Então que
resolvi parar de enrolar e voltar a ler. Durante o mês de março li 30 minutos por dia, em média. Sei que não é nada para quem lê bastante; eu mesma já li bem mais que isso no passado, no tempo em que vivia devorando livros. Mas faz anos que não tenho lido quase nada então estou super feliz de retomar o hábito da leitura. Estou com vários livros na lista para ler; tinha esquecido como é bom essa coisa de estar lendo um livro e já se empolgar com os próximos.
rotina, constância, pequenas vitórias, a luta do bem contra o caos, a busca da felicidade
domingo, 31 de março de 2019
quarta-feira, 20 de março de 2019
o balançar da carroça
Então que viajei por 4 dias para visitar amigos na minha velha cidade, e nem sei dizer o que estava me deixando mais feliz: rever os amigos ou a cidade que eu tanto adoro! Parti na maior empolgação.
O
objetivo principal da viagem era rever uma determinada amiga. Infelizmente essa
parte aí foi uma experiência meio negativa. Eu simplesmente CANSEI das pessoas
que não sabem conversar, que não entendem que conversa é troca. Cansei de ser
interrompida, cansei de não ser ouvida, cansei de me sentir 'usada', como se eu
só estivesse ali para servir de audiência. Não é a primeira vez que minha amiga
faz isso, mas no passado eu sempre relevei: "vai
ver que está estressada com o novo emprego, tadinha", "vai ver que
está estressada com o divórcio", etc. Agora
saturei de uma tal forma que não tem mais volta, não tenho mais como dar para
ela o benefício da dúvida. Principalmente depois do desastre na janta de
domingo (quando eu mencionei fazer alguma coisa com L, nossa amiga em comum, e
a reação da minha amiga foi a pior possível. Bah, que
decepção). Em vários momentos pensei "isso também
passará" e fui gentil até o último momento. Mas tenho 100% de certeza que
nosso tchauzinho final foi um adeus bem definitivo, porque para mim chega.
Continuo gostando da pessoa e desejando tudo de maravilhoso, sempre - mas a
partir de agora no que depender de mim o contato será esporádico e apenas por escrito. Estou escrevendo isso aqui para não esquecer: tenho que me
valorizar, me respeitar e me afastar de pessoas assim.
Revi também um velho
amigo inglês, que já foi mencionado aqui no blog: tivemos um desentendimento político
em 2016. Ano passado conseguimos nos acertar (por email/telefone), e essa foi a primeira
vez que nos reencontramos desde então. Evitei conversar sobre política. Está
tudo indo ladeira abaixo e seria tão fácil dar uma alfinetadinha, mas me
contive. Ele também evitou qualquer assunto controverso. Foi extremamente
gentil: fez questão de me buscar de carro na estação de trem, arrumou o quarto
de visitas para a minha chegada, cozinhou uma janta deliciosa e no dia seguinte
fez questão de me levar até a estação de trem. Eu podia ter caminhado até a
estação local, mas ele fez questão de me levar na estação mais longe, com
melhores conexões, para eu não precisar ficar esperando o trem por tanto tempo.
Que coisa boa ser paparicada! Desde que nos mudamos para a Espanha recebemos
hóspedes em casa, várias vezes por ano, e buscamos e levamos pessoas no
aeroporto, que fica a 1h20 de distância - admito que muitas vezes tenho vontade de lembrar as visitas que na Espanha também existe transporte público, quem diria!? Mas enfim, foi uma experiência muito bacana
experimentar o outro lado disso tudo, me senti tão sortuda e agradecida por
tanta gentileza e esforço do amigo para que eu me sentisse bem.
Revisitei Cambridge, a cidade que eu tanto adoro e onde morei por tantos anos.
Foi a cidade em que vivi por mais tempo até hoje. Nem mesmo em Porto Alegre,
minha cidade natal, eu morei por tanto tempo. E foi uma experiência curiosa: se
por um lado eu fiquei extremamente feliz de rever certos lugares preferidos,
como o museu Fitzwilliam, o jardim botânico e algumas ruas e parques que eu
gosto tanto, por outro lado... acabei olhando a cidade de outra maneira. Nunca
imaginei que isso fosse acontecer e eu voltaria a ver a cidade como eu a vi
pela primeira vez: sem purpurina. Logo quando me mudei para lá (nos anos 90!)
eu reparei inicialmente no lado mais feioso. Só depois, quando minha situação de trabalho mudou e tive mais tempo livre para curtir, é que me encantei com a oferta cultural e passei a relevar a feiura. Mas
agora percebi o lado feio outra vez. E por um lado foi
interessante ver a cidade tal como é, além da oferta cultural, da beleza
arquitetônica, do multiculturalismo que eu tanto gosto. Me senti tão aliviada ao perceber isso, foi como me sentir livre de um feitiço, amém.
