Cheguei
no fim da semana 25 com a sensação de estar andando para trás.
Uma coisa que estou fazendo este ano é uma colagem semanal de fotos, no meu telefone mesmo. Todas as segundas quando eu penso na semana que passou aproveito e olho para as fotos que eu tirei e faço um apanhado das mais significativas. E foi tão bom olhar para as fotos da semana 25 e me dar conta que "pensando bem... minha semana foi ótima em vários aspectos". Teve pedalada com minha amiga, caminhada com outros amigos, momentos divertidos na cozinha com meu marido e café com ele na cafeteria (com o bônus do jornal estar disponível, nem sempre é o caso). E linda floração de uma árvore que não sei o nome, mas embelezou a cidade. Teve muita natação também, mas isso não entrou na colagem semanal de fotos já que sempre deixo o celular em casa quando saio para nadar.
Um grande atraso na minha vida é a procrastinação. Umas semanas atrás eu tinha comentado aqui no blog de um desafio de nadar 46km antes do meu aniversário (começo de julho), só que acabei procrastinando nisso também. Semana passada finalmente caiu a ficha: se eu não encarasse o desafio com mais seriedade, não iria conseguir. Considerando que eu já tive que abandonar meu desafio esportivo original, não queria abandonar esse da natação. Então durante a semana 25 nadei feito uma louca: dez quilômetros e meio numa semana. Por um lado fiquei muito feliz de ter conseguido nadar tudo isso (primeira vez na vida). Lembrei que um ano depois de aprender a nadar (9 anos atrás) eu estava nadando em torno de 10 km por mês. Ou seja, consegui nadar em uma semana o que uma vez eu custava o mês todo para nadar. Mas por outro lado fiquei chateada com a maneira que encarei meu desafio, me enrolando por vários dias e me colocando nessa situação de ter que nadar um montão no fim. Uma coisa tão recorrente na minha vida, essas corridas malucas de última hora.
Nadar é o tipo de atividade repetitiva que propicia viajar nos pensamentos e ruminar nos problemas. Tenho feito um esforço para apenas curtir o momento enquanto nado - evitando as ruminações. As vezes fico admirando os azulejos no fundo da piscina e contando as minhas braçadas, prestando atenção no barulho da minha respiração e coisas assim. Estou realmente tendo cuidado para não me perder nos pensamentos.
Adotei um método de contagem de voltas diferente, em forma de escadinha. Digamos que o objetivo seja nadar 9 voltas. Antes eu contava as voltas de maneira sequencial, 1,2,3...até 9. Mas um amigo do meu marido sugeriu um método menos entediante, que vem a ser uma escadinha (ou pirâmide), funciona assim: nada 1 volta, faz uma pausa, 2 voltas, pausa, 3 voltas, pausa, 2 voltas, pausa, 1 volta. Bem mais fácil de contar e não se perder. E as pausas pelo meio, segundo esse amigo que é profissional do ramo esportivo, são benéficas por algum motivo que já esqueci. Claro que é super fácil contar 9 voltas sem se perder, mas eu tenho nadado pelo menos 36 voltas. Então no novo método basta fazer a escadinha de 6. Super fácil de contar, adorei. E também tem o aspecto psicológico: é muito mais fácil encarar uma escadinha de 6 do que uma sequência de 36.
Para evitar as ruminações as vezes incorporo a meditação "bondade amorosa" enquanto estou nadando. Essa é a minha meditação preferida, em que desejamos coisas boas para nós mesmos e para os demais. Que tanto podem ser pessoas do nosso círculo de relacionamentos ou estranhos que vemos com regularidade. No método escadinha está sendo super fácil incorporar essa meditação. No momento da pausa eu aproveito para escolher quem serão as próximas pessoas. Quando chego nas 4 voltas, geralmente penso minha irmã, meu cunhado, meus sobrinhos. 5 voltas, escolho 5 amigos. 6 voltas, minhas 6 tias. E vou mudando as pessoas: as vezes penso nos meus vizinhos, alguns primos (tenho bem mais de 36, podia dedicar um dia só para os primos, rsrsrs), ou penso nos funcionários do mercado da esquina ou da agência do banco, ou as pessoas que sempre passam com seus cachorros... e outras pessoas que vejo com regularidade (ou não vejo, como blogueiras que eu gosto de ler). Enfim, são várias possibilidades, nunca faltam pessoas. Fica tão mais gostoso contar pessoas do que contar voltas.
