quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

repensando a minha atenção


Um dia desses aconteceu uma coisa que me deixou um pouco surpresa e muito feliz comigo mesma. Meu marido estava vendo um vídeo no youtube e uma música clássica começou a tocar como fundo musical do vídeo. Ele se vira para mim e pergunta: sabe que música é essa? Prestando atenção logo me dei conta que era uma das estações de Vivaldi... suspeitei que fosse o Outono, mas qual movimento? Entrei rapidamente no Spotify e procurei o terceiro movimento do Outono, e não é que estava certa? 

Fiquei feliz mesmo de lembrar do Outono de Vivaldi. Já é a segunda vez que me acontece isso esse ano, num outro dia ele me perguntou se eu conhecia uma outra música. Aquela era de Mozart, o primeiro movimento da "Pequena Serenata Noturna". Na verdade nem precisei conferir a serenata do Mozart no Spotify; já escutei tantas vezes que não tenho a menor dúvida.

Fiquei supresa e feliz porque eu me considero uma pessoa distraída que não presta atenção em muita coisa e não lembra dos detalhes de quase nada. Por exemplo de vez em quando ainda tenho que olhar no dicionário o significado de anaeróbico, a priori, empírico, pragmático e outras palavras assim, parece que tenho dificuldade de fixar certos conceitos. Mas se eu for pensar bem, a verdade é: sim, eu lembro dos detalhes de muita coisa. Quando revejo uma flor ou um pássaro pouco comum, lembro exatamente onde eu vi ou prestei atenção naquela flor ou pássaro pela primeira vez. Lembro exatamente onde eu estava quando vi todos os diferentes pica-paus que já vi até agora. Sendo que já vi 6 tipos de pica-paus em 5 lugares bem diferentes.  

Também presto atenção em obras de arte. Ano passado estive no Museu Thyssen em Madri. Olhando de longe uma obra me chamou a atenção e desconfiei que fosse de Marc Chagall, apesar de só ter visto uma única obra de Chagall até então (vitrais de uma catedral que visitei em 2002). Mas realmente aqueles vitrais ficaram gravados na minha memória, de tão bonitos que eram. E o azul do quadro era o mesmo azul dos vitrais, a mesma leveza das figuras etc. E conferindo o painel ao lado da obra, a confirmação que era mesmo de Chagall.
 
Então talvez eu devesse atualizar a ideia que eu faço de mim mesma. Admitir que sou uma pessoa atenta para algumas coisas. Estou sempre prestando muita atenção no que EU considero interessante. O resto geralmente dá pra conferir nas notas, nos livros ou no google :)

Faz algumas semanas que escrevi o texto, mas fiquei na dúvida se publicava ou não. Mas realmente eu tenho que lembrar que é perfeitamente OK celebrar minhas pequenas vitórias aqui no blog.

detalhe da obra "A Virgen da Aldeia" de Chagall, no museu em Madri

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

2019 fotos em 2019?


Escrevi o texto ao longo do mês:

02.01 Resolvi finalmente abraçar com ganas um dos meus projetos que faz anos e anos que está na lista de "coisas pra fazer", só que nunca faço:  organizar minhas fotos, tanto as reveladas como as digitais. Desde 2002 estou acumulando fotos digitais, sem maiores organizações e sem deletar as piorzinhas. Quando quero encontrar uma foto é aquele drama, e muitas vezes nem encontro. A única organização é anual, tenho um folder para cada ano, e média de 5600 fotos por ano(!). Essa média é desconsiderando o ano de 2010, porque se eu incluir 2010, a média sobe para 6000. Tirei mais de 11 mil e quinhentas fotos em 2010, o ano em que tudo saiu do controle. Nossa, que vergonha admitir isso. E pra quê tanta foto? Sou fotógrafa profissional? Não. Tenho blog de fotografia? Não. Estou no instagram/facebook/etc? Também não. Lembro que em 2010 eu tive alguns problemas emocionais e talvez fotografia tenha sido uma forma de lidar com isso. De qualquer forma, 5600 fotos por ano já é um número bem exagerado. Em 2018 tentei manter a fotografia sob controle e ao mesmo tempo fiz um projeto muito divertido, uma colagem semanal das fotos. Aliás gostei tanto  de prestar atenção na beleza dos meus dias que estou repetindo o projeto em 2019.

Durante 2019 o plano é tirar menos fotos (ficaria muito feliz se conseguisse terminar o ano com 2019 fotos, ao invés das +5000 costumeiras). E quero também organizar as fotos anteriores, de alguma maneira... Mas por outro lado não sei quanto tempo vou querer dedicar a olhar pra trás. Afinal, pra frente é que se anda!
 
