domingo, 30 de dezembro de 2018

#52 apanhado musical de 2018


Durante 2018 eu mantive vários diários, inclusive um "diário musical". Seguem algumas entradas que escrevi sobre músicas que escutei ao longo do ano. No começo eu estava colocando links, depois parei para não perder muito tempo. Mas está tudo no spotify e/ou youtube.

29.12.18
♫Dá um mergulho no mar! Dá um mergulho sem olhar pra trás
Dá um salto no ar, só para veres do que és capaz
Arrisca mais uma vez, nem que seja só por arriscar
Nunca se tem muito a perder, dá um mergulho no mar♫
 
Música antiga, positiva e encorajadora para encerrar o ano. Estou precisando dessa energia e otimismo para dar um salto e abraçar mais uma mudança. Em outubro eu tomei a decisão de mudar. E agora cheguei na fase de duvidar da minha decisão e me angustiar com isso. Se eu fosse sozinha já teria dado pra trás, mas como a decisão foi tomada junto com ele (depois de muito conversar sobre os prós e contras) e já teve investimento econômico considerável, fica complicado mudar de idéia. Então tenho que abraçar o entusiasmo que senti em outubro e mandar ver. A  mudança mesmo só acontecerá em junho, ao seja, muito tempo ainda pra duvidar da minha decisão. E para cantarolar com os Xutos e Pontapés... e também Frank Turner (primeira música do ano).

16.12.18
Ontem saí com o grupo de caminhadas nas montanhas. Passei um dia muito divertido conversando com várias pessoas, inclusive mulheres que acabaram de entrar no grupo. A coisa mais incrível me aconteceu: conversando com uma norueguesa que está morando na Espanha faz alguns anos me senti a vontade para comentar que eu tive uma infância com muita religião e estou estranhando o excesso de religiosidade aqui na Espanha. Na verdade é a primeira vez que comento isso para alguém, ao vivo e a cores. E ela me contou que também cresceu com muita religião, então assistiu muitas missa, na adolescência inclusive. Ela já está com 50 anos, e faz vários anos que se afastou da religião e não participa mais de nada disso. No entanto, de vez em quando as músicas da igreja ficam soando na sua cabeça! Bah, quase abraço aquela mulher, ali mesmo! Primeira vez na vida que comento sobre esse meu trauma de religião e pessoa me entende totalmente e ainda expande o assunto comentando um outro problema que eu tenho, essas músicas de igreja que me perseguem. São várias melodias que de vez em quando martelando na minha cabeça, uma delas é:
♫Se as águas do mar da vida quiserem te afogar, segura na mão de Deus e vai.
Não temas segue adiante e não olhe para trás, segura na mão de Deus e vai♫
Putz, sei isso decor até hoje. Faz quase 30 anos que eu abandonei as missas dominicais e isso ainda me persegue. Eu queria ter um poção mágica que me fizesse esquecer, queria me libertar total disso, pra sempre. Mas na falta de poção mágica a partir de agora sempre que uma dessas músicas antigas vier me torturar, vou lembrar da Kirsten, caminhando comigo feliz pela floresta, cantando as músicas horrorosas da igreja dela na Noruega e rindo bastante dessa situação. Então Dri, segura na memória feliz da Kirsten e vai :)

Sendo que a conversa/cantoria aconteceu num trecho de estrada que adoro e já passei diversas vezes de bicicleta! Foi uma experiência tão positiva, de saber que não sou só eu, de alguém entender perfeitamente a situação:


 
Nov.18
Meu marido me mostrou uma música nova da Zaz, cantora francesa que ele gosta muito, a música se chama "nos vies":
 
Pour sûr que l'on est bien ensemble
Je jure que nos vies se ressemblent
À toute allure j'attends qu'on se rassemble
Pour sûr que l'on est bien ensemble 
 

15.10.18
Hoje na cozinha, enquanto a janta estava no forno, rimos muito muito mas muito mesmo procurando músicas da nossa infância no spotify. Vou resumir toda a experiência musical numa única onomatopéia: ♫ piuí 

 
22.09.18
De férias no interior do RS, relativamente perto da  ♫Lagoa dos Patos, dos sonhos, dos barcos;  lago verde e azul que na américa do sul deus botou pra bebedouro... mas a música que cantarolei foi uma do Sá e Guarabira: 
 
♫E o pó da estrada fica em minha roupa
O cheiro forte da poeira levantada
levando a gente sempre mais a frente
nada mais urgente que o pó da estrada, o pó da estrada ♫

Que alegria reencontrar tanta coisa, inclusive estrada de chão batido.
 
 
20.07.18
Cheguei no músico Thomas Hien através do meu marido, ele gosta muito de uma que diz "Home is where your heart is... I'm only home when I'm with you". Casei com alguém muito mais romântico que eu. Mas escutei um monte de Thomas Hien, gostei de várias e a minha preferida é Crazy beautiful life:
 
  ♫ Nothing lasts forever someone told me so
Life is always changing it ain't what you think you know
Even if you're standing still, you're floating in space
So grab a hold of your heart and you'll find your place
 
Wherever you are, whatever you do
Whatever wishes might come true
Whatever you got, whatever you give
You make it a beautiful life to live ♫
 
 
24.05.18
Visitei Aranjuez e como não lembrar do ♫concerto de aranjuez!? adoro o primeiro movimento (mas o segundo e terceiro são super chatos).
 
 
12.04.18
Ouvindo no repeat: El rumbla del tartamudo

♫Mimimimimimira niña que mi corazon
Cantando todos mis problemas desaparezcen
Y se ti tartamudeo ao dizer te quiero sera que te quiero mucha mas vezes?
mumumucha mas vezes!♫
 
 
25.03.18
Fiquei uns dias de cama e aproveitei para escutar música tranquila e reconfortante: Julie Blue, de Joe Purdy. Eu cheguei em Joe Purdy depois de escutar Wash Away num dos primeiros episódios do seriado Lost. Gostei tanto de tudo mais que encontrei no youtube que comprei o CD. Isso foi antes de usar Spotify.

