domingo, 27 de maio de 2018

#21 dificuldades


Em relação aos meus objetivos e bons hábitos: sigo aos solavancos, dando alguns passos pra frente e outros pra trás. As vezes é tão difícil agir na direção correta, mesmo já sabendo de tudo o que eu posso fazer para facilitar minha vida e a minha felicidade.

Admito que estou cansada do meu blog e de tanto umbiguismo. Mas acredito que se eu desistir nesse momento vou ficar chateada... então vou seguir blogando sobre meus objetivos.

Tenho que lembrar de ser gentil comigo mesma em relação as minhas dificuldades. O coraçãozinho que eu coloquei como imagem de perfil aqui no blog é parte dessa imagem maior, uma menina se abraçando:
Encontrei isso no google procurando por imagens "be kind to yourself". Então isso é tudo o que eu tenho para hoje, essa lembrança de ser gentil comigo mesma :)

segunda-feira, 21 de maio de 2018

#20 outras experiências


Sábado meu marido e eu caminhamos com 2 casais e suas crianças. Foi uma caminhada em grupo como tem que ser: a pessoa mais vagarosa ditou o ritmo. No caso foi o menino de 3 anos. Fiquei impressionada com o ânimo da criançada, conseguiram caminhar quase tudo - só na subida final pediram colo dos pais. E a interação aconteceu de forma natural, sem essa de homens para um lado e mulheres para o outro. Depois da caminhada (7 km que levamos quase 3h para fazer, foi uma subida bem forte para as crianças) ficamos horas e horas almoçando e jogando conversa fora. Enfim, foi um dia maravilhoso. 

Além do aspecto social, outra coisa que amei foi a paisagem do caminho: muito verde e muitas flores silvestres: 
 
 
Aliás a semana 20 foi marcada pelo verde. No começo da semana meu marido e eu tivemos que ir para Madri renovar nossos passaportes. Madri é uma cidade bem mais arborizada do que eu me lembrava, fiquei tão feliz de caminhar pela cidade, debaixo de tantas árvores, na companhia dele. Já tinha visitado Madri sozinha antes, em duas oportunidades diferentes. Onde moramos não tem linha de trem e a viagem de ônibus até Madri levaria 6 horas. Então fomos de carro e ficamos numa cidade próxima: Aranjuez. Escolhida por ser uma cidade ao sul de Madri, a idéia era poupar direção e estresse com o trânsito madrilenho. E também economizar dinheiro, já que hotel + estacionamento em Madri seria bem mais caro. Aranjuez foi uma ótima escolha: é uma cidade linda e mega arborizada. 
 

Adorei tudo em Aranjuez: a planície, as árvores, os parques, caminhar ao longo do Rio Tejo, o centro histórico com prédios bem baixos, a proximidade de Madri. E amei entender o que as pessoas falam. Aqui no sul da Espanha o sotaque é muito forte e raramente entendo o que me dizem (a não ser quando as pessoas se esforçam para falar espanhol ao invés de "andalu"). Em Aranjuez/Madri entendi 95% do que ouvia. Esse entender e ser entendida de primeira (sem ter que repetir tudo como acontece aqui no sul) foi uma delícia completa.
 
Como nem tudo é 100% o tempo todo, não consegui manter minha rotina de meditação. Vacilei com outras resoluções também, mas tudo bem. A vida segue, mais feliz por ter experimentado tudo isso. 
 
Rio Tajo / Tejo na sua passagem por Aranjuez
 

quinta-feira, 17 de maio de 2018

#19 uma experiência


Viajei por uns dias, mas estou de volta para escrever sobre minha semana 19.

Semana passada eu entrei no grupo de caminhadas (uma coisa que estava na minha lista desde 2016 quando me mudei para cá) e no sábado finalmente fiz a primeira caminhada com eles: a subida da Maroma, a mais alta montanha da província de Málaga. Montanha que eu já tinha subido sozinha em 2013, quando estive de férias na região. É uma montanha bem fácil de caminhar até o topo, não exige equipamento nem técnica, apenas preparo físico. Sendo que o caminho é super bem marcado, enfim não tem mistério algum. Subindo com o grupo eu me dei conta do que eu gosto mesmo é de caminhar sozinha por aí, no meu próprio ritmo, parando quando tenho vontade. Mas quando estou em grupo faço a minha força para ser social, óbvio. Se não fosse para ser social, pra que sair em grupo?