23.01: estou muito feliz que estou conseguindo manter as fotos de 2019 sob controle. Em 22 dias até agora estou com apenas 70 fotos, o que dá 3.18 fotos por dia. Se eu manter esse ritmo, vou terminar 2019 com 1161 fotos. Mas sei que quando estiver por aí viajando no verão vou tirar bem mais fotos por dia, então na verdade talvez devesse estar tirando ainda menos fotos agora para poder tirar mais depois!
 
24.01: Resolvi encarar as fotos de 2018. Na minha cabeça eu tinha a ideia que tinha maneirado um pouco a quantidade de fotos, mas na verdade tenho 5403 fotos na pasta de 2018. Então resolvi começar com o mês de janeiro. 455 fotos, média de 14.6 fotos por dia. Uma hora depois, tinha reduzido para 133 fotos, menos de 5 fotos por dia. Tenho os demais meses para repassar. Ficaria muito feliz se conseguisse reduzir o número total de fotos de 2018 pela metade.
 
31.01: Estou num ciclo do bem e acho que finalmente vou conseguir resolver essa questão das fotos. Entrei no hábito de repensar as fotos do dia, todos os dias! Então não tenho mais deixado as fotos duplicadas acumular e tenho muitas vezes deletado todas as fotos de alguma coisa. E em muitas situações que eu tirava fotos, agora não tenho mais tirado e pronto. Tenho pensado "nossa pra que tirar foto disso, só pra deletar depois?". E ser mais seletiva no dia a dia está me ajudando a deletar as fotos de 2018 sem remorso algum. Estou gostando mesmo de fazer isso, e acho que vai me ajudar no destralhe em geral.
 
E cheguei no fim de janeiro com apenas 90 fotos, então consegui ficar com menos de 3 fotos por dia. Três fotos por dia talvez seja um montão ainda, mas para quem estava com quase 15 fotos/dia em janeiro de 2018, é um progresso enorme. Parabéns para mim!

E um apanhado do meu progresso em relação as fotos de 2018:
Janeiro: comecei com 488 fotos, estou com 133
fevereiro: comecei com 372, reduzi para 153
março: de 288 para 137
abril: de 218 para 152
maio: 788 fotos! Viagem para Madri e vários passeios nas montanhas. Foi difícil, mas consegui reduzir para 414.

O que tanto fotografo: de vez em quando fotografo algum prato de comida que me deixa feliz só de olhar; minha casa quando está tudo lindo e arrumado, para me lembrar depois como pode ser;  meu fotogênico marido e seu lindo sorriso; nossos bichinhos de estimação; qualquer passeio que eu faço, toda e qualquer caminhada e volta de bicicleta. Alguma obra de arte em museus que me marcam muito (mas na verdade prefiro anotar o autor/nome e procurar online depois). Mas principalmente fotografo a natureza: flores, o mar, as nuvens, a alvorada de todo dia e as árvores, sempre as árvores. Adoro fotografar árvores.

Aiaiai, quero só ver quando eu chegar nas fotos de julho e setembro, que foram os meses com passeios mais interessantes e arborizados! O desafio continua...


Alguns ótimos momentos de janeiro até maio, 2018



 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

lobos e hábitos


Gosto de um podcast que se chama The One You Feed, é baseado na parábola dos dois lobos:" vovó explica para sua netinha que dentro de cada um de nós há uma batalha entre dois lobos. O lobo bom, que representa características como honestidade, generosidade, gentileza... e um lobo mau, que representa características como inveja, medo e preguiça. E a netinha pergunta: qual lobo vence a batalha? Vovó responde: aquele que você alimenta". A primeira vez que escutei isso foi em 2016 e foi como um tapa na cara: eu andava mesmo obcecando com um assunto político que tanto me atormentava na época. O podcast sempre começa perguntando para os entrevistados o que essa parábola representa para a vida deles - acho bem interessante mesmo escutar a perspectiva de cada um. 

Outro dia o entrevistado era James Clear, que escreveu um livro sobre hábitos. Achei o interessante o que ele tinha a dizer sobre o papel da identidade nessa questão dos hábitos:

