quinta-feira, 18 de julho de 2019

simbora vencer a preguiça, mental principalmente


Outro dia fiz aniversário, agora estou com 48 anos. Comemorei da maneira que eu mais gosto: volta de bicicleta e picnic na natureza. Sendo que o picnic foi num lugar muito simpático, uma praia de rio:
 
 

Foi difícil mas consegui atingir o objetivo esportivo dos meus 47 anos: dedicar 470 horas às atividades físicas. No fim fechei 476. Dificultei a minha vida me dando vários "dias de férias" em dezembro/janeiro e depois tive que correr atrás. Curioso que apesar de adorar pedalar caminhar e nadar ainda assim muitas vezes sinto preguiça de sair de casa. Faz muitos anos que ter um objetivo esportivo bem definido e anotar tudo na planilha do excel tem me ajudado a vencer a preguiça. Na verdade faço poucas horas de atividades físicas de alta intensidade, a maior parte do tempo estou tranquilamente por aí pedalando ou caminhando na natureza me admirando com a beleza do mundo, algumas vezes na companhia de pessoas queridas. Gostei muito de ter feito isso nos 47 anos, provavelmente vou repetir nos 48 (talvez reduzindo o tempo total).

Finalmente resolvi fazer o que devia ter feito muito tempo atrás: adotar este mesmo esquema para meu outro grande objetivo que é "vencer a preguiça mental". Resolvi dedicar 480 horas pra vencer a preguiça mental enquanto tenho 48 anos. Este ano já consegui (re)incorporar leitura na minha vida mas tem outras coisas que gostaria de fazer mas nunca faço, como estudar italiano e aprender mais sobre assuntos variados... objetivos vagos que tomam tempo. Então agora estou com outra aba na minha planilha em que anoto o tempo dedicado a essas outras atividades também. Dividindo 480 por 365 dá em torno de 1h19 por dia ou então um pouco mais de 9h por semana. Trabalho meio turno, caso contrário não conseguiria dedicar tanto tempo para mim dessa maneira. Sem falar no tempo em que me divirto fuçando na minha planilha :)

terça-feira, 9 de julho de 2019

mudança na trilha sonora


Então que a vida deu uma reviravolta: deixei minha casa para trás (o mais difícil foi deixar as plantinhas para trás) e agora estou morando em campings, num motorhome. Parece que aquela vida convencional de antes faz parte do meu passado remoto, a sensação que eu tenho é que faz um tempão que estou nessa nova vida na estrada... mas na verdade só saí da casa dia 25 de maio. Estou super feliz, ele também - é o que importa.  

O que mais me motivou a sair da casa foi o problema de barulho na vizinhança. Ano passado gastamos uma quantia considerável em isolamento acústico no quarto. Que amenizou o problema mas não chegou a resolver. Então investimos também num sistema de som bem bacana, na tentativa de abafar os barulhos desagradáveis com outros tipos de ruídos. Estava me dando uma agonia viver num lugar de clima tão gostoso e ter que dormir com tudo fechado, ar condicionado ligado e uma gravação de barulho de chuva no modo repetição, para poder ter um pouco de sossego. E nunca escutar os grilos de noite, nem os passarinhos de manhã.
 
Então embarquei nessa vida atrás de sossego, de verde e de canto de passarinho. No passado já tínhamos ficado muito tempo em campings. Sempre com barraca e na meia estação (evitando o agito de julho/agosto). Aliás em 2009 eu fiz um destralhe pensando em algum dia viver num camping, de tanto que gosto do sossego e das simplicidade da vida nos campings. O plano era viver com tudo o que conseguisse levar no carro - não pensava em motorhome naquela época, queria viver numa barraca mesmo. E pensar que só agora, 10 anos depois, estou realizando aquele velho sonho. Só que de outra maneira, com muito mais conforto. E estou maravilhada com a flexibilidade do motorhome. Se não estamos felizes com os vizinhos de camping: com um motorhome é super fácil mudar de parcela ou até mesmo de camping. Estou curiosa para ver como será viver julho/agosto  em campings, quando provavelmente estará tudo lotado e não teremos tanta flexibilidade. 

Quanto a viajar: gosto de viajar mas não sou a louca das viagens. Faz mais de 20 anos que moro na Europa e ainda não visitei todos os países europeus. E o tempo vai passando e eu tenho menos e menos vontade de visitar capitais e cidades grandes. Se eu nunca visitar Budapeste ou Riga ou sei lá qual a capital europeia da moda no momento sei que não vou ficar triste. Como é a viagem ideal para mim: gosto de ficar várias semanas (ou até meses) num lugar só, fazendo minhas pedaladas e caminhadas na natureza, sem estresse e sem correria alguma. Acho super divertido visitar cidades grandes de vez em quando, principalmente para visitar museus de arte (adoro!). Mas só de vez em quando, no mais prefiro a tranquilidade de lugares pequenos. Na verdade o lugar não importa tanto assim desde que tenha sossego, passarinhos e verde, muito verde. Não imaginei que eu iria me sentir feliz de simplesmente estar longe da aridez do sul da Espanha. As paisagens que já foram corriqueiras uma vez estão voltando a fazer parte do cotidiano. Que alegria  rever esse tipo de coisa:


Olá rolinho de feno, que bom te ver por aqui :)
♫ é no verde que eu vou, pedalar até cair no chão ♫ 

dedaleira (digitalis purpurea) embelezando os caminhos
 
 
Um simples rolinho de feno, flores silvestres que eu já conheço pelo nome, um caminho verde no meio do nada, várias árvores decíduas juntas... eu sabia que estava com saudade desse tipo de coisa, mas não fazia idéia de como eu ficaria feliz em reencontrar coisas assim, todos os dias.

Mas o melhor de tudo mesmo mesmo mesmo MESMO está sendo escutar outros barulhos: chuva de verdade no teto do motorhome. Grilos durante a noite. Canto de passarinho de manhã cedo. Estou me sentindo tão feliz e sortuda por estar vivendo tudo isso. Tenho certeza que assim que o frio chegar vamos sentir falta do inverno ensolarado e ameno do sul da Espanha e será ótimo voltar. Mas falta muito ainda, todo um verão VERDE pela frente para ser vivido na sua plenitude, bora curtir.