Que o homem do cachorro magrela
...seja saudável e feliz
...viva livre de dor e de sofrimento
...não se deixe abalar pelas dificuldades
...seja capaz de aceitar mudanças
...seja sempre gentil consigo mesmo
...etc etc
Talvez essa entrada de hoje soe como coisa de gente doida, mas estou gostando MUITO de fazer isso. Não acredito que desejar o bem vá fazer diferença na vida das pessoas. Apenas me sinto bem cultivando sentimentos positivos e pensando nas pessoas assim. Tenho saído da piscina em paz com o mundo.
E para ficar em paz comigo mesma? Agir é o melhor remédio. Manter um resolução, aprender uma coisa nova, riscar uma coisa difícil da minha lista de tarefas... Já sei tudo isso - mas nem sempre faço o que tenho ou gostaria de fazer.
rotina, constância, pequenas vitórias, a luta do bem contra o caos, a busca da felicidade
sexta-feira, 29 de junho de 2018
quinta-feira, 21 de junho de 2018
#24 um dia normal
Um dos poucos blogs
que gosto de ler é de um sujeito apaixonado por música. Semana passada ele
marcou o dia dos namorados com um simples "feliz dia dos namorados",
que eu só li no dia seguinte. Daí é aquela coisa que acontece todos os anos: "bah,
é mesmo, dia dos namorados! tinha esquecido".
E pensei: o que
fizemos ontem? Tínhamos ficado um tempão juntos, pintando duas paredes na casa.
Foram várias mãos de tinta. Terminamos o dia bem cansados mas felizes de ter
conseguido chegar no fim da tarefa.
Vivendo na Europa
temos a desculpa do dia dos namorados aqui ser em outra data (algum dia de
fevereiro), mas muitas vezes também não lembramos da data européia. É o tipo de
coisa que não me diz nada mesmo. Eu tenho duas datas românticas gravadas no meu
coração: o dia que conheci meu marido e o dia que nos casamos no
cartório.
Eu não mudei meu
sobrenome ao casar. Então em situações burocráticas (principalmente envolvendo
contadores) várias vezes escutamos a pergunta: "vocês são casados?".
Sim, somos casados. E mentalmente sempre acrescento "de papel passado"...
e lembro de um momento especial: depois de voltar do cartório, nós em casa, felizes, com nossa certidão na tábua de passar roupa, os dois conduzindo o ferro elétrico, no meio das gargalhadas. Uma maneira bem nossa de marcar o começo oficial da vida a dois.
Estou tão feliz no meu casamento. E pensar que eu QUASE não me casei com ele por conta das nossas muitas diferenças, principalmente políticas. No começo as diferenças me estressavam muito. Com o passar do tempo aprendi a aceitar que cada pessoa tem direito a ser como é e entender e explicar o mundo a sua maneira. E no fim das contas ter alguém que pensa diferente do meu lado sempre me faz ir atrás e investigar melhor os assuntos e meu posicionamento.
Estou tão feliz no meu casamento. E pensar que eu QUASE não me casei com ele por conta das nossas muitas diferenças, principalmente políticas. No começo as diferenças me estressavam muito. Com o passar do tempo aprendi a aceitar que cada pessoa tem direito a ser como é e entender e explicar o mundo a sua maneira. E no fim das contas ter alguém que pensa diferente do meu lado sempre me faz ir atrás e investigar melhor os assuntos e meu posicionamento.
domingo, 10 de junho de 2018
#23 embelezando minha casa por fora
Depois
que me animei com as plantas dentro de casa, resolvi passar para o lado de fora.