"Uma vez que você adota uma identidade, você não está mais buscando a mudança de comportamento, você está apenas agindo de forma condizente com o tipo de pessoa que você já acredita que é. Um exemplo: imagine que você tem duas pessoas que são fumantes e estão tentando desistir. À primeira você oferece um cigarro e ela diz: não, obrigado, estou tentando parar. E a segunda pessoa que você oferece um cigarro diz "não, obrigado, eu não sou fumante". Mesma ação, ambos estão recusando o cigarro. Mas a primeira pessoa ainda se identifica como alguém que fuma. Ela está tentando fazer algo que não é. A segunda pessoa está se identificando como não fumante. Isso sinaliza uma mudança na identidade. Isso é uma coisa muito poderosa, porque uma vez que você se vê como esse tipo de pessoa, você tem uma razão adicional para reforçar esse comportamento. Pequenos hábitos e pequenas ações são o melhor método que temos para moldar nossa identidade. De certo modo, seus hábitos são como você incorpora uma identidade particular. Toda vez que você faz sua cama de manhã, você personifica a identidade de alguém que é caprichoso e organizado. Cada ação que você toma é um voto para o tipo de pessoa que você quer ser ou acreditar que você é. Ao votar, ao repetir esses pequenos hábitos, você cria evidências de ser esse tipo de pessoa. E a evidência é uma parte crucial: enraíza a identidade, é a prova de ser esse tipo de pessoa. Algumas pessoas dizem coisas como "fingir até você conseguir". Mas "fingir até você conseguir" é um pouco diferente do que estou falando aqui. Seria pedir para você acreditar em algo sem ter provas disso (uma ilusão). Em algum momento, o cérebro não gosta dessa desconexão. Mas se você pode olhar para trás e dizer "eu arrumei a cama em 13 dos últimos 14 dias", você tem provas de ser uma pessoa caprichosa. Seus hábitos e ações dão a você uma prova de quem você é e, gradualmente, com o tempo, eles podem remodelar um pouco sua identidade ou expandi-la ou atualizá-la em alguns aspectos."
 
Então eu posso parar de pensar em mim mesma como alguém que está tentando meditar e me identificar como alguém que medita.

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Feliz 2019, Pri!


Quando eu digo que leio poucos blogs, são poucos mesmo, apenas 4. Acabo de deixar um recadinho de Feliz Ano Novo para todos, com exceção do blog da Pri. Então vou ter que sair da programação normal para escrever para a Pri.

Querida Pri: não sei porque, mas faz alguns meses que eu não consigo mais deixar recados no teu blog. Fiquei super feliz com a volta do seu gatinho, mas não consegui comentar porque o google quer que eu crie uma conta google+ e eu não pretendo fazer isso (se puder evitar). Antes dava pra comentar normalmente, não sei o que aconteceu.  Umas semanas atrás até deixei recado em outro dos teus blogs, alertando para esse fato.

Então fica aqui o meu desejo de um Feliz Ano Novo, que em 2019 vc siga enchendo sua casa e sua vida de bondade e beleza. Desejando muita saúde (e que vc se lembre de comer salada e frutas, beber água e fazer seus exercícios). E por falar em beleza, olha só que bacana: meu cactus finalmente floresceu um pouco antes do Natal! Lembrei de vc, sei que vc tem um parecido (numa cor diferente):



Bjo e Feliz 2019!

domingo, 30 de dezembro de 2018

#52 apanhado musical de 2018


Durante 2018 eu mantive vários diários, inclusive um "diário musical". Seguem algumas entradas que escrevi sobre músicas que escutei ao longo do ano. No começo eu estava colocando links, depois parei para não perder muito tempo. Mas está tudo no spotify e/ou youtube.

29.12.18
♫Dá um mergulho no mar! Dá um mergulho sem olhar pra trás
Dá um salto no ar, só para veres do que és capaz
Arrisca mais uma vez, nem que seja só por arriscar
Nunca se tem muito a perder, dá um mergulho no mar♫
 
Música antiga, positiva e encorajadora para encerrar o ano. Estou precisando dessa energia e otimismo para dar um salto e abraçar mais uma mudança. Em outubro eu tomei a decisão de mudar. E agora cheguei na fase de duvidar da minha decisão e me angustiar com isso. Se eu fosse sozinha já teria dado pra trás, mas como a decisão foi tomada junto com ele (depois de muito conversar sobre os prós e contras) e já teve investimento econômico considerável, fica complicado mudar de idéia. Então tenho que abraçar o entusiasmo que senti em outubro e mandar ver. A  mudança mesmo só acontecerá em junho, ao seja, muito tempo ainda pra duvidar da minha decisão. E para cantarolar com os Xutos e Pontapés... e também Frank Turner (primeira música do ano).