Ao mesmo tempo fiquei com vontade de visitar Cambridge com certa regularidade. Não deixar tanto tempo passar: voltar pelo menos uma vez por ano, assim como faço com Porto
Alegre. Bater ponto nos lugares favoritos e rever determinadas pessoas. Não apenas as mais chegadas; gostei também de rever os
conhecidos de vista, como o proprietário do mercadinho asiático.
Ele ficou tão feliz quando eu mencionei que tinha me mudado para longe e sentia
muita falta da sua loja. Por anos e anos eu fiz as compras no seu mercadinho
(adoro cozinhar comida asiática). Conversamos bastante; ele estava mesmo saindo
de férias no dia seguinte - 4 dias em Portugal. Pena que nem lembrei de tirar
uma foto com essa pessoa que também faz parte da minha história.
Outro momento muito
legal da viagem foi pedalar de Cambridge até Ely. Peguei uma bicicleta
emprestada e fui. Uma pedalada que já fiz tantas vezes, em torno de 40km pela
imensidão das planícies. E as planícies não decepcionaram, continuam lindas. O
grande obstáculo é sempre o vento, que nesse dia estava cruel. Mas tive sorte e
não choveu, pelo contrário - estava um dia ensolarado.
Outro lugar que
nunca decepciona é o jardim botânico da universidade: continua encantador. Inclusive tive sorte de ver floridas as campainhas de inverno que eu ajudei a plantar, anos atrás. Mas o que me surpreendeu foi que uma parte boa da viagem foi VOLTAR PARA CASA! Houve
momentos nos últimos anos em que duvidei se algum dia iria me sentir assim em
relação a esta casa/este lugar. Ufa, até que enfim. Sinto que o coração vai
entrando nos eixos. E que agora estou em melhores condições de lidar com as
próximas mudanças pela frente.
O balançar da carroça sempre ajeita as
melancias... Vida que segue, me
sentindo bem mais leve agora.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019
repensando a minha atenção
Um dia desses aconteceu uma coisa que me deixou um pouco surpresa e muito feliz comigo mesma. Meu
marido estava vendo um vídeo no youtube e uma música clássica começou a
tocar como fundo musical do vídeo. Ele se vira para mim e pergunta: sabe que música é essa?
Prestando atenção logo me dei conta que era uma das estações de Vivaldi...
suspeitei que fosse o Outono, mas qual movimento? Entrei rapidamente no
Spotify e procurei o terceiro movimento do Outono, e não é que estava
certa?
Fiquei
feliz mesmo de lembrar do Outono de Vivaldi. Já é a segunda vez que me acontece isso esse ano, num outro dia ele me perguntou se eu conhecia uma outra música. Aquela era de Mozart, o primeiro movimento da "Pequena Serenata Noturna". Na verdade nem precisei conferir a serenata do Mozart no Spotify; já escutei tantas vezes que não tenho a menor dúvida.
Fiquei supresa e feliz porque eu me considero uma pessoa distraída que não presta atenção em muita coisa e não lembra dos detalhes de quase nada. Por exemplo de vez em quando ainda tenho que olhar no dicionário o significado de anaeróbico, a priori, empírico, pragmático e outras palavras assim, parece que tenho dificuldade de fixar certos conceitos. Mas se eu for pensar bem, a verdade é: sim, eu lembro dos detalhes de muita coisa. Quando revejo uma flor ou um pássaro pouco comum, lembro exatamente onde eu vi ou prestei atenção naquela flor ou pássaro pela primeira vez. Lembro exatamente onde eu estava quando vi todos os diferentes pica-paus que já vi até agora. Sendo que já vi 6 tipos de pica-paus em 5 lugares bem diferentes.
