domingo, 27 de maio de 2018

#21 dificuldades


Em relação aos meus objetivos e bons hábitos: sigo aos solavancos, dando alguns passos pra frente e outros pra trás. As vezes é tão difícil agir na direção correta, mesmo já sabendo de tudo o que eu posso fazer para facilitar minha vida e a minha felicidade.

Admito que estou cansada do meu blog e de tanto umbiguismo. Mas acredito que se eu desistir nesse momento vou ficar chateada... então vou seguir blogando sobre meus objetivos.

Tenho que lembrar de ser gentil comigo mesma em relação as minhas dificuldades. O coraçãozinho que eu coloquei como imagem de perfil aqui no blog é parte dessa imagem maior, uma menina se abraçando:
Encontrei isso no google procurando por imagens "be kind to yourself". Então isso é tudo o que eu tenho para hoje, essa lembrança de ser gentil comigo mesma :)

segunda-feira, 21 de maio de 2018

#20 outras experiências


Sábado meu marido e eu caminhamos com 2 casais e suas crianças. Foi uma caminhada em grupo como tem que ser: a pessoa mais vagarosa ditou o ritmo. No caso foi o menino de 3 anos. Fiquei impressionada com o ânimo da criançada, conseguiram caminhar quase tudo - só na subida final pediram colo dos pais. E a interação aconteceu de forma natural, sem essa de homens para um lado e mulheres para o outro. Depois da caminhada (7 km que levamos quase 3h para fazer, foi uma subida bem forte para as crianças) ficamos horas e horas almoçando e jogando conversa fora. Enfim, foi um dia maravilhoso. 

Além do aspecto social, outra coisa que amei foi a paisagem do caminho: muito verde e muitas flores silvestres: 
 
 
Aliás a semana 20 foi marcada pelo verde. No começo da semana meu marido e eu tivemos que ir para Madri renovar nossos passaportes. Madri é uma cidade bem mais arborizada do que eu me lembrava, fiquei tão feliz de caminhar pela cidade, debaixo de tantas árvores, na companhia dele. Já tinha visitado Madri sozinha antes, em duas oportunidades diferentes. Onde moramos não tem linha de trem e a viagem de ônibus até Madri levaria 6 horas. Então fomos de carro e ficamos numa cidade próxima: Aranjuez. Escolhida por ser uma cidade ao sul de Madri, a idéia era poupar direção e estresse com o trânsito madrilenho. E também economizar dinheiro, já que hotel + estacionamento em Madri seria bem mais caro. Aranjuez foi uma ótima escolha: é uma cidade linda e mega arborizada. 
 

Adorei tudo em Aranjuez: a planície, as árvores, os parques, caminhar ao longo do Rio Tejo, o centro histórico com prédios bem baixos, a proximidade de Madri. E amei entender o que as pessoas falam. Aqui no sul da Espanha o sotaque é muito forte e raramente entendo o que me dizem (a não ser quando as pessoas se esforçam para falar espanhol ao invés de "andalu"). Em Aranjuez/Madri entendi 95% do que ouvia. Esse entender e ser entendida de primeira (sem ter que repetir tudo como acontece aqui no sul) foi uma delícia completa.
 
Como nem tudo é 100% o tempo todo, não consegui manter minha rotina de meditação. Vacilei com outras resoluções também, mas tudo bem. A vida segue, mais feliz por ter experimentado tudo isso. 
 
Rio Tajo / Tejo na sua passagem por Aranjuez
 

quinta-feira, 17 de maio de 2018

#19 uma experiência


Viajei por uns dias, mas estou de volta para escrever sobre minha semana 19.

Semana passada eu entrei no grupo de caminhadas (uma coisa que estava na minha lista desde 2016 quando me mudei para cá) e no sábado finalmente fiz a primeira caminhada com eles: a subida da Maroma, a mais alta montanha da província de Málaga. Montanha que eu já tinha subido sozinha em 2013, quando estive de férias na região. É uma montanha bem fácil de caminhar até o topo, não exige equipamento nem técnica, apenas preparo físico. Sendo que o caminho é super bem marcado, enfim não tem mistério algum. Subindo com o grupo eu me dei conta do que eu gosto mesmo é de caminhar sozinha por aí, no meu próprio ritmo, parando quando tenho vontade. Mas quando estou em grupo faço a minha força para ser social, óbvio. Se não fosse para ser social, pra que sair em grupo?

