terça-feira, 31 de dezembro de 2019

2019 em músicas

Ao longo do ano fui mantendo um diário musical, aqui algumas das entradas mais significativas:

Janeiro: Só agora fui me ligar em George Ezra! Que está fazendo sucesso desde 2014, como pude não perceber? Escutei várias e gostei de muitas, acho que minha preferida é ♪ Budapest. Torrei a paciência do meu marido de tanto ouvir Budapest no carro.

Fevereiro: Meu marido gosta de um estilo de música que eu chamo de "música de gnomo". Eu escuto esse tipo de música e imagino um monte de gnomos marchando pela floresta, até chegar numa clareira onde fazem uma festa com música e dança ao redor de uma fogueira. De tanto ele escutar eu até já estou gostando de uma ou duas
♪ Mago de Oz, Hazme un sitio entre tu piel
♪ Celtas Cortos, Silencio

Março: O som da opressão no ar! Tive que ir pra Catalunha e entre mil bandeiras e cartazes nacionalistas uma música me chamou a atenção:  ♪ Caminem Lluny - Doctor Prats

Abril: graças ao Spotify cheguei no Bailão do Ruivão e cantei várias vezes ♪ Lindo Balão Azul com o Nando Reis e o meu marido, enquanto dirigia até o lugar onde pedalamos diversas vezes. Meu abril foi muito florido e divertido. Aproveitamos para cantar novamente ♪ O Carimbador Maluco. Na parte do "tem que ser selado carimbado avaliado" - cantamos também homologado, que aqui na Espanha tudo tem que ser homologado kkk.

Maio: No avião a caminho do Brasil vi alguns filmes novos, mas revi também um filme que para mim é divertido e super reconfortante: Little Miss Sunshine. É como beber chá enrolada numa coberta num dia de muito frio. E adoro a música que rola nos créditos: ♪ till the end of time. Fiquei ouvindo várias vezes, essa infelizmente não está disponível no spotify, mas tem no youtube. 

♫ Our hearts irrevocably combined
Star-crossed souls slow dancing
Retreating and advancing
Across the sky until the end of time ♫

Chegando em Poa arrastei meu pai para o show do Almir Sater. Sendo que meu pai adora Almir Sater mas não queria ir, por preguiça. Interessante só agora notar isso no meu pai; tive a quem puxar nessas questões de ter preguiça de fazer as coisas que eu sei que gosto. O Almir Sater cantou a preferida do meu pai ♪ Chalana entre várias que eu não conhecia. Gostei muito de uma música cuja letra dizia o seguinte:

♫ A vida vem lá de longe
É como se fosse um rio
Para rios pequenos, canoas
Grandes rios, navios
E lá bem no fim de tudo
Começo de outro lugar
Será como Deus quiser
Como o destino mandar...♫

E fiquei muito feliz que ele cantou uma música que eu lembrava de ter ouvido várias vezes no rádio, nos anos 80, na voz de Tetê Espíndola:

♫ É pra Corumbá, é lá que eu vou pegar um barco
E descer o rio paraguai, cantando as canções que não se ouvem mais ♫

Bah, quanto tempo! Adoro mesmo essa música, finalmente descobri seu nome: ♪ Cunhataiporã.

Ainda em maio: fiquei muito mas muito feliz que consegui manter minha rotina de exercícios enquanto estava em Porto Alegre. Eu sempre chego na cidade cheia de planos, mas questoes familiares me desanimam de uma tal forma que entro num momento deprê em que não faço nada. E dessa vez foi diferente: não me deixei abater, fiz tudo o que queria e até mais. E uma das coisas que eu queria era continuar meu programa de exercícios (para fechar minhas 470h enquanto tenho 47 anos). Em dias que não pude caminhar/pedalar eu aproveitei para dançar, correr e pular ao redor da mesa da cozinha, ouvindo músicas aleatórias no Spotify. 

Junho: fiz uma viagem no tempo, de volta para 2002. Fiquei sabendo da morte do ex-vocalista da banda Angra e fiquei com pena - ele só tinha 47 anos, a mesma idade que eu tenho hoje. Em 2002 o meu irmão (bem mais jovem que eu) morou um tempo conosco e naquela época ele gostava desse tipo de música. Então foi um ano em que fui exposta a músicas que normalmente não ouviria. E ouvi novamente ♪ Carry On:

♫ Follow your steps and you will find
The unknown ways are on your mind
Need nothing else than just your pride to get there
So carry on, there's a meaning to life which someday we may find
Carry on, it's time to forget the remains from the past ♫

Aproveitei e escutei uma outra música daquele tempo: ♪ Rubina's blue sky happiness de Joe Satriani. Apesar de ser de 1992, eu só fui escutar em 2002 com meu irmão, que passou por uma fase de escutar muito Satriani e outros guitarristas cujos nomes não lembro agora. Rubina's blue sky happiness é a música que mais associo com aquela época boa da minha vida.