Custei um pouco para ir para o lado de fora porque estava realmente triste com
tanta laje. Mas enfim, comprei diversas plantas para o pátio e a sacada, e
aproveitei também e coloquei floreiras na janelas. Estou com flores em todas as janelas da casa, até mesmo no banheiro. Estou achando essa coisa de
cultivar em potes um grande mistério e inicialmente matei várias plantas (tanto por
excesso como por falta de água). Mas ultimamente estou conseguindo controlar o
planticídio com a ajuda de um hidrômetro.
Vou
mostrar as flores que causaram maior impacto na minha felicidade. Na sacada
da frente, o lugar onde me sento para ver o sol nascer de manhazinha, e onde
almoçamos quando o tempo está favorável, coloquei uma fila de gerâneos:
E na janela do nosso
quarto, que também dá pra frente da casa, coloquei mais gerâneos. Agora quando
eu dobro a esquina já vejo os meus gerâneos de longe. Minha casa é
absolutamente igual às casas dos vizinhos, mas é a única que está cheia de
flores - ver minha casa florida de longe é uma alegria e tanto.
É a primeira vez que estou com várias plantas iguais, de um tipo só. Quando eu tinha o meu jardim eu sempre cultivava várias plantas diferentes juntas, era uma grande bagunça. Mas aqui na casa nova resolvi fazer diferente, e gostei do resultado. Ao escolher flores tenho evitado minhas velhas conhecidas e aproveitado a oportunidade para cultivar plantas novas.
Aliás
outro dia um amigo do meu marido esteve aqui em casa e se encantou com minhas
flores e plantinhas. Descobri então que ele também adora plantas. Agora estamos
sempre conversando sobre isso. Ele até já me deu uma mudinha:
A
primeira vez que ele viu essa planta foi numa visita que fez à tia-avó da sua
esposa, mais de 40 anos atrás. Então ele pegou uma mudinha... que cresceu e é a
planta maior que aparece na foto. Dessa planta de >40 anos ele tirou a minha
muda. Adorei saber a historinha da planta. Então agora tenho uma planta que é neta da planta da tia-avó da esposa do amigo do meu marido. Ou alguma coisa assim :)
sexta-feira, 8 de junho de 2018
#22 embelezando minha casa por dentro (valeu, Pri)
Em setembro do ano passado eu saí de férias sozinha: foram férias fantásticas por vários motivos. Aluguei uma casa rural num lugar perdido no meio do nada e fiquei ali uma semana curtindo a natureza e as trilhas. E tive uma surpresa: encontrar uma cafeteria naquele lugar tão remoto, que alegria! Todos os dias caminhei 1,5km ao longo de campos até a cafeteria, que ficava dentro de um balneário para idosos, no meio de um jardim muito arborizado. No centro do pátio um chafariz, contornado por lindas flores amarelas, minhas velhas conhecidas (falsos girassóis - heliopsis helianthoides):
![]() |
| Café com falsos girassóis |
Ao invés
de ler o livro de história que tinha levado, nos momentos de cafeteria aproveitei para ler um blog que descobri por acaso: Mundo da Pri. Gostei tanto que li o blog todo. Encontrei vários textos interessantes, mas um texto de 2016 tocou fundo na
ferida. Trazia a idéia de "cuidar da casa que já se tem - apesar de não ser a casa dos sonhos".
Fazia
mais de ano que eu tinha me mudado para a casa onde estou agora, mas não estava
muito feliz, por barulho na vizinhança e outros motivos. E por não estar feliz, por estar
morrendo de vontade de sair daqui correndo, eu não estava embelezando a casa.
Estava mantendo tudo razoavelmente
limpo, mas não estava "enfofurando" a minha
casa. Que definitivamente não é a casa dos meus sonhos.