Então como foi a saída em grupo: o organizador já ficou estressado comigo de manhã cedo no ponto de encontro. Como só apareceram 5 pessoas, o organizador queria que fossemos todos no seu carro. Eu não me sinto muito bem de carona, ainda mais com gente que não conheço, começo a ficar nervosa e suar... é muito desagradável. Ainda mais numa viagem de mais de uma hora! Então eu expliquei para o organizador que não me sentia bem como passageira e convidei a todos para irem no meu próprio carro. O organizador não podia, porque estava com o cachorro - meu carro não estava equipado para levar cachorro. Se eu tivesse dito de antemão que eu não iria no carro dele, ele não teria trazido o cachorro. Falei: sem problemas, vou no meu carro e a gente se encontra no estacionamento ao pé da montanha. Mas o sujeito já tinha se estressado (?!). Um casal prontamente se ofereceu para me acompanhar, para eu não ir sozinha - ou talvez só quisessem evitar o mau gênio do organizador, é possível. Fomos conversando a viagem toda e gostei muito de Pilar e seu marido.

Chegando no pé da montanha, apareceu um outro sujeito, num outro carro. Então estávamos em 6 pessoas no total: 4 homens e 2 mulheres: Pilar e eu. Uma coisa que me acho estranho aqui na Espanha: as coisas muitas vezes rolam no estilo clube do Bolinha e da Luluzinha, ou seja: homens para um lado, mulheres para outro. Então o que aconteceu: os homens dispararam na frente, e eu fui seguindo atrás com a Pilar, que era uma pessoa que caminhava bem devagar mesmo. Nessas caminhadas de montanhas as vezes os caminhantes levam bastões, para se apoiar em momentos mais complicados... pois é, ela já saiu do estacionamento se apoiando nos bastões, então deu pra ver que a coisa seria demorada. E foi conversando o tempo todo. Era uma mulher super simpática e agradável, gostei muito de conversar com ela. Não estou me queixando nem criticando sua maneira de subir montanhas, estou apenas comentando as diferenças. Eu geralmente não sou de conversar em subidas, para poupar meu fôlego, mas ela caminhava tão devagar, que dava pra conversar e sobrava! Então fiz a subida de montanha mais falada da minha vida até então, e gostei muito da companhia da Pilar. Cheguei bem descansada lá no topo, com energia pra dar e vender, foi uma experiência muito boa e talvez comece a subir montanhas mais devagar depois dessa.


Pilar com La Maroma na distância


Em 1h de subida encontramos os homens, que tinham parado num mirador natural e estavam nos esperando. Fizemos uma foto de grupo e eles partiram em disparada novamente.

Em 4h chegamos no topo (não sei há quanto tempo os homens estavam nos esperando lá em cima). Fizemos nosso lanchinho, tiramos uma foto de grupo e começamos a descida. Na descida minha companheira era muito insegura e desceu mais devagar ainda. Por mim tudo bem, estava ali para fazer uma social e vim descendo lentamente com ela.

Uma hora me pareceu que Pilar estava sem energia, precisando fazer um lanchinho - sugeri que parássemos para comer uma fruta. Mas ela não queria parar ali e sim mais abaixo no mirador natural, onde tinha esperança que seu marido estivesse esperando por ela, como foi na subida. Chegando no mirador, não tinha ninguém ali nos esperando. Fizemos nosso lanchinho e seguimos descendo.

Ao chegar no estacionamento ao pé da montanha, o organizador estava mega estressado com a nossa demora. Se virou para mim e me disse um monte de barbaridades, que aquilo NUNCA tinha acontecido antes, que aquilo não podia ser, que isso e aquilo, na verdade estava super irritado falando rápido e meu espanhol é bem tosco então não entendi tudo. Mas não me estressei. Disse para o grupo que tinha tido um dia maravilhoso na companhia de Pilar, adiós e me fui. Pilar e seu marido vieram de carona comigo.