16.12.18
Ontem saí com o grupo de caminhadas nas montanhas. Passei um dia muito divertido conversando com várias pessoas, inclusive mulheres que acabaram de entrar no grupo. A coisa mais incrível me aconteceu: conversando com uma norueguesa que está morando na Espanha faz alguns anos me senti a vontade para comentar que eu tive uma infância com muita religião e estou estranhando o excesso de religiosidade aqui na Espanha. Na verdade é a primeira vez que comento isso para alguém, ao vivo e a cores. E ela me contou que também cresceu com muita religião, então assistiu muitas missa, na adolescência inclusive. Ela já está com 50 anos, e faz vários anos que se afastou da religião e não participa mais de nada disso. No entanto, de vez em quando as músicas da igreja ficam soando na sua cabeça! Bah, quase abraço aquela mulher, ali mesmo! Primeira vez na vida que comento sobre esse meu trauma de religião e pessoa me entende totalmente e ainda expande o assunto comentando um outro problema que eu tenho, essas músicas de igreja que me perseguem. São várias melodias que de vez em quando martelando na minha cabeça, uma delas é:
♫Se as águas do mar da vida quiserem te afogar, segura na mão de Deus e vai.
Não temas segue adiante e não olhe para trás, segura na mão de Deus e vai♫
Putz, sei isso decor até hoje. Faz quase 30 anos que eu abandonei as missas dominicais e isso ainda me persegue. Eu queria ter um poção mágica que me fizesse esquecer, queria me libertar total disso, pra sempre. Mas na falta de poção mágica a partir de agora sempre que uma dessas músicas antigas vier me torturar, vou lembrar da Kirsten, caminhando comigo feliz pela floresta, cantando as músicas horrorosas da igreja dela na Noruega e rindo bastante dessa situação. Então Dri, segura na memória feliz da Kirsten e vai :)

Sendo que a conversa/cantoria aconteceu num trecho de estrada que adoro e já passei diversas vezes de bicicleta! Foi uma experiência tão positiva, de saber que não sou só eu, de alguém entender perfeitamente a situação:


 
Nov.18
Meu marido me mostrou uma música nova da Zaz, cantora francesa que ele gosta muito, a música se chama "nos vies":
 
Pour sûr que l'on est bien ensemble
Je jure que nos vies se ressemblent
À toute allure j'attends qu'on se rassemble
Pour sûr que l'on est bien ensemble 
 

15.10.18
Hoje na cozinha, enquanto a janta estava no forno, rimos muito muito mas muito mesmo procurando músicas da nossa infância no spotify. Vou resumir toda a experiência musical numa única onomatopéia: ♫ piuí 

 
22.09.18
De férias no interior do RS, relativamente perto da  ♫Lagoa dos Patos, dos sonhos, dos barcos;  lago verde e azul que na américa do sul deus botou pra bebedouro... mas a música que cantarolei foi uma do Sá e Guarabira: 
 
♫E o pó da estrada fica em minha roupa
O cheiro forte da poeira levantada
levando a gente sempre mais a frente
nada mais urgente que o pó da estrada, o pó da estrada ♫

Que alegria reencontrar tanta coisa, inclusive estrada de chão batido.
 
 
20.07.18
Cheguei no músico Thomas Hien através do meu marido, ele gosta muito de uma que diz "Home is where your heart is... I'm only home when I'm with you". Casei com alguém muito mais romântico que eu. Mas escutei um monte de Thomas Hien, gostei de várias e a minha preferida é Crazy beautiful life:
 
  ♫ Nothing lasts forever someone told me so
Life is always changing it ain't what you think you know
Even if you're standing still, you're floating in space
So grab a hold of your heart and you'll find your place
 
Wherever you are, whatever you do
Whatever wishes might come true
Whatever you got, whatever you give
You make it a beautiful life to live ♫
 
 
24.05.18
Visitei Aranjuez e como não lembrar do ♫concerto de aranjuez!? adoro o primeiro movimento (mas o segundo e terceiro são super chatos).
 
 
12.04.18
Ouvindo no repeat: El rumbla del tartamudo

♫Mimimimimimira niña que mi corazon
Cantando todos mis problemas desaparezcen
Y se ti tartamudeo ao dizer te quiero sera que te quiero mucha mas vezes?
mumumucha mas vezes!♫
 
 
25.03.18
Fiquei uns dias de cama e aproveitei para escutar música tranquila e reconfortante: Julie Blue, de Joe Purdy. Eu cheguei em Joe Purdy depois de escutar Wash Away num dos primeiros episódios do seriado Lost. Gostei tanto de tudo mais que encontrei no youtube que comprei o CD. Isso foi antes de usar Spotify.

Nem sei dizer qual minha preferida do Julie Blue, talvez "I love the rain the most"... when it stops! Na época eu morava num lugar muito chuvoso, e se por um lado estava em paz com a chuva (boa para as plantinhas do jardim), por outro lado era maravilhoso quando ela parava e o sol aparecia. Eu morava perto de um rio e aproveitava ao máximo, com longas caminhadas e pedaladas rio abaixo, pra fora da cidade, no meio da natureza...
 