A casa dos meus sonhos seria algo pequeno e fofo, como esta simples casinha, onde fui feliz por muitos e muitos anos:
A casa dos meus sonhos seria algo pequeno e fofo, como esta simples casinha, onde fui feliz por muitos e muitos anos:
![]() |
| 15 anos na companhia de falsos girassóis |
Era uma casa alternativa, muito simples, bem pequena (32m2), toda plana, cheia de janelas, super iluminada, fácil de limpar, bem localizada, rodeada por um jardim que eu cuidava e amava com todo o meu coração. Infelizmente tivemos que sair desse lugar mágico e atualmente estamos numa casa sem jardim. A nova casa é ótima, é sólida, não balança com o vento, é uma casa normal sem estigmas sociais atrelados (quem sabe outro dia escrevo mais sobre isso). A nova casa é bem maior, tem coisas que nunca tive antes como lavabo, cozinha enorme, lavanderia separada, quarto de visitas, garagem. Tem um pequeno pátio coberto de laje e 2 sacadas. Mas não tem terra para revirar, não tem canteiros, não tem aquela sensação boa que estar na natureza traz, a possibilidade de deitar na grama e se ver rodeada de plantas, como acontecia no meu jardim.
Lendo as palavras da Pri me dei conta que estava na hora de deixar a infantilidade de lado. Deixar de pensar no passado (e na casinha/jardim que eu tanto amava e tinham ficado pra trás), deixar de pensar no futuro (tenho esperança de sair daqui algum dia para uma casa que tenha jardim e tenha a possibilidade de criar galinhas). Deixar tudo isso pra lá e me concentrar na casa onde estou agora. E voltei das férias decidida a embelezar minha casa. Até então a casa estava com as paredes vazias, sem absolutamente nada, estava bem triste mesmo.
Resolvi começar com plantas. Para embelezar a cozinha comprei um suporte e essas plantinhas. Os pratos eu já tinha, só precisei pendurar. E na entrada, onde deixamos os casacos e bonés, pendurei uma planta também:
Lendo as palavras da Pri me dei conta que estava na hora de deixar a infantilidade de lado. Deixar de pensar no passado (e na casinha/jardim que eu tanto amava e tinham ficado pra trás), deixar de pensar no futuro (tenho esperança de sair daqui algum dia para uma casa que tenha jardim e tenha a possibilidade de criar galinhas). Deixar tudo isso pra lá e me concentrar na casa onde estou agora. E voltei das férias decidida a embelezar minha casa. Até então a casa estava com as paredes vazias, sem absolutamente nada, estava bem triste mesmo.
Resolvi começar com plantas. Para embelezar a cozinha comprei um suporte e essas plantinhas. Os pratos eu já tinha, só precisei pendurar. E na entrada, onde deixamos os casacos e bonés, pendurei uma planta também:
O lavabo foi onde exagerei - ficou a peça mais 'carregada' digamos assim. Pedi para meu marido colocar uma prateleira debaixo da janela e enchi de plantas. Eu já tinha todos os potinhos - usava na casa anterior, mas ainda não estava usando aqui. Coloquei plantas sobre a escada de abrir e também no balcão da pia. Um dia abri a porta da rua e encontrei uma obra de arte - um desenho de criança trazido pelo vento. Adorei, foi parar na parede:
Coloquei algumas fotos pelas paredes. E várias plantas espalhadas pela casa. Meu objetivo é transformar a sala numa selva, falta bastante ainda. A mesinha de madeira ao lado do sofá é o móvel mais bonito e delicado que já fiz, usando madeira reaproveitada de outros projetos. Agora estou fazendo uma pequena mesa para a costela de adão, por enquanto coloquei a planta sobre uma cadeira:
Escrevi o texto e tirei essas fotos pensando na Pri. Então Pri te agradeço muito pelas palavras que me impulsionaram a agir. A casa continua não sendo a casa dos meus sonhos, o barulho na vizinhança continua igual ou pior, mas agora estou me sentindo tão tão TÃO melhor aqui dentro. Não sei quanto tempo vou continuar por aqui, mas serão dias rodeados de plantinhas e de beleza :)
Escrevi o texto e tirei essas fotos pensando na Pri. Então Pri te agradeço muito pelas palavras que me impulsionaram a agir. A casa continua não sendo a casa dos meus sonhos, o barulho na vizinhança continua igual ou pior, mas agora estou me sentindo tão tão TÃO melhor aqui dentro. Não sei quanto tempo vou continuar por aqui, mas serão dias rodeados de plantinhas e de beleza :)
domingo, 27 de maio de 2018
#21 dificuldades
Em relação aos meus objetivos e bons hábitos: sigo aos solavancos, dando alguns passos pra frente e outros pra trás. As vezes é tão difícil agir na direção correta, mesmo já sabendo de tudo o que eu posso fazer para facilitar minha vida e a minha felicidade.