Ainda junho: escutei uma música no rádio do banheiro do camping, que inicialmente me pareceu ser cantada por uma mulher. Fiz uma nota mental e conferi depois, fiquei sabendo então que a música é de JS Ondara, um cantor natural da Nigéria. Gostei de várias das suas músicas, acho que minha preferida é ♪ Lebanon, apesar da letra não fazer muito sentido:

♫ Oh, Lebanon, life is brief
Don't sit alone in your constant fear
Open up, I shan't be like Canada ♫

Julho: escutei tanta música nova! Fui num festival de música e escutei Le Naf, Shipswool e outros... Num outro dia escutei um cantor senegalês que eu não conhecia chamado Ali Boulo Santo e o melhor de tudo foi uma apresentaçao de músicas muito doidas de acordeão com uma linda paisagem de fundo.

Agosto: uma coisa que eu gosto de fazer no spotify é escutar versões de músicas que eu já conheço por outros intérpretes, e procurando uma outra versao de ♪Admirável Gado Novo cheguei num cantor chamado Canindé. Resolvi escutar o disco todo e nossa, que choque foi ouvir uma música lá da minha infância, que eu nem me lembrava mais. Mas quando chegou no refrão logo lembrei de tudo, quantas vezes escutei isso no rádio nos anos 70?

♫ Eu queria nessa vida simplesmente
Um lugar de mato verde
Pra plantar e pra colher
Ter uma casinha branca de varanda
Um quintal e uma janela para ver o sol nascer ♫

♪ Casinha branca de Gilson, recomendo a versão de Canindé.

Setembro: gosto muito de escutar um podcast chamado "viajando despacio", sobre viagens em bicicleta. Muitas das músicas seguem o tema das bicis também, e uma que escutei no podcast e gostei muito foi de um português chamado João Afonso:

♫ Carteiro em bicicleta, leva recados de amor..♫

Comemorando 30 anos que conheço meu marido, lembrei de algumas músicas do tempo em que nos conhecemos, entre as quais ♪Waiting for a star to fall, de Boy Meets Girl, mas nada que tenha lá muita vontade de escutar de novo kkk. Aliás os poucos músicos da juventude que eu ainda escuto de vez em quando são Nei Lisboa e Tracy Chapman, e cada vez menos. Aliás uma pequena vitória que eu tive nesse sentido foi NÃO assistir o show do Nei Lisboa enquanto eu estava em Porto Alegre em maio. Acho que é a primeira vez que perco um show do Nei para fazer alguma outra coisa. Preferi sair pra jantar e conversar com minha irmã e meu cunhado, muito mais divertido do que ficar ouvindo ♪telhados de paris ou ♪revolução pela enésima vez. Eu simplesmente adoro Spotify e a possibilidade de estar sempre escutando coisas novas. Se é pra se agarrar no passado, vou me agarrar num passado super remoto e no meu programa de rádio preferido: "música antigua", com Sérgio Pagan.

Outubro: outra música que escutei no podcast viajando despacio, pra variar uma que não está relacionada com bicicletas. Mas tem tudo a ver com momentos difíceis:

Vivir - estopa y rozalen

♫ ¿Sabes? hace tiempo que no hablamos
Tengo tanto que contarte, ha pasado algo importante
Puse el contador a cero
¿Sabes? Fue como una ola gigante
Arrasó con todo y me dejó desnuda frente al mar
Pero ¿sabes? Sé bien que es vivir
No hay tiempo para odiar a nadie
Ahora sé reír... ♫

Novembro: Vivi um momento divertido com uma música do George Ezra. Estava visitando um amigo e seus filhos (de 6 anos) e perguntei para os meninos quais músicas eles gostavam. Um responde "não sei bem a letra, mas é mais ou menos assim..." e começa a cantar uma parte de ♪ Shotgun, de George Ezra! Haha, que divertido, cantou justo uma música que eu conheço. Então fiquei cantando

♫ I'll be riding shotgun underneath the hot sun feeling like someone ♫ com o amiguinho e me sentindo como alguém que não é assim tão distraída :)

