segunda-feira, 29 de abril de 2019

guardar só o que é bom de guardar :)


Lembro que muitos anos atrás a professora de inglês fez a seguinte pergunta: se a casa estivesse pegando fogo e cada pessoa da família só pudesse pedir aos bombeiros salvar um único pertence, o que cada um salvaria? Eu estava com 17 anos e não tinha nenhum bem material digno de ser salvo do fogo. Aliás de bem material eu só tinha minhas roupas, meus livros/cadernos e a bicicleta. Na verdade naquela época eu já era aficionada em andar de bicicleta e tinha duas: uma caloi 10 para pedalar nos findis e uma caloi Ceci para ir no colégio durante a semana. Mas ainda assim não achava a bicicleta tão importante a ponto de arriscar a vida de alguém para que fosse salva. Afinal é um bem facilmente substituível. Mas para responder alguma coisa, escolhi salvar uma das bicicletas. Lembro que todos os demais colegas escolheram salvar as fotografias. Achei ótima ideia mas eu não tinha fotografias, elas eram todas dos meus pais; então seria para eles decidir se queriam salvar as fotos ou não.

Tenho pensado bastante nas minhas coisas e no meu apego às coisas. Se o fogo fosse hoje em dia, o que eu escolheria salvar? Ou se tudo fosse destruído antes da chegada dos bombeiros, do que eu realmente sentiria falta? Desconfio que sentiria pena de ter perdido alguns itens (quadros pintados pela minha mãe e as nossas xícaras, cada uma com sua história) mas também sentiria uma imensa sensação de alívio por todas as tralhas perdidas, principalmente projetos inacabados: livros que ainda não li, costuras que não fiz, projetos de madeira que andam parados. Seria uma oportunidade de abandonar de vez alguns hobbies / interesses, sem remorso. E seguir adiante. 

Tenho pensado nisso tudo porque resolvi me mudar para um espaço reduzido. Meu marido e eu compramos um motorhome. Inicialmente o plano era viajar no verão e passar os invernos aqui na nossa casa... Aliás até ontem de manhã eu ainda estava com esse plano. Inclusive ontem comecei a escrever um texto sobre isso aqui para o blog, e acabei refletindo mais sobre o assunto. Melhor vender a casa, investir o dinheiro por uns anos e mais adiante alugar/comprar outro tipo de propriedade. Uma casa com terreno pela volta, já que um dos sonhos que ainda não realizei é ter galinhas. E viver num lugar mais tranquilo. E nesse meio tempo, curtir a vida sobre rodinhas. O plano é embarcar numa viagem de motorhome a partir de maio (depois da minha ida ao BR visitar os parentes). Provavelmente no inverno a gente acabe voltando para esta região que gostamos tanto, mas para isso não precisamos ter uma casa: podemos ficar num camping. Estou sentindo uma imensa sensação de alívio agora que decidi sair definitivamente desta casa. Foi um erro enorme ter comprado isso aqui. E pensar que eu insisti tanto nesse erro. Custei bastante para me perdoar, mas já consegui. Hora de seguir adiante.

Voltando ao assunto "coisas": o que fazer com nossas coisas, já que o espaço no motorhome é super limitado? Resolvi que vou reunir todas as coisas que para mim tem algum valor, colocar numa caixa e guardar num depósito ou na casa de algum amigo. Quero manter alguns objetos significativos.

 
Dá pra ser feliz sem a dupla de imãs de geladeira que nos acompanha desde 1990, sendo que o pinguim até já perdeu uma patinha? Sim, claro que dá. Não preciso das minhas xícaras para ser feliz, nem dos quadros da minha mãe para me lembrar dela. Mas um dia quero ter uma casa outra vez, e ao invés de estar numa situação estéril em que nada me diz coisa nenhuma, onde tudo é descartável ou facilmente substituível, tenho certeza que uma das alegrias será voltar a usar esses objetos que me acompanham desde tanto tempo, cada um com sua história e uma memória feliz por trás. Por exemplo ainda tenho as primeiras facas de serrinha que compramos juntos em 1996 quando chegamos nos Eua. Compramos um conjunto bem barato e genérico, e que surpresa boa ao chegar em casa e abrir a caixa: as facas eram todas da Tramontina! Que alegria: facas de qualidade, da minha terra, compradas tão longe. Lembro até de ter escrito para a minha mãe sobre isso, tão feliz que eu fiquei. Já comprei outras facas de serrinha desde então (Ikea e outras), nenhuma tão boa como as nossas velhas facas tramontina. Aliás duas vão viajar conosco.

2 comentários:

Pri e seu mundo disse...

Uma motorhome!!! Que legal! Se for passar pelo RJ me avise. Sabe... minha casa é pequena e muito humilde e isso não me incomoda, mas é segundo piso e não tenho onde plantar, o sonho do meu marido também é ter galinhas! Também gostaríamos de nos mudar e ter um pequeno terreno pra nós.
Espero que vocês vivam ótimas experiências e que você nos conte todas(com palavras e imagens).
Beijos!

Dri disse...

Olá Pri, muito obrigada pelo convite, se algum dia eu passar pelo rio eu te procuro sim. Dificilmente será de motorhome, mas nunca se sabe?! Então seu marido e eu temos um sonho em comum, quem diria. Até pensei se tinha como levar uma galinha ou duas no motorhome, mas é impraticável. Tudo tem seu tempo, o dia das galinhas chegará. Para mim e para o seu marido! bjos

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