Fiquei supresa e feliz porque eu me considero uma pessoa distraída que não presta atenção em muita coisa e não lembra dos detalhes de quase nada. Por exemplo de vez em quando ainda tenho que olhar no dicionário o significado de anaeróbico, a priori, empírico, pragmático e outras palavras assim, parece que tenho dificuldade de fixar certos conceitos. Mas se eu for pensar bem, a verdade é: sim, eu lembro dos detalhes de muita coisa. Quando revejo uma flor ou um pássaro pouco comum, lembro exatamente onde eu vi ou prestei atenção naquela flor ou pássaro pela primeira vez. Lembro exatamente onde eu estava quando vi todos os diferentes pica-paus que já vi até agora. Sendo que já vi 6 tipos de pica-paus em 5 lugares bem diferentes.
Também
presto atenção em obras de arte. Ano passado estive no Museu Thyssen em Madri. Olhando de longe uma obra me chamou a atenção e desconfiei que fosse de
Marc Chagall, apesar de só ter visto uma única obra de Chagall até então (vitrais
de uma catedral que visitei em 2002). Mas realmente aqueles vitrais ficaram gravados na
minha memória, de tão bonitos que eram. E o azul do quadro era o mesmo azul dos
vitrais, a mesma leveza das figuras etc. E conferindo o painel ao lado da
obra, a confirmação que era mesmo de Chagall.
Então
talvez eu devesse atualizar a ideia que eu faço de mim mesma. Admitir que sou uma pessoa atenta para algumas coisas. Estou sempre prestando muita atenção no que EU considero interessante. O resto geralmente dá pra conferir nas notas, nos livros ou no google :)
Faz algumas semanas que escrevi o texto, mas fiquei na dúvida se publicava ou não. Mas realmente eu tenho que lembrar que é perfeitamente OK celebrar minhas pequenas vitórias aqui no blog.
Faz algumas semanas que escrevi o texto, mas fiquei na dúvida se publicava ou não. Mas realmente eu tenho que lembrar que é perfeitamente OK celebrar minhas pequenas vitórias aqui no blog.
![]() |
| detalhe da obra "A Virgen da Aldeia" de Chagall, no museu em Madri |
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019
2019 fotos em 2019?
Escrevi o texto ao longo do mês:
02.01 Resolvi finalmente abraçar com ganas um dos meus projetos que faz anos e anos que está na lista de "coisas pra fazer", só que nunca faço: organizar minhas fotos, tanto as reveladas como as digitais. Desde 2002 estou acumulando fotos digitais, sem maiores organizações e sem deletar as piorzinhas. Quando quero encontrar uma foto é aquele drama, e muitas vezes nem encontro. A única organização é anual, tenho um folder para cada ano, e média de 5600 fotos por ano(!). Essa média é desconsiderando o ano de 2010, porque se eu incluir 2010, a média sobe para 6000. Tirei mais de 11 mil e quinhentas fotos em 2010, o ano em que tudo saiu do controle. Nossa, que vergonha admitir isso. E pra quê tanta foto? Sou fotógrafa profissional? Não. Tenho blog de fotografia? Não. Estou no instagram/facebook/etc? Também não. Lembro que em 2010 eu tive alguns problemas emocionais e talvez fotografia tenha sido uma forma de lidar com isso. De qualquer forma, 5600 fotos por ano já é um número bem exagerado. Em 2018 tentei manter a fotografia sob controle e ao mesmo tempo fiz um projeto muito divertido, uma colagem semanal das fotos. Aliás gostei tanto de prestar atenção na beleza dos meus dias que estou repetindo o projeto em 2019.
Durante 2019 o plano é tirar menos fotos (ficaria muito feliz se conseguisse terminar o ano com 2019 fotos, ao invés das +5000 costumeiras). E quero também organizar as fotos anteriores, de alguma maneira... Mas por outro lado não sei quanto tempo vou querer dedicar a olhar pra trás. Afinal, pra frente é que se anda!