Mas a música que martelou na minha cabeça durante o mês de novembro foi ♪ Cidade, de Mafalda Veiga:

♫ A ponte despida e solitária agarra-se à terra e ao tempo
Entre golpes de raiva e ternura
os meus sonhos e os meus fracassos
Está escuro na inquietação do vento
Nas luzes esquecidas do rio
E tentam roubar-nos os dias, tentam calar-nos as forças
Mas algo em mim sobrevive, desesperadamente
Quero que por fim nos traga o sol
Andando pelo rio, perdidos na claridade
Hoje só quero deixar viver esse momento
Hoje só quero caminhar pela cidade ♫

Dezembro: Pra terminar o ano, nem tudo está perdido:

La respuesta no es la huida - Maldita Nerea

♫ Dímelo de verdad, la respuesta no es la huida
O que tu alma cansada, se quede ahí, rendida
No encontrando el camino, enunciando un destino
Que vive en ti, que vive en ti
En ti ahora y siempre!
Y aunque ahora el mundo gire en otra dirección
Eres tu quién le da sentido
A lo que dice tu dormido corazón, no todo está perdido ♫

Amém.

Estava escrevendo esta longa mensagem (uns dias atrás) quando chegou um email do Spotify, me dizendo que Maldita Nerea foi o artista que eu mais escutei nos últimos anos. Não fiquei surpresa, adoro essa banda espanhola!

Segundo o Spotify, as descobertas de 2019 para mim foram: George Ezra, JS Ondara, Canindé e Almir Sater. E o estilo musical que eu mais escutei em 2019? MPB. Sim, nossa boa e velha música popular brasileira continua sendo meu estilo musical preferido, adoro adoro adoro! Faltou anotar aí pelo meio, mas em agosto eu fiz uma playlist com música brasileira para um amigo que pensava que música brasileira se resumia a samba e bossa nova.

E segundo o Spotify, durante 2019 eu escutei 8701 minutos de podcasts. O que dá em torno de 23 minutos por dia. Mas não é o número total, porque meu podcast preferido (música antigua) nem está no spotify, kkk. E segue o baile. O que será que 2020 vai me trazer, musicalmente falando?

terça-feira, 19 de novembro de 2019

resiliência, que bom te ver por aqui


Este verão foi um dos melhores dos últimos anos... Desde 2014 eu não tinha um verão assim, tão leve e tão divertido. Vários fatores contribuíram: estar viajando e fazendo o que eu tanto gosto, a companhia de pessoas queridas em alguns momentos, estar num período de excelente saúde física e poder aproveitar tanto, ver meu marido animado com seus projetos... E a satisfação de conseguir manter o trabalho em dia, não só o trabalho mas conseguir manter minha rotina de objetivos no meio de tantas coisas diferentes e divertidas acontecendo. 

Eu estava feliz de verdade com tudo. Feliz feliz como fazia tempo que eu não me sentia! Até que no começo de outubro sofri um golpe da vida, foi uma experiência bem negativa e pra falar a verdade prefiro não entrar em detalhes. Mas quero registrar o momento aqui no blog porque se por um lado fiquei super triste com o acontecido, fiquei muito feliz comigo mesma, por dois motivos: 

  1. Minha reação: sincera, serena e gentil (comigo também, ou talvez devesse dizer: gentil com todos os envolvidos mas principalmente gentil comigo mesma).
  2. Passei alguns dias pensando no grande impacto de uma mudança radical de circunstâncias. Considerando como eu sou uma pessoa avessa a mudanças (estou sempre escrevendo sobre o assunto aqui no blog), talvez o esperado fosse eu ter dramatizado a situação e me agoniado com isso? Não foi nada disso que aconteceu. Pensei em aspectos práticos, na importância de seguir com meus projetos e não deixar esse percalço me abalar, e coisas assim. 

Foi interessante (e não vou mentir: para mim foi surpreendente) finalmente pensar em mudanças de uma nova maneira: "vou conseguir superar isso, não será nenhum fim do mundo". Sinto que estou no caminho certo, me transformando na pessoa que eu gostaria de ser: mais serena e mais resiliente.  

Lembro que ano passado eu estava sentindo falta de resiliência. Perguntei para o google sobre isso e recebi várias sugestões que anotei aqui no blog. E terminei aquele texto questionando em que momento eu poderia dizer "estou mais resiliente agora". Pois é, quem diria: estou me sentindo mais forte, com a mente no lugar para lidar melhor com as dificuldades.  