Admito que estou cansada do meu blog e de tanto umbiguismo. Mas acredito que se eu desistir nesse momento vou ficar chateada... então vou seguir blogando sobre meus objetivos.
Tenho que lembrar de ser gentil comigo mesma em relação as minhas dificuldades. O coraçãozinho que eu coloquei como imagem de perfil aqui no blog é parte dessa imagem maior, uma menina se abraçando:
Encontrei
isso no google procurando por imagens "be kind to yourself". Então isso é tudo o que eu tenho para hoje, essa lembrança de ser gentil comigo mesma :)
segunda-feira, 21 de maio de 2018
#20 outras experiências
Sábado
meu marido e eu caminhamos com 2 casais e suas crianças. Foi uma caminhada em
grupo como tem que ser: a pessoa mais vagarosa ditou o ritmo. No caso foi o
menino de 3 anos. Fiquei impressionada com o ânimo da criançada, conseguiram
caminhar quase tudo - só na subida final pediram colo dos pais. E a interação
aconteceu de forma natural, sem essa de homens para um lado e mulheres para o
outro. Depois da caminhada (7 km que levamos quase 3h para fazer, foi uma
subida bem forte para as crianças) ficamos horas e horas almoçando e jogando
conversa fora. Enfim, foi um dia maravilhoso.
Além do
aspecto social, outra coisa que amei foi a paisagem do caminho: muito verde e
muitas flores silvestres:
Aliás a
semana 20 foi marcada pelo verde. No começo da semana meu marido e eu tivemos
que ir para Madri renovar nossos passaportes. Madri é uma cidade bem mais
arborizada do que eu me lembrava, fiquei tão feliz de caminhar pela cidade,
debaixo de tantas árvores, na companhia dele. Já tinha visitado Madri sozinha
antes, em duas oportunidades diferentes. Onde
moramos não tem linha de trem e a viagem de ônibus até Madri levaria 6 horas.
Então fomos de carro e ficamos numa cidade próxima: Aranjuez. Escolhida por ser
uma cidade ao sul de Madri, a idéia era poupar direção e estresse com o
trânsito madrilenho. E também economizar dinheiro, já que hotel +
estacionamento em Madri seria bem mais caro. Aranjuez foi uma ótima escolha: é
uma cidade linda e mega arborizada.
Adorei
tudo em Aranjuez: a planície, as árvores, os parques, caminhar ao longo do Rio Tejo, o centro
histórico com prédios bem baixos, a proximidade de Madri. E amei entender o que
as pessoas falam. Aqui no sul da Espanha o sotaque é muito forte e raramente
entendo o que me dizem (a não ser quando as pessoas se esforçam para falar
espanhol ao invés de "andalu"). Em Aranjuez/Madri entendi 95% do que
ouvia. Esse entender e ser entendida de primeira (sem ter que repetir tudo como
acontece aqui no sul) foi uma delícia completa.
Como nem tudo é 100% o tempo todo, não consegui manter minha rotina de meditação. Vacilei com outras resoluções também, mas tudo bem. A vida segue, mais feliz por ter experimentado tudo isso.
