Viajei por uns dias, mas estou de volta para escrever sobre minha semana 19.
Semana passada eu entrei no grupo de caminhadas (uma coisa que estava na minha lista desde 2016 quando me mudei para cá) e no sábado finalmente fiz a primeira caminhada com eles: a subida da Maroma, a mais alta montanha da província de Málaga. Montanha que eu já tinha subido sozinha em 2013, quando estive de férias na região. É uma montanha bem fácil de caminhar até o topo, não exige equipamento nem técnica, apenas preparo físico. Sendo que o caminho é super bem marcado, enfim não tem mistério algum. Subindo com o grupo eu me dei conta do que eu gosto mesmo é de caminhar sozinha por aí, no meu próprio ritmo, parando quando tenho vontade. Mas quando estou em grupo faço a minha força para ser social, óbvio. Se não fosse para ser social, pra que sair em grupo?
Então como foi a saída em grupo: o organizador já ficou estressado comigo de manhã cedo no ponto de encontro. Como só apareceram 5 pessoas, o organizador queria que fossemos todos no seu carro. Eu não me sinto muito bem de carona, ainda mais com gente que não conheço, começo a ficar nervosa e suar... é muito desagradável. Ainda mais numa viagem de mais de uma hora! Então eu expliquei para o organizador que não me sentia bem como passageira e convidei a todos para irem no meu próprio carro. O organizador não podia, porque estava com o cachorro - meu carro não estava equipado para levar cachorro. Se eu tivesse dito de antemão que eu não iria no carro dele, ele não teria trazido o cachorro. Falei: sem problemas, vou no meu carro e a gente se encontra no estacionamento ao pé da montanha. Mas o sujeito já tinha se estressado (?!). Um casal prontamente se ofereceu para me acompanhar, para eu não ir sozinha - ou talvez só quisessem evitar o mau gênio do organizador, é possível. Fomos conversando a viagem toda e gostei muito de Pilar e seu marido.
Chegando no pé da montanha, apareceu um outro sujeito, num outro carro. Então estávamos em 6 pessoas no total: 4 homens e 2 mulheres: Pilar e eu. Uma coisa que me acho estranho aqui na Espanha: as coisas muitas vezes rolam no estilo clube do Bolinha e da Luluzinha, ou seja: homens para um lado, mulheres para outro. Então o que aconteceu: os homens dispararam na frente, e eu fui seguindo atrás com a Pilar, que era uma pessoa que caminhava bem devagar mesmo. Nessas caminhadas de montanhas as vezes os caminhantes levam bastões, para se apoiar em momentos mais complicados... pois é, ela já saiu do estacionamento se apoiando nos bastões, então deu pra ver que a coisa seria demorada. E foi conversando o tempo todo. Era uma mulher super simpática e agradável, gostei muito de conversar com ela. Não estou me queixando nem criticando sua maneira de subir montanhas, estou apenas comentando as diferenças. Eu geralmente não sou de conversar em subidas, para poupar meu fôlego, mas ela caminhava tão devagar, que dava pra conversar e sobrava! Então fiz a subida de montanha mais falada da minha vida até então, e gostei muito da companhia da Pilar. Cheguei bem descansada lá no topo, com energia pra dar e vender, foi uma experiência muito boa e talvez comece a subir montanhas mais devagar depois dessa.
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| Pilar com La Maroma na distância |
Em 1h de subida encontramos os homens, que tinham parado num mirador natural e estavam nos esperando. Fizemos uma foto de grupo e eles partiram em disparada novamente.
Em 4h chegamos no topo (não sei há quanto tempo os homens estavam nos esperando lá em cima). Fizemos nosso lanchinho, tiramos uma foto de grupo e começamos a descida. Na descida minha companheira era muito insegura e desceu mais devagar ainda. Por mim tudo bem, estava ali para fazer uma social e vim descendo lentamente com ela.
Uma hora me pareceu que Pilar estava sem energia, precisando fazer um lanchinho - sugeri que parássemos para comer uma fruta. Mas ela não queria parar ali e sim mais abaixo no mirador natural, onde tinha esperança que seu marido estivesse esperando por ela, como foi na subida. Chegando no mirador, não tinha ninguém ali nos esperando. Fizemos nosso lanchinho e seguimos descendo.
Ao chegar no estacionamento ao pé da montanha, o organizador estava mega estressado com a nossa demora. Se virou para mim e me disse um monte de barbaridades, que aquilo NUNCA tinha acontecido antes, que aquilo não podia ser, que isso e aquilo, na verdade estava super irritado falando rápido e meu espanhol é bem tosco então não entendi tudo. Mas não me estressei. Disse para o grupo que tinha tido um dia maravilhoso na companhia de Pilar, adiós e me fui. Pilar e seu marido vieram de carona comigo.
