segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

#4 gratidão: saber ouvir


Muitas vezes esqueço das minhas qualidades, mas outro dia tive um lembrete de uma delas: "saber ouvir". Vou comentar duas conversas que tive, uma com minha vizinha, outra com um amigo do meu marido. As duas conversas começaram da mesma maneira: eu contando que meu marido e eu estávamos comemorando 21 anos de casados. 

Conversa com a vizinha:
Eu: Estou muito feliz, outro dia meu marido e eu comemoramos 21 anos de casados.
Vizinha: Em 2018 eu e meu marido vamos fazer 25 anos de casados!
Eu: 25 anos? Que legal, meus parabéns!
Vizinha: Pois é, nos conhecemos em 1989 e casamos um pouco depois. Nos conhecemos através de um casal de amigos... (e contou toda a história de como se conheceram, que aliás ela já tinha me contado uns meses atrás, mas tudo bem).  

A conversa com o amigo do meu marido não foi muito diferente:
Eu: Estou muito feliz, acabamos de comemorar 21 anos de casados.
Amigo: Nós já estamos casados há 42 anos! No último aniversário de casamento, viajamos para o destino X.
Eu: Uau! E gostaram do destino X?
E o sujeito ficou um tempão me contando detalhes daquela viagem ao destino X. 

Pois é, nem a vizinha nem o amigo do meu marido foram capazes de me dar os parabéns. Não perguntaram se fizemos algo especial para comemorar, não perguntaram nada. Pelo contrário: tomaram o foco da conversa para si, o mais rápido que conseguiram. Diria que é falta de sensibilidade, talvez possa ser considerado uma certa falta de educação...mas por outro lado admito que é normal, no sentido de que acontece com muita frequência. Se prestarmos atenção são raras as pessoas que tem interesse no que a gente tem pra contar, o que elas querem mesmo é contar as coisas delas. 

É fácil manter uma conversa com esse tipo de pessoa, basta fazer perguntas: E porque escolheram o destino X para essa data tão especial? Etc etc. É fácil, mas infelizmente não traz muita satisfação. Na verdade, para mim é uma grande chatice entrar nesse papel de platéia. Por outro lado, tenho como mudar as pessoas? Obviamente que não. Acho importante manter um relacionamento cordial com os vizinhos, com os colegas, com os amigos do marido. Ao invés de me frustrar com a vizinha, querendo que ela fosse diferente, já aceitei que ao conversar com ela o diálogo vai sempre descambar para um monólogo.
 
Mas enfim, por um lado foi bom ter um lembrete dessa maneira de agir e mais uma vez me dar conta que "ufa, ao menos esta falha aí eu não tenho". Sei ouvir. Sei me calar. Sei dar importância para o que os outros tem para me dizer. Não passo correndo por cima do que as pessoas estão me dizendo, num esforço de manter o foco da conversa em mim. Se alguma pessoa me conta que está planejando passar um final de semana em Cidreira, eu não vejo sentido em saltar com a primeira coisa que me vem na cabeça, tipo "nossa quantos anos eu não vou a Cidreira", nem fazer comentários com juízo de valor "Cidreira?! Mas pra quê?! Tranquilo mesmo é Mostardas!". Ao invés disso eu me interesso pelo final de semana dela, escuto o que ela tem pra me dizer, incentivo com perguntas para explorar mais o assunto, pergunto se já conhece Cidreira, se já sabe onde vai se hospedar etc. Depois de ouvir tudo o que ela tem pra me dizer, até posso comentar que faz anos que não vou a Cidreira... mas isso fica para depois, não preciso cortar a conversa dela com o que EU teria pra falar em relação a Cidreira.

Talvez a incapacidade de ouvir seja também uma incapacidade de esperar, uma incapacidade de organizar as idéias? Nunca tinha pensado no assunto dessa maneira. Mas tem um aspecto competitivo também. Algumas pessoas encaram conversas como se estivessem numa eterna competição: elas sempre foram para um lugar mais legal, tiveram uma experiência mais interessante, viram o filme mais descolado... ou estão casadas há mais tempo. Voltando ao exemplo de Cidreira: eu não preciso comentar dos meus planos mais refinados do que um simples pulo até Cidreira. Ou se alguém me diz que está tendo um dia ruim, eu não preciso responder com: Vc está tendo um dia ruim? Vc não faz idéia de como o meu dia está péssimo! Deixo a pessoa desabafar sobre o dia dela, com toda a calma do mundo. Se me perguntar ou se for apropriado eu posso comentar do meu dia depois. Ou não.  