![]() |
| Rio Tajo / Tejo na sua passagem por Aranjuez |
quinta-feira, 17 de maio de 2018
#19 uma experiência
Viajei por uns dias, mas estou de volta para escrever sobre minha semana 19.
Semana passada eu entrei no grupo de caminhadas (uma coisa que estava na minha lista desde 2016 quando me mudei para cá) e no sábado finalmente fiz a primeira caminhada com eles: a subida da Maroma, a mais alta montanha da província de Málaga. Montanha que eu já tinha subido sozinha em 2013, quando estive de férias na região. É uma montanha bem fácil de caminhar até o topo, não exige equipamento nem técnica, apenas preparo físico. Sendo que o caminho é super bem marcado, enfim não tem mistério algum. Subindo com o grupo eu me dei conta do que eu gosto mesmo é de caminhar sozinha por aí, no meu próprio ritmo, parando quando tenho vontade. Mas quando estou em grupo faço a minha força para ser social, óbvio. Se não fosse para ser social, pra que sair em grupo?
Então como foi a saída em grupo: o organizador já ficou estressado comigo de manhã cedo no ponto de encontro. Como só apareceram 5 pessoas, o organizador queria que fossemos todos no seu carro. Eu não me sinto muito bem de carona, ainda mais com gente que não conheço, começo a ficar nervosa e suar... é muito desagradável. Ainda mais numa viagem de mais de uma hora! Então eu expliquei para o organizador que não me sentia bem como passageira e convidei a todos para irem no meu próprio carro. O organizador não podia, porque estava com o cachorro - meu carro não estava equipado para levar cachorro. Se eu tivesse dito de antemão que eu não iria no carro dele, ele não teria trazido o cachorro. Falei: sem problemas, vou no meu carro e a gente se encontra no estacionamento ao pé da montanha. Mas o sujeito já tinha se estressado (?!). Um casal prontamente se ofereceu para me acompanhar, para eu não ir sozinha - ou talvez só quisessem evitar o mau gênio do organizador, é possível. Fomos conversando a viagem toda e gostei muito de Pilar e seu marido.
Chegando no pé da montanha, apareceu um outro sujeito, num outro carro. Então estávamos em 6 pessoas no total: 4 homens e 2 mulheres: Pilar e eu. Uma coisa que me acho estranho aqui na Espanha: as coisas muitas vezes rolam no estilo clube do Bolinha e da Luluzinha, ou seja: homens para um lado, mulheres para outro. Então o que aconteceu: os homens dispararam na frente, e eu fui seguindo atrás com a Pilar, que era uma pessoa que caminhava bem devagar mesmo. Nessas caminhadas de montanhas as vezes os caminhantes levam bastões, para se apoiar em momentos mais complicados... pois é, ela já saiu do estacionamento se apoiando nos bastões, então deu pra ver que a coisa seria demorada. E foi conversando o tempo todo. Era uma mulher super simpática e agradável, gostei muito de conversar com ela. Não estou me queixando nem criticando sua maneira de subir montanhas, estou apenas comentando as diferenças. Eu geralmente não sou de conversar em subidas, para poupar meu fôlego, mas ela caminhava tão devagar, que dava pra conversar e sobrava! Então fiz a subida de montanha mais falada da minha vida até então, e gostei muito da companhia da Pilar. Cheguei bem descansada lá no topo, com energia pra dar e vender, foi uma experiência muito boa e talvez comece a subir montanhas mais devagar depois dessa.
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| Pilar com La Maroma na distância |
Em 1h de subida encontramos os homens, que tinham parado num mirador natural e estavam nos esperando. Fizemos uma foto de grupo e eles partiram em disparada novamente.
Em 4h chegamos no topo (não sei há quanto tempo os homens estavam nos esperando lá em cima). Fizemos nosso lanchinho, tiramos uma foto de grupo e começamos a descida. Na descida minha companheira era muito insegura e desceu mais devagar ainda. Por mim tudo bem, estava ali para fazer uma social e vim descendo lentamente com ela.