02.01 Resolvi finalmente abraçar com ganas um dos meus projetos que faz anos e anos que está na lista de "coisas pra fazer", só que nunca faço: organizar minhas fotos, tanto as reveladas como as digitais. Desde 2002 estou acumulando fotos digitais, sem maiores organizações e sem deletar as piorzinhas. Quando quero encontrar uma foto é aquele drama, e muitas vezes nem encontro. A única organização é anual, tenho um folder para cada ano, e média de 5600 fotos por ano(!). Essa média é desconsiderando o ano de 2010, porque se eu incluir 2010, a média sobe para 6000. Tirei mais de 11 mil e quinhentas fotos em 2010, o ano em que tudo saiu do controle. Nossa, que vergonha admitir isso. E pra quê tanta foto? Sou fotógrafa profissional? Não. Tenho blog de fotografia? Não. Estou no instagram/facebook/etc? Também não. Lembro que em 2010 eu tive alguns problemas emocionais e talvez fotografia tenha sido uma forma de lidar com isso. De qualquer forma, 5600 fotos por ano já é um número bem exagerado. Em 2018 tentei manter a fotografia sob controle e ao mesmo tempo fiz um projeto muito divertido, uma colagem semanal das fotos. Aliás gostei tanto de prestar atenção na beleza dos meus dias que estou repetindo o projeto em 2019.
Durante 2019 o plano é tirar menos fotos (ficaria muito feliz se conseguisse terminar o ano com 2019 fotos, ao invés das +5000 costumeiras). E quero também organizar as fotos anteriores, de alguma maneira... Mas por outro lado não sei quanto tempo vou querer dedicar a olhar pra trás. Afinal, pra frente é que se anda!
23.01:
estou muito feliz que estou conseguindo manter as fotos de 2019 sob controle.
Em 22 dias até agora estou com apenas 70 fotos, o que dá 3.18 fotos por dia. Se eu manter
esse ritmo, vou terminar 2019 com 1161 fotos. Mas sei que quando estiver por aí
viajando no verão vou tirar bem mais fotos por dia, então na verdade talvez
devesse estar tirando ainda menos fotos agora para poder tirar mais depois!
24.01:
Resolvi encarar as fotos de 2018. Na minha cabeça eu tinha a ideia que tinha
maneirado um pouco a quantidade de fotos, mas na verdade tenho 5403
fotos na pasta de 2018. Então resolvi começar com o mês de janeiro. 455 fotos,
média de 14.6 fotos por dia. Uma hora depois, tinha reduzido para 133 fotos,
menos de 5 fotos por dia. Tenho os demais meses para repassar. Ficaria muito
feliz se conseguisse reduzir o número total de fotos de 2018 pela metade.
31.01: Estou num ciclo do bem e acho que finalmente vou conseguir resolver essa questão das fotos. Entrei no hábito de repensar as fotos do dia, todos os dias! Então não tenho mais deixado as fotos duplicadas acumular e tenho muitas vezes deletado todas as fotos de alguma coisa. E em muitas situações que eu tirava fotos, agora não tenho mais tirado e pronto. Tenho pensado "nossa pra que tirar foto disso, só pra deletar depois?". E ser mais seletiva no dia a dia está me ajudando a deletar as fotos de 2018 sem remorso algum. Estou gostando mesmo de fazer isso, e acho que vai me ajudar no destralhe em geral.
E cheguei no fim de janeiro com apenas 90 fotos, então consegui ficar com menos de 3 fotos por dia. Três fotos por dia talvez seja um montão ainda, mas para quem estava com quase 15 fotos/dia em janeiro de 2018, é um progresso enorme. Parabéns para mim!
E um apanhado do meu progresso em relação as fotos de 2018:
Janeiro: comecei com 488 fotos, estou com 133
fevereiro: comecei com 372, reduzi para 153
março: de 288 para 137
abril: de 218 para 152
maio: 788 fotos! Viagem para Madri e vários passeios nas montanhas. Foi difícil, mas consegui reduzir para 414.
O que tanto fotografo: de vez em quando fotografo algum prato de comida que me deixa feliz só de olhar; minha casa quando está tudo lindo e arrumado, para me lembrar depois como pode ser; meu fotogênico marido e seu lindo sorriso; nossos bichinhos de estimação; qualquer passeio que eu faço, toda e qualquer caminhada e volta de bicicleta. Alguma obra de arte em museus que me marcam muito (mas na verdade prefiro anotar o autor/nome e procurar online depois). Mas principalmente fotografo a natureza: flores, o mar, as nuvens, a alvorada de todo dia e as árvores, sempre as árvores. Adoro fotografar árvores.
Aiaiai, quero só ver quando eu chegar nas fotos de julho e setembro, que foram os meses com passeios mais interessantes e arborizados! O desafio continua...
E um apanhado do meu progresso em relação as fotos de 2018:
Janeiro: comecei com 488 fotos, estou com 133
fevereiro: comecei com 372, reduzi para 153
março: de 288 para 137
abril: de 218 para 152
maio: 788 fotos! Viagem para Madri e vários passeios nas montanhas. Foi difícil, mas consegui reduzir para 414.