Então como foi a saída em grupo: o organizador já ficou estressado comigo de manhã cedo no ponto de encontro. Como só apareceram 5 pessoas, o organizador queria que fossemos todos no seu carro. Eu não me sinto muito bem de carona, ainda mais com gente que não conheço, começo a ficar nervosa e suar... é muito desagradável. Ainda mais numa viagem de mais de uma hora! Então eu expliquei para o organizador que não me sentia bem como passageira e convidei a todos para irem no meu próprio carro. O organizador não podia, porque estava com o cachorro - meu carro não estava equipado para levar cachorro. Se eu tivesse dito de antemão que eu não iria no carro dele, ele não teria trazido o cachorro. Falei: sem problemas, vou no meu carro e a gente se encontra no estacionamento ao pé da montanha. Mas o sujeito já tinha se estressado (?!). Um casal prontamente se ofereceu para me acompanhar, para eu não ir sozinha - ou talvez só quisessem evitar o mau gênio do organizador, é possível. Fomos conversando a viagem toda e gostei muito de Pilar e seu marido.

Chegando no pé da montanha, apareceu um outro sujeito, num outro carro. Então estávamos em 6 pessoas no total: 4 homens e 2 mulheres: Pilar e eu. Uma coisa que me acho estranho aqui na Espanha: as coisas muitas vezes rolam no estilo clube do Bolinha e da Luluzinha, ou seja: homens para um lado, mulheres para outro. Então o que aconteceu: os homens dispararam na frente, e eu fui seguindo atrás com a Pilar, que era uma pessoa que caminhava bem devagar mesmo. Nessas caminhadas de montanhas as vezes os caminhantes levam bastões, para se apoiar em momentos mais complicados... pois é, ela já saiu do estacionamento se apoiando nos bastões, então deu pra ver que a coisa seria demorada. E foi conversando o tempo todo. Era uma mulher super simpática e agradável, gostei muito de conversar com ela. Não estou me queixando nem criticando sua maneira de subir montanhas, estou apenas comentando as diferenças. Eu geralmente não sou de conversar em subidas, para poupar meu fôlego, mas ela caminhava tão devagar, que dava pra conversar e sobrava! Então fiz a subida de montanha mais falada da minha vida até então, e gostei muito da companhia da Pilar. Cheguei bem descansada lá no topo, com energia pra dar e vender, foi uma experiência muito boa e talvez comece a subir montanhas mais devagar depois dessa.


Pilar com La Maroma na distância


Em 1h de subida encontramos os homens, que tinham parado num mirador natural e estavam nos esperando. Fizemos uma foto de grupo e eles partiram em disparada novamente.

Em 4h chegamos no topo (não sei há quanto tempo os homens estavam nos esperando lá em cima). Fizemos nosso lanchinho, tiramos uma foto de grupo e começamos a descida. Na descida minha companheira era muito insegura e desceu mais devagar ainda. Por mim tudo bem, estava ali para fazer uma social e vim descendo lentamente com ela.

Uma hora me pareceu que Pilar estava sem energia, precisando fazer um lanchinho - sugeri que parássemos para comer uma fruta. Mas ela não queria parar ali e sim mais abaixo no mirador natural, onde tinha esperança que seu marido estivesse esperando por ela, como foi na subida. Chegando no mirador, não tinha ninguém ali nos esperando. Fizemos nosso lanchinho e seguimos descendo.

Ao chegar no estacionamento ao pé da montanha, o organizador estava mega estressado com a nossa demora. Se virou para mim e me disse um monte de barbaridades, que aquilo NUNCA tinha acontecido antes, que aquilo não podia ser, que isso e aquilo, na verdade estava super irritado falando rápido e meu espanhol é bem tosco então não entendi tudo. Mas não me estressei. Disse para o grupo que tinha tido um dia maravilhoso na companhia de Pilar, adiós e me fui. Pilar e seu marido vieram de carona comigo.

No que eu falhei? Fiquei chateada comigo de não ter levantado a voz com o estúpido do organizador. Eu podia ter dito que tinha achado patético o comportamento masculino de deixar a Pilar para trás, eu fui a única que acompanhei a mulher. Que se entro num grupo, minha idéia de grupo nunca é deixar pessoas sozinhas para trás. Que ele fosse a merda, que eu jamais caminharia novamente com esse "grupo". Que nunca na minha vida tinha caminhado com um grupo tão ridículo com um organizador TÃO INFANTIL. E é verdade, nunca tinha visto comportamento tão infantil nas montanhas. Se estava tãããão preocupado com nossa segurança, porque não veio junto? PQP! Fui a única a acompanhar a pessoa mais lenta do grupo e sou a única a escutar bandalheiras? Aliás me arrependi de não ter mandado todos os homens a merda, êta grupinho bem infame.