 The summer is coming to an end.
We ain't gonna let that slow us down one bit.
 Til that sunset will start to fade,
they're gonna drag us screaming from these old riverbanks
 
Minha parte preferida da música: sim o verão eventualmente acaba, mas não vamos deixar de curtir. Vamos aproveitar tudo o que a gente conseguir e mais um pouco. Acho bem legal que quase todo Julie Blue está voltado para esse tema de curtir o rio. Escuto o CD pensando num rio enorme, de águas calmas, seguindo lentamente por uma planície e toda a paz que vem junto.

 Outra do Julie Blue que adoro é Abbie's song:

Oh river, with your water so clear
I can see straight to the bottom where you stand so still
Oh river, with this beauty you found
 Yeah you act just like a mirror with your sun sinking down
Oh river, with your waters so calm
No, I will not forget you wherever I roam.

Acho que eu também nunca foi esquecer de toda a paz e beleza que morar perto de um rio tranquilo trouxe para os meus dias. Espero voltar a experimentar isso na minha vida, mais pra frente. Por enquanto estou gostando de morar perto do mar.  A vida é boa e não posso me queixar muito :)
 
Fev.18
Assisti um filme indiano cuja história se passa aqui na Espanha, um filme leve e divertido, animado e colorido. Gostei de uma das músicas, não tem no spotify mas encontrei no youtube: dildhadkane do
 
 
24.01.18
Uns dias atrás li no jornal a notícia do falecimento de Dolores O'Riordan, vocalista da banda Cranberries, cuja música "dreams" marcou muito um período da minha vida: fim da faculdade, começo de vida no exterior. E fiquei triste de saber que Dolores morreu com apenas 46 anos! A mesma idade que eu tenho hoje. E depois lendo sobre sua vida, que pena senti ao saber que sofreu abuso sexual de uma pessoa próxima quando era criança. Por conta disso carregou consigo uma raiva muito grande. As vezes tinha rompantes de raiva, como um episódio em que foi violenta num voo entre eua e irlanda. Era divorciada, teve 3 filhos. Será que foi feliz? Será que realizou seus sonhos?

♫And my dreams they are never quite as it seems
I want more impossible to ignore, impossible to ignore
They'll come true, impossible not to do, impossible not to do♫ 

Quais são os meus sonhos, quais ainda quero realizar? O primeiro sonho que me veem a mente é "viver numa cabana no matinho". Estou fazendo alguma coisa pra ir atrás disso? Não, pelo contrário: estou tentando ir contra a minha natureza e ser feliz ou talvez me acomodar numa situação que é o oposto do meu sonho.

06.01.18
No dia primeiro do ano fui dar minha caminhada de sempre. Moro num bairro muito sem graça, então sempre pego o carro e dirijo 20min até a praia. E naquela segunda, primeira do ano, estava caminhando na praia, com o sol nas minhas costas, mar tão azul e tão sereno, com um céu azul, brisa suave, temperatura agradável, praia vazia...e de repente me dei conta que estava me sentindo FELIZ naquele "aqui e agora", realmente curtindo aquele momento.

Aconteceu de novo enquanto estava dirigindo de volta pra casa, na descida antes da rótula: me dei conta que estava tão feliz que estava rindo sozinha e cantando junto com Frank Turner "Next Storm". E fiquei tão feliz de inesperadamente me pegar tão feliz, uma coisa assim espontânea que não me acontecia desde muito tempo, talvez desde janeiro de 2016. Houve uma época (em 2016 e também 2017) que a vida estava tão cinzenta, pensei que eu nunca mais iria me sentir feliz e animada outra vez... Mais de uma vez pensei seriamente em terminar com tudo. Persisti mais por inércia do que qualquer outra coisa - não vou mentir e dizer que eu tinha esperança que as coisas melhorassem, admito que por muitos momentos não pensei que fossem melhorar. Não posso dizer que estou 100% curada da minha depressão, mas estou tão feliz por não ter desistido da minha vida em março de 2016, que foi a primeira vez que tive vontade. Se algum dia eu me encontrar novamente num túnel ou buraco escuro, quero me lembrar disso tudo e insistir até encontrar a saída. Se consegui me sentir feliz uma vez, provavelmente vou conseguir novamente. Um dos meus objetivos para 2018 é ser mais gentil comigo mesma. Então vou aproveitar para agradecer a mim mesma por ter insistido tanto em mim durante 2017: por ter voltado a fazer as coisas que me tiram de casa (caminhadas e bicicleta) mesmo quando eu não estava nem um pouco a fim, e foram várias e várias vezes que eu não estava nem um pouco a fim. Mas ao mesmo tempo, são as coisas que mais alegria me trazem. Então valeu Dri de 2017 por ter insistido tanto, mesmo quando a vontade estava na casinha do zero.
 