Só agora no fim do texto fui conferir no dicionário a diferença entre ouvir e escutar: escutar é ouvir com atenção. Ufa, ao menos isso eu sei fazer :)

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

#3 sendo gentil comigo


Nem sempre lembro de meditar ao acordar, mas continuo com essa intenção. Segunda, quartas e sextas aproveito para meditar também ao ar livre, enquanto faço uma caminhada. Pois é, talvez não seja o ideal, mas sempre aproveito minhas caminhadas num lugar tranquilo para fazer a meditação "bondade amorosa", que consiste em desejar o bem para si mesmo e para outras pessoas.
 
Que eu viva minha vida livre de sofrimentos
Que eu seja tão feliz e saudável quanto possível...
Etc etc...

Depois a gente escolhe outras pessoas para desejar o mesmo: uma pessoa querida, um estranho qualquer que vemos com regularidade, uma pessoa difícil (parente com o qual temos alguma dificuldade, colega de trabalho, vizinho problemático), e por aí vamos. 

Quando escutei essa meditação 'bondade amorosa' pela primeira vez achei fantástica, na hora lembrei da minha oração do tempo de criança, quando antes de dormir eu estava sempre desejando o bem para todos os meus conhecidos "Deus abençoe o Pai a Mãe, a Mana, todos os tios, tias, primos e primas, a professora, a Larissa, a Taís, o Seu Ovidio da quitanda, etc". E adorei que nessa nessa meditação "bondade amorosa" a gente começa desejando o bem para si mesmo. 

E isso me traz ao assunto que eu quero abordar hoje: autocompaixão. Eu sempre fui extremamente crítica comigo, e só me dei conta disso... mês passado! Ou seja: dezembro de 2017. Obviamente ser gentil consigo mesmo foi mencionado no meu curso de meditação de 2016, mas infelizmente a pessoa aqui não prestou atenção muito menos internalizou. Só agora, em dezembro de 2017, eu me dei conta que sou extremamente crítica comigo mesma, severa de verdade, me irrito profundamente com minhas falhas, etc etc... Nossa, pra quê isso tudo? Já me desculpei por ter sido tão severa no passado, já estou fazendo um esforço para mudar. Aliás essa é a minha top prioridade de 2018: cuidar bem de mim, sendo gentil comigo mesma. Quero trabalhar em todos os meus projetos e objetivos com paciência, gentileza e compaixão. 

Só para dar um exemplo: na sexta feira quando usei o carro de manhã cedo, apareceu um alerta amarelo no mostrador "problema no pneu traseiro direito". Acontece que até voltar pra casa já tinha esquecido do alerta. Depois de tarde fizemos as malas para passar o fim de semana num hotel, colocamos tudo no bagageiro e quando ligamos o carro apareceu outra vez o alerta "problema no pneu traseiro direito" - sendo que naquele momento o pneu já estava quase no chão. No passado eu teria sido extremamente dura comigo, "como posso ser tão anta!", "como fui me esquecer disso" etc etc, sentiria raiva de mim por ser tão pateta. Mas sexta feira, por já ter começado a ser mais gentil comigo, simplesmente pensei "acontece, paciência, bola pra frente". Meu marido é um sujeito gentil e não se estressa com qualquer bobagem, então como eu não me martirizei, não rolou nenhum drama. Foi tão melhor! Ele simplesmente levou o carro na oficina e saímos de casa com 3 horas de atraso, mas quem se importa. 

