em casa e se encantou com minhas flores e plantinhas. Descobri então que ele também adora plantas. Agora estamos sempre conversando sobre isso. Ele até já me deu uma mudinha:

 

A primeira vez que ele viu essa planta foi numa visita que fez à tia-avó da sua esposa, mais de 40 anos atrás. Então ele pegou uma mudinha... que cresceu e é a planta maior que aparece na foto. Dessa planta de >40 anos ele tirou a minha muda. Adorei saber a historinha da planta. Então agora tenho uma planta que é neta da planta da tia-avó da esposa do amigo do meu marido. Ou alguma coisa assim :)

sexta-feira, 8 de junho de 2018

#22 embelezando minha casa por dentro (valeu, Pri)


Em setembro do ano passado eu saí de férias sozinha: foram férias fantásticas por vários motivos. Aluguei uma casa rural num lugar perdido no meio do nada e fiquei ali uma semana curtindo a natureza e as trilhas. E tive uma surpresa: encontrar uma cafeteria naquele lugar tão remoto, que alegria! Todos os dias caminhei 1,5km ao longo de campos até a cafeteria, que ficava dentro de um balneário para idosos, no meio de um jardim muito arborizado. No centro do pátio um chafariz, contornado por lindas flores amarelas, minhas velhas conhecidas (falsos girassóis - heliopsis helianthoides):
 
Café com falsos girassóis

Ao invés de ler o livro de história que tinha levado, nos momentos de cafeteria aproveitei para ler um blog que descobri por acaso: Mundo da Pri. Gostei tanto que li o blog todo. Encontrei vários textos interessantes, mas um texto de 2016 tocou fundo na ferida. Trazia a idéia de "cuidar da casa que já se tem - apesar de não ser a casa dos sonhos".

Fazia mais de ano que eu tinha me mudado para a casa onde estou agora, mas não estava muito feliz, por barulho na vizinhança e outros motivos. E por não estar feliz, por estar morrendo de vontade de sair daqui correndo, eu não estava embelezando a casa. Estava mantendo tudo  razoavelmente limpo, mas não estava "enfofurando" a minha casa. Que definitivamente não é a casa dos meus sonhos.

A casa dos meus sonhos seria algo pequeno e fofo, como esta simples casinha, onde fui feliz por muitos e muitos anos:

15 anos na companhia de falsos girassóis

Era uma casa alternativa, muito simples, bem pequena (32m2), toda plana, cheia de janelas, super iluminada, fácil de limpar, bem localizada, rodeada por um jardim que eu cuidava e amava com todo o meu coração. Infelizmente tivemos que sair desse lugar mágico e atualmente estamos numa casa sem jardim. A nova casa é ótima, é sólida, não balança com o vento, é uma casa normal sem estigmas sociais atrelados (quem sabe outro dia escrevo mais sobre isso). A nova casa é bem maior, tem coisas que nunca tive antes como lavabo, cozinha enorme, lavanderia separada, quarto de visitas, garagem. Tem um pequeno pátio coberto de laje e 2 sacadas. Mas não tem terra para revirar, não tem canteiros, não tem aquela sensação boa que estar na natureza traz, a possibilidade de deitar na grama e se ver rodeada de plantas, como acontecia no meu jardim.

Lendo as palavras da Pri me dei conta que estava na hora de deixar a infantilidade de lado. Deixar de pensar no passado (e na casinha/jardim que eu tanto amava e tinham ficado pra trás), deixar de pensar no futuro (tenho esperança de sair daqui algum dia para uma casa que tenha jardim e tenha a possibilidade de criar galinhas). Deixar tudo isso pra lá e me concentrar na casa onde estou agora. E voltei das férias decidida a embelezar minha casa. Até então a casa estava com as paredes vazias, sem absolutamente nada, estava bem triste mesmo.

Resolvi começar com plantas. Para embelezar a cozinha comprei um suporte e essas plantinhas. Os pratos eu já tinha, só precisei pendurar. E na entrada, onde deixamos os casacos e bonés, pendurei uma planta também:


O lavabo foi onde exagerei - ficou a peça mais 'carregada' digamos assim. Pedi para meu marido colocar uma prateleira debaixo da janela e enchi de plantas. Eu já tinha todos os potinhos - usava na casa anterior, mas ainda não estava usando aqui. Coloquei plantas sobre a escada de abrir e também no balcão da pia. Um dia abri a porta da rua e encontrei uma obra de arte - um desenho de criança trazido pelo vento. Adorei, foi parar na parede:

 
Para alegrar o pequeno espaço entre os quartos, comprei esta plantinha e um móvel para ter onde apoia-la. O quadro de hortênsias é um dos últimos que a minha Mãe pintou. A qualidade ficou bem inferior às outras obras dela, mas tenho um carinho especial pelas hortênsias, já que foram pintadas especialmente para mim. Pedi para que ela pintasse um quadrinho bem pequeno com a desculpa que viajaria na mala de mão, mas desconfiava que a Mãe não conseguiria mais terminar um quadro grande, por conta da rapidez que sua doença estava avançando. A lâmpada de pé foi sugestão do meu marido, gostei muito do resultado:
 

Coloquei algumas fotos pelas paredes. E várias plantas espalhadas pela casa. Meu objetivo é transformar a sala numa selva, falta bastante ainda. A mesinha de madeira ao lado do sofá é o móvel mais bonito e delicado que já fiz, usando madeira reaproveitada de outros projetos. Agora estou fazendo uma pequena mesa para a costela de adão, por enquanto coloquei a planta sobre uma cadeira:


Escrevi o texto e tirei essas fotos pensando na Pri. Então Pri te agradeço muito pelas palavras que me impulsionaram a agir. A casa continua não sendo a casa dos meus sonhos, o barulho na vizinhança continua igual ou pior, mas agora estou me sentindo tão tão TÃO melhor aqui dentro. Não sei quanto tempo vou continuar por aqui, mas serão dias rodeados de plantinhas e de beleza :)