Pois é, mas não disse nada disso naquela hora. Lamento. No mesmo dia me desliguei do grupo - chegando em casa, saí do grupo do WhatsApp deles. Perdi a oportunidade de dizer tudo o que podia ter dito, antes de me sair do grupo do whats.

Eu tinha pago a mensalidade anual (38 euros) que já perdi também, não faço questão de ir atrás disso. Paciência, não sabia onde estava me metendo - e não é um lugar que tenha vontade de me meter outra vez.

No carro no caminho de volta, Pilar me contou várias grosserias que o organizador já fez para as mais variadas pessoas. O que me deixa estarrecida é a falta de respeito de Pilar, seu marido e os demais, pessoas que, apesar das grosserias e mau gênio do organizador, continuam congregando na sua volta. Serão todos uns masoquistas sem amor-próprio? Ou será uma característica de pessoas de cidade pequena? Já que todos se conhecem, acabam tolerando tolices, para não se estressarem? Seja o que for, estou fora disso.

Eu entrei no grupo apenas para fazer uma social, na verdade não preciso de grupo nem de companhia masculina para fazer caminhadas em montanhas, não preciso de organizador pensando em rotas, sou capaz de decidir minhas próprias. Sou uma pessoa bem segura e independente capaz de fazer minha coisas sozinha, como já fiz tantas e tantas vezes no passado. Nunca caminhei sozinha pelo Brasil (provavelmente teria medo de assalto), mas acho bem tranquilo caminhar sozinha pelas montanhas européias. Sei que isso vai contra o bom senso, afinal sempre há perigos: e se eu me perder, e se eu torcer o pé, e se vier uma tormenta e eu ficar perdida na montanha sem sinal de celular, ou sem bateria para chamar socorro? Pois é, assumo o risco. Mas tenho tolerância ZERO para falta de educação e comportamentos infantis, e por isso jamais vou caminhar novamente com esse grupo. Mas gostei muito da Pilar e trocamos telefones.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

#18 agir é o melhor remédio



Minha semana sem tanta internet foi muito produtiva. Fiz muitas coisas divertidas com o marido e resolvi algumas coisas na minha lista de pendências. Aliás gostei tanto que pretendo continuar sem tanta internet. Pensar, antes de clicar: é necessário? acrescenta? traz felicidade? Quero fazer isso por 46 dias consecutivos, pelo menos.

A melhor coisa que fiz: imprimi um calendário para as próximas semanas, olhei para a minha longa lista de coisas pra fazer e fui escrevendo todas as pendências de maneira randômica no calendário, uma por dia, com algumas folgas ali pelo meio. Depois de feito isso, passei tudo para o wunderlist, aplicativo que uso para compartilhar com meu marido a lista de compras do supermercado, mas é fenomenal para usar como lista de coisas para fazer. Agora todos os dias eu recebo uma notificação de UMA pendência pra fazer, somente uma. Não tenho que olhar para minha enorme lista e desanimar por ser tão longa... e fazendo assim evito trocar uma atividade que não estou a fim por outra que seria mais fácil. Agora tenho apenas uma pendência para fazer por dia, e pronto. Está sendo ótimo para lidar com todas as coisas que faz tempo que estão na minha lista, mas que por um motivo ou outro eu vinha sempre deixando de lado. Como por exemplo:
- marcar mamografia
- entrar no grupo de senderismo
- olhar para as tralhas dentro da caixa de plástico
- mandar aquelas fotos para o meu pai
- terminar a cortina do banheiro
- levar a máquina de costura no conserto

E aí pelo meio fui colocando coisas divertidas, como fazer meus projetos de madeira. Sim, resolvi tratar meus projetos de madeira junto com as pendências, afinal é assim que muitas pendências começam: me empolgo com uma coisa (fazer uma cortina para o banheiro) e depois fico enrolando até não poder mais e a coisa vira "pendência". Então antes que fique enrolando na madeira também, todos os projetos foram agendados.

