domingo, 30 de dezembro de 2018

#52 apanhado musical de 2018


Durante 2018 eu mantive vários diários, inclusive um "diário musical". Seguem algumas entradas que escrevi sobre músicas que escutei ao longo do ano. No começo eu estava colocando links, depois parei para não perder muito tempo. Mas está tudo no spotify e/ou youtube.

29.12.18
♫Dá um mergulho no mar! Dá um mergulho sem olhar pra trás
Dá um salto no ar, só para veres do que és capaz
Arrisca mais uma vez, nem que seja só por arriscar
Nunca se tem muito a perder, dá um mergulho no mar♫
 
Música antiga, positiva e encorajadora para encerrar o ano. Estou precisando dessa energia e otimismo para dar um salto e abraçar mais uma mudança. Em outubro eu tomei a decisão de mudar. E agora cheguei na fase de duvidar da minha decisão e me angustiar com isso. Se eu fosse sozinha já teria dado pra trás, mas como a decisão foi tomada junto com ele (depois de muito conversar sobre os prós e contras) e já teve investimento econômico considerável, fica complicado mudar de idéia. Então tenho que abraçar o entusiasmo que senti em outubro e mandar ver. A  mudança mesmo só acontecerá em junho, ao seja, muito tempo ainda pra duvidar da minha decisão. E para cantarolar com os Xutos e Pontapés... e também Frank Turner (primeira música do ano).

16.12.18
Ontem saí com o grupo de caminhadas nas montanhas. Passei um dia muito divertido conversando com várias pessoas, inclusive mulheres que acabaram de entrar no grupo. A coisa mais incrível me aconteceu: conversando com uma norueguesa que está morando na Espanha faz alguns anos me senti a vontade para comentar que eu tive uma infância com muita religião e estou estranhando o excesso de religiosidade aqui na Espanha. Na verdade é a primeira vez que comento isso para alguém, ao vivo e a cores. E ela me contou que também cresceu com muita religião, então assistiu muitas missa, na adolescência inclusive. Ela já está com 50 anos, e faz vários anos que se afastou da religião e não participa mais de nada disso. No entanto, de vez em quando as músicas da igreja ficam soando na sua cabeça! Bah, quase abraço aquela mulher, ali mesmo! Primeira vez na vida que comento sobre esse meu trauma de religião e pessoa me entende totalmente e ainda expande o assunto comentando um outro problema que eu tenho, essas músicas de igreja que me perseguem. São várias melodias que de vez em quando martelando na minha cabeça, uma delas é:
♫Se as águas do mar da vida quiserem te afogar, segura na mão de Deus e vai.
Não temas segue adiante e não olhe para trás, segura na mão de Deus e vai♫
Putz, sei isso decor até hoje. Faz quase 30 anos que eu abandonei as missas dominicais e isso ainda me persegue. Eu queria ter um poção mágica que me fizesse esquecer, queria me libertar total disso, pra sempre. Mas na falta de poção mágica a partir de agora sempre que uma dessas músicas antigas vier me torturar, vou lembrar da Kirsten, caminhando comigo feliz pela floresta, cantando as músicas horrorosas da igreja dela na Noruega e rindo bastante dessa situação. Então Dri, segura na memória feliz da Kirsten e vai :)

Sendo que a conversa/cantoria aconteceu num trecho de estrada que adoro e já passei diversas vezes de bicicleta! Foi uma experiência tão positiva, de saber que não sou só eu, de alguém entender perfeitamente a situação:


 
Nov.18
Meu marido me mostrou uma música nova da Zaz, cantora francesa que ele gosta muito, a música se chama "nos vies":
 
♫Pour sûr que l'on est bien ensemble
Je jure que nos vies se ressemblent
À toute allure j'attends qu'on se rassemble
Pour sûr que l'on est bien ensemble ♫
 

15.10.18
Hoje na cozinha, enquanto a janta estava no forno, rimos muito muito mas muito mesmo procurando músicas da nossa infância no spotify. Vou resumir toda a experiência musical numa única onomatopéia: ♫ piuí ♫

 
22.09.18
De férias no interior do RS, relativamente perto da  ♫Lagoa dos Patos, dos sonhos, dos barcos;  ♫lago verde e azul que na américa do sul deus botou pra bebedouro... mas a música que cantarolei foi uma do Sá e Guarabira: 
 
♫E o pó da estrada fica em minha roupa
O cheiro forte da poeira levantada
levando a gente sempre mais a frente
nada mais urgente que o pó da estrada, o pó da estrada ♫

Que alegria reencontrar tanta coisa, inclusive estrada de chão batido.
 
 
20.07.18
Cheguei no músico Thomas Hien através do meu marido, ele gosta muito de uma que diz "Home is where your heart is... I'm only home when I'm with you". Casei com alguém muito mais romântico que eu. Mas escutei um monte de Thomas Hien, gostei de várias e a minha preferida é Crazy beautiful life:
 
  ♫ Nothing lasts forever someone told me so
Life is always changing it ain't what you think you know
Even if you're standing still, you're floating in space
So grab a hold of your heart and you'll find your place
 
Wherever you are, whatever you do
Whatever wishes might come true
Whatever you got, whatever you give
You make it a beautiful life to live ♫
 
 
24.05.18
Visitei Aranjuez e como não lembrar do ♫concerto de aranjuez!? adoro o primeiro movimento (mas o segundo e terceiro são super chatos).
 
 
12.04.18
Ouvindo no repeat: El rumbla del tartamudo

♫Mimimimimimira niña que mi corazon
Cantando todos mis problemas desaparezcen
Y se ti tartamudeo ao dizer te quiero sera que te quiero mucha mas vezes?
mumumucha mas vezes!♫
 
 
25.03.18
Fiquei uns dias de cama e aproveitei para escutar música tranquila e reconfortante: Julie Blue, de Joe Purdy. Eu cheguei em Joe Purdy depois de escutar Wash Away num dos primeiros episódios do seriado Lost. Gostei tanto de tudo mais que encontrei no youtube que comprei o CD. Isso foi antes de usar Spotify.

Nem sei dizer qual minha preferida do Julie Blue, talvez "I love the rain the most"... when it stops! Na época eu morava num lugar muito chuvoso, e se por um lado estava em paz com a chuva (boa para as plantinhas do jardim), por outro lado era maravilhoso quando ela parava e o sol aparecia. Eu morava perto de um rio e aproveitava ao máximo, com longas caminhadas e pedaladas rio abaixo, pra fora da cidade, no meio da natureza...
 
 ♫The summer is coming to an end.
We ain't gonna let that slow us down one bit.
 Til that sunset will start to fade,
they're gonna drag us screaming from these old riverbanks♫
 
Minha parte preferida da música: sim o verão eventualmente acaba, mas não vamos deixar de curtir. Vamos aproveitar tudo o que a gente conseguir e mais um pouco. Acho bem legal que quase todo Julie Blue está voltado para esse tema de curtir o rio. Escuto o CD pensando num rio enorme, de águas calmas, seguindo lentamente por uma planície e toda a paz que vem junto.

 Outra do Julie Blue que adoro é Abbie's song:

♫Oh river, with your water so clear
I can see straight to the bottom where you stand so still
Oh river, with this beauty you found
 Yeah you act just like a mirror with your sun sinking down
Oh river, with your waters so calm
No, I will not forget you wherever I roam.♫

Acho que eu também nunca foi esquecer de toda a paz e beleza que morar perto de um rio tranquilo trouxe para os meus dias. Espero voltar a experimentar isso na minha vida, mais pra frente. Por enquanto estou gostando de morar perto do mar.  A vida é boa e não posso me queixar muito :)
 
Fev.18
Assisti um filme indiano cuja história se passa aqui na Espanha, um filme leve e divertido, animado e colorido. Gostei de uma das músicas, não tem no spotify mas encontrei no youtube: dildhadkane do
 
 
24.01.18
Uns dias atrás li no jornal a notícia do falecimento de Dolores O'Riordan, vocalista da banda Cranberries, cuja música "dreams" marcou muito um período da minha vida: fim da faculdade, começo de vida no exterior. E fiquei triste de saber que Dolores morreu com apenas 46 anos! A mesma idade que eu tenho hoje. E depois lendo sobre sua vida, que pena senti ao saber que sofreu abuso sexual de uma pessoa próxima quando era criança. Por conta disso carregou consigo uma raiva muito grande. As vezes tinha rompantes de raiva, como um episódio em que foi violenta num voo entre eua e irlanda. Era divorciada, teve 3 filhos. Será que foi feliz? Será que realizou seus sonhos?