Acredito o que mais me ajudou ou tem me ajudado nessa questão nem foi seguir as sugestões do google e sim abraçar o estoicismo. O estoicismo é uma filosofia que surgiu na Grécia e depois viajou para Roma. Um dos grandes textos do estoicismo é um livro de meditações de um imperador romano, Marco Aurélio. Esse ano li e reli alguns livros relacionados com o tema e diariamente tenho pensado no assunto. E me dei conta que o podcast que eu mais escutei no ano passado (happiness podcast) é de um psicólogo (Robert Puff) que segue uma linha estoica, sem admitir isso abertamente. Então várias das ideias do estoicismo já tinham sido marteladas na minha cabeça de tanto escutar aquele podcast, que é bem repetitivo mesmo. Se alguém quer se transformar numa pessoa mais resiliente, acredito que o melhor a fazer é ler e interiorizar a mensagem dos sábios estoicos: Epiteto, Marco Aurélio, Sêneca.  

Uma das práticas do estoicismo (que eu já tinha aprendido no podcast) é a visualização negativa. Consiste em tentar imaginar sua vida sem as coisas que você disfruta hoje. Então as vezes quando vou beijar meu marido eu penso "estou beijando um mortal". Quando saio por aí correndo/caminhando/andando de bicicleta, as vezes penso que talvez algum dia perca o uso das minhas pernas, por acidente ou doença. E assim por diante. Pode parecer uma ideia deprimente, mas tenho certeza que a prática de visualização negativa está me trazendo benefícios. Talvez eu disfrute da companhia do meu marido ou do uso das minhas pernas até o fim dos meus dias, talvez não. Além de ajudar nessa questão de aceitar a impermanência, a prática da visualização negativa tem me ajudado a desfrutar bastante do que tenho hoje. Sinto que estou finalmente incorporando na minha vida a sabedoria do avô do meu marido: "vamos aproveitar hoje, que amanhã a gente não sabe".  

Uma outra ideia interessate do estoicismo é a "dicotomia do controle". Uma ideia que todos já conhecemos: a importância de aprender a diferenciar o que está sob o nosso controle do que não está, e só nos ocupar com aquilo que está sob o nosso controle. Eu estava me sentindo feliz de novo quando no começo de novembro recebi uma outra notícia difícil de engolir, envolvendo a saúde de uma pessoa super próxima e extremamente querida. A saúde deste ser querido está sob o meu controle? Infelizmente não. Não ganho nada me preocupando com isso. Tenho direcionado minhas energias a ser a melhor amiga que eu consigo ser para a pessoa querida nesse momento difícil. Custei muito mesmo para aprender que "o estado de preocupação não é meritório". Ficar se agoniando não acrescenta, pelo contrário, só diminui da nossa experiência.  

Talvez a vida seja isso mesmo, uma constante montanha russa com seus altos e baixos. Mas por mais resiliente que eu esteja me sentindo agora estou torcendo para que a vida dê uma trégua...  e pare de jogar coisas sérias na minha direção, kkk.  

domingo, 1 de setembro de 2019

o jardim é pequeno mas a alegria é enorme


Ao adotar essa vida viajante tive que deixar minhas plantas para trás, deu até pena. Eu estava muito feliz com todas as plantas que tinha pela casa. Principalmente com as plantas na cozinha, no pátio e na sacada: consegui criar ambientes aconchegantes e sei que o mérito era das plantas.  

Vida que segue! Perdi aqueles ambientes mas ganhei outras coisas que tem muito valor para mim: sossego, canto de passarinho e ultimamente... barulho de grilo durante a noite! ALEGRIA! Era o que eu mais queria: dormir com as janelas abertas e escutar os grilos. Tenho ido para a cama tão feliz. Aliás todos os dias eu penso "que sorte poder viver assim", realmente estou muito feliz com tudo. 

Mas de qualquer forma arrisquei trazer plantas para o motorhome. Antes de sair de casa fiz mudinhas de algumas que eu já tinha:
 

  1. flor de maio 
  2. corações emaranhados (ceropegia woodii)
  3. rabo de burro (sedum morganianum)
  4. jiboia
  5. lambari (tradescantia zebrina)
  6. jiboia prateada (scindapsus pictus)

Apenas um planta veio tal e qual: tillandsia, que não precisa de terra, vive de ar/água. Essa foi pendurada no teto, baixei para tirar a foto: 
 
 

Acabei comprando outras plantas, assim que meu marido se acostumou com a ideia - inicialmente ele andava muito preocupado com excesso de peso, mas depois desencanou. Plantas que comprei pelo caminho:

Corações emaranhados bem grande: adoro esta planta e acabei comprando uma bem estabelecida. Coloquei por cima do armário da cozinha. Do lado coloquei uma avenca, mas infelizmente a avenca eu não consegui manter viva.