I don't want to spend the whole of my life indoors
Laying low, waiting on the next storm
I don't want to spend the whole of  my life inside
I wanna step out and face the sunshine
 
I'm not gonna live the whole of my life indoors
I'm going step out and face the next storm♫
 

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

#49 impermanência (e sabedoria dos avós)


Eu caminho pelo menos 1h por dia, quase todos os dias. Enquanto caminho, gosto de fazer duas coisas: meditar ou escutar algum programa de música clássica. O meu preferido se chama "música antigua", que dura uma hora e é apresentado por um sujeito com voz cansada, ele me passa a ideia de ser um senhor de idade que está lentamente perdendo o fôlego, o ânimo e as forças. Mas realmente gosto muito do programa e já esgotei todos os episódios de 2018 e 2017 - ao invés de baixar algum de 2016, resolvi "começar pelo começo". Hoje escutei um programa que foi ao ar 10 anos atrás, em dezembro de 2008, era sobre a música de monastérios medievais. O que mais me marcou no programa nem foi o conteúdo e sim o ânimo na voz do apresentador. Que diferença 10 anos fazem! Não sei que idade ele tem hoje, mas deu pra perceber bastante diferença na sua voz e no seu entusiasmo.

Estou numa fase em que pensar sobre envelhecimento me faz pensar na sua conclusão inevitável: a morte. Talvez o texto de hoje tenha ficado meio pesado. Então vou resumir o assunto envelhecimento e morte com a sabedoria dos avós do meu marido: "envelhecer é ruim, mas a alternativa é muito pior" e "vamos aproveitar hoje, que amanhã a gente não sabe".

Essas duas frases realmente resumem o assunto de hoje e não há necessidade de ler nenhum outro parágrafo. Estou comentando isso para não entristecer o dia de ninguém que por acaso chegar até o meu texto.  


Aproveitando hoje de manhã ao som de gaivotas, ondas e músicas antigas,
excepcionalmente de chinelo por estar com o calcanhar machucado.

Ressalva feita e fora do caminho, lembro que quando eu era jovem eu sonhava em viver até os 120. Por muito tempo eu colecionei histórias de pessoas idosas; antes da internet colecionava recortes de jornal. Achei que iria aceitar envelhecimento com naturalidade, já que vivendo até os 120 eu passaria a maior parte da minha vida como uma pessoa idosa mesmo. Lembro de ter pensado isso quando era adolescente. Agora estou com 47 anos e as expectativas já são outras, haha.

Em  2016 andei super chateada com as minhas rugas e principalmente celulite que está sempre aumentando. Faço montes de atividades físicas, tenho uma alimentação razoavelmente saudável e ninguém tem mais celulite que eu - tenho celulite até na frente nas pernas! Em 2016 me mudei para bem pertinho do mar e no verão a socialização acontece na praia. Sendo que adoro nadar e chegando aqui me encantei com snorkel, enfim não tem como evitar mostrar a celulite. As rugas também estão bem óbvias e os cabelos brancos mais ainda, já que estou num lugar onde todo mundo pinta os cabelos (homens também) e eu sigo sem esconder os cabelos brancos. Só não sou a única pessoa com cabelos brancos porque meu marido também não esconde. Na verdade não estou nem aí para os cabelos brancos, o que mais noto é o aspecto das minhas mãos: deram uma enrugada muito repentina, realmente não esperava ficar com as mãos tão enrugadas tão cedo.

A vó do meu marido (já falecida) sempre dizia: "envelhecer é ruim, mas a alternativa é muito pior". Nunca tinha pensado muito no assunto, era só mais uma coisa engraçada que ela dizia. Mas ano passado a morte de uma amiga de 32 anos me fez relembrar o ditado da avó. Já fui em muitos enterros ao longo da vida, o primeiro quando eu tinha 6 anos; depois na adolescência foram vários, inclusive de uma colega adolescente; e nos últimos anos tive muitos também... mas para mim nenhum foi tão triste como o enterro da minha amiga de 32 anos. Na última vez que nos encontramos ela estava no hospital, se perguntando se sua filha (bem pequena, ainda usava fraldas) se lembraria dela, afinal já sabia que tinha poucos dias de vida pela frente. A morte da minha amiga me fez colocar o envelhecimento em perspectiva. Passei a sentir gratidão por simplesmente estar aqui. Estar aqui, com esse corpo (desse jeito mesmo que ele é, e não como eu queria que ele fosse), é infinitamente melhor que estar numa cama de hospital esperando o fim, como aconteceu com ela. Desde então sempre que noto algo no meu corpo que me chateia, uma ruga que está se pronunciando ou o horror da celulite, eu penso na amiga que não está mais aqui para experimentar tudo isso. E olhando para os problemas do meus pais, sei que um dia celulite será tão inconsequente que será a última das minhas preocupações. Desde que minha amiga morreu passei a ver envelhecimento como um presente, já que nada é garantido. Quero dizer, nem mesmo a velhice é garantida, podemos morrer a qualquer momento.