Nem sei dizer qual minha preferida do Julie Blue, talvez "I love the rain the most"... when it stops! Na época eu morava num lugar muito chuvoso, e se por um lado estava em paz com a chuva (boa para as plantinhas do jardim), por outro lado era maravilhoso quando ela parava e o sol aparecia. Eu morava perto de um rio e aproveitava ao máximo, com longas caminhadas e pedaladas rio abaixo, pra fora da cidade, no meio da natureza...
 
 The summer is coming to an end.
We ain't gonna let that slow us down one bit.
 Til that sunset will start to fade,
they're gonna drag us screaming from these old riverbanks
 
Minha parte preferida da música: sim o verão eventualmente acaba, mas não vamos deixar de curtir. Vamos aproveitar tudo o que a gente conseguir e mais um pouco. Acho bem legal que quase todo Julie Blue está voltado para esse tema de curtir o rio. Escuto o CD pensando num rio enorme, de águas calmas, seguindo lentamente por uma planície e toda a paz que vem junto.

 Outra do Julie Blue que adoro é Abbie's song:

Oh river, with your water so clear
I can see straight to the bottom where you stand so still
Oh river, with this beauty you found
 Yeah you act just like a mirror with your sun sinking down
Oh river, with your waters so calm
No, I will not forget you wherever I roam.

Acho que eu também nunca foi esquecer de toda a paz e beleza que morar perto de um rio tranquilo trouxe para os meus dias. Espero voltar a experimentar isso na minha vida, mais pra frente. Por enquanto estou gostando de morar perto do mar.  A vida é boa e não posso me queixar muito :)
 
Fev.18
Assisti um filme indiano cuja história se passa aqui na Espanha, um filme leve e divertido, animado e colorido. Gostei de uma das músicas, não tem no spotify mas encontrei no youtube: dildhadkane do
 
 
24.01.18
Uns dias atrás li no jornal a notícia do falecimento de Dolores O'Riordan, vocalista da banda Cranberries, cuja música "dreams" marcou muito um período da minha vida: fim da faculdade, começo de vida no exterior. E fiquei triste de saber que Dolores morreu com apenas 46 anos! A mesma idade que eu tenho hoje. E depois lendo sobre sua vida, que pena senti ao saber que sofreu abuso sexual de uma pessoa próxima quando era criança. Por conta disso carregou consigo uma raiva muito grande. As vezes tinha rompantes de raiva, como um episódio em que foi violenta num voo entre eua e irlanda. Era divorciada, teve 3 filhos. Será que foi feliz? Será que realizou seus sonhos?

♫And my dreams they are never quite as it seems
I want more impossible to ignore, impossible to ignore
They'll come true, impossible not to do, impossible not to do♫ 

Quais são os meus sonhos, quais ainda quero realizar? O primeiro sonho que me veem a mente é "viver numa cabana no matinho". Estou fazendo alguma coisa pra ir atrás disso? Não, pelo contrário: estou tentando ir contra a minha natureza e ser feliz ou talvez me acomodar numa situação que é o oposto do meu sonho.

06.01.18
No dia primeiro do ano fui dar minha caminhada de sempre. Moro num bairro muito sem graça, então sempre pego o carro e dirijo 20min até a praia. E naquela segunda, primeira do ano, estava caminhando na praia, com o sol nas minhas costas, mar tão azul e tão sereno, com um céu azul, brisa suave, temperatura agradável, praia vazia...e de repente me dei conta que estava me sentindo FELIZ naquele "aqui e agora", realmente curtindo aquele momento.

Aconteceu de novo enquanto estava dirigindo de volta pra casa, na descida antes da rótula: me dei conta que estava tão feliz que estava rindo sozinha e cantando junto com Frank Turner "Next Storm". E fiquei tão feliz de inesperadamente me pegar tão feliz, uma coisa assim espontânea que não me acontecia desde muito tempo, talvez desde janeiro de 2016. Houve uma época (em 2016 e também 2017) que a vida estava tão cinzenta, pensei que eu nunca mais iria me sentir feliz e animada outra vez... Mais de uma vez pensei seriamente em terminar com tudo. Persisti mais por inércia do que qualquer outra coisa - não vou mentir e dizer que eu tinha esperança que as coisas melhorassem, admito que por muitos momentos não pensei que fossem melhorar. Não posso dizer que estou 100% curada da minha depressão, mas estou tão feliz por não ter desistido da minha vida em março de 2016, que foi a primeira vez que tive vontade. Se algum dia eu me encontrar novamente num túnel ou buraco escuro, quero me lembrar disso tudo e insistir até encontrar a saída. Se consegui me sentir feliz uma vez, provavelmente vou conseguir novamente. Um dos meus objetivos para 2018 é ser mais gentil comigo mesma. Então vou aproveitar para agradecer a mim mesma por ter insistido tanto em mim durante 2017: por ter voltado a fazer as coisas que me tiram de casa (caminhadas e bicicleta) mesmo quando eu não estava nem um pouco a fim, e foram várias e várias vezes que eu não estava nem um pouco a fim. Mas ao mesmo tempo, são as coisas que mais alegria me trazem. Então valeu Dri de 2017 por ter insistido tanto, mesmo quando a vontade estava na casinha do zero.
 
I don't want to spend the whole of my life indoors
Laying low, waiting on the next storm
I don't want to spend the whole of  my life inside
I wanna step out and face the sunshine
 
I'm not gonna live the whole of my life indoors
I'm going step out and face the next storm♫
 

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