No que eu falhei? Fiquei chateada comigo de não ter levantado a voz com o estúpido do organizador. Eu podia ter dito que tinha achado patético o comportamento masculino de deixar a Pilar para trás, eu fui a única que acompanhei a mulher. Que se entro num grupo, minha idéia de grupo nunca é deixar pessoas sozinhas para trás. Que ele fosse a merda, que eu jamais caminharia novamente com esse "grupo". Que nunca na minha vida tinha caminhado com um grupo tão ridículo com um organizador TÃO INFANTIL. E é verdade, nunca tinha visto comportamento tão infantil nas montanhas. Se estava tãããão preocupado com nossa segurança, porque não veio junto? PQP! Fui a única a acompanhar a pessoa mais lenta do grupo e sou a única a escutar bandalheiras? Aliás me arrependi de não ter mandado todos os homens a merda, êta grupinho bem infame.
Pois é, mas não disse nada disso naquela hora. Lamento. No mesmo dia me desliguei do grupo - chegando em casa, saí do grupo do WhatsApp deles. Perdi a oportunidade de dizer tudo o que podia ter dito, antes de me sair do grupo do whats.
Eu tinha pago a mensalidade anual (38 euros) que já perdi também, não faço questão de ir atrás disso. Paciência, não sabia onde estava me metendo - e não é um lugar que tenha vontade de me meter outra vez.
No carro no caminho de volta, Pilar me contou várias grosserias que o organizador já fez para as mais variadas pessoas. O que me deixa estarrecida é a falta de respeito de Pilar, seu marido e os demais, pessoas que, apesar das grosserias e mau gênio do organizador, continuam congregando na sua volta. Serão todos uns masoquistas sem amor-próprio? Ou será uma característica de pessoas de cidade pequena? Já que todos se conhecem, acabam tolerando tolices, para não se estressarem? Seja o que for, estou fora disso.
Eu entrei no grupo apenas para fazer uma social, na verdade não preciso de grupo nem de companhia masculina para fazer caminhadas em montanhas, não preciso de organizador pensando em rotas, sou capaz de decidir minhas próprias. Sou uma pessoa bem segura e independente capaz de fazer minha coisas sozinha, como já fiz tantas e tantas vezes no passado. Nunca caminhei sozinha pelo Brasil (provavelmente teria medo de assalto), mas acho bem tranquilo caminhar sozinha pelas montanhas européias. Sei que isso vai contra o bom senso, afinal sempre há perigos: e se eu me perder, e se eu torcer o pé, e se vier uma tormenta e eu ficar perdida na montanha sem sinal de celular, ou sem bateria para chamar socorro? Pois é, assumo o risco. Mas tenho tolerância ZERO para falta de educação e comportamentos infantis, e por isso jamais vou caminhar novamente com esse grupo. Mas gostei muito da Pilar e trocamos telefones.

2 comentários:
Dri, depois de passado o momento, é fácil olhar para traz e pensar em todas as coisas que podíamos ter falado. Uma pena que o grupo foi decepcionante. Sou assim como você, cada vez tenho menos paciência com falta de educação. A vida é curta, vamos concentrar as energias em pessoas que valem a pena.
Mas estou impressionada com uma coisa: sério que vocês subiram aquela montanha enorme que aparece atrás? Que parece um paredão de pedra, aquela montanha gigante?! Estão de parabéns, e eu não me importo quanto tempo levaram. Só de olhar a montanha me sinto cansada! Admiro mesmo que você tenha tanta energia e principalmente confiança para fazer coisas assim longe da civilização, ainda mais sozinha?! Sério, entendi direito?! E seu marido, não te acompanha? Ele não fica preocupado?
Sabe Aurora, meu marido sempre me diz isso também de concentrar as energias em pessoas que valem a pena. Que tempo investindo em relacionamentos equivocados é tempo e energia que podíamos estar investindo em relacionamento saudáveis. Custei muito para interiorizar isso, no passado eu vivia dando chance para as pessoas. Mas finalmente aprendi (a me valorizar) e faz alguns anos que não tenho mais dificuldade alguma de me afastar de pessoas que não acrescentam.
Pois é, pode acreditar, subimos a montanha que parece um paredão de pedra, aquela mesma! YES!! Nem foi tão difícil: um passo de cada vez e eventualmente chegamos lá. Sim tenho confiança para fazer esse tipo de coisa sozinha, já faz muitos anos que faço isso (mais de 20!). Meu marido as vezes me acompanha, mas não se importa que eu saia por aí sozinha, pelo contrário, me dá todo o apoio. Quando eu saio de casa ele raramente diz "te cuida", mas sempre me diz "te diverte!" Sendo que muitas vezes vou para lugares sem sinal de celular, então não temos como nos comunicar. Não nos preocupamos. "Viver com medo é viver pela metade". E você Aurora, o que gosta de fazer no seu tempo livre?
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