Esse ano um dos meus objetivos é fazer um destralhe, principalmente mental, e uma das expectativas que estou descartando é a de viver uma vida saudável e morrer bem velhinha de causas naturais. Sim, seria ótimo, mas talvez pouco provável. Olhando para meu histórico materno: não sei que idade minha bisavó tinha quando faleceu, mas sofreu de alguma forma de demência antes de morrer (não nos conhecemos, minha mãe que me contou). Minha vó morreu de problemas cardíacos aos 60 anos. Minha mãe está sofrendo com alzheimer desde os 70...que provavelmente começou bem antes. Sendo que seu irmão também já foi diagnosticado. Talvez me escape dos problemas cardíacos, mas tenho como prevenir câncer ou alzheimer? Durante 2017 eu passei por uma fase bem paranóica lendo sobre como evitar alzheimer. Meu irmão estava na mesma vibe e acabou mudando radicalmente sua dieta, parou de fumar e começou a fazer exercícios físicos. Eu nunca fumei e sempre fiz exercícios, mas por sugestão do meu irmão cortei açúcar e comidas processadas e passei a comer mais vegetais, peixes e nozes. Na verdade descobri que adoro nozes, então foi a melhor coisa disso tudo: a descoberta das nozes. Provavelmente vou continuar comendo pescado e nozes, mas ultimamente tenho questionado todas as paranóias alimentares e essa ilusão de conseguir prevenir doenças com pequenas mudanças alimentares.  Não que eu vá abandonar a alimentação saudável, estou feliz de ter incorporado isso na minha vida - mas já consegui abandonar os radicalismos.

No começo do ano li um artigo que me fez pensar muito em expectativa e qualidade de vida. Foi escrito por um médico americano que diz querer viver até os 75 anos somente. Aliás o título do artigo é "why I want to die at 75", autor Emanuel Ezequiel. Diz o médico que não pretende fazer exames preventivos de câncer depois de uma certa idade. E que depois dos 75 pretende recusar tratamentos invasivos (ponte de safena, quimioterapia) e simplesmente deixar a vida seguir seu curso. Ele não está propondo isso para ninguém, apenas comentando o que ele pretende fazer na velhice dele (e aqui me pergunto: e quem garante que não mudará de idéia?). Provavelmente uns anos atrás eu teria ficado horrorizada com idéias assim, mas hoje, vendo a situação terminal que minha mãe se encontra, achei interessante o enfoque. Não sei se pretendo fazer igual ao médico, mas achei interessante o jeito que ele aborda a questão: aceitar que tudo um dia acaba e simplesmente deixar fluir ao invés de se agarrar desesperadamente na vida e prologar de forma sofrida o inevitável. Ler esse artigo foi o que mais me ajudou para me libertar das minhas paranóias com alzheimer (estava até perdendo o sono pensando nisso!) e fazer novos planos para o futuro. Afinal, se não for alzheimer, será outra coisa. "Um dia, pronto, me acabo; que seja o que tem que ser", como dizia o meu poeta preferido na adolescência, Mário Quintana. 

Para ser feliz e aproveitar a minha vida (como ela se apresenta), o melhor que posso fazer é aceitar que a vida é "impermanência". As situações mudam, a gente muda, as pessoas se vão, a própria vida acaba. Não tenho como escapar disso, mas posso evitar as paranóias. E principalmente lembrar sempre da sabedoria do vô do meu marido (já falecido também): "Vamos aproveitar hoje, que amanhã a gente não sabe".

domingo, 2 de dezembro de 2018

#48 gratidão dos últimos meses


Faz tempo que venho mentalmente escrevendo o texto de hoje: um apanhado das coisas boas dos últimos meses.

Setembro foi um mês especial. Fui para Porto Alegre e me senti tão feliz e agradecida:
. O motivo da viagem foi comemorar o aniversário da minha irmã, ao seu lado. Quantos aniversários da minha irmã eu perdi ao longo dos anos? Foram vários, mas esse eu fiz questão de comparecer. E estou tão feliz que chegamos até aqui como amigas.

