Outro dia
estava fazendo uma viagem mental, lembrando de todos as plantas que eu já tive
nos vários lugares onde morei desde que saí da casa dos meus pais. E não
conseguia me lembrar das plantas nos 2 primeiros apartamentos de aluguel, logo
que casamos. Até que me lembrei: não tive nenhuma planta, naquela época eu tive
um gato. Um gato adulto, sem um pedaço da orelha. O gato tinha um jeitinho tão
feioso que quando eu cheguei em casa, voltando do centro de adoção, meu marido
ficou admirado: mas porque tu pegou um gato tão horrível? Pois é, quem vê
pelagem não vê coração. Ainda lembro daquela experiência maravilhosa na casa de
adoção: ele foi o primeiro gato que eu peguei no colo e para a minha surpresa
imediatamente ficou todo relaxado e tranquilo nos meus braços. Me apaixonei na
mesma hora! Decidi adotá-lo, sem olhar para nenhum outro. Poucas semanas depois
ele estava com outro aspecto, muito saudável - talvez faltasse comida no lugar
onde estava. Era um gato muito fofinho mesmo, estava sempre me seguindo pelo
apartamento, inclusive quando eu ia no banheiro ele entrava junto e ficava ali
me acompanhando, kkk. Ou se eu fechava a porta antes do gato entrar ele ficava
paradinho, do outro lado da porta, esperando que eu saísse. Adorava pular no
meu colo e dormia sempre na cama conosco. Quando eu fui morar na Inglaterra não
consegui levar o gato junto, ele ficou com uma amiga. Senti tanto a falta
daquele gato! Foi uma experiência difícil mesmo. Foi um baque emocional tão
grande que resolvi não adotar nenhum outro gato (afinal não sabia quanto tempo
ficaria por lá) e voltei minha atenção para as plantas. Então foi assim que
desenvolvi um interesse por plantas: tentando preencher o grande vazio que
aquele gatinho encantador tinha deixado na minha vida. Acabei me interessando
não só por plantas, mas também por cultivo de horta,
flores silvestres, identificação de árvores... faz anos que adoro mesmo tudo isso.
Isso me
fez pensar em outras mudanças: lembrei que em 2006 resolvi passar mais tempo em
Poa, para curtir a companhia dos meus pais, irmãos e sobrinhos. Arrumei uma
bicicleta para pedalar enquanto estivesse lá. Nos anos 80/90 eu pedalei muito
pela cidade, inclusive usava a bici como meio de transporte. Acontece que a
situação de trânsito tinha mudado muito nesses anos todos. Por questão de
poucos centímetros não perdi minha vida, na segunda vez que aconteceu desisti
total de andar de bicicleta por lá. Resolvi abraçar um outro esporte enquanto
estivesse no BR. Escolhi remo, esporte que poderia praticar tanto no Guaíba
como no rio da minha cidade inglesa. Mas achei melhor aprender primeiro a
nadar. E uma coisa incrível aconteceu: me apaixonei total por natação e me dei
conta que nadar por si só era suficiente, não precisava remar para ser feliz.
Difícil explicar a alegria que natação trouxe para a minha vida, principalmente
para os invernos frios e chuvosos do hemisfério norte. E pensar que só aprendi
a nadar porque senti que não tinha mais como pedalar em Poa.
E a mudança mais recente: este ano
me mudei para um motorhome porque estava realmente infeliz com a questão de "ruídos" no último endereço. Foi uma decisão difícil: relutei muito.
E agora estou tão feliz - está sendo uma experiência fantástica.
Apesar de
todas as mudanças que já passei (endereços/trabalhos/países) a verdade é que eu
sou uma pessoa muito apegada à rotina e sinto uma imensa relutância em
mudar. Já sofri muito com mudança. Diria até que já tive trauma com mudança,
talvez por ter vivido uma infância instável de constante mudança. Mas pensando
rapidamente lembrei desses 3 exemplos em que uma mudança de circunstâncias
trouxe algo muito positivo para a minha vida: novo interesse, novo esporte,
novo estilo de vida. Provavelmente eu tenha vários outros exemplos que não
lembro agora. Outras mudanças virão pela frente, afinal a vida é impermanência
mesmo. Tenho que lembrar que o novo sempre vem, e o novo pode ser divertido.
Faz anos que eu sei disso, mas parece que ainda não interiorizei a mensagem. Um dia
serei craque em mudanças.
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