Então tenho sido mais gentil comigo nos pequenos aborrecimentos. Tenho ainda que aprender a ser gentil em relação as dificuldades maiores, como decisões equivocadas que tomei e estou precisando me desculpar. Quando me pego sendo rude comigo, paro na mesma hora, se possível coloco as mãos no meu peito, e mentalmente me desculpo pela falta de paciência e 'converso comigo' de uma maneira gentil. Está sendo transformador para mim ser gentil comigo dessa maneira. Espero terminar 2018 num ótimo relacionamento comigo :)

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

#2 buscando a beleza

Agora em dezembro eu fiz uma conta no Strava. Além de manter um registro de corridas e pedaladas dá pra acrescentar fotos e participar de desafios esportivos. Ou usar como uma rede social, se conectando com amigos, fazendo comentários, etc. Qualquer usuário pode criar trechos nas suas rotas (chamados "segmentos") e as outras pessoas que passem por aqueles trechos podem optar por participar de um ranking de velocidade. Ou usar os trechos/segmentos (seus ou de terceiros) para competir consigo mesmo. Ou ignorar esse aspecto, ou algum outro - é um aplicativo bem flexível.

Na verdade eu não tenho nenhum interesse em participar de redes sociais (nenhuma delas), mas de qualquer forma entrei no Strava por sugestão do meu sobrinho de 23 anos, e desde então tenho registrado minhas corridas, caminhadas e voltas de bicicleta ali -  e sempre acrescento uma foto. Essa parte está sendo muito divertida: tirar várias fotos e escolher a mais legal para colocar nas atividades. E de vez em quando dou uma revisada em todos os kms que já pecorri e me delicio com tudo que já fiz e lugares bonitos por onde já passei.

E olhar para o lado bonito por onde eu passo está me fazendo muito bem. Estou morando numa região meio estranha, em que há um descaso com a natureza, ou talvez uma falta de valorização do entorno. O relevo é espetacular, um lugar bonito de verdade: entre o mar e as montanhas. Mas é raro sair para uma pedalada ou caminhada e não me topar com algum tipo de lixo. Existe coleta, existe lugares adequados para se desfazer de tudo, mas o relacionamento das pessoas com o ambiente e com o lixo é meio peculiar. Quando saio por aqui praticando esportes encontro TVs abandonadas, móveis velhos jogados, enfim todo tipo de lixo imaginável, incluindo lixo doméstico (!?) emporcalhando a natureza e isso tem me incomodado bastante.

Talvez eu não saia daqui tão cedo, e se quero ser feliz aqui tenho que parar de prestar atenção em tanto lixo. Antes de começar a usar Strava eu tinha o hábito de sempre tirar foto da alvorada e de flores silvestres, mas pra não matar meu sobrinho (único seguidor) de tédio, achei melhor mudar a estratégia no Strava e não ficar só nas alvoradas e nas flores: comecei a tirar fotos de outras coisas. Meu sobrinho já abandonou o Strava, mas continuo me esforçando para variar as fotos, e estou gostando bastante desse desafio de olhar para outras coisas, além da alvorada (e do lixo, obviamente!). Algumas fotos que coloquei no Strava nessas últimas semanas:


Estou gostando tanto de olhar para as coisas bonitas da minha vida esportiva que resolvi expandir essa idéia para a minha vida em geral. Inicialmente pensei em fazer uma conta no Instagram, mas depois pensei "pra quê". Não me interesso por redes sociais, não estou atrás de seguidores, não estou atrás de inspiração, pra ser bem sincera também não tenho vontade de 'seguir' ninguém nesse momento. Aliás tenho vários conhecidos no Strava e não faço questão de me conectar com eles por enquanto. No meu entendimento esse tipo de "rede social" equivale a tralha mental/social, prefiro evitar. Nem estou usando meu nome no Strava, para que ninguém me ache; quando entrei a idéia era me conectar com meu sobrinho apenas, nada mais - então estou ali com o apelido que ele me deu quando era pequeno, que se mantém até hoje. Mas agora que ele desistiu total estou adorando usar a tecnologia sem obrigações sociais - apenas como um lembrete visual dos aspectos bonitos da minha vida esportiva. Então se é pra expandir essa idéia, não preciso de instagram: fiz um álbum no meu telefone mesmo, com uma colagem semanal das fotos mais bonitas da semana. Enfim, estou gostando muito de prestar atenção na beleza dos meus dias.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

#1 meditação

Seria legal atualizar o blog uma vez por semana, não sei se será possível -  e se não der não tem problema.