♫And my dreams they are never quite as it seems
I want more impossible to ignore, impossible to ignore
They'll come true, impossible not to do, impossible not to do♫ 

Quais são os meus sonhos, quais ainda quero realizar? O primeiro sonho que me veem a mente é "viver numa cabana no matinho". Estou fazendo alguma coisa pra ir atrás disso? Não, pelo contrário: estou tentando ir contra a minha natureza e ser feliz ou talvez me acomodar numa situação que é o oposto do meu sonho.

06.01.18
No dia primeiro do ano fui dar minha caminhada de sempre. Moro num bairro muito sem graça, então sempre pego o carro e dirijo 20min até a praia. E naquela segunda, primeira do ano, estava caminhando na praia, com o sol nas minhas costas, mar tão azul e tão sereno, com um céu azul, brisa suave, temperatura agradável, praia vazia...e de repente me dei conta que estava me sentindo FELIZ naquele "aqui e agora", realmente curtindo aquele momento.

Aconteceu de novo enquanto estava dirigindo de volta pra casa, na descida antes da rótula: me dei conta que estava tão feliz que estava rindo sozinha e cantando junto com Frank Turner "Next Storm". E fiquei tão feliz de inesperadamente me pegar tão feliz, uma coisa assim espontânea que não me acontecia desde muito tempo, talvez desde janeiro de 2016. Houve uma época (em 2016 e também 2017) que a vida estava tão cinzenta, pensei que eu nunca mais iria me sentir feliz e animada outra vez... Mais de uma vez pensei seriamente em terminar com tudo. Persisti mais por inércia do que qualquer outra coisa - não vou mentir e dizer que eu tinha esperança que as coisas melhorassem, admito que por muitos momentos não pensei que fossem melhorar. Não posso dizer que estou 100% curada da minha depressão, mas estou tão feliz por não ter desistido da minha vida em março de 2016, que foi a primeira vez que tive vontade. Se algum dia eu me encontrar novamente num túnel ou buraco escuro, quero me lembrar disso tudo e insistir até encontrar a saída. Se consegui me sentir feliz uma vez, provavelmente vou conseguir novamente. Um dos meus objetivos para 2018 é ser mais gentil comigo mesma. Então vou aproveitar para agradecer a mim mesma por ter insistido tanto em mim durante 2017: por ter voltado a fazer as coisas que me tiram de casa (caminhadas e bicicleta) mesmo quando eu não estava nem um pouco a fim, e foram várias e várias vezes que eu não estava nem um pouco a fim. Mas ao mesmo tempo, são as coisas que mais alegria me trazem. Então valeu Dri de 2017 por ter insistido tanto, mesmo quando a vontade estava na casinha do zero.
 
♫I don't want to spend the whole of my life indoors
Laying low, waiting on the next storm
I don't want to spend the whole of  my life inside
I wanna step out and face the sunshine
 
I'm not gonna live the whole of my life indoors
I'm going step out and face the next storm♫
 

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

#49 impermanência (e sabedoria dos avós)


Eu caminho pelo menos 1h por dia, quase todos os dias. Enquanto caminho, gosto de fazer duas coisas: meditar ou escutar algum programa de música clássica. O meu preferido se chama "música antigua", que dura uma hora e é apresentado por um sujeito com voz cansada, ele me passa a ideia de ser um senhor de idade que está lentamente perdendo o fôlego, o ânimo e as forças. Mas realmente gosto muito do programa e já esgotei todos os episódios de 2018 e 2017 - ao invés de baixar algum de 2016, resolvi "começar pelo começo". Hoje escutei um programa que foi ao ar 10 anos atrás, em dezembro de 2008, era sobre a música de monastérios medievais. O que mais me marcou no programa nem foi o conteúdo e sim o ânimo na voz do apresentador. Que diferença 10 anos fazem! Não sei que idade ele tem hoje, mas deu pra perceber bastante diferença na sua voz e no seu entusiasmo.

Estou numa fase em que pensar sobre envelhecimento me faz pensar na sua conclusão inevitável: a morte. Talvez o texto de hoje tenha ficado meio pesado. Então vou resumir o assunto envelhecimento e morte com a sabedoria dos avós do meu marido: "envelhecer é ruim, mas a alternativa é muito pior" e "vamos aproveitar hoje, que amanhã a gente não sabe".

Essas duas frases realmente resumem o assunto de hoje e não há necessidade de ler nenhum outro parágrafo. Estou comentando isso para não entristecer o dia de ninguém que por acaso chegar até o meu texto.  


Aproveitando hoje de manhã ao som de gaivotas, ondas e músicas antigas,
excepcionalmente de chinelo por estar com o calcanhar machucado.

Ressalva feita e fora do caminho, lembro que quando eu era jovem eu sonhava em viver até os 120. Por muito tempo eu colecionei histórias de pessoas idosas; antes da internet colecionava recortes de jornal. Achei que iria aceitar envelhecimento com naturalidade, já que vivendo até os 120 eu passaria a maior parte da minha vida como uma pessoa idosa mesmo. Lembro de ter pensado isso quando era adolescente. Agora estou com 47 anos e as expectativas já são outras, haha.

Em  2016 andei super chateada com as minhas rugas e principalmente celulite que está sempre aumentando. Faço montes de atividades físicas, tenho uma alimentação razoavelmente saudável e ninguém tem mais celulite que eu - tenho celulite até na frente nas pernas! Em 2016 me mudei para bem pertinho do mar e no verão a socialização acontece na praia. Sendo que adoro nadar e chegando aqui me encantei com snorkel, enfim não tem como evitar mostrar a celulite. As rugas também estão bem óbvias e os cabelos brancos mais ainda, já que estou num lugar onde todo mundo pinta os cabelos (homens também) e eu sigo sem esconder os cabelos brancos. Só não sou a única pessoa com cabelos brancos porque meu marido também não esconde. Na verdade não estou nem aí para os cabelos brancos, o que mais noto é o aspecto das minhas mãos: deram uma enrugada muito repentina, realmente não esperava ficar com as mãos tão enrugadas tão cedo.

A vó do meu marido (já falecida) sempre dizia: "envelhecer é ruim, mas a alternativa é muito pior". Nunca tinha pensado muito no assunto, era só mais uma coisa engraçada que ela dizia. Mas ano passado a morte de uma amiga de 32 anos me fez relembrar o ditado da avó. Já fui em muitos enterros ao longo da vida, o primeiro quando eu tinha 6 anos; depois na adolescência foram vários, inclusive de uma colega adolescente; e nos últimos anos tive muitos também... mas para mim nenhum foi tão triste como o enterro da minha amiga de 32 anos. Na última vez que nos encontramos ela estava no hospital, se perguntando se sua filha (bem pequena, ainda usava fraldas) se lembraria dela, afinal já sabia que tinha poucos dias de vida pela frente. A morte da minha amiga me fez colocar o envelhecimento em perspectiva. Passei a sentir gratidão por simplesmente estar aqui. Estar aqui, com esse corpo (desse jeito mesmo que ele é, e não como eu queria que ele fosse), é infinitamente melhor que estar numa cama de hospital esperando o fim, como aconteceu com ela. Desde então sempre que noto algo no meu corpo que me chateia, uma ruga que está se pronunciando ou o horror da celulite, eu penso na amiga que não está mais aqui para experimentar tudo isso. E olhando para os problemas do meus pais, sei que um dia celulite será tão inconsequente que será a última das minhas preocupações. Desde que minha amiga morreu passei a ver envelhecimento como um presente, já que nada é garantido. Quero dizer, nem mesmo a velhice é garantida, podemos morrer a qualquer momento.

Esse ano um dos meus objetivos é fazer um destralhe, principalmente mental, e uma das expectativas que estou descartando é a de viver uma vida saudável e morrer bem velhinha de causas naturais. Sim, seria ótimo, mas talvez pouco provável. Olhando para meu histórico materno: não sei que idade minha bisavó tinha quando faleceu, mas sofreu de alguma forma de demência antes de morrer (não nos conhecemos, minha mãe que me contou). Minha vó morreu de problemas cardíacos aos 60 anos. Minha mãe está sofrendo com alzheimer desde os 70...que provavelmente começou bem antes. Sendo que seu irmão também já foi diagnosticado. Talvez me escape dos problemas cardíacos, mas tenho como prevenir câncer ou alzheimer? Durante 2017 eu passei por uma fase bem paranóica lendo sobre como evitar alzheimer. Meu irmão estava na mesma vibe e acabou mudando radicalmente sua dieta, parou de fumar e começou a fazer exercícios físicos. Eu nunca fumei e sempre fiz exercícios, mas por sugestão do meu irmão cortei açúcar e comidas processadas e passei a comer mais vegetais, peixes e nozes. Na verdade descobri que adoro nozes, então foi a melhor coisa disso tudo: a descoberta das nozes. Provavelmente vou continuar comendo pescado e nozes, mas ultimamente tenho questionado todas as paranóias alimentares e essa ilusão de conseguir prevenir doenças com pequenas mudanças alimentares.  Não que eu vá abandonar a alimentação saudável, estou feliz de ter incorporado isso na minha vida - mas já consegui abandonar os radicalismos.