Uma coisa boa que me aconteceu: motivei meu marido a voltar a nadar, totalmente sem querer. Faz anos que todos os anos eu tenho o mesmo objetivo esportivo, que consiste em percorrer pelo próprio esforço a distância X (= minha idade multiplicada por 100 quilômetros). Levo em conta pedaladas, caminhadas e voltas na piscina. Então ano passado meu objetivo foi percorrer 4500 km enquanto tinha 45 anos, agora é percorrer 4600km enquanto tenho 46 anos etc. Acontece que essa idéia era muito divertida e motivadora enquanto ainda morava numa região plana / levemente ondulada. Morando numa região bem montanhosa está muito cansativo fazer isso. Extremamente cansativo mesmo. Eu já estava marcando umas férias numa planície, só para conseguir fazer mais progresso com meus kms, quando pensei: o que estou fazendo?!?! Nem estava a fim de viajar, iria viajar só para conseguir aumentar minha quilometragem. Vi então que estava na hora de repensar meu objetivo esportivo. Ser mais flexível e admitir que esse objetivo não está me motivando, pelo contrário, está me cansando e trazendo ansiedade. Foi super difícil abandonar meu objetivo, faz anos mesmo que eu faço isso e meu plano era chegar nos 75 pedalando 7500km por ano. Se continuasse morando na região plana com certeza teria dado certo. Mas a vida é cheia de mudanças, tenho que me adaptar (êta que as vezes é tão difícil). Relutei muito mesmo para abandonar meu velho objetivo, foram semanas que fiquei me debatendo, mas está decidido: meu plano de percorrer minha idade x 100km foi abandonado. Vou ter que achar um novo objetivo esportivo para meus 47 anos e além.

Mas não consigo viver sem objetivo esportivo. Por enquanto escolhi uma coisa mais simples e fácil: nadar 46km até meu aniversário (em julho). Estava mesmo comentando com meu marido sobre isso e que não sabia se iria conseguir ou não completar a natação... e para a minha surpresa completa ele ficou super animado! "Vamos juntos, eu nado contigo, vai dar tudo certo!" Ele se empolgou mais com isso do que eu mesma e já bolou um programa progressivo, com dias de descanso. Hoje será o terceiro dia que nadamos juntos. Então vou seguir o programa que ele criou para nós e nadar os 46km até meu aniversário. Fiquei super feliz de ver meu marido entusiasmado novamente com a natação. Com ele é tudo 8 ou 80: ou está numa fase em que participa alucinadamente de um esporte, de maneira competitiva OU está numa fase sedentária, em que vive jogado no sofá comendo um litro de sorvete por dia. E seu peso vive oscilando, o que não me parece saudável, mas enfim cada um sabe de si. Mas se está animado a deixar o sofá de lado e nadar comigo, bora nadar juntos!

Porque uma pessoa que gosta tanto de fazer esportes, como eu gosto, precisa de objetivo esportivo? Pois é, vai entender! As vezes bate um desânimo, uma preguiça, e não tenho vontade de fazer nada. Vai ver que no fundo sou como o meu marido. Mas sempre que saio de casa, apesar da preguiça, me divirto bastante. Então por isso que todos os anos tenho um objetivo: para me lembrar de sair de casa, querendo ou não, e praticar meus esportes, que no fim das contas é a coisa mais saudável fácil e tranquila que posso fazer pela minha felicidade.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

#17 repensando meu uso da internet (outra vez)


Comecei a escrever o texto de hoje no dia 24.04:
 
Faz algumas semanas que não tenho levado a sério minha resolução de repensar meu uso da internet. Ou seja, tenho perdido muito tempo de bobeira na internet. Uma receita garantida de fracasso em outros projetos.  

Então achei melhor passar uns dias prestando atenção nisso, começando hoje dia 24 quando quase respondi uma pergunta num site sobre um destino de férias que já visitei algumas vezes. Me dei conta que viajar é uma prioridade tão baixa na minha vida atualmente que não faz sentido perder tempo no assunto. Bora investir meu tempo no que realmente importa.
 
Aproveitei e resolvi - pela enésima vez - que vou dar um tempo na leitura de jornal online. Sim, eu continuo lendo o Guardian, a última notícia que li foi hoje de manhã sobre a geração Windrush. Chega! Da próxima vez que eu quiser muito ler jornal, vou convidar meu marido para ir tomar um café na cafeteria onde sempre tem uma cópia do jornal da região, daí já fico por dentro do que está acontecendo na minha volta.