O assunto de hoje é meditação.

Eu sempre achei que meditação fosse uma bobabem new age. Até que li um artigo dizendo que meditação ajudava com estresse e ansiedade, então me interessei. Isso foi em 2016 e eu estava muito ansiosa em relação a uma questão política, aliás o estresse era tanto que até tive um ataque de "herpes zorpes", foi muito desagradável. Encontrei um curso de meditação e notei melhoras na minha ansiedade. Infelizmente depois de terminado o curso não continuei com a prática diária, apenas esporádica, mas agora em 2018 quero voltar a meditar diariamente.

Esta primeira semana dá pra dizer que foi um sucesso. Meditei todos os dias, ao acordar. Deitada na cama, gosto de fazer dois tipos me meditação:

1. Aquela em que a gente presta atenção na respiração... e quando se deu conta que se perdeu nos pensamentos, volta a atenção pra respiração. Fazer isso quantas vezes preciso for - sempre voltando gentilmente pra respiração, de novo e de novo.

2. Quando acordo e meu marido está rocando, aproveito para fazer a meditação "sons e pensamentos". Gosto muito mesmo dessa meditação de observar: inicialmente os sons, depois os pensamentos. Esse exercício me fez ver que meus pensamentos são como nuvens: efêmeras, passageiras, muitas vezes inconsequentes; que não preciso 'sair correndo', por assim dizer, atrás de cada pensamento que tenho. Ufa, que libertador isso. Sempre dá pra abandonar aquele pensamento e voltar minha atenção ao momento presente, à respiração, enfim, não preciso dar corda pros pensamentos.

Lembro a primeira vez que eu usei esse novo conhecimento na prática, foi ainda em 2016 durante o curso. Eu estava pedalando numa área de reflorestamento. Um agradável dia de verão, estava pedalando debaixo da garoa, uma floresta só pra mim e eu ali super mega preocupada com problemas no trabalho e com a questão política que tanto me incomodava... E me dei conta que estava ali naquele lugar tão especial, mas perdendo a oportunidade de curtir, tal a obsessão com as preocupações. Então respirei fundo e tomei a decisão consciente de prestar atenção na floresta em todo o seu verde, e foi uma experiência e tanto. Que tive que renovar a decisão algumas vezes durante a pedalada, já que a tendência era voltar a atenção aos problemas. Mas realmente foi tão bom me dar conta que era tudo uma questão de estar ciente e tomar a decisão de prestar atenção. Que bom escrever sobre isso agora, tenho que lembrar sempre disso: dessa capacidade que eu tenho de me desligar dos meus pensamentos e viver o momento.

Fiquei com vontade de imprimir uma foto daquela área de reflorestamento, que na época era 'a minha floresta' - comprar uma moldura bem legal, pendurar na parede da sala, um lembrete de viver o agora.


Provavelmente tenho foto mais bonita que essa, eu era assídua nesse lugar. Deu vontade de largar tudo agora e pedalar até o matinho mais próximo.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

2018

Meus objetivos para 2018 são os seguintes:

1 Cuidar bem de mim
2 Cuidar da minha saúde física
3 Combater a preguiça mental
4 Ser muito feliz com meu marido
5 Destralhar a casa, os projetos, a mente
6 Manter o trabalho e as finanças em ordem
7 Manter contato com as pessoas queridas e conhecer gente nova
8 Manter a casa razoavelmente limpa

Os objetivos estão em ordem de importância, então minha grande prioridade para 2018 será minha saúde. Ao invés de ter um objetivo único "cuidar da saúde", achei melhor dividir em três, para refletir em cada aspecto: emocional, físico e mental.

Para cada objetivo tenho algumas ações a fazer, ou hábitos para implementar/fortalecer. Um exemplo é a meditação (está dentro do n.1 cuidar bem de mim). Já sei por experiência que meditação me traz benefícios, mas nem sempre medito. Coisas assim. Então comecei janeiro meditando -  foi a primeira coisa que eu fiz ao acordar hoje.