No começo do ano li um artigo que me fez pensar muito em expectativa e qualidade de vida. Foi escrito por um médico americano que diz querer viver até os 75 anos somente. Aliás o título do artigo é "why I want to die at 75", autor Emanuel Ezequiel. Diz o médico que não pretende fazer exames preventivos de câncer depois de uma certa idade. E que depois dos 75 pretende recusar tratamentos invasivos (ponte de safena, quimioterapia) e simplesmente deixar a vida seguir seu curso. Ele não está propondo isso para ninguém, apenas comentando o que ele pretende fazer na velhice dele (e aqui me pergunto: e quem garante que não mudará de idéia?). Provavelmente uns anos atrás eu teria ficado horrorizada com idéias assim, mas hoje, vendo a situação terminal que minha mãe se encontra, achei interessante o enfoque. Não sei se pretendo fazer igual ao médico, mas achei interessante o jeito que ele aborda a questão: aceitar que tudo um dia acaba e simplesmente deixar fluir ao invés de se agarrar desesperadamente na vida e prologar de forma sofrida o inevitável. Ler esse artigo foi o que mais me ajudou para me libertar das minhas paranóias com alzheimer (estava até perdendo o sono pensando nisso!) e fazer novos planos para o futuro. Afinal, se não for alzheimer, será outra coisa. "Um dia, pronto, me acabo; que seja o que tem que ser", como dizia o meu poeta preferido na adolescência, Mário Quintana. 

Para ser feliz e aproveitar a minha vida (como ela se apresenta), o melhor que posso fazer é aceitar que a vida é "impermanência". As situações mudam, a gente muda, as pessoas se vão, a própria vida acaba. Não tenho como escapar disso, mas posso evitar as paranóias. E principalmente lembrar sempre da sabedoria do vô do meu marido (já falecido também): "Vamos aproveitar hoje, que amanhã a gente não sabe".

domingo, 2 de dezembro de 2018

#48 gratidão dos últimos meses


Faz tempo que venho mentalmente escrevendo o texto de hoje: um apanhado das coisas boas dos últimos meses.

Setembro foi um mês especial. Fui para Porto Alegre e me senti tão feliz e agradecida:
. O motivo da viagem foi comemorar o aniversário da minha irmã, ao seu lado. Quantos aniversários da minha irmã eu perdi ao longo dos anos? Foram vários, mas esse eu fiz questão de comparecer. E estou tão feliz que chegamos até aqui como amigas.

. Que alegria ainda poder curtir o abraço das minhas tias idosas, gosto muito delas e encontra-las é uma prioridade sempre que volto a Porto Alegre. Me sinto tão sortuda e amada. Um dia elas serão apenas uma lembrança querida na minha vida (a maioria já chegou nos 80), enquanto esse momento não chega bora abraçar, tomar café e jogar conversa fora.

. Feliz que meu pai, apesar dos pesares, está cada vez mais realista, em alguns momentos até mesmo otimista! Sim, logo o meu pai, que sempre foi uma pessoa extremamente dramática e pessimista. Ele tem conseguido aceitar e lidar melhor com sua própria saúde e a realidade da minha mãe. Uma coisa é a gente ler pérolas de sabedoria do tipo "nunca é tarde para mudar". O tipo de conselho que parece fácil na teoria. Outra coisa é ver o próprio pai, com mais de 80 anos, conseguir alterar sua perspectiva e prestar mais atenção no lado positivo da vida.

. Apesar de eu ter ficado pouco tempo, consegui renovar minha carteira de motorista. Não sei porque isso me traz tanta alegria, mas eu gosto de manter atualizados os vínculos burocráticos que ainda tenho com o meu pais.

. Realizei um grande sonho que era visitar a extensão de terra entre a Lagoa dos Patos e o Atlântico, adorei adorei adorei. Fui sozinha e foi um passeio fenomenal. O ano de 2018 vai entrar na minha história como o ano que finalmente viajei sozinha pelo interior do Brasil, com direito a trilha de 25km sozinha, pedir carona sozinha, visitar um parque nacional sozinha e passar a noite sozinha numa cabana isolada, numa propriedade rural. Ir pra cama às 20h30 e acordar no maior silêncio e escuridão às 4h. Solitude na natureza: não tem coisa melhor!

. Estou tão feliz de ter conseguido manter uma amizade da minha juventude. Tentei manter várias amizades com mulheres, mas não consegui (me esforcei bastante mesmo, talvez meu erro tenha sido me esforçar demais!?). Aliás gosto muito daquela música do Hamson sobre amizades, a letra diz o seguinte:

♫You have so many relationships in this life
Only one or two will last
You go through all the pain and strife
Then you turn your back and they're gone so fast, yeah
And they're gone so fast, yeah
So hold on the ones who really care
In the end they'll be the only ones there
And when you get old and start losing your hair
Can you tell me who will still care? ♫

♫Plant a seed, plant a flower, plant a rose
You can plant any one of those
Keep planting to find out which one grows
It's a secret no one knows ♫


Apenas uma amizade da juventude resistiu ao tempo - um colega de trabalho que conheci em 1992. Por muito tempo isso me incomodou muito (não ter conseguido manter aquelas amigas mulheres), mas hoje estou feliz de ter um grande amigo.

. E bom mesmo é ter um marido que confia em mim e não é nem um pouco ciumento. E me incentiva a cultivar amizades e interesses. Aliás o rapaz que eu namorei antes dele era super ciumento, e eu decidi que não queria um relacionamento daquele jeito com tanta desconfiança. Acho muito importante para a sanidade mental fazer coisas separadas do cônjuge, essa coisa de viver sempre colado não é comigo. Escolhi alguém que entende isso.

Gratidão de outubro:
. Entusiasmo do meu marido! Vou deixar para expandir esse assunto outro dia.

Gratidão de novembro:
. Já mencionei aqui no blog 'o homem do cachorro magrela': um corredor que vejo com regularidade na praia. Não sei seu nome, nunca conversei com ele, aliás quando nossos caminhos se cruzam a gente não troca sorrisos, muitas vezes nem trocamos um "bom dia", geralmente é só aquele cumprimento seco e rápido, um levantar de sobrancelhas. Pois bem, em julho comecei a ver o cachorro magrela sem seu companheiro costumeiro, inicialmente achei que fosse temporário, mas o homem do cachorro magrela não voltava nunca. Depois de uns meses eu já estava achando que ele tinha se divorciado ou quem sabe até morrido. E numa linda manhã de novembro o homem do cachorro magrela finalmente reapareceu. Está de volta correndo na praia, como antes. Fiquei muito feliz com o seu retorno. Gratidão pelas pessoas que eu não conheço e pra falar a verdade nem faço questão de conhecer. Além do homem do cachorro magrela tem também a mulher do golden retriever, o velho do boné, o fotógrafo do amanhecer e o jovem do casaco verde. Fico feliz de vê-los quase todos os dias correndo ou caminhando na praia, mantendo suas próprias rotinas e servindo de lembrete/inspiração para eu manter sempre as minhas :)

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

#46 feliz com meu novo objetivo esportivo


No texto anterior eu mencionei ter dado passos para trás, mas também dei um grande passo para a frente que foi adotar um novo objetivo esportivo. Desde que me mudei para essa região montanhosa não estava conseguindo manter meu objetivo esportivo de sempre (que consiste percorrer minha idade x 100km) e isso estava me trazendo muita agonia. Já escrevi como foi difícil abandonar esse objetivo que me acompanhava há tantos anos.  

Para os meus 47 anos adotei um objetivo diferente: praticar 470 horas de atividade física enquanto tenho 47 anos. Eu e essa mania de sempre usar minha idade nos meus objetivos esportivos, é a vida!

Dividindo 470 horas por 52 semanas dá 9h por semana. Achei esse objetivo muito libertador por me permitir fazer a atividade que tiver vontade, sem me preocupar com os kilômetros. Se está ventando muito e não estou com vontade de pedalar, posso ir na piscina nadar ou simplesmente sair para uma caminhada. Se quero fazer uma pedalada difícil, montanha acima, que toma muito tempo, não preciso me preocupar com a distância/velocidade. Aliás essa questão das montanhas acabou me agoniando muito nos 46 anos: eu estava deixando de subir montanhas e pedalando no plano para conseguir ir mais rápido/longe. Totalmente sem sentido. Ainda mais que gosto muito de subir montanhas. Ou seja, meu objetivo anterior estava afetando minha felicidade.