Então o que fiz hoje (24.04) com meu tempo livre: 
  • fui no médico investigar meu problema de tontura/ouvido
  • fiz progresso com meu projeto de digitalizar aquele livro
  • me apresentei para a nova vizinha
  • cuidei das plantas
  • fui no lugar onde sei que tem madeira abandonada pegar um palete (quero fazer 3 mesinhas + uma prateleira com madeira reaproveitada). Encontrei um palete com madeira linda e de qualidade! Primeira vez na vida que me acontece de encontrar um palete tão bom assim.
  • enquanto serrava o palete para que coubesse no carro, apareceu um cachorro (perdido? de rua?) Brinquei e fiz carinho nele. Um fofura de cachorro, tão companheiro. Resisti a tentação de adotá-lo ali mesmo! Mas comuniquei sua localização ao órgão municipal que cuida disso. Fiquei um tempão ali esperando que aparecessem, enquanto aproveitava a companhia do cachorro.  
Usei o google: procurei infos sobre cuidado de hibiscus, que a minha planta não está com uma cara muito boa.
 
Não usei o google:
quase procurei informações sobre o III Ultra Tri Spain, curiosa para saber por onde vai passar... mas vou deixar pra procurar isso um outro dia, quero realmente dar um tempo
quase procurei quem cantava "vou deixar tudo pra ser um krishna um punk um rajnish" Mas depois lembrei por conta. Replicantes! "hippie, punk, rajneesh" disponível no spotify, fez parte da trilha sonora da minha adolescência.

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Esse foi o primeiro dia, e os demais? Incrível como abrir o google e pesquisar alguma coisa é um algo que acontece tão no automático... Só para dar um exemplo: escrevi que a música Hippie Punk Rajneesh do Replicantes tinha sido trilha sonora da minha adolescência. Tive vontade de googlear seu ano. Cheguei a abrir o google e digitar replicantes hippie punk raj... daí eu pensei "putz, mas o que eu estou fazendo!?" Que diferença faz saber o ano exato? Eu lembro de ser adolescente e escutar Replicantes no rádio e cantar junto "nunca mais eu ouço você! nunca mais eu caio do beliche (?!), vou deixar tudo pra ser um hippie, um punk, um rajneesh!" Se a letra era essa mesma, eu se era outra, em que ano foi... tanto faz. Fechei o google e continuei sem saber. Mas só um exemplo, quantas vezes ao longo do dia eu vou conferindo trivia que não acrescenta absolutamente nada na minha vida...
 
Então durante esses últimos dias eu fiquei sem saber o seguinte:
  • como é mesmo o nome do diretor do meu filme preferido de todos os tempos (O Visitante)
  • resenha de um filme "Downsizing" com aquele ator que fez Bourne isso e aquilo (não lembro o nome dele, normalmente pesquisaria no google)
  • por onde anda a Kátia Suman
     
Por outro lado eu usei a internet para coisas mais produtivas:
  • procurar infos sobre as minhas plantas
  • procurar novas idéias de como fazer mesinhas de palete, porque a minha última ficou com cara de banco. Achei um site nota 10: instructables e acabei encontrando uns canais ótimos no youtube sobre trabalhar com madeira
  • pesquisar uma dúvida que tenho em espanhol: 'ado' que vira 'ao'.  Ao invés de 'pescado', tem gente que fala 'pescao'.
 
E longe da internet, fiz bom uso do meu tempo:
  • arrumei minha mesa, que estava bem bagunçada - deu bastante trabalho olhar para tanto papel
  • deletei fotos do meu PC e telefone
  • plantei uma trepadeira na sacada  
  • desmanchei o palete, cortei e lixei a madeira. Montei uma prateleira para colocar produtos de limpeza.
Recebi um email de um site que eu gosto muito (Greater Good - University of Berkeley) mencionando que hoje dia 30.04 começa "screen free week" e das vantagens de tirar umas férias das telas. Bem quando estou nessa vibe de limitar meu uso da internet. Resolvi então parar de olhar tantas dicas de projetos de madeira no youtube/instructables. Vou fazer meus projetos com o pouco conhecimento que já tenho e usando as minhas ferramentas básicas. Meu marido já estava me incentivando a comprar uma serra circular! Mas pra que mesmo estou fazendo esses projetos? Para me divertir (adoro manusear madeira) e sentir aquela satisfação que fazer um pequeno móvel me traz, por mais tosco que seja o resultado final. Não estou atrás de perfeição, e sim de diversão; meu padrão de qualidade se resume a "ser bom que chega"

