segunda-feira, 19 de março de 2018

#11 a tal da preguiça mental


Um dos meus objetivos para 2018 é "combater a preguiça mental". Quando eu olho pra trás noto que já fui uma pessoa bem mais interessada em cultura e aprender coisas novas (línguas principalmente). Lembro da época que eu fazia faculdade: trabalhava de dia, estudava de noite, estudava uma língua estrangeira nas horas vagas, achava tempo e disposição para ir a concertos gratuitos no horário do almoço e sempre procurava ir no teatro no final de semana. Só de pensar nisso já me sinto cansada. Não tanto tempo atrás assim eu trabalhava bem mais do que trabalho hoje, cuidava do meu jardim, praticava montes de esportes, estudava outra língua estrangeira e ainda tinha tempo de curtir a oferta cultural da cidade. Semanalmente visitava museus, galerias de arte ou simplesmente aproveitava os concertos de música clássica, gratuitos e de qualidade. E estava sempre com 3 ou 4 livros da biblioteca pública em casa, quando terminava um já tinha outros pra começar. Agora estou trabalhando menos do que jamais trabalhei na vida, e como tenho preenchido os meus dias? Praticando esportes, cuidando das plantas, ficando de bobeira na internet e de vez em quando pensando do que escrever no blog. 

Não sei se a preguiça mental que estou sentindo agora tem a ver com a grande miudinha que tive em 2016, talvez eu não esteja completamente curada. Ou será que esse é meu novo eu? Não sei e isso tem me incomodado. Faz +18 meses que estou morando numa cidade que é praticamente um deserto cultural, mas eu ainda não fui visitar o museu. A galeria de arte eu só visitei uma única vez. Tudo bem que a exposição é permanente e uma vez vista, está vista... Mas está mesmo? Quantas e quantas vezes eu visitei a maior galeria da cidade onde morava antes? Ok era muito maior e as obras eram de artistas de renome internacional, mas enfim: em que momento eu virei essa pessoa que só entra em galeria de arte desde que seja para admirar um Ruysdael ou algum outro grande mestre? E porque ainda não visitei os museus da cidade grande mais próxima? Já fui lá várias vezes por outros motivos (compras, buscar alguém no aeroporto, consultas médicas etc). Outro objetivo deste ano é fazer um grande destralhe mental, será então que deveria aproveitar para descastar a idéia que eu faço de mim como pessoa que gosta de arte?

Pra não dizer que minha vida está completamente zerada de cultura, tem sempre os programas da rádio clássica, que muitas vezes são a trilha sonora das minhas caminhadas de manhã cedo. Sem as caminhadas talvez não escutasse nada. Gosto muito de um determinado estilo de música clássica e o programa que mais escuto é "música antiga". Mas de vez em quando presto atenção num outro programa chamado "música e significado" para me expor a coisas diferentes. Toca estilos que não gosto tanto assim, mas acho bom não ficar muito bitolada no gênero que eu mais gosto. Então outro dia caminhei ao som de uma explicação da obra "Assim falou Zaratustra", de Strauss, cuja introdução obviamente eu já conhecia por ser super famosa, mas todo o resto é uma chatice sem fim. Bom, tenho que admitir que muitas vezes aproveito esses programas para fazer um "exercício de atenção" (mindful listening). E é bem difícil, já que o pensamento tende a divagar. Mas ainda assim é mais fácil prestar atenção na chatice de Strauss do que ir na galeria de arte - e acho difícil de entender, seria inércia? Vamos ver se durante a semana eu me animo e volto na galeria de arte, ou finalmente entro no museu, ou quem sabe descubro onde fica a biblioteca pública...

2 comentários:

Paulla disse...

Menina, me li nessa postagem!
Faz tempo que venho me perguntando o que mudou: minhas vontades, minha força de vontade, minhas prioridades ou meu gosto. Se é a internet que me atrapalha tanto (adoro um instagram da vida, se deixar fico horas vivendo a vida alheia por ali...), se é falta de vergonha na cara mesmo...
Não posso negar que se eu restrinjo a internet da semana eu acabo produzindo mais em outras áreas (leitura, filmes).
Não consigo não te perguntar, mas onde você mora? É segredo secretíssimo? Fiquei super curiosa!
Isso vai passar, assim que você identificar seus motivos. Pode ser que você tenha mudado e precise encontrar outros interesses mesmo, né (comigo foi assim com música)?
Não se cobre demais, só o suficiente :)

Dri disse...

Olá Paulla, obrigada pelo comentário tão simpático, que infelizmente só vi agora pois não estava bem de saúde. Pois é, também já me dei conta que limitando a internet tudo flui melhor. Interessante imaginar que talvez eu tenha realmente mudado a ponto de precisar encontrar outros interesses, não tinha pensado nisso como uma possibilidade real - e não deixa de ser um pouco assustador: se eu não sou mais aquela que gostava tanto de arte, quem sou eu afinal?
Onde moro não é nenhum segredo, achei até que já tinha comentado no blog: estou num lugar pequeno e insignificante no sul da Espanha, a cidade mais conhecida é Málaga (1h de carro). Antes disso morei por 19 anos na Inglaterra, 18 dos quais perto de uma cidade universitária pela qual eu era completamente apaixonada - morava num lugar muito modesto mas era extremamente feliz com tudo na minha volta (começando pelo meu próprio cafofo do qual até hoje sinto saudades).
Muitas vezes leio textos no seu blog e penso "eu também!", mas evito ficar comentando para vc não morrer de tédio comigo balançando a cabeça para 8 de cada 10 coisas que vc escreve :)

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