O que tanto fotografo: de vez em quando fotografo algum prato de comida que me deixa feliz só de olhar; minha casa quando está tudo lindo e arrumado, para me lembrar depois como pode ser; meu fotogênico marido e seu lindo sorriso; nossos bichinhos de estimação; qualquer passeio que eu faço, toda e qualquer caminhada e volta de bicicleta. Alguma obra de arte em museus que me marcam muito (mas na verdade prefiro anotar o autor/nome e procurar online depois). Mas principalmente fotografo a natureza: flores, o mar, as nuvens, a alvorada de todo dia e as árvores, sempre as árvores. Adoro fotografar árvores.
Aiaiai, quero só ver quando eu chegar nas fotos de julho e setembro, que foram os meses com passeios mais interessantes e arborizados! O desafio continua...
| Alguns ótimos momentos de janeiro até maio, 2018 |
quarta-feira, 30 de janeiro de 2019
lobos e hábitos
Gosto de um podcast que se chama The One You Feed, é baseado
na parábola dos dois lobos:" vovó explica para sua netinha que
dentro de cada um de nós há uma batalha entre dois lobos. O lobo bom,
que representa características como honestidade, generosidade, gentileza...
e um lobo mau, que representa características como inveja, medo e preguiça. E a
netinha pergunta: qual lobo vence a batalha? Vovó responde: aquele que você
alimenta". A primeira vez que escutei isso foi em 2016 e foi como um tapa na cara: eu andava mesmo obcecando com um assunto político que tanto me atormentava na época. O podcast sempre começa perguntando para os entrevistados o que essa
parábola representa para a vida deles - acho bem interessante mesmo escutar a
perspectiva de cada um.
Outro dia o entrevistado era James Clear, que escreveu um livro sobre hábitos. Achei o interessante o que ele tinha a dizer sobre o papel da identidade nessa questão dos hábitos:
"Uma
vez que você adota uma identidade, você não está mais buscando a mudança de
comportamento, você está apenas agindo de forma condizente com o tipo de pessoa
que você já acredita que é. Um exemplo: imagine que você tem duas pessoas que
são fumantes e estão tentando desistir. À primeira você oferece um cigarro e
ela diz: não, obrigado, estou tentando parar. E a segunda pessoa que você
oferece um cigarro diz "não, obrigado, eu não sou fumante". Mesma
ação, ambos estão recusando o cigarro. Mas a primeira pessoa ainda se
identifica como alguém que fuma. Ela está tentando fazer algo que não é. A
segunda pessoa está se identificando como não fumante. Isso sinaliza uma
mudança na identidade. Isso é uma coisa muito poderosa, porque uma vez que você
se vê como esse tipo de pessoa, você tem uma razão adicional para reforçar esse
comportamento. Pequenos hábitos e pequenas ações são o melhor método que temos
para moldar nossa identidade. De certo modo, seus hábitos são como você
incorpora uma identidade particular. Toda vez que você faz sua cama de manhã,
você personifica a identidade de alguém que é caprichoso e organizado. Cada
ação que você toma é um voto para o tipo de pessoa que você quer ser ou
acreditar que você é. Ao votar, ao repetir esses pequenos hábitos, você cria
evidências de ser esse tipo de pessoa. E a evidência é uma parte crucial:
enraíza a identidade, é a prova de ser esse tipo de pessoa. Algumas pessoas
dizem coisas como "fingir até você conseguir". Mas "fingir até
você conseguir" é um pouco diferente do que estou falando aqui. Seria
pedir para você acreditar em algo sem ter provas disso (uma ilusão). Em algum
momento, o cérebro não gosta dessa desconexão. Mas se você pode olhar para
trás e dizer "eu arrumei a cama em 13 dos últimos 14 dias", você tem
provas de ser uma pessoa caprichosa. Seus hábitos e ações dão a você uma prova
de quem você é e, gradualmente, com o tempo, eles podem remodelar um pouco sua
identidade ou expandi-la ou atualizá-la em alguns aspectos."
Então eu posso parar de pensar em mim mesma como alguém que está tentando meditar e me identificar como alguém que medita.
terça-feira, 1 de janeiro de 2019
Feliz 2019, Pri!