Curioso que eu ADORO caminhar/pedalar/nadar, e ainda assim sempre preciso do empurrãozinho dos meus objetivos, caso contrário muitas vezes bate aquela preguiça. O mês de agosto foi bem difícil, por conta do calor: tive que me exercitar antes de sair o sol, caso contrário era impossível durante o dia. A piscina fechada para férias coletivas não ajudou. Então no verão estava saindo de casa um pouco antes das 6h. Muitas vezes ao despertar sentia uma certa preguiça, mas já estava tudo pronto, de véspera: a roupa separada e o roteiro escolhido. Então era só pular da cama, colocar a roupa e sair. E depois que saia de casa era fenomenal estar na rua, curtindo a noite estrelada, a silhueta das montanhas contra o céu que vai clareando, a iluminação pública que eventualmente se apaga... amanhecer é o meu momento preferido do dia, adoro mesmo tudo isso:
 
madrugadas de agosto
 
Em outubro voltei a caminhar de manhã cedo na praia e pedalar em algum outro momento do dia (não todos os dias, claro). Desde que comecei até agora nem sempre consegui fechar as 9h semanais (viagens, lesões etc). No momento estou 23h atrasada, mas tenho certeza que vou conseguir recuperar numa boa. Estou muito feliz com o novo sistema.
 
Tenho uma planilha anual no excel onde anoto tudo isso. Antes anotava as distâncias, agora estou tomando nota do tempo apenas. Mas além da planilha, tudo vai parar no Garmin Connect. As vezes registro atividades no Strava também. Pra quê tanta redundância? Se no fim das contas o que vale mesmo é sempre a minha planilha? Fico me perguntando se eu não devia simplificar a vida e cortar Strava ou Garmin Connect, ou ambos. Se fosse cortar alguma coisa, cortaria Strava, já que foi adicionado posteriormente. Estou usando o Garmin Connect desde 2011 e tenho registro de várias pedaladas que, pra ser completamente sincera, espero fazer outra vez. E comparar minha performance com a de anos anteriores. Saber se eu consigo bater o tempo que eu subi aquela montanha em 2011, ou 2014, em lugares que sempre sonho em voltar. Pra isso também serve Strava, mas sei lá, gosto mesmo é do Garmin, já que não tenho como saber o que os demais "atletas" na minha volta estão fazendo. A performance deles não me importa, o único que me importa é o meu desempenho mesmo.

Mas o mais importante de tudo, para não deixar a peteca cair, é fazer sempre meus alongamentos. Me dei conta disso caminhando na praia e vendo tantos velhinhos dando seus passinhos de formiga, resultado de falta de alongamento. Então para me forçar a alongar incluí os alongamentos dentro do tempo dos exercícios. E não vou complicar minha vida adicionando essa informação na planilha. Estou simplesmente parando o relógio depois de me alongar.

terça-feira, 6 de novembro de 2018

#45 Pra frente é que se anda

Eu leio pouquíssimos blogs e fico triste quando as pessoas somem. E aqui estava eu, fazendo a mesma coisa, tsk tsk. Agradeço minhas duas queridas leitoras pelas palavras tão simpáticas que me deixaram nesses meses que estive fora, e também pelo email muito gentil que me motivou a entrar aqui.

Seria bom escrever que fiz mil coisas enquanto estive desconectada. Não foi o caso, infelizmente. Na verdade passei por um momento de grande confusão mental e dei vários passos para trás. Mas já aprendi alguma coisa em 2018: ser gentil comigo mesma. Então vou  respirar fundo e seguir em frente, sem necessidade de me menosprezar como eu teria feito uma vez.

Gosto muito de uma música chamada "A Riqueza", tem no youtube e spotify, cantada por Rita Ribeiro, mas talvez seja de autoria de outra pessoa. Diz o seguinte:

"Pra frente é que se anda
Não pare de sorrir
Sorrir para o escuro
Que ele vai clarear
Se as portas estão fechadas
Elas vão se abrir
Verás, verás, a riqueza que um sorriso trás :)

Lixo sorridente que encontrei na praia, semana passada :)

terça-feira, 10 de julho de 2018

#27 unplugged


Viajei para comemorar meu aniversário. Foram 3 dias/2 noites de férias total: férias da rotina, da internet... inclusive férias dos dados no celular, ou seja, nada de ligações, emails ou whatsapps.  

Ao sair de casa coloquei o celular no modo avião e só conectei novamente ao voltar. Levei o celular para ter como tirar fotos e usar os mapas offline. Fora isso não conferi absolutamente nada no telefone: não usei google, não fiquei pesquisando mil trilhas no wikiloc como sempre faço, não marquei acomodação pela internet: simplesmente fui. Ou melhor: fomos. Marido veio junto. Foram dias inesquecíveis.  

Na primeira noite estacionamos o carro num fim de mundo e dorminos dentro do carro mesmo. Peguei no sono olhando para as estrelas, pela janela. Infelizmente ele acordou com dor nas costas; na noite seguinte dormimos num hotel. Que não procuramos pela internet. Como a vida era uma vez. Adorei a experiencia como um todo e espero repetir, tanto dormir no carro (usando um colchao inflável para ele ficar mais confortável) como sair por ai sem planejar tudo nos mínimos detalhe. Alias um dos ponto alto foi fazer um picnic com vista para esta lagoa: 


Sendo que nunca tinha ouvido falar na lagoa, simplesmente seguimos a sugestão da dona do hotel. Hotel que ficava num vilarejo que nunca tinhamos ouvido falar também. E só entramos no vilarejo as 16h atrás de uma padaria. Era um lugar muito simpático e quando vimos um hotel, perguntamos se tinha acomodação e resolvemos passar a noite ali.  

Na manhã segujnte acordei bem cedo e voltei na lagoa, para uma caminhada circular. Quando chegou perto das 10h pensei 'daqui a pouco meu marido acorda e me manda um whatsapp, como sempre faz'. Quase liguei os dados pensando nele, mas não fiz. 'Ele vai se lembrar que estou sem dados, provavelmente vai assumir que estou caminhando, como sempre faço'. A vida desconectada, como era uma vez. Vivi a maior parte da minha vida, até agora, sem celular. Não lembro quando tive meu primeiro celular, provavelmente depois de 2008, ou seja, já fiz muitas caminhadas, pedaladas e saídas por aí sem poder me comunicar com ninguém. Nesse dia meu marido mandou o bom dia costumeiro, mas depois lembrou que eu tinha desligado os dados.  

Gostei tanto tanto tanto de experimentar outra vez "a vida desligada" que vou começar a adotar a prática mais seguido. Eu preciso de celular o tempo todo? Claro que não. Na verdade o que tem mais me cansado é receber msgs de whatsapps no telefone do meu grupo de caminhadas. Talvez "fróidexplique" tudo isso: eu entro no grupo de livre e espontânea vontade mas acho uma chatice toda a interação que rola no whatsapp.  Cada vez que olho para o telefone, tenho >30 mensagens de whatsapp do grupo. Será que a coisa mais fácil a fazer não era simplesmente SAIR do grupo do whatsapp? Mas daí penso: e minha vida social como ficaria? Através do whatsapp fico sabendo das atividades do grupo, apesar de ter ido em poucas, mas enfim... Já me dei conta que tanta conectividade não me traz felicidade, pelo contrário, só me traz agonia. Socialização em doses homeopáticas funciona melhor para mim.

Perto da nascente do Rio Tejo, que na Espanha leva o nome de Tajo.
 