Prateleira boa que chega :)

 

segunda-feira, 23 de abril de 2018

#16 simbora ser feliz com o marido


Meu marido está sempre me convidando para atividades variadas. Tenho evitado responder com "pode ser". Êta coisa sem graça para se dizer! Aliás durante 2018 estou tentando banir "pode ser" do meu vocabulário. Então agora é 'sim', 'vamos', ou então 'pra falar a verdade, não estou lá muito a fim'. Se bem que, como essa resposta é meio vaga, meu marido sempre aproveita para dizer 'arrá, quer dizer que está um pouquinho a fim?'. Kkkk. Melhor ser sincera e dizer que não estou a fim e pronto, se realmente não tenho vontade. Mas na maioria das vezes, mesmo quando não estou lá muito a fim, aceito os convites dele e fazemos um monte de coisas juntos.

Alguns dos muitos convites randômicos que ele me fez este ano: 
  • Vem ficar na cozinha comigo enquanto faço um bolo?
  • Que tal colocar a comida em potinhos e comer na praia, olhando o por do sol?
  • Vamos fazer uma pedalada noturna pela cidade para ver as luzes de Natal antes que tirem tudo?
  • Que tal experimentar aquele restaurante no topo da colina?
  • Quer conhecer o lugar onde pratico o meu hobby?
  • Ao invés de comprar areia na loja de material de construção, o vizinho me explicou que tem uma obra abandonada onde todo mundo pega areia... quer roubar areia comigo?
 Simbora!
 

 

sábado, 21 de abril de 2018

#15 com o coração bem mais leve


Uma coisa muito boa que me aconteceu umas semanas atrás foi a reconciliação com uma pessoa querida (PQ para simplificar). Quando nos conhecemos foi uma simpatia instantânea. Eventualmente entramos numa rotina de fazer caminhadas na natureza ou almoço nos domingos. Uma pessoa muito bacana que eu admirava muito pela sua maneira gentil, tolerância e generosidade. Aliás sinto que melhorei através desse convívio: comecei a me esforçar para ser bem mais gentil e tolerante. Passamos alguns Natais juntas, viajamos de férias mais de uma vez (e deu tudo certo!). Uma amizade de pedir e oferecer apoio e conselhos em momentos complicados. No geral foram anos de amizade muito tranquila, talvez a gente se desse tão bem justamente por não ser aquela coisa intensa de se ver muito seguido - nos encontrávamos a cada 4 ou 6 semanas. Foi assim por anos e anos, nos conhecemos em 2003. Tudo ia muito bem até que...
 
...Sabe quando um acontecimento político divide as pessoas? As vezes a gente se vê do outro lado que nossos queridos parentes e amigos dessas questões políticas que tanto nos afetam e nos incomodam. Acho uma lástima mesmo, mas infelizmente acontece. Inclusive sei de pessoas que acabaram cortando relacionamento com parentes próximos por conta de desentendimentos políticos. Foi então uma coisa assim que aconteceu comigo e com essa PQ. Fiquei super chateada com uma grosseria que ela me fez e escrevi um email lamentando que ela estava colocando política acima da nossa amizade. Isso em 2016 e nunca tive retorno. Se por um lado isso estava me incomodando um monte, afinal gostava mesmo da pessoa... por outro eu já estava aceitando que nossa amizade tinha se ido pelo ralo.

Até que umas semanas atrás resolvi contatá-la novamente: mandei uma mensagem simpática e bem curtinha de aniversário. Poucas horas depois recebi um email muito emocionado da PQ, pedindo mil desculpas pela grosseria de 2016, dizendo que valoriza muito a nossa amizade, que jamais colocaria política acima do nosso relacionamento. Que não tinha me contato antes por nem saber como reagir e pedindo desculpas por isso também. Que tinha ficado super feliz com a lembrança do aniversário e por eu ter entrado em contato. Sugeriu uma caminhada, para a gente se ver e colocar o papo em dia. Talvez demore pra sair a caminhada já que agora estou morando tão longe. Mas enfim receber o email dessa PQ foi uma alegria imensa. Eu estava muito triste pelo jeito que nossa amizade tinha se acabado. Já liguei e coloquei o papo em dia. Não sei como será daqui pra frente. Mesmo se a amizade acabar se perdendo, fiquei muito feliz que conseguimos superar aquele desentendimento de 2016. Sinto que tirei um peso enorme do coração.