Uma hora me pareceu que Pilar estava sem energia, precisando fazer um lanchinho - sugeri que parássemos para comer uma fruta. Mas ela não queria parar ali e sim mais abaixo no mirador natural, onde tinha esperança que seu marido estivesse esperando por ela, como foi na subida. Chegando no mirador, não tinha ninguém ali nos esperando. Fizemos nosso lanchinho e seguimos descendo.
Ao chegar no estacionamento ao pé da montanha, o organizador estava mega estressado com a nossa demora. Se virou para mim e me disse um monte de barbaridades, que aquilo NUNCA tinha acontecido antes, que aquilo não podia ser, que isso e aquilo, na verdade estava super irritado falando rápido e meu espanhol é bem tosco então não entendi tudo. Mas não me estressei. Disse para o grupo que tinha tido um dia maravilhoso na companhia de Pilar, adiós e me fui. Pilar e seu marido vieram de carona comigo.
No que eu falhei? Fiquei chateada comigo de não ter levantado a voz com o estúpido do organizador. Eu podia ter dito que tinha achado patético o comportamento masculino de deixar a Pilar para trás, eu fui a única que acompanhei a mulher. Que se entro num grupo, minha idéia de grupo nunca é deixar pessoas sozinhas para trás. Que ele fosse a merda, que eu jamais caminharia novamente com esse "grupo". Que nunca na minha vida tinha caminhado com um grupo tão ridículo com um organizador TÃO INFANTIL. E é verdade, nunca tinha visto comportamento tão infantil nas montanhas. Se estava tãããão preocupado com nossa segurança, porque não veio junto? PQP! Fui a única a acompanhar a pessoa mais lenta do grupo e sou a única a escutar bandalheiras? Aliás me arrependi de não ter mandado todos os homens a merda, êta grupinho bem infame.
Pois é, mas não disse nada disso naquela hora. Lamento. No mesmo dia me desliguei do grupo - chegando em casa, saí do grupo do WhatsApp deles. Perdi a oportunidade de dizer tudo o que podia ter dito, antes de me sair do grupo do whats.
Eu tinha pago a mensalidade anual (38 euros) que já perdi também, não faço questão de ir atrás disso. Paciência, não sabia onde estava me metendo - e não é um lugar que tenha vontade de me meter outra vez.
No carro no caminho de volta, Pilar me contou várias grosserias que o organizador já fez para as mais variadas pessoas. O que me deixa estarrecida é a falta de respeito de Pilar, seu marido e os demais, pessoas que, apesar das grosserias e mau gênio do organizador, continuam congregando na sua volta. Serão todos uns masoquistas sem amor-próprio? Ou será uma característica de pessoas de cidade pequena? Já que todos se conhecem, acabam tolerando tolices, para não se estressarem? Seja o que for, estou fora disso.
Eu entrei no grupo apenas para fazer uma social, na verdade não preciso de grupo nem de companhia masculina para fazer caminhadas em montanhas, não preciso de organizador pensando em rotas, sou capaz de decidir minhas próprias. Sou uma pessoa bem segura e independente capaz de fazer minha coisas sozinha, como já fiz tantas e tantas vezes no passado. Nunca caminhei sozinha pelo Brasil (provavelmente teria medo de assalto), mas acho bem tranquilo caminhar sozinha pelas montanhas européias. Sei que isso vai contra o bom senso, afinal sempre há perigos: e se eu me perder, e se eu torcer o pé, e se vier uma tormenta e eu ficar perdida na montanha sem sinal de celular, ou sem bateria para chamar socorro? Pois é, assumo o risco. Mas tenho tolerância ZERO para falta de educação e comportamentos infantis, e por isso jamais vou caminhar novamente com esse grupo. Mas gostei muito da Pilar e trocamos telefones.











