Este
verão foi um dos melhores dos últimos anos... Desde 2014 eu não tinha um verão
assim, tão leve e tão divertido. Vários fatores contribuíram: estar viajando e
fazendo o que eu tanto gosto, a companhia de pessoas queridas em alguns momentos, estar num período de
excelente saúde física e poder aproveitar tanto, ver meu marido animado com
seus projetos... E a satisfação de conseguir manter o trabalho em dia, não só o
trabalho mas conseguir manter minha rotina de objetivos no meio de tantas
coisas diferentes e divertidas acontecendo.
Eu estava
feliz de verdade com tudo. Feliz feliz como fazia tempo que eu não me sentia!
Até que no começo de outubro sofri um golpe da vida, foi uma experiência bem
negativa e pra falar a verdade prefiro não entrar em detalhes. Mas quero
registrar o momento aqui no blog porque se por um lado fiquei super triste com o acontecido, fiquei muito feliz comigo mesma, por
dois motivos:
- Minha reação: sincera, serena e gentil (comigo também, ou talvez devesse dizer: gentil com todos os envolvidos mas principalmente gentil comigo mesma).
- Passei alguns dias pensando no grande impacto de uma mudança radical de circunstâncias. Considerando como eu sou uma pessoa avessa a mudanças (estou sempre escrevendo sobre o assunto aqui no blog), talvez o esperado fosse eu ter dramatizado a situação e me agoniado com isso? Não foi nada disso que aconteceu. Pensei em aspectos práticos, na importância de seguir com meus projetos e não deixar esse percalço me abalar, e coisas assim.
Foi
interessante (e não vou mentir: para mim foi surpreendente) finalmente pensar
em mudanças de uma nova maneira: "vou conseguir superar isso, não será
nenhum fim do mundo". Sinto que estou no caminho certo, me transformando
na pessoa que eu gostaria de ser: mais serena e mais resiliente.
Lembro
que ano passado eu estava sentindo falta de resiliência. Perguntei para o
google sobre isso e recebi várias sugestões que anotei aqui no blog. E terminei aquele texto questionando em que momento eu poderia dizer
"estou mais resiliente agora". Pois é, quem diria: estou me sentindo mais forte, com a mente no lugar para lidar melhor com as dificuldades.
Acredito
o que mais me ajudou ou tem me ajudado nessa questão nem foi seguir as
sugestões do google e sim abraçar o estoicismo. O estoicismo é uma filosofia
que surgiu na Grécia e depois viajou para Roma. Um dos grandes textos do estoicismo é um livro de meditações de um imperador romano, Marco Aurélio. Esse ano li e reli
alguns livros relacionados com o tema e diariamente tenho pensado no assunto. E me dei conta que o podcast que eu mais escutei
no ano passado (happiness podcast) é de um psicólogo (Robert Puff) que segue
uma linha estoica, sem admitir isso abertamente. Então várias das ideias do
estoicismo já tinham sido marteladas na minha cabeça de tanto escutar aquele
podcast, que é bem repetitivo mesmo. Se alguém quer se transformar numa pessoa
mais resiliente, acredito que o melhor a fazer é ler e interiorizar a mensagem
dos sábios estoicos: Epiteto, Marco Aurélio, Sêneca.
Uma das
práticas do estoicismo (que eu já tinha aprendido no podcast) é a visualização
negativa. Consiste em tentar imaginar sua vida sem as coisas que você disfruta
hoje. Então as vezes quando vou beijar meu marido eu penso "estou beijando
um mortal". Quando saio por aí correndo/caminhando/andando de bicicleta,
as vezes penso que talvez algum dia perca o uso das minhas pernas, por acidente
ou doença. E assim por diante. Pode parecer uma ideia deprimente, mas tenho
certeza que a prática de visualização negativa está me trazendo benefícios. Talvez eu disfrute da companhia do meu marido ou do uso das
minhas pernas até o fim dos meus dias, talvez não. Além de ajudar nessa questão
de aceitar a impermanência, a prática da visualização negativa tem me ajudado a desfrutar bastante
do que tenho hoje. Sinto que estou finalmente incorporando na minha vida a
sabedoria do avô do meu marido: "vamos aproveitar hoje, que amanhã a gente
não sabe".
Uma outra
ideia interessate do estoicismo é a "dicotomia do controle". Uma
ideia que todos já conhecemos: a importância de aprender a diferenciar o que
está sob o nosso controle do que não está, e só nos ocupar com aquilo que está
sob o nosso controle. Eu estava me sentindo feliz de novo quando no começo de
novembro recebi uma outra notícia difícil de engolir, envolvendo a saúde de uma
pessoa super próxima e extremamente querida. A saúde deste ser querido está sob
o meu controle? Infelizmente não. Não ganho nada me preocupando com isso. Tenho direcionado minhas energias a ser a melhor amiga que eu consigo ser para a pessoa querida nesse momento difícil.
Custei muito mesmo para aprender que "o estado de preocupação não é
meritório". Ficar se agoniando não acrescenta, pelo contrário, só diminui
da nossa experiência.
Talvez a
vida seja isso mesmo, uma constante montanha russa com seus altos e baixos. Mas
por mais resiliente que eu esteja me sentindo agora estou torcendo para que a vida dê uma trégua... e pare de jogar coisas sérias na minha direção,
kkk.
2 comentários:
Olá, minha querida. Sinto muito por ter passado por situações ruins, seria bom se não fosse necessário passar por isso. Achei muito interessante alguns pensamentos desse post, nunca pensei que uma visualização negativa podia ser tão positiva, porque se um pensamento desse vem na minha mente eu começo a perder o controle e sofrer como se o mal já tivesse acontecido, mas é muito importante saber ter essa visão e desfrutar da vida e do que temos. Vou tentar aplicar isso. Eu não conhecia a expressão dicotomia do controle, mas venho trabalhando nesse pensamento a muito tempo. Você demonstra muita sabedoria nas suas palavras. E eu espero de coração que a vida pare de jogar coisas sérias na sua direção.
Muito obrigada pela sua mensagem Pri - que eu só vi agora. Quero ver se entro mais no meu blog em 2020, no seu também. Obrigada pelas suas palavras gentis, um beijo!
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