No passado já tive fitônias em tamanho normal, recentemente encontrei essas minis. Foram parar atrás de um dos bancos do motorhome:
 
 

O plano do verão era ficar bastante tempo no mesmo camping, então ao chegar comprei uns cravos de defunto (tagetes) para colocar do lado de fora e dar uma alegrada na nossa porta. Comprei também uma muda de margarida do mar (asteriscos maritimus), mas não tive sorte, foi atacada por cochinilhas. Achei melhor jogá-la fora do que espalhar as cochinilhas para todas as plantas:
 
 

Outro dia visitando uma exposição de plantas encontrei  corações emaranhados de uma cor diferente. Coisa mais fofa, que até então eu só tinha visto na internet! E num potinho minúsculo, que sorte! Foi parar no meio das fitônias:


Coisa boa ter plantas! Várias vezes por semana eu olho com atenção para todas e como são bem poucas dá pra notar pequenas diferenças, como folhas novas que vem surgindo. Tanto o lambari como os corações emaranhados já cresceram tanto que podei e fiz novas mudinhas em água:
 

Depois que criaram raízes plantei as mudinhas de volta no mesmo pote para deixar as plantas com um aspecto mais "cheinho". Outro dia a jiboia prateada colocou uma folha nova! E assim vou seguindo, prestando atenção nos pequenos detalhes e me sentindo muito feliz e sortuda de poder ter plantinhas. Não sabia se isso seria possível na estrada; não fazia ideia de como seria fácil.

Eu achei que tinha atingido a lotação máxima de plantas, mas outro dia reorganizei umas coisas no banheiro e liberei uma prateleira. Então agora tenho espaço para mais duas plantinhas. Ou se forem bem pequenas, talvez três ou quatro. E se encontrar outras tillandsias, então? O teto é o limite :)

sábado, 31 de agosto de 2019

impermanência, outra vez


Outro dia estava fazendo uma viagem mental, lembrando de todos as plantas que eu já tive nos vários lugares onde morei desde que saí da casa dos meus pais. E não conseguia me lembrar das plantas nos 2 primeiros apartamentos de aluguel, logo que casamos. Até que me lembrei: não tive nenhuma planta, naquela época eu tive um gato. Um gato adulto, sem um pedaço da orelha. O gato tinha um jeitinho tão feioso que quando eu cheguei em casa, voltando do centro de adoção, meu marido ficou admirado: mas porque tu pegou um gato tão horrível? Pois é, quem vê pelagem não vê coração. Ainda lembro daquela experiência maravilhosa na casa de adoção: ele foi o primeiro gato que eu peguei no colo e para a minha surpresa imediatamente ficou todo relaxado e tranquilo nos meus braços. Me apaixonei na mesma hora! Decidi adotá-lo, sem olhar para nenhum outro. Poucas semanas depois ele estava com outro aspecto, muito saudável - talvez faltasse comida no lugar onde estava. Era um gato muito fofinho mesmo, estava sempre me seguindo pelo apartamento, inclusive quando eu ia no banheiro ele entrava junto e ficava ali me acompanhando, kkk. Ou se eu fechava a porta antes do gato entrar ele ficava paradinho, do outro lado da porta, esperando que eu saísse. Adorava pular no meu colo e dormia sempre na cama conosco. Quando eu fui morar na Inglaterra não consegui levar o gato junto, ele ficou com uma amiga. Senti tanto a falta daquele gato! Foi uma experiência difícil mesmo. Foi um baque emocional tão grande que resolvi não adotar nenhum outro gato (afinal não sabia quanto tempo ficaria por lá) e voltei minha atenção para as plantas. Então foi assim que desenvolvi um interesse por plantas: tentando preencher o grande vazio que aquele gatinho encantador tinha deixado na minha vida. Acabei me interessando não só por plantas, mas também por cultivo de horta, flores silvestres, identificação de árvores... faz anos que adoro mesmo tudo isso. 