Comemorei meus 47 anos fazendo uma trilha até esse rio e dando um mergulho nas suas águas cristalinas e mega geladas. Lavei a alma! Estar na natureza é tudo. Que alegria imensa se banhar num rio tão limpo, rodeada por árvores decíduas. Fiquei com vontade de voltar no outono, com minha roupa de neoprene.

terça-feira, 3 de julho de 2018

#26 revisão 1/2


Então que cheguei na metade do ano, como estou com meus objetivos? Acabo de abrir o texto que escrevi na semana 13 (progresso 1/4) e notei que dei vários passos para trás em alguns objetivos, então obviamente estou precisando retomar o foco. Enquanto outros seguem numa boa. Vou me concentrar nos objetivos em que fiz certo progresso:
 
3. Combater a preguiça mental:
 
. Finalmente descobri onde fica a biblioteca pública! Até fiz minha carteirinha e retirei um livro.
. Assisti algumas palestras interessantes pelo youtube, principalmente sobre geopolítica, revolução russa, Stalin etc.
. passei 3 semanas riscando montes de coisas da minha lista de tarefas
 
5. Destralhar a casa, os projetos, a mente:

No quesito destralhar a mente: fazia um tempão que algum evento religioso não me incomodava tanto como aconteceu com a páscoa esse ano. Por 20 anos a páscoa passou desapercebida na minha vida... mas agora, por estar novamente vivendo num país de maioria católica, o aspecto religioso da páscoa é bem evidente, com imagens da crucificação em qualquer lugar que se olhe, vários eventos públicos etc. Religião é um assunto bem controverso que eu geralmente evito comentar com terceiros. Minha infância foi marcada pelo excesso de fervor religioso (pra não dizer fanatismo) da minha família. Estou tão mais feliz desde que consegui me desligar disso tudo (gradualmente a partir dos 18 anos, e radicalmente a partir dos 24 quando finalmente consegui sair de casa - queria ter saído antes mas não tinha dinheiro). Desde então prefiro manter uma enorme distância de qualquer coisa religiosa, mística ou espiritual. Evito comentar esses assuntos para não me estressar nem ofender ninguém. Aliás outra coisa boa de destralhar seria essa necessidade que eu sinto de não ofender ninguém, mas talvez seja querer demais. Lembrar que a única pessoa que eu tenho qualquer chance de conseguir agradar (ou ao menos não ofender) sou eu... e as vezes nem isso eu consigo.

Mas de vez em quando algumas mágoas antigas vem a tona pra me incomodar, como aconteceu esse ano. O que fazer? Aceitar que minha infância foi o que foi e que hoje em dia estou livre para ignorar a religiosidade que me incomoda. Posso dar um passo além e criar minhas próprias tradições. Posso fazer com a páscoa o mesmo que já fiz com o natal, dei minha própria interpretação, tirei toda a religiosidade fora, e comemoro de uma maneira minha. Hoje em dia adoro natal. Mas na verdade natal é mais fácil porque sempre foi uma festa mais alegre, enquanto que páscoa... bom, prefiro nem entrar em detalhes o que era páscoa na minha infância, não preciso reviver o trauma. Mas quero destralhar essas associações negativas que tanto me incomodam. Resolvi aproveitar que moro no hemisfério norte para associar a páscoa com primavera: plantas que rebrotam, animais que nascem, etc. A partir de agora vou comemorar o feriado da chegada da primavera com um picnic na natureza. E o resto, todo o resto, vou encarar como um evento passageiro: como uma feira, um parque de diversões itinerante ou um circo. Apenas um evento que está passando pela cidade e eventualmente se vai, com suas cores e dramas que não me dizem respeito. 
 
Ainda sobre destralhar: fiz progresso com a organização das fotos, deletando várias e colocando tag nas restantes.

7. ... conhecer gente nova:

Entrei em alguns grupos e aceitei convites, acabei conhecendo amigos de amigos. Nem tudo deu certo mas aos poucos estou expandindo meu círculo social.

Fiquei muito surpresa que ter conseguido escrever tanto no blog até agora, mas admito que muitas vezes foi extremamente difícil. Então vou me dar os parabéns de ter conseguido até aqui. A partir de agora, só volto quando tiver qualquer coisa relevante para comentar. Tomara que seja na semana que vem; se não for, paciência :)

sexta-feira, 29 de junho de 2018

#25 procrastinação, natacão, meditação

Cheguei no fim da semana 25 com a sensação de estar andando para trás.

Uma coisa que estou fazendo este ano é uma colagem semanal de fotos, no meu telefone mesmo. Todas as segundas quando eu penso na semana que passou aproveito e olho para as fotos que eu tirei e faço um apanhado das mais significativas. E foi tão bom olhar para as fotos da semana 25 e me dar conta que "pensando bem... minha semana foi ótima em vários aspectos". Teve pedalada com minha amiga, caminhada com outros amigos, momentos divertidos na cozinha com meu marido e café com ele na cafeteria (com o bônus do jornal estar disponível, nem sempre é o caso). E linda floração de uma árvore que não sei o nome, mas embelezou a cidade. Teve muita natação também, mas isso não entrou na colagem semanal de fotos já que sempre deixo o celular em casa quando saio para nadar.

Um grande atraso na minha vida é a procrastinação. Umas semanas atrás eu tinha comentado aqui no blog de um desafio de nadar 46km antes do meu aniversário (começo de julho), só que acabei procrastinando nisso também. Semana passada finalmente caiu a ficha: se eu não encarasse o desafio com mais seriedade, não iria conseguir. Considerando que eu já tive que abandonar meu desafio esportivo original, não queria abandonar esse da natação. Então durante a semana 25 nadei feito uma louca: dez quilômetros e meio numa semana. Por um lado fiquei muito feliz de ter conseguido nadar tudo isso (primeira vez na vida). Lembrei que um ano depois de aprender a nadar (9 anos atrás) eu estava nadando em torno de 10 km por mês. Ou seja, consegui nadar em uma semana o que uma vez eu custava o mês todo para nadar. Mas por outro lado fiquei chateada com a maneira que encarei meu desafio, me enrolando por vários dias e me colocando nessa situação de ter que nadar um montão no fim. Uma coisa tão recorrente na minha vida, essas corridas malucas de última hora.

Nadar é o tipo de atividade repetitiva que propicia viajar nos pensamentos e ruminar nos problemas. Tenho feito um esforço para apenas curtir o momento enquanto nado - evitando as ruminações. As vezes fico admirando os azulejos no fundo da piscina e contando as minhas braçadas, prestando atenção no barulho da minha respiração e coisas assim. Estou realmente tendo cuidado para não me perder nos pensamentos.

Adotei um método de contagem de voltas diferente, em forma de escadinha. Digamos que o objetivo seja nadar 9 voltas. Antes eu contava as voltas de maneira sequencial, 1,2,3...até 9.  Mas um amigo do meu marido sugeriu um método menos entediante, que vem a ser uma escadinha (ou pirâmide), funciona assim: nada 1 volta, faz uma pausa, 2 voltas, pausa, 3 voltas, pausa, 2 voltas, pausa, 1 volta. Bem mais fácil de contar e não se perder. E as pausas pelo meio, segundo esse amigo que é profissional do ramo esportivo, são benéficas por algum motivo que já esqueci. Claro que é super fácil contar 9 voltas sem se perder, mas eu tenho nadado pelo menos 36 voltas. Então no novo método basta fazer a escadinha de 6. Super fácil de contar, adorei. E também tem o aspecto psicológico: é muito mais fácil encarar uma escadinha de 6 do que uma sequência de 36. 

Para evitar as ruminações as vezes incorporo a meditação "bondade amorosa" enquanto estou nadando. Essa é a minha meditação preferida, em que desejamos coisas boas para nós mesmos e para os demais. Que tanto podem ser pessoas do nosso círculo de relacionamentos ou estranhos que vemos com regularidade. No método escadinha está sendo super fácil incorporar essa meditação. No momento da pausa eu aproveito para escolher quem serão as próximas pessoas. Quando chego nas 4 voltas, geralmente penso minha irmã, meu cunhado, meus sobrinhos. 5 voltas, escolho 5 amigos. 6 voltas, minhas 6 tias. E vou mudando as pessoas: as vezes penso nos meus vizinhos, alguns primos (tenho bem mais de 36, podia dedicar um dia só para os primos, rsrsrs), ou penso nos funcionários do mercado da esquina ou da agência do banco, ou as pessoas que sempre passam com seus cachorros... e outras pessoas que vejo com regularidade (ou não vejo, como blogueiras que eu gosto de ler). Enfim, são várias possibilidades, nunca faltam pessoas. Fica tão mais gostoso contar pessoas do que contar voltas.

Que o homem do cachorro magrela
...seja saudável e feliz
...viva livre de dor e de sofrimento
...não se deixe abalar pelas dificuldades
...seja capaz de aceitar mudanças 
...seja sempre gentil consigo mesmo
...etc etc

Talvez essa entrada de hoje soe como coisa de gente doida, mas estou gostando MUITO de fazer isso. Não acredito que desejar o bem vá fazer diferença na vida das pessoas. Apenas me sinto bem cultivando sentimentos positivos e pensando nas pessoas assim. Tenho saído da piscina em paz com o mundo.