Quando eu digo que leio poucos blogs, são poucos mesmo, apenas 4. Acabo de deixar um recadinho de Feliz Ano Novo para todos, com exceção do blog da Pri. Então vou ter que sair da programação normal para escrever para a Pri.
Querida Pri: não sei porque, mas faz alguns meses que eu não consigo mais deixar recados no teu blog. Fiquei super feliz com a volta do seu gatinho, mas não consegui comentar porque o google quer que eu crie uma conta google+ e eu não pretendo fazer isso (se puder evitar). Antes dava pra comentar normalmente, não sei o que aconteceu. Umas semanas atrás até deixei recado em outro dos teus blogs, alertando para esse fato.
Então fica aqui o meu desejo de um Feliz Ano Novo, que em 2019 vc siga enchendo sua casa e sua vida de bondade e beleza. Desejando muita saúde (e que vc se lembre de comer salada e frutas, beber água e fazer seus exercícios). E por falar em beleza, olha só que bacana: meu cactus finalmente floresceu um pouco antes do Natal! Lembrei de vc, sei que vc tem um parecido (numa cor diferente):
Bjo e Feliz 2019!
domingo, 30 de dezembro de 2018
#52 apanhado musical de 2018
Durante
2018 eu mantive vários diários, inclusive um "diário musical". Seguem algumas entradas que escrevi sobre músicas que escutei ao longo do ano. No começo eu estava colocando links, depois parei para não perder muito tempo. Mas está tudo no spotify e/ou youtube.
29.12.18
♫Dá um mergulho no mar! Dá um mergulho sem olhar pra trás
Dá um salto no ar, só para veres do que és capaz
Arrisca mais uma vez, nem que seja só por arriscar
Nunca se tem muito a perder, dá um mergulho no mar♫
Nunca se tem muito a perder, dá um mergulho no mar♫
Música
antiga, positiva e encorajadora para encerrar o ano. Estou precisando dessa energia e otimismo para dar
um salto e abraçar mais uma mudança. Em outubro eu tomei a
decisão de mudar. E agora cheguei na fase de duvidar da minha decisão e me
angustiar com isso. Se eu fosse sozinha já teria dado pra trás, mas como a decisão foi tomada junto com ele (depois de muito conversar sobre os prós e contras) e já teve investimento econômico considerável, fica complicado mudar de idéia. Então
tenho que abraçar o entusiasmo que senti em outubro e mandar ver. A mudança
mesmo só acontecerá em junho, ao seja, muito tempo ainda pra duvidar da minha
decisão. E para cantarolar com os Xutos e Pontapés... e também Frank Turner (primeira música do ano).
16.12.18
Ontem saí
com o grupo de caminhadas nas montanhas. Passei um dia muito divertido
conversando com várias pessoas, inclusive mulheres que acabaram de entrar no
grupo. A coisa mais incrível me aconteceu: conversando com uma norueguesa que
está morando na Espanha faz alguns anos me senti a vontade para comentar que
eu tive uma infância com muita religião e estou estranhando o excesso de
religiosidade aqui na Espanha. Na verdade é a primeira vez que comento isso
para alguém, ao vivo e a cores. E ela me contou que também cresceu com muita
religião, então assistiu muitas missa, na adolescência inclusive. Ela já está
com 50 anos, e faz vários anos que se afastou da religião e não participa mais
de nada disso. No entanto, de vez em quando as músicas da igreja ficam soando
na sua cabeça! Bah, quase abraço aquela mulher, ali mesmo! Primeira vez na
vida que comento sobre esse meu trauma de religião e pessoa me entende
totalmente e ainda expande o assunto comentando um outro problema que eu tenho, essas
músicas de igreja que me perseguem. São várias melodias que de vez em quando martelando na minha cabeça, uma delas é:
♫Se as águas do mar da vida quiserem te afogar, segura na mão de Deus e
vai.
Não temas segue adiante e não olhe para trás, segura na mão de Deus e vai♫
Putz, sei isso decor até hoje. Faz quase 30 anos que eu abandonei as missas dominicais e isso ainda me persegue. Eu queria ter um poção mágica que me
fizesse esquecer, queria me libertar total disso, pra sempre.