Isso me fez pensar em outras mudanças: lembrei que em 2006 resolvi passar mais tempo em Poa, para curtir a companhia dos meus pais, irmãos e sobrinhos. Arrumei uma bicicleta para pedalar enquanto estivesse lá. Nos anos 80/90 eu pedalei muito pela cidade, inclusive usava a bici como meio de transporte. Acontece que a situação de trânsito tinha mudado muito nesses anos todos. Por questão de poucos centímetros não perdi minha vida, na segunda vez que aconteceu desisti total de andar de bicicleta por lá. Resolvi abraçar um outro esporte enquanto estivesse no BR. Escolhi remo, esporte que poderia praticar tanto no Guaíba como no rio da minha cidade inglesa. Mas achei melhor aprender primeiro a nadar. E uma coisa incrível aconteceu: me apaixonei total por natação e me dei conta que nadar por si só era suficiente, não precisava remar para ser feliz. Difícil explicar a alegria que natação trouxe para a minha vida, principalmente para os invernos frios e chuvosos do hemisfério norte. E pensar que só aprendi a nadar porque senti que não tinha mais como pedalar em Poa.  

E a mudança mais recente: este ano me mudei para um motorhome porque estava realmente infeliz com a questão de "ruídos" no último endereço. Foi uma decisão difícil: relutei muito. E agora estou tão feliz - está sendo uma experiência fantástica.

Apesar de todas as mudanças que já passei (endereços/trabalhos/países) a verdade é que eu sou uma pessoa muito apegada à rotina e sinto uma imensa relutância em mudar. Já sofri muito com mudança. Diria até que já tive trauma com mudança, talvez por ter vivido uma infância instável de constante mudança. Mas pensando rapidamente lembrei desses 3 exemplos em que uma mudança de circunstâncias trouxe algo muito positivo para a minha vida: novo interesse, novo esporte, novo estilo de vida. Provavelmente eu tenha vários outros exemplos que não lembro agora. Outras mudanças virão pela frente, afinal a vida é impermanência mesmo. Tenho que lembrar que o novo sempre vem, e o novo pode ser divertido. Faz anos que eu sei disso, mas parece que ainda não interiorizei a mensagem. Um dia serei craque em mudanças.

quinta-feira, 18 de julho de 2019

simbora vencer a preguiça, mental principalmente


Outro dia fiz aniversário, agora estou com 48 anos. Comemorei da maneira que eu mais gosto: volta de bicicleta e picnic na natureza. Sendo que o picnic foi num lugar muito simpático, uma praia de rio:
 
 

Foi difícil mas consegui atingir o objetivo esportivo dos meus 47 anos: dedicar 470 horas às atividades físicas. No fim fechei 476. Dificultei a minha vida me dando vários "dias de férias" em dezembro/janeiro e depois tive que correr atrás. Curioso que apesar de adorar pedalar caminhar e nadar ainda assim muitas vezes sinto preguiça de sair de casa. Faz muitos anos que ter um objetivo esportivo bem definido e anotar tudo na planilha do excel tem me ajudado a vencer a preguiça. Na verdade faço poucas horas de atividades físicas de alta intensidade, a maior parte do tempo estou tranquilamente por aí pedalando ou caminhando na natureza me admirando com a beleza do mundo, algumas vezes na companhia de pessoas queridas. Gostei muito de ter feito isso nos 47 anos, provavelmente vou repetir nos 48 (talvez reduzindo o tempo total).

Finalmente resolvi fazer o que devia ter feito muito tempo atrás: adotar este mesmo esquema para meu outro grande objetivo que é "vencer a preguiça mental". Resolvi dedicar 480 horas pra vencer a preguiça mental enquanto tenho 48 anos. Este ano já consegui (re)incorporar leitura na minha vida mas tem outras coisas que gostaria de fazer mas nunca faço, como estudar italiano e aprender mais sobre assuntos variados... objetivos vagos que tomam tempo. Então agora estou com outra aba na minha planilha em que anoto o tempo dedicado a essas outras atividades também. Dividindo 480 por 365 dá em torno de 1h19 por dia ou então um pouco mais de 9h por semana. Trabalho meio turno, caso contrário não conseguiria dedicar tanto tempo para mim dessa maneira. Sem falar no tempo em que me divirto fuçando na minha planilha :)

terça-feira, 9 de julho de 2019

mudança na trilha sonora


Então que a vida deu uma reviravolta: deixei minha casa para trás (o mais difícil foi deixar as plantinhas para trás) e agora estou morando em campings, num motorhome. Parece que aquela vida convencional de antes faz parte do meu passado remoto, a sensação que eu tenho é que faz um tempão que estou nessa nova vida na estrada... mas na verdade só saí da casa dia 25 de maio. Estou super feliz, ele também - é o que importa.  