E para ficar em paz comigo mesma? Agir é o melhor remédio. Manter um resolução, aprender uma coisa nova, riscar uma coisa difícil da minha lista de tarefas... Já sei tudo isso - mas nem sempre faço o que tenho ou gostaria de fazer.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

#24 um dia normal


Um dos poucos blogs que gosto de ler é de um sujeito apaixonado por música. Semana passada ele marcou o dia dos namorados com um simples "feliz dia dos namorados", que eu só li no dia seguinte. Daí é aquela coisa que acontece todos os anos: "bah, é mesmo, dia dos namorados! tinha esquecido". 

E pensei: o que fizemos ontem? Tínhamos ficado um tempão juntos, pintando duas paredes na casa. Foram várias mãos de tinta. Terminamos o dia bem cansados mas felizes de ter conseguido chegar no fim da tarefa. 

Vivendo na Europa temos a desculpa do dia dos namorados aqui ser em outra data (algum dia de fevereiro), mas muitas vezes também não lembramos da data européia. É o tipo de coisa que não me diz nada mesmo. Eu tenho duas datas românticas gravadas no meu coração: o dia que conheci meu marido e o dia que nos casamos no cartório.   

Eu não mudei meu sobrenome ao casar. Então em situações burocráticas (principalmente envolvendo contadores) várias vezes escutamos a pergunta: "vocês são casados?". Sim, somos casados. E mentalmente sempre acrescento "de papel passado"... e lembro de um momento especial: depois de voltar do cartório, nós em casa, felizes, com nossa certidão na tábua de passar roupa, os dois conduzindo o ferro elétrico, no meio das gargalhadas. Uma maneira bem nossa de marcar o começo oficial da vida a dois.

Estou tão feliz no meu casamento. E pensar que eu QUASE não me casei com ele por conta das nossas muitas diferenças, principalmente políticas. No começo as diferenças me estressavam muito. Com o passar do tempo aprendi a aceitar que cada pessoa tem direito a ser como é e entender e explicar o mundo a sua maneira. E no fim das contas ter alguém que pensa diferente do meu lado sempre me faz ir atrás e investigar melhor os assuntos e meu posicionamento. 

domingo, 10 de junho de 2018

#23 embelezando minha casa por fora


Depois que me animei com as plantas dentro de casa, resolvi passar para o lado de fora. Custei um pouco para ir para o lado de fora porque estava realmente triste com tanta laje. Mas enfim, comprei diversas plantas para o pátio e a sacada, e aproveitei também e coloquei floreiras na janelas. Estou com flores em todas as janelas da casa, até mesmo no banheiro. Estou achando essa coisa de cultivar em potes um grande mistério e inicialmente matei várias plantas (tanto por excesso como por falta de água). Mas ultimamente estou conseguindo controlar o planticídio com a ajuda de um hidrômetro. 

Vou mostrar as flores que causaram maior impacto na minha felicidade. Na sacada da frente, o lugar onde me sento para ver o sol nascer de manhazinha, e onde almoçamos quando o tempo está favorável, coloquei uma fila de gerâneos:



E na janela do nosso quarto, que também dá pra frente da casa, coloquei mais gerâneos. Agora quando eu dobro a esquina já vejo os meus gerâneos de longe. Minha casa é absolutamente igual às casas dos vizinhos, mas é a única que está cheia de flores - ver minha casa florida de longe é uma alegria e tanto. 

É a primeira vez que estou com várias plantas iguais, de um tipo só. Quando eu tinha o meu jardim eu sempre cultivava várias plantas diferentes juntas, era uma grande bagunça. Mas aqui na casa nova resolvi fazer diferente, e gostei do resultado. Ao escolher flores tenho evitado minhas velhas conhecidas e aproveitado a oportunidade para cultivar plantas novas.  

Aliás outro dia um amigo do meu marido esteve aqui em casa e se encantou com minhas flores e plantinhas. Descobri então que ele também adora plantas. Agora estamos sempre conversando sobre isso. Ele até já me deu uma mudinha:

 

A primeira vez que ele viu essa planta foi numa visita que fez à tia-avó da sua esposa, mais de 40 anos atrás. Então ele pegou uma mudinha... que cresceu e é a planta maior que aparece na foto. Dessa planta de >40 anos ele tirou a minha muda. Adorei saber a historinha da planta. Então agora tenho uma planta que é neta da planta da tia-avó da esposa do amigo do meu marido. Ou alguma coisa assim :)

sexta-feira, 8 de junho de 2018

#22 embelezando minha casa por dentro (valeu, Pri)


Em setembro do ano passado eu saí de férias sozinha: foram férias fantásticas por vários motivos. Aluguei uma casa rural num lugar perdido no meio do nada e fiquei ali uma semana curtindo a natureza e as trilhas. E tive uma surpresa: encontrar uma cafeteria naquele lugar tão remoto, que alegria! Todos os dias caminhei 1,5km ao longo de campos até a cafeteria, que ficava dentro de um balneário para idosos, no meio de um jardim muito arborizado. No centro do pátio um chafariz, contornado por lindas flores amarelas, minhas velhas conhecidas (falsos girassóis - heliopsis helianthoides):
 
Café com falsos girassóis

Ao invés de ler o livro de história que tinha levado, nos momentos de cafeteria aproveitei para ler um blog que descobri por acaso: Mundo da Pri. Gostei tanto que li o blog todo. Encontrei vários textos interessantes, mas um texto de 2016 tocou fundo na ferida. Trazia a idéia de "cuidar da casa que já se tem - apesar de não ser a casa dos sonhos".

Fazia mais de ano que eu tinha me mudado para a casa onde estou agora, mas não estava muito feliz, por barulho na vizinhança e outros motivos. E por não estar feliz, por estar morrendo de vontade de sair daqui correndo, eu não estava embelezando a casa. Estava mantendo tudo  razoavelmente limpo, mas não estava "enfofurando" a minha casa. Que definitivamente não é a casa dos meus sonhos.

A casa dos meus sonhos seria algo pequeno e fofo, como esta simples casinha, onde fui feliz por muitos e muitos anos:

15 anos na companhia de falsos girassóis

Era uma casa alternativa, muito simples, bem pequena (32m2), toda plana, cheia de janelas, super iluminada, fácil de limpar, bem localizada, rodeada por um jardim que eu cuidava e amava com todo o meu coração. Infelizmente tivemos que sair desse lugar mágico e atualmente estamos numa casa sem jardim. A nova casa é ótima, é sólida, não balança com o vento, é uma casa normal sem estigmas sociais atrelados (quem sabe outro dia escrevo mais sobre isso). A nova casa é bem maior, tem coisas que nunca tive antes como lavabo, cozinha enorme, lavanderia separada, quarto de visitas, garagem. Tem um pequeno pátio coberto de laje e 2 sacadas. Mas não tem terra para revirar, não tem canteiros, não tem aquela sensação boa que estar na natureza traz, a possibilidade de deitar na grama e se ver rodeada de plantas, como acontecia no meu jardim.

Lendo as palavras da Pri me dei conta que estava na hora de deixar a infantilidade de lado. Deixar de pensar no passado (e na casinha/jardim que eu tanto amava e tinham ficado pra trás), deixar de pensar no futuro (tenho esperança de sair daqui algum dia para uma casa que tenha jardim e tenha a possibilidade de criar galinhas). Deixar tudo isso pra lá e me concentrar na casa onde estou agora. E voltei das férias decidida a embelezar minha casa. Até então a casa estava com as paredes vazias, sem absolutamente nada, estava bem triste mesmo.

