segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

#2 buscando a beleza

Agora em dezembro eu fiz uma conta no Strava. Além de manter um registro de corridas e pedaladas dá pra acrescentar fotos e participar de desafios esportivos. Ou usar como uma rede social, se conectando com amigos, fazendo comentários, etc. Qualquer usuário pode criar trechos nas suas rotas (chamados "segmentos") e as outras pessoas que passem por aqueles trechos podem optar por participar de um ranking de velocidade. Ou usar os trechos/segmentos (seus ou de terceiros) para competir consigo mesmo. Ou ignorar esse aspecto, ou algum outro - é um aplicativo bem flexível.

Na verdade eu não tenho nenhum interesse em participar de redes sociais (nenhuma delas), mas de qualquer forma entrei no Strava por sugestão do meu sobrinho de 23 anos, e desde então tenho registrado minhas corridas, caminhadas e voltas de bicicleta ali -  e sempre acrescento uma foto. Essa parte está sendo muito divertida: tirar várias fotos e escolher a mais legal para colocar nas atividades. E de vez em quando dou uma revisada em todos os kms que já pecorri e me delicio com tudo que já fiz e lugares bonitos por onde já passei.

E olhar para o lado bonito por onde eu passo está me fazendo muito bem. Estou morando numa região meio estranha, em que há um descaso com a natureza, ou talvez uma falta de valorização do entorno. O relevo é espetacular, um lugar bonito de verdade: entre o mar e as montanhas. Mas é raro sair para uma pedalada ou caminhada e não me topar com algum tipo de lixo. Existe coleta, existe lugares adequados para se desfazer de tudo, mas o relacionamento das pessoas com o ambiente e com o lixo é meio peculiar. Quando saio por aqui praticando esportes encontro TVs abandonadas, móveis velhos jogados, enfim todo tipo de lixo imaginável, incluindo lixo doméstico (!?) emporcalhando a natureza e isso tem me incomodado bastante.

Talvez eu não saia daqui tão cedo, e se quero ser feliz aqui tenho que parar de prestar atenção em tanto lixo. Antes de começar a usar Strava eu tinha o hábito de sempre tirar foto da alvorada e de flores silvestres, mas pra não matar meu sobrinho (único seguidor) de tédio, achei melhor mudar a estratégia no Strava e não ficar só nas alvoradas e nas flores: comecei a tirar fotos de outras coisas. Meu sobrinho já abandonou o Strava, mas continuo me esforçando para variar as fotos, e estou gostando bastante desse desafio de olhar para outras coisas, além da alvorada (e do lixo, obviamente!). Algumas fotos que coloquei no Strava nessas últimas semanas:


Estou gostando tanto de olhar para as coisas bonitas da minha vida esportiva que resolvi expandir essa idéia para a minha vida em geral. Inicialmente pensei em fazer uma conta no Instagram, mas depois pensei "pra quê". Não me interesso por redes sociais, não estou atrás de seguidores, não estou atrás de inspiração, pra ser bem sincera também não tenho vontade de 'seguir' ninguém nesse momento. Aliás tenho vários conhecidos no Strava e não faço questão de me conectar com eles por enquanto. No meu entendimento esse tipo de "rede social" equivale a tralha mental/social, prefiro evitar. Nem estou usando meu nome no Strava, para que ninguém me ache; quando entrei a idéia era me conectar com meu sobrinho apenas, nada mais - então estou ali com o apelido que ele me deu quando era pequeno, que se mantém até hoje. Mas agora que ele desistiu total estou adorando usar a tecnologia sem obrigações sociais - apenas como um lembrete visual dos aspectos bonitos da minha vida esportiva. Então se é pra expandir essa idéia, não preciso de instagram: fiz um álbum no meu telefone mesmo, com uma colagem semanal das fotos mais bonitas da semana. Enfim, estou gostando muito de prestar atenção na beleza dos meus dias.

2 comentários:

Aurora disse...

Que linda reflexão! Gostei do jeito que você definiu rede social ="tralha mental". Eu custei muito tempo para me dar conta disso, e só depois que saí do facebook é que me dei conta como aquilo esta afetando negativamente a minha vida. Era tanta fofoca, tantas ferpas, indiretas, não necessariamente para mim, entende? Mas eu notava as indiretas entre parentes... me desconectei de tudo isso, aliás foi sugestão da minha irmã mais velha (que nunca tinha entrado no facebook) e desde então estou me sentindo em paz. Aproveitei e saí de todos os grupos de WhatsApp também. Sei que acabo perdendo algumas notícias de parentes, mas como todo mundo tem telefone podem me contatar dessa maneira antiga. Mas gostei muito da reflexão e vou procurar prestar mais atenção na beleza dos meus dias.

Dri disse...

Fico feliz que vc tenha gostado do meu texto. Quanto ao facebook: minha irmã tem conta e já me comentou dessas indiretas e picuinhas... melhor manter distância :)

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