O que mais me motivou a sair da casa foi o problema de barulho na vizinhança. Ano passado gastamos uma quantia considerável em isolamento acústico no quarto. Que amenizou o problema mas não chegou a resolver. Então investimos também num sistema de som bem bacana, na tentativa de abafar os barulhos desagradáveis com outros tipos de ruídos. Estava me dando uma agonia viver num lugar de clima tão gostoso e ter que dormir com tudo fechado, ar condicionado ligado e uma gravação de barulho de chuva no modo repetição, para poder ter um pouco de sossego. E nunca escutar os grilos de noite, nem os passarinhos de manhã.
 
Então embarquei nessa vida atrás de sossego, de verde e de canto de passarinho. No passado já tínhamos ficado muito tempo em campings. Sempre com barraca e na meia estação (evitando o agito de julho/agosto). Aliás em 2009 eu fiz um destralhe pensando em algum dia viver num camping, de tanto que gosto do sossego e das simplicidade da vida nos campings. O plano era viver com tudo o que conseguisse levar no carro - não pensava em motorhome naquela época, queria viver numa barraca mesmo. E pensar que só agora, 10 anos depois, estou realizando aquele velho sonho. Só que de outra maneira, com muito mais conforto. E estou maravilhada com a flexibilidade do motorhome. Se não estamos felizes com os vizinhos de camping: com um motorhome é super fácil mudar de parcela ou até mesmo de camping. Estou curiosa para ver como será viver julho/agosto  em campings, quando provavelmente estará tudo lotado e não teremos tanta flexibilidade. 

Quanto a viajar: gosto de viajar mas não sou a louca das viagens. Faz mais de 20 anos que moro na Europa e ainda não visitei todos os países europeus. E o tempo vai passando e eu tenho menos e menos vontade de visitar capitais e cidades grandes. Se eu nunca visitar Budapeste ou Riga ou sei lá qual a capital europeia da moda no momento sei que não vou ficar triste. Como é a viagem ideal para mim: gosto de ficar várias semanas (ou até meses) num lugar só, fazendo minhas pedaladas e caminhadas na natureza, sem estresse e sem correria alguma. Acho super divertido visitar cidades grandes de vez em quando, principalmente para visitar museus de arte (adoro!). Mas só de vez em quando, no mais prefiro a tranquilidade de lugares pequenos. Na verdade o lugar não importa tanto assim desde que tenha sossego, passarinhos e verde, muito verde. Não imaginei que eu iria me sentir feliz de simplesmente estar longe da aridez do sul da Espanha. As paisagens que já foram corriqueiras uma vez estão voltando a fazer parte do cotidiano. Que alegria  rever esse tipo de coisa:


Olá rolinho de feno, que bom te ver por aqui :)
♫ é no verde que eu vou, pedalar até cair no chão ♫ 

dedaleira (digitalis purpurea) embelezando os caminhos
 
 
Um simples rolinho de feno, flores silvestres que eu já conheço pelo nome, um caminho verde no meio do nada, várias árvores decíduas juntas... eu sabia que estava com saudade desse tipo de coisa, mas não fazia idéia de como eu ficaria feliz em reencontrar coisas assim, todos os dias.

Mas o melhor de tudo mesmo mesmo mesmo MESMO está sendo escutar outros barulhos: chuva de verdade no teto do motorhome. Grilos durante a noite. Canto de passarinho de manhã cedo. Estou me sentindo tão feliz e sortuda por estar vivendo tudo isso. Tenho certeza que assim que o frio chegar vamos sentir falta do inverno ensolarado e ameno do sul da Espanha e será ótimo voltar. Mas falta muito ainda, todo um verão VERDE pela frente para ser vivido na sua plenitude, bora curtir.

sexta-feira, 24 de maio de 2019

feliz da vida


Escrevi o texto semana passada, no dia 16, mas esqueci de publicar: 

Estou em Porto Alegre visitando meus pais. Eles moram a 8km do centro/mercado público. Se não fosse o murmúrio de trânsito na distância, seria fácil esquecer que estou numa grande metrópole. Nos dias que não saio de casa é como se estivesse morando pra fora: entre árvores frutíferas, horta e galinhas:

 
O bairro mudou muito desde que meus pais compraram o terreno. Nos anos 70 a rua não tinha calçamento algum, era só uma estradinha de chão (sem saída). Nos anos 80 chegou o paralelepípedo. E o asfalto uns 10 anos atrás. As casas originais eram todas bem simples, mas muitos vizinhos estão vendendo seus enormes terrenos (20m de frente x 100m de comprimento) e novas moradias estão sendo construídas (prédios altos ou loteamento de casas iguais). O vizinho do lado direito colocou o terreno a venda e por algum tempo meu pai teve receio que construíssem um prédio alto que tirasse o sol da sua horta. Mas por sorte foram construídas várias casas de 2 andares que não chegam a atrapalhar, já que esse terreno está num nível mais baixo que a horta do meu pai. O vizinho do lado esquerdo tem uma mini floresta: todo o terreno está tomado por árvores, algumas frutíferas. Mas mesmo que venda e um prédio seja construído, a orientação é tal que não vai interferir no sol no terreno dos meus pais. Mas a perda será imensa: será o fim do mato e da visita de todos os passarinhos que passam por ali. 

Atualmente o pai está com 6 galinhas. Teve que se livrar do galo depois que algum vizinho se queixou do barulho. Parece que agora não pode mais ter galo em área urbana. Quando eu morei aqui (entre 1983 e 1995) uma coisa que eu adorava era escutar o canto do galo, tanto o nosso como o de outros galos pelo bairro. Acho curioso mesmo esse preconceito contra canto de galo, enquanto que várias pessoas tem cachorro de guarda que latem a qualquer hora do dia ou da noite.

 

Então nesses dias aqui tenho acompanhado meu pai na sua rotina. Apesar de estar com 84 anos e caminhando com dificuldade com a ajuda da bengala, ele ainda se diverte dando de comer às galinhas, buscando ovos, colhendo bergamotas, essas coisas. Ontem ficamos procurando um camapu que estivesse maduro, parece que ainda não é bem a época. Enquanto caminhava pela horta/pomar com meu pai me bateu uma saudade imensa dos tempos que eu tive meu jardim e minha horta. Do cuidado do plantio e expectativa da colheita, de acompanhar o ciclo das plantas ao longo do ano. Foi ao mesmo tempo um aperto no coração e um momento de clareza: fiz bem em tomar a decisão de vender minha casa na Espanha (sem jardim, apenas pátio com laje). E estou empolgada com o futuro: viver alguns anos viajando, e enquanto viajamos vou ficar de olho em alguma propriedade que tenha quintal, boa orientação solar, comércio não muito longe, essas coisas. E quero eventualmente (em 10 anos no máximo) viver outra vez com quintal e horta. E finalmente ter as minhas sonhadas galinhas. 

Na verdade está tão gostoso aqui mesmo (na casa dos meus pais) que até pensei que ficar por aqui seria uma opção também. Se algum dia o vizinho do lado colocasse seu terreno/mato a venda eu poderia tentar comprar, mas certamente não conseguiria bater a oferta de uma construtora. Fiquei pensando nessa possibilidade (remota, afinal meu marido odeia P. Alegre): em ficar aqui mesmo, comprar o terreno do vizinho e ter meu próprio mato na minha cidade natal. O que me desanima é a violência. Meu pai e o vizinho nunca foram assaltados, mas muitas pessoas já foram. Inclusive as cuidadoras da minha mãe, caminhando pela rua em direção a parada de ônibus que fica lá embaixão, na avenida, a longínquos 600m. 

Na visita anterior (em setembro do ano passado) os conhecidos comentaram tanto de violência que eu fiquei com muito medo e só andei de taxi. Mas dessa vez resolvi deixar as paranóias de lado e voltar a fazer o que sempre fiz em Porto Alegre: caminhar e usar transporte público. Adoro andar de ônibus e ler os poemas nas janelas.  
 
Estou super feliz de estar aqui, feliz pela saúde do meu pai, feliz de ainda ter amigos na cidade, feliz de ter um trabalho flexível que me permite viajar bastante, feliz de não ser funcionária pública. Sim, eu senti uma imensa sensação de alívio em relação a isso. Obrigada Adriana dos anos 90, que mandou segurança pro espaço e largou aquele emprego público.

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Escrevi os parágrafos anteriores no dia 16/05. Agora já estou de volta na Espanha. Mas antes de partir comi camapus que meu pai colheu para mim, e duas paneladas de pinhões. Fui na médica, e fiz todos os exames. Tive tempo de renovar meu passaporte. Encontrei as pessoas queridas. Pedalei 70km pela serra, em ótima companhia. E joguei cartas com meu pai. Tentei deixar ele ganhar na escova mas mesmo assim eu ganhei. Mas ele sempre ganha na canastra (mesmo facilitando para mim) então no fim tudo saiu dentro da nossa normalidade :)