Resolvi começar com plantas. Para embelezar a cozinha comprei um suporte e essas plantinhas. Os pratos eu já tinha, só precisei pendurar. E na entrada, onde deixamos os casacos e bonés, pendurei uma planta também:


O lavabo foi onde exagerei - ficou a peça mais 'carregada' digamos assim. Pedi para meu marido colocar uma prateleira debaixo da janela e enchi de plantas. Eu já tinha todos os potinhos - usava na casa anterior, mas ainda não estava usando aqui. Coloquei plantas sobre a escada de abrir e também no balcão da pia. Um dia abri a porta da rua e encontrei uma obra de arte - um desenho de criança trazido pelo vento. Adorei, foi parar na parede:

 
Para alegrar o pequeno espaço entre os quartos, comprei esta plantinha e um móvel para ter onde apoia-la. O quadro de hortênsias é um dos últimos que a minha Mãe pintou. A qualidade ficou bem inferior às outras obras dela, mas tenho um carinho especial pelas hortênsias, já que foram pintadas especialmente para mim. Pedi para que ela pintasse um quadrinho bem pequeno com a desculpa que viajaria na mala de mão, mas desconfiava que a Mãe não conseguiria mais terminar um quadro grande, por conta da rapidez que sua doença estava avançando. A lâmpada de pé foi sugestão do meu marido, gostei muito do resultado:
 

Coloquei algumas fotos pelas paredes. E várias plantas espalhadas pela casa. Meu objetivo é transformar a sala numa selva, falta bastante ainda. A mesinha de madeira ao lado do sofá é o móvel mais bonito e delicado que já fiz, usando madeira reaproveitada de outros projetos. Agora estou fazendo uma pequena mesa para a costela de adão, por enquanto coloquei a planta sobre uma cadeira:


Escrevi o texto e tirei essas fotos pensando na Pri. Então Pri te agradeço muito pelas palavras que me impulsionaram a agir. A casa continua não sendo a casa dos meus sonhos, o barulho na vizinhança continua igual ou pior, mas agora estou me sentindo tão tão TÃO melhor aqui dentro. Não sei quanto tempo vou continuar por aqui, mas serão dias rodeados de plantinhas e de beleza :)
 

domingo, 27 de maio de 2018

#21 dificuldades


Em relação aos meus objetivos e bons hábitos: sigo aos solavancos, dando alguns passos pra frente e outros pra trás. As vezes é tão difícil agir na direção correta, mesmo já sabendo de tudo o que eu posso fazer para facilitar minha vida e a minha felicidade.

Admito que estou cansada do meu blog e de tanto umbiguismo. Mas acredito que se eu desistir nesse momento vou ficar chateada... então vou seguir blogando sobre meus objetivos.

Tenho que lembrar de ser gentil comigo mesma em relação as minhas dificuldades. O coraçãozinho que eu coloquei como imagem de perfil aqui no blog é parte dessa imagem maior, uma menina se abraçando:
Encontrei isso no google procurando por imagens "be kind to yourself". Então isso é tudo o que eu tenho para hoje, essa lembrança de ser gentil comigo mesma :)

segunda-feira, 21 de maio de 2018

#20 outras experiências


Sábado meu marido e eu caminhamos com 2 casais e suas crianças. Foi uma caminhada em grupo como tem que ser: a pessoa mais vagarosa ditou o ritmo. No caso foi o menino de 3 anos. Fiquei impressionada com o ânimo da criançada, conseguiram caminhar quase tudo - só na subida final pediram colo dos pais. E a interação aconteceu de forma natural, sem essa de homens para um lado e mulheres para o outro. Depois da caminhada (7 km que levamos quase 3h para fazer, foi uma subida bem forte para as crianças) ficamos horas e horas almoçando e jogando conversa fora. Enfim, foi um dia maravilhoso. 

Além do aspecto social, outra coisa que amei foi a paisagem do caminho: muito verde e muitas flores silvestres: 
 
 
Aliás a semana 20 foi marcada pelo verde. No começo da semana meu marido e eu tivemos que ir para Madri renovar nossos passaportes. Madri é uma cidade bem mais arborizada do que eu me lembrava, fiquei tão feliz de caminhar pela cidade, debaixo de tantas árvores, na companhia dele. Já tinha visitado Madri sozinha antes, em duas oportunidades diferentes. Onde moramos não tem linha de trem e a viagem de ônibus até Madri levaria 6 horas. Então fomos de carro e ficamos numa cidade próxima: Aranjuez. Escolhida por ser uma cidade ao sul de Madri, a idéia era poupar direção e estresse com o trânsito madrilenho. E também economizar dinheiro, já que hotel + estacionamento em Madri seria bem mais caro. Aranjuez foi uma ótima escolha: é uma cidade linda e mega arborizada. 
 

Adorei tudo em Aranjuez: a planície, as árvores, os parques, caminhar ao longo do Rio Tejo, o centro histórico com prédios bem baixos, a proximidade de Madri. E amei entender o que as pessoas falam. Aqui no sul da Espanha o sotaque é muito forte e raramente entendo o que me dizem (a não ser quando as pessoas se esforçam para falar espanhol ao invés de "andalu"). Em Aranjuez/Madri entendi 95% do que ouvia. Esse entender e ser entendida de primeira (sem ter que repetir tudo como acontece aqui no sul) foi uma delícia completa.
 
Como nem tudo é 100% o tempo todo, não consegui manter minha rotina de meditação. Vacilei com outras resoluções também, mas tudo bem. A vida segue, mais feliz por ter experimentado tudo isso. 
 
Rio Tajo / Tejo na sua passagem por Aranjuez
 

quinta-feira, 17 de maio de 2018

#19 uma experiência


Viajei por uns dias, mas estou de volta para escrever sobre minha semana 19.

Semana passada eu entrei no grupo de caminhadas (uma coisa que estava na minha lista desde 2016 quando me mudei para cá) e no sábado finalmente fiz a primeira caminhada com eles: a subida da Maroma, a mais alta montanha da província de Málaga. Montanha que eu já tinha subido sozinha em 2013, quando estive de férias na região. É uma montanha bem fácil de caminhar até o topo, não exige equipamento nem técnica, apenas preparo físico. Sendo que o caminho é super bem marcado, enfim não tem mistério algum. Subindo com o grupo eu me dei conta do que eu gosto mesmo é de caminhar sozinha por aí, no meu próprio ritmo, parando quando tenho vontade. Mas quando estou em grupo faço a minha força para ser social, óbvio. Se não fosse para ser social, pra que sair em grupo?

Então como foi a saída em grupo: o organizador já ficou estressado comigo de manhã cedo no ponto de encontro. Como só apareceram 5 pessoas, o organizador queria que fossemos todos no seu carro. Eu não me sinto muito bem de carona, ainda mais com gente que não conheço, começo a ficar nervosa e suar... é muito desagradável. Ainda mais numa viagem de mais de uma hora! Então eu expliquei para o organizador que não me sentia bem como passageira e convidei a todos para irem no meu próprio carro. O organizador não podia, porque estava com o cachorro - meu carro não estava equipado para levar cachorro. Se eu tivesse dito de antemão que eu não iria no carro dele, ele não teria trazido o cachorro. Falei: sem problemas, vou no meu carro e a gente se encontra no estacionamento ao pé da montanha. Mas o sujeito já tinha se estressado (?!). Um casal prontamente se ofereceu para me acompanhar, para eu não ir sozinha - ou talvez só quisessem evitar o mau gênio do organizador, é possível. Fomos conversando a viagem toda e gostei muito de Pilar e seu marido.

Chegando no pé da montanha, apareceu um outro sujeito, num outro carro. Então estávamos em 6 pessoas no total: 4 homens e 2 mulheres: Pilar e eu. Uma coisa que me acho estranho aqui na Espanha: as coisas muitas vezes rolam no estilo clube do Bolinha e da Luluzinha, ou seja: homens para um lado, mulheres para outro. Então o que aconteceu: os homens dispararam na frente, e eu fui seguindo atrás com a Pilar, que era uma pessoa que caminhava bem devagar mesmo. Nessas caminhadas de montanhas as vezes os caminhantes levam bastões, para se apoiar em momentos mais complicados... pois é, ela já saiu do estacionamento se apoiando nos bastões, então deu pra ver que a coisa seria demorada. E foi conversando o tempo todo. Era uma mulher super simpática e agradável, gostei muito de conversar com ela. Não estou me queixando nem criticando sua maneira de subir montanhas, estou apenas comentando as diferenças. Eu geralmente não sou de conversar em subidas, para poupar meu fôlego, mas ela caminhava tão devagar, que dava pra conversar e sobrava! Então fiz a subida de montanha mais falada da minha vida até então, e gostei muito da companhia da Pilar. Cheguei bem descansada lá no topo, com energia pra dar e vender, foi uma experiência muito boa e talvez comece a subir montanhas mais devagar depois dessa.


Pilar com La Maroma na distância


Em 1h de subida encontramos os homens, que tinham parado num mirador natural e estavam nos esperando. Fizemos uma foto de grupo e eles partiram em disparada novamente.

Em 4h chegamos no topo (não sei há quanto tempo os homens estavam nos esperando lá em cima). Fizemos nosso lanchinho, tiramos uma foto de grupo e começamos a descida. Na descida minha companheira era muito insegura e desceu mais devagar ainda. Por mim tudo bem, estava ali para fazer uma social e vim descendo lentamente com ela.

Uma hora me pareceu que Pilar estava sem energia, precisando fazer um lanchinho - sugeri que parássemos para comer uma fruta. Mas ela não queria parar ali e sim mais abaixo no mirador natural, onde tinha esperança que seu marido estivesse esperando por ela, como foi na subida. Chegando no mirador, não tinha ninguém ali nos esperando. Fizemos nosso lanchinho e seguimos descendo.