. Que alegria ainda poder curtir o abraço das minhas tias idosas, gosto muito delas e encontra-las é uma prioridade sempre que volto a Porto Alegre. Me sinto tão sortuda e amada. Um dia elas serão apenas uma lembrança querida na minha vida (a maioria já chegou nos 80), enquanto esse momento não chega bora abraçar, tomar café e jogar conversa fora.

. Feliz que meu pai, apesar dos pesares, está cada vez mais realista, em alguns momentos até mesmo otimista! Sim, logo o meu pai, que sempre foi uma pessoa extremamente dramática e pessimista. Ele tem conseguido aceitar e lidar melhor com sua própria saúde e a realidade da minha mãe. Uma coisa é a gente ler pérolas de sabedoria do tipo "nunca é tarde para mudar". O tipo de conselho que parece fácil na teoria. Outra coisa é ver o próprio pai, com mais de 80 anos, conseguir alterar sua perspectiva e prestar mais atenção no lado positivo da vida.

. Apesar de eu ter ficado pouco tempo, consegui renovar minha carteira de motorista. Não sei porque isso me traz tanta alegria, mas eu gosto de manter atualizados os vínculos burocráticos que ainda tenho com o meu pais.

. Realizei um grande sonho que era visitar a extensão de terra entre a Lagoa dos Patos e o Atlântico, adorei adorei adorei. Fui sozinha e foi um passeio fenomenal. O ano de 2018 vai entrar na minha história como o ano que finalmente viajei sozinha pelo interior do Brasil, com direito a trilha de 25km sozinha, pedir carona sozinha, visitar um parque nacional sozinha e passar a noite sozinha numa cabana isolada, numa propriedade rural. Ir pra cama às 20h30 e acordar no maior silêncio e escuridão às 4h. Solitude na natureza: não tem coisa melhor!

. Estou tão feliz de ter conseguido manter uma amizade da minha juventude. Tentei manter várias amizades com mulheres, mas não consegui (me esforcei bastante mesmo, talvez meu erro tenha sido me esforçar demais!?). Aliás gosto muito daquela música do Hamson sobre amizades, a letra diz o seguinte:

♫You have so many relationships in this life
Only one or two will last
You go through all the pain and strife
Then you turn your back and they're gone so fast, yeah
And they're gone so fast, yeah
So hold on the ones who really care
In the end they'll be the only ones there
And when you get old and start losing your hair
Can you tell me who will still care?

Plant a seed, plant a flower, plant a rose
You can plant any one of those
Keep planting to find out which one grows
It's a secret no one knows


Apenas uma amizade da juventude resistiu ao tempo - um colega de trabalho que conheci em 1992. Por muito tempo isso me incomodou muito (não ter conseguido manter aquelas amigas mulheres), mas hoje estou feliz de ter um grande amigo.

. E bom mesmo é ter um marido que confia em mim e não é nem um pouco ciumento. E me incentiva a cultivar amizades e interesses. Aliás o rapaz que eu namorei antes dele era super ciumento, e eu decidi que não queria um relacionamento daquele jeito com tanta desconfiança. Acho muito importante para a sanidade mental fazer coisas separadas do cônjuge, essa coisa de viver sempre colado não é comigo. Escolhi alguém que entende isso.

Gratidão de outubro:
. Entusiasmo do meu marido! Vou deixar para expandir esse assunto outro dia.

Gratidão de novembro:
. Já mencionei aqui no blog 'o homem do cachorro magrela': um corredor que vejo com regularidade na praia. Não sei seu nome, nunca conversei com ele, aliás quando nossos caminhos se cruzam a gente não troca sorrisos, muitas vezes nem trocamos um "bom dia", geralmente é só aquele cumprimento seco e rápido, um levantar de sobrancelhas. Pois bem, em julho comecei a ver o cachorro magrela sem seu companheiro costumeiro, inicialmente achei que fosse temporário, mas o homem do cachorro magrela não voltava nunca. Depois de uns meses eu já estava achando que ele tinha se divorciado ou quem sabe até morrido. E numa linda manhã de novembro o homem do cachorro magrela finalmente reapareceu. Está de volta correndo na praia, como antes. Fiquei muito feliz com o seu retorno. Gratidão pelas pessoas que eu não conheço e pra falar a verdade nem faço questão de conhecer. Além do homem do cachorro magrela tem também a mulher do golden retriever, o velho do boné, o fotógrafo do amanhecer e o jovem do casaco verde. Fico feliz de vê-los quase todos os dias correndo ou caminhando na praia, mantendo suas próprias rotinas e servindo de lembrete/inspiração para eu manter sempre as minhas :)