No que eu falhei? Fiquei chateada comigo de não ter levantado a voz com o estúpido do organizador. Eu podia ter dito que tinha achado patético o comportamento masculino de deixar a Pilar para trás, eu fui a única que acompanhei a mulher. Que se entro num grupo, minha idéia de grupo nunca é deixar pessoas sozinhas para trás. Que ele fosse a merda, que eu jamais caminharia novamente com esse "grupo". Que nunca na minha vida tinha caminhado com um grupo tão ridículo com um organizador TÃO INFANTIL. E é verdade, nunca tinha visto comportamento tão infantil nas montanhas. Se estava tãããão preocupado com nossa segurança, porque não veio junto? PQP! Fui a única a acompanhar a pessoa mais lenta do grupo e sou a única a escutar bandalheiras? Aliás me arrependi de não ter mandado todos os homens a merda, êta grupinho bem infame.

Pois é, mas não disse nada disso naquela hora. Lamento. No mesmo dia me desliguei do grupo - chegando em casa, saí do grupo do WhatsApp deles. Perdi a oportunidade de dizer tudo o que podia ter dito, antes de me sair do grupo do whats.

Eu tinha pago a mensalidade anual (38 euros) que já perdi também, não faço questão de ir atrás disso. Paciência, não sabia onde estava me metendo - e não é um lugar que tenha vontade de me meter outra vez.

No carro no caminho de volta, Pilar me contou várias grosserias que o organizador já fez para as mais variadas pessoas. O que me deixa estarrecida é a falta de respeito de Pilar, seu marido e os demais, pessoas que, apesar das grosserias e mau gênio do organizador, continuam congregando na sua volta. Serão todos uns masoquistas sem amor-próprio? Ou será uma característica de pessoas de cidade pequena? Já que todos se conhecem, acabam tolerando tolices, para não se estressarem? Seja o que for, estou fora disso.

Eu entrei no grupo apenas para fazer uma social, na verdade não preciso de grupo nem de companhia masculina para fazer caminhadas em montanhas, não preciso de organizador pensando em rotas, sou capaz de decidir minhas próprias. Sou uma pessoa bem segura e independente capaz de fazer minha coisas sozinha, como já fiz tantas e tantas vezes no passado. Nunca caminhei sozinha pelo Brasil (provavelmente teria medo de assalto), mas acho bem tranquilo caminhar sozinha pelas montanhas européias. Sei que isso vai contra o bom senso, afinal sempre há perigos: e se eu me perder, e se eu torcer o pé, e se vier uma tormenta e eu ficar perdida na montanha sem sinal de celular, ou sem bateria para chamar socorro? Pois é, assumo o risco. Mas tenho tolerância ZERO para falta de educação e comportamentos infantis, e por isso jamais vou caminhar novamente com esse grupo. Mas gostei muito da Pilar e trocamos telefones.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

#18 agir é o melhor remédio



Minha semana sem tanta internet foi muito produtiva. Fiz muitas coisas divertidas com o marido e resolvi algumas coisas na minha lista de pendências. Aliás gostei tanto que pretendo continuar sem tanta internet. Pensar, antes de clicar: é necessário? acrescenta? traz felicidade? Quero fazer isso por 46 dias consecutivos, pelo menos.

A melhor coisa que fiz: imprimi um calendário para as próximas semanas, olhei para a minha longa lista de coisas pra fazer e fui escrevendo todas as pendências de maneira randômica no calendário, uma por dia, com algumas folgas ali pelo meio. Depois de feito isso, passei tudo para o wunderlist, aplicativo que uso para compartilhar com meu marido a lista de compras do supermercado, mas é fenomenal para usar como lista de coisas para fazer. Agora todos os dias eu recebo uma notificação de UMA pendência pra fazer, somente uma. Não tenho que olhar para minha enorme lista e desanimar por ser tão longa... e fazendo assim evito trocar uma atividade que não estou a fim por outra que seria mais fácil. Agora tenho apenas uma pendência para fazer por dia, e pronto. Está sendo ótimo para lidar com todas as coisas que faz tempo que estão na minha lista, mas que por um motivo ou outro eu vinha sempre deixando de lado. Como por exemplo:
- marcar mamografia
- entrar no grupo de senderismo
- olhar para as tralhas dentro da caixa de plástico
- mandar aquelas fotos para o meu pai
- terminar a cortina do banheiro
- levar a máquina de costura no conserto