Ao chegar no estacionamento ao pé da montanha, o organizador estava mega estressado com a nossa demora. Se virou para mim e me disse um monte de barbaridades, que aquilo NUNCA tinha acontecido antes, que aquilo não podia ser, que isso e aquilo, na verdade estava super irritado falando rápido e meu espanhol é bem tosco então não entendi tudo. Mas não me estressei. Disse para o grupo que tinha tido um dia maravilhoso na companhia de Pilar, adiós e me fui. Pilar e seu marido vieram de carona comigo.

No que eu falhei? Fiquei chateada comigo de não ter levantado a voz com o estúpido do organizador. Eu podia ter dito que tinha achado patético o comportamento masculino de deixar a Pilar para trás, eu fui a única que acompanhei a mulher. Que se entro num grupo, minha idéia de grupo nunca é deixar pessoas sozinhas para trás. Que ele fosse a merda, que eu jamais caminharia novamente com esse "grupo". Que nunca na minha vida tinha caminhado com um grupo tão ridículo com um organizador TÃO INFANTIL. E é verdade, nunca tinha visto comportamento tão infantil nas montanhas. Se estava tãããão preocupado com nossa segurança, porque não veio junto? PQP! Fui a única a acompanhar a pessoa mais lenta do grupo e sou a única a escutar bandalheiras? Aliás me arrependi de não ter mandado todos os homens a merda, êta grupinho bem infame.

Pois é, mas não disse nada disso naquela hora. Lamento. No mesmo dia me desliguei do grupo - chegando em casa, saí do grupo do WhatsApp deles. Perdi a oportunidade de dizer tudo o que podia ter dito, antes de me sair do grupo do whats.

Eu tinha pago a mensalidade anual (38 euros) que já perdi também, não faço questão de ir atrás disso. Paciência, não sabia onde estava me metendo - e não é um lugar que tenha vontade de me meter outra vez.

No carro no caminho de volta, Pilar me contou várias grosserias que o organizador já fez para as mais variadas pessoas. O que me deixa estarrecida é a falta de respeito de Pilar, seu marido e os demais, pessoas que, apesar das grosserias e mau gênio do organizador, continuam congregando na sua volta. Serão todos uns masoquistas sem amor-próprio? Ou será uma característica de pessoas de cidade pequena? Já que todos se conhecem, acabam tolerando tolices, para não se estressarem? Seja o que for, estou fora disso.

Eu entrei no grupo apenas para fazer uma social, na verdade não preciso de grupo nem de companhia masculina para fazer caminhadas em montanhas, não preciso de organizador pensando em rotas, sou capaz de decidir minhas próprias. Sou uma pessoa bem segura e independente capaz de fazer minha coisas sozinha, como já fiz tantas e tantas vezes no passado. Nunca caminhei sozinha pelo Brasil (provavelmente teria medo de assalto), mas acho bem tranquilo caminhar sozinha pelas montanhas européias. Sei que isso vai contra o bom senso, afinal sempre há perigos: e se eu me perder, e se eu torcer o pé, e se vier uma tormenta e eu ficar perdida na montanha sem sinal de celular, ou sem bateria para chamar socorro? Pois é, assumo o risco. Mas tenho tolerância ZERO para falta de educação e comportamentos infantis, e por isso jamais vou caminhar novamente com esse grupo. Mas gostei muito da Pilar e trocamos telefones.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

#18 agir é o melhor remédio



Minha semana sem tanta internet foi muito produtiva. Fiz muitas coisas divertidas com o marido e resolvi algumas coisas na minha lista de pendências. Aliás gostei tanto que pretendo continuar sem tanta internet. Pensar, antes de clicar: é necessário? acrescenta? traz felicidade? Quero fazer isso por 46 dias consecutivos, pelo menos.

A melhor coisa que fiz: imprimi um calendário para as próximas semanas, olhei para a minha longa lista de coisas pra fazer e fui escrevendo todas as pendências de maneira randômica no calendário, uma por dia, com algumas folgas ali pelo meio. Depois de feito isso, passei tudo para o wunderlist, aplicativo que uso para compartilhar com meu marido a lista de compras do supermercado, mas é fenomenal para usar como lista de coisas para fazer. Agora todos os dias eu recebo uma notificação de UMA pendência pra fazer, somente uma. Não tenho que olhar para minha enorme lista e desanimar por ser tão longa... e fazendo assim evito trocar uma atividade que não estou a fim por outra que seria mais fácil. Agora tenho apenas uma pendência para fazer por dia, e pronto. Está sendo ótimo para lidar com todas as coisas que faz tempo que estão na minha lista, mas que por um motivo ou outro eu vinha sempre deixando de lado. Como por exemplo:
- marcar mamografia
- entrar no grupo de senderismo
- olhar para as tralhas dentro da caixa de plástico
- mandar aquelas fotos para o meu pai
- terminar a cortina do banheiro
- levar a máquina de costura no conserto

E aí pelo meio fui colocando coisas divertidas, como fazer meus projetos de madeira. Sim, resolvi tratar meus projetos de madeira junto com as pendências, afinal é assim que muitas pendências começam: me empolgo com uma coisa (fazer uma cortina para o banheiro) e depois fico enrolando até não poder mais e a coisa vira "pendência". Então antes que fique enrolando na madeira também, todos os projetos foram agendados.

Uma coisa boa que me aconteceu: motivei meu marido a voltar a nadar, totalmente sem querer. Faz anos que todos os anos eu tenho o mesmo objetivo esportivo, que consiste em percorrer pelo próprio esforço a distância X (= minha idade multiplicada por 100 quilômetros). Levo em conta pedaladas, caminhadas e voltas na piscina. Então ano passado meu objetivo foi percorrer 4500 km enquanto tinha 45 anos, agora é percorrer 4600km enquanto tenho 46 anos etc. Acontece que essa idéia era muito divertida e motivadora enquanto ainda morava numa região plana / levemente ondulada. Morando numa região bem montanhosa está muito cansativo fazer isso. Extremamente cansativo mesmo. Eu já estava marcando umas férias numa planície, só para conseguir fazer mais progresso com meus kms, quando pensei: o que estou fazendo?!?! Nem estava a fim de viajar, iria viajar só para conseguir aumentar minha quilometragem. Vi então que estava na hora de repensar meu objetivo esportivo. Ser mais flexível e admitir que esse objetivo não está me motivando, pelo contrário, está me cansando e trazendo ansiedade. Foi super difícil abandonar meu objetivo, faz anos mesmo que eu faço isso e meu plano era chegar nos 75 pedalando 7500km por ano. Se continuasse morando na região plana com certeza teria dado certo. Mas a vida é cheia de mudanças, tenho que me adaptar (êta que as vezes é tão difícil). Relutei muito mesmo para abandonar meu velho objetivo, foram semanas que fiquei me debatendo, mas está decidido: meu plano de percorrer minha idade x 100km foi abandonado. Vou ter que achar um novo objetivo esportivo para meus 47 anos e além.

Mas não consigo viver sem objetivo esportivo. Por enquanto escolhi uma coisa mais simples e fácil: nadar 46km até meu aniversário (em julho). Estava mesmo comentando com meu marido sobre isso e que não sabia se iria conseguir ou não completar a natação... e para a minha surpresa completa ele ficou super animado! "Vamos juntos, eu nado contigo, vai dar tudo certo!" Ele se empolgou mais com isso do que eu mesma e já bolou um programa progressivo, com dias de descanso. Hoje será o terceiro dia que nadamos juntos. Então vou seguir o programa que ele criou para nós e nadar os 46km até meu aniversário. Fiquei super feliz de ver meu marido entusiasmado novamente com a natação. Com ele é tudo 8 ou 80: ou está numa fase em que participa alucinadamente de um esporte, de maneira competitiva OU está numa fase sedentária, em que vive jogado no sofá comendo um litro de sorvete por dia. E seu peso vive oscilando, o que não me parece saudável, mas enfim cada um sabe de si. Mas se está animado a deixar o sofá de lado e nadar comigo, bora nadar juntos!

Porque uma pessoa que gosta tanto de fazer esportes, como eu gosto, precisa de objetivo esportivo? Pois é, vai entender! As vezes bate um desânimo, uma preguiça, e não tenho vontade de fazer nada. Vai ver que no fundo sou como o meu marido. Mas sempre que saio de casa, apesar da preguiça, me divirto bastante. Então por isso que todos os anos tenho um objetivo: para me lembrar de sair de casa, querendo ou não, e praticar meus esportes, que no fim das contas é a coisa mais saudável fácil e tranquila que posso fazer pela minha felicidade.