Mas na falta de poção mágica a partir de agora sempre que uma dessas músicas
antigas vier me torturar, vou lembrar da Kirsten, caminhando comigo feliz pela
floresta, cantando as músicas horrorosas da igreja dela na Noruega e rindo
bastante dessa situação. Então Dri, segura na memória feliz da Kirsten e vai :)
Sendo que
a conversa/cantoria aconteceu num trecho de estrada que adoro e já passei diversas vezes
de bicicleta! Foi uma experiência tão positiva, de saber que não sou só eu, de alguém entender perfeitamente a situação:
Nov.18
Meu
marido me mostrou uma música nova da Zaz, cantora francesa que ele gosta muito, a música se chama "nos vies":
♫Pour sûr que l'on est bien
ensemble
Je jure
que nos vies se ressemblent
À toute
allure j'attends qu'on se rassemble
Pour sûr
que l'on est bien ensemble ♫
15.10.18
Hoje na cozinha, enquanto a janta estava no forno, rimos muito muito mas muito mesmo procurando músicas da nossa
infância no spotify. Vou resumir toda a experiência musical numa única onomatopéia: ♫ piuí ♫
22.09.18
De
férias no interior do RS, relativamente perto da ♫Lagoa dos Patos, dos sonhos, dos
barcos; ♫lago verde e azul que na américa do sul deus botou
pra bebedouro... mas a música que cantarolei foi uma do Sá e
Guarabira:
♫E o pó da
estrada fica em minha roupa
O cheiro
forte da poeira levantada
levando a
gente sempre mais a frente
nada mais
urgente que o pó da estrada, o pó da estrada ♫
Que
alegria reencontrar tanta coisa, inclusive estrada de chão batido.
20.07.18
Cheguei no músico Thomas Hien através do meu marido, ele gosta muito de uma que diz "Home is where your heart is... I'm only home when I'm with you". Casei com alguém muito mais romântico que eu. Mas escutei um monte de Thomas Hien, gostei de várias e a minha preferida é Crazy beautiful life:
♫ Nothing lasts
forever someone told me so
Life is always changing it ain't what you think you
know
Even if you're standing still, you're floating in space
So grab a hold of
your heart and you'll find your place
Wherever you are,
whatever you do
Whatever wishes might come true
Whatever you got, whatever you
give
You make it a beautiful life to live ♫
24.05.18
Visitei
Aranjuez e como não lembrar do ♫concerto de aranjuez!? adoro o primeiro
movimento (mas o segundo e terceiro são super chatos).
12.04.18
Ouvindo
no repeat: El rumbla del tartamudo
♫Mimimimimimira
niña que mi corazon
Cantando
todos mis problemas desaparezcen
Y se ti
tartamudeo ao dizer te quiero sera que te quiero mucha mas vezes?
mumumucha mas
vezes!♫
25.03.18
Fiquei uns dias de cama e aproveitei para escutar música tranquila e
reconfortante: Julie Blue, de Joe Purdy. Eu cheguei em Joe Purdy depois de
escutar Wash Away num dos primeiros episódios do seriado Lost. Gostei tanto de tudo mais que
encontrei no youtube que comprei o CD. Isso foi antes de usar Spotify.
Nem
sei dizer qual minha preferida do Julie Blue, talvez "I love the rain the most"... when it stops! Na época eu
morava num lugar muito chuvoso, e se por um lado
estava em paz com a chuva (boa para as plantinhas do jardim), por
outro lado era maravilhoso quando ela parava e o sol aparecia. Eu morava perto de um rio e aproveitava ao máximo, com longas caminhadas e pedaladas rio
abaixo, pra fora da cidade, no meio da natureza...
♫The summer
is coming to an end.
We ain't gonna let that slow us down one bit.
Til that
sunset will start to fade,
they're gonna drag us screaming from these old riverbanks♫
they're gonna drag us screaming from these old riverbanks♫
Minha parte preferida da música: sim o verão eventualmente
acaba, mas não vamos deixar de curtir. Vamos aproveitar tudo o que a gente
conseguir e mais um pouco. Acho bem legal que
quase todo Julie Blue está voltado para esse tema de curtir o rio. Escuto
o CD pensando num rio enorme, de águas calmas, seguindo lentamente por uma
planície e toda a paz que vem junto.