E aí pelo meio fui colocando coisas divertidas, como fazer meus projetos de madeira. Sim, resolvi tratar meus projetos de madeira junto com as pendências, afinal é assim que muitas pendências começam: me empolgo com uma coisa (fazer uma cortina para o banheiro) e depois fico enrolando até não poder mais e a coisa vira "pendência". Então antes que fique enrolando na madeira também, todos os projetos foram agendados.

Uma coisa boa que me aconteceu: motivei meu marido a voltar a nadar, totalmente sem querer. Faz anos que todos os anos eu tenho o mesmo objetivo esportivo, que consiste em percorrer pelo próprio esforço a distância X (= minha idade multiplicada por 100 quilômetros). Levo em conta pedaladas, caminhadas e voltas na piscina. Então ano passado meu objetivo foi percorrer 4500 km enquanto tinha 45 anos, agora é percorrer 4600km enquanto tenho 46 anos etc. Acontece que essa idéia era muito divertida e motivadora enquanto ainda morava numa região plana / levemente ondulada. Morando numa região bem montanhosa está muito cansativo fazer isso. Extremamente cansativo mesmo. Eu já estava marcando umas férias numa planície, só para conseguir fazer mais progresso com meus kms, quando pensei: o que estou fazendo?!?! Nem estava a fim de viajar, iria viajar só para conseguir aumentar minha quilometragem. Vi então que estava na hora de repensar meu objetivo esportivo. Ser mais flexível e admitir que esse objetivo não está me motivando, pelo contrário, está me cansando e trazendo ansiedade. Foi super difícil abandonar meu objetivo, faz anos mesmo que eu faço isso e meu plano era chegar nos 75 pedalando 7500km por ano. Se continuasse morando na região plana com certeza teria dado certo. Mas a vida é cheia de mudanças, tenho que me adaptar (êta que as vezes é tão difícil). Relutei muito mesmo para abandonar meu velho objetivo, foram semanas que fiquei me debatendo, mas está decidido: meu plano de percorrer minha idade x 100km foi abandonado. Vou ter que achar um novo objetivo esportivo para meus 47 anos e além.

Mas não consigo viver sem objetivo esportivo. Por enquanto escolhi uma coisa mais simples e fácil: nadar 46km até meu aniversário (em julho). Estava mesmo comentando com meu marido sobre isso e que não sabia se iria conseguir ou não completar a natação... e para a minha surpresa completa ele ficou super animado! "Vamos juntos, eu nado contigo, vai dar tudo certo!" Ele se empolgou mais com isso do que eu mesma e já bolou um programa progressivo, com dias de descanso. Hoje será o terceiro dia que nadamos juntos. Então vou seguir o programa que ele criou para nós e nadar os 46km até meu aniversário. Fiquei super feliz de ver meu marido entusiasmado novamente com a natação. Com ele é tudo 8 ou 80: ou está numa fase em que participa alucinadamente de um esporte, de maneira competitiva OU está numa fase sedentária, em que vive jogado no sofá comendo um litro de sorvete por dia. E seu peso vive oscilando, o que não me parece saudável, mas enfim cada um sabe de si. Mas se está animado a deixar o sofá de lado e nadar comigo, bora nadar juntos!

Porque uma pessoa que gosta tanto de fazer esportes, como eu gosto, precisa de objetivo esportivo? Pois é, vai entender! As vezes bate um desânimo, uma preguiça, e não tenho vontade de fazer nada. Vai ver que no fundo sou como o meu marido. Mas sempre que saio de casa, apesar da preguiça, me divirto bastante. Então por isso que todos os anos tenho um objetivo: para me lembrar de sair de casa, querendo ou não, e praticar meus esportes, que no fim das contas é a coisa mais saudável fácil e tranquila que posso fazer pela minha felicidade.