Outra do Julie Blue
que adoro é Abbie's song:
♫Oh river, with your
water so clear
I can see straight to the bottom where you stand so still
I can see straight to the bottom where you stand so still
Oh river, with this
beauty you found
Yeah you act just like a mirror with your sun sinking down
Yeah you act just like a mirror with your sun sinking down
Oh river, with your
waters so calm
No, I will not forget you wherever I roam.♫
No, I will not forget you wherever I roam.♫
Acho que eu também nunca foi
esquecer de toda a paz e beleza que morar perto de um rio tranquilo trouxe para
os meus dias. Espero voltar a experimentar isso na minha vida, mais pra frente. Por enquanto estou gostando de morar perto do mar. A vida é boa e não posso me queixar muito :)
Fev.18
Assisti um filme indiano cuja história se passa aqui na Espanha, um filme leve e divertido, animado e colorido. Gostei de uma das músicas, não tem no spotify mas encontrei no youtube: dildhadkane do
24.01.18
Uns dias
atrás li no jornal a notícia do falecimento de Dolores O'Riordan, vocalista da
banda Cranberries, cuja música "dreams" marcou muito um período da
minha vida: fim da faculdade, começo de vida no exterior. E fiquei triste de
saber que Dolores morreu com apenas 46 anos! A mesma idade que eu tenho hoje. E
depois lendo sobre sua vida, que pena senti ao saber que sofreu abuso sexual de
uma pessoa próxima quando era criança. Por conta disso carregou consigo uma raiva muito
grande. As vezes tinha rompantes de raiva, como um episódio em que foi violenta
num voo entre eua e irlanda. Era divorciada, teve 3 filhos. Será que foi feliz?
Será que realizou seus sonhos?
♫And my
dreams they are never quite as it seems
I want
more impossible to ignore, impossible to ignore
They'll
come true, impossible not to do, impossible not to do♫
Quais são
os meus sonhos, quais ainda quero realizar? O primeiro sonho que me veem a
mente é "viver numa cabana no matinho". Estou fazendo alguma coisa
pra ir atrás disso? Não, pelo contrário: estou tentando ir contra a minha
natureza e ser feliz ou talvez me acomodar numa situação que é o oposto do meu
sonho.
06.01.18
No dia
primeiro do ano fui dar minha caminhada de sempre. Moro num bairro muito sem
graça, então sempre pego o carro e dirijo 20min até a praia. E naquela
segunda, primeira do ano, estava caminhando na praia, com o sol nas minhas
costas, mar tão azul e tão sereno, com um céu azul, brisa suave, temperatura
agradável, praia vazia...e de repente me dei conta que estava me sentindo FELIZ
naquele "aqui e agora", realmente curtindo aquele momento.
Aconteceu
de novo enquanto estava dirigindo de volta pra casa, na descida antes da
rótula: me dei conta que estava tão feliz que estava rindo sozinha e cantando
junto com Frank Turner "Next Storm". E fiquei
tão feliz de inesperadamente me pegar tão feliz, uma coisa assim espontânea que
não me acontecia desde muito tempo, talvez desde janeiro de 2016. Houve uma
época (em 2016 e também 2017) que a vida estava tão cinzenta, pensei que eu
nunca mais iria me sentir feliz e animada outra vez... Mais de uma vez pensei
seriamente em terminar com tudo. Persisti mais por inércia do que qualquer
outra coisa - não vou mentir e dizer que eu tinha esperança que as coisas
melhorassem, admito que por muitos momentos não pensei que fossem melhorar. Não
posso dizer que estou 100% curada da minha depressão, mas estou tão feliz por
não ter desistido da minha vida em março de 2016, que foi a primeira vez que
tive vontade. Se algum dia eu me encontrar novamente num túnel ou buraco
escuro, quero me lembrar disso tudo e insistir até encontrar a saída. Se
consegui me sentir feliz uma vez, provavelmente vou conseguir novamente. Um dos
meus objetivos para 2018 é ser mais gentil comigo mesma. Então vou aproveitar
para agradecer a mim mesma por ter insistido tanto em mim durante 2017: por ter
voltado a fazer as coisas que me tiram de casa (caminhadas e bicicleta) mesmo
quando eu não estava nem um pouco a fim, e foram várias e várias vezes que eu
não estava nem um pouco a fim. Mas ao mesmo tempo, são as coisas que mais
alegria me trazem. Então valeu Dri de 2017 por ter insistido tanto, mesmo
quando a vontade estava na casinha do zero.
♫I don't want to spend the whole of my life indoors
Laying low, waiting on the next storm
I don't want to spend the whole of my life inside
I wanna step out and face the sunshine
I'm not gonna live the whole of my life indoors
I'm going step out and face the next storm♫


