quarta-feira, 28 de março de 2018

#12 pausa na rotina

Gosto de escrever nas segundas, mas não estava me sentindo bem. Minha semana 12 foi extremamente improdutiva: mal estar geral, muita tosse, febre, e passei boa parte do tempo na cama, descansando (e tossindo). Estava dando um tempo pra ver se melhoro por conta, antes de ir no médico (coisa que não gosto de fazer e evito ao máximo), mas talvez tenha que me dar por vencida hoje mesmo, antes do médico sair de férias no feriado da Páscoa. Com tudo isso acabei saindo da minha rotina (outra coisa que eu não gosto de fazer e evito também), mas ao menos tenho lembrado de meditar todos os dias - já é alguma coisa.

segunda-feira, 19 de março de 2018

#11 a tal da preguiça mental


Um dos meus objetivos para 2018 é "combater a preguiça mental". Quando eu olho pra trás noto que já fui uma pessoa bem mais interessada em cultura e aprender coisas novas (línguas principalmente). Lembro da época que eu fazia faculdade: trabalhava de dia, estudava de noite, estudava uma língua estrangeira nas horas vagas, achava tempo e disposição para ir a concertos gratuitos no horário do almoço e sempre procurava ir no teatro no final de semana. Só de pensar nisso já me sinto cansada. Não tanto tempo atrás assim eu trabalhava bem mais do que trabalho hoje, cuidava do meu jardim, praticava montes de esportes, estudava outra língua estrangeira e ainda tinha tempo de curtir a oferta cultural da cidade. Semanalmente visitava museus, galerias de arte ou simplesmente aproveitava os concertos de música clássica, gratuitos e de qualidade. E estava sempre com 3 ou 4 livros da biblioteca pública em casa, quando terminava um já tinha outros pra começar. Agora estou trabalhando menos do que jamais trabalhei na vida, e como tenho preenchido os meus dias? Praticando esportes, cuidando das plantas, ficando de bobeira na internet e de vez em quando pensando do que escrever no blog. 

Não sei se a preguiça mental que estou sentindo agora tem a ver com a grande miudinha que tive em 2016, talvez eu não esteja completamente curada. Ou será que esse é meu novo eu? Não sei e isso tem me incomodado. Faz +18 meses que estou morando numa cidade que é praticamente um deserto cultural, mas eu ainda não fui visitar o museu. A galeria de arte eu só visitei uma única vez. Tudo bem que a exposição é permanente e uma vez vista, está vista... Mas está mesmo? Quantas e quantas vezes eu visitei a maior galeria da cidade onde morava antes? Ok era muito maior e as obras eram de artistas de renome internacional, mas enfim: em que momento eu virei essa pessoa que só entra em galeria de arte desde que seja para admirar um Ruysdael ou algum outro grande mestre? E porque ainda não visitei os museus da cidade grande mais próxima? Já fui lá várias vezes por outros motivos (compras, buscar alguém no aeroporto, consultas médicas etc). Outro objetivo deste ano é fazer um grande destralhe mental, será então que deveria aproveitar para descastar a idéia que eu faço de mim como pessoa que gosta de arte?

Pra não dizer que minha vida está completamente zerada de cultura, tem sempre os programas da rádio clássica, que muitas vezes são a trilha sonora das minhas caminhadas de manhã cedo. Sem as caminhadas talvez não escutasse nada. Gosto muito de um determinado estilo de música clássica e o programa que mais escuto é "música antiga". Mas de vez em quando presto atenção num outro programa chamado "música e significado" para me expor a coisas diferentes. Toca estilos que não gosto tanto assim, mas acho bom não ficar muito bitolada no gênero que eu mais gosto. Então outro dia caminhei ao som de uma explicação da obra "Assim falou Zaratustra", de Strauss, cuja introdução obviamente eu já conhecia por ser super famosa, mas todo o resto é uma chatice sem fim. Bom, tenho que admitir que muitas vezes aproveito esses programas para fazer um "exercício de atenção" (mindful listening). E é bem difícil, já que o pensamento tende a divagar. Mas ainda assim é mais fácil prestar atenção na chatice de Strauss do que ir na galeria de arte - e acho difícil de entender, seria inércia? Vamos ver se durante a semana eu me animo e volto na galeria de arte, ou finalmente entro no museu, ou quem sabe descubro onde fica a biblioteca pública...

segunda-feira, 12 de março de 2018

#10 a delícia de ficar quieta na minha


Duas ou três vezes por ano meu marido tem que viajar a trabalho. Eu geralmente ficava em casa sozinha, mas da última vez eu saí de férias: aluguei uma casa rural no meio do nada e levei a bicicleta. Foi espetacular! Fiz montes de caminhadas e pedaladas pela natureza. Foi tão bom que prometi a mim mesma repetir sempre. Mas dessa vez a previsão do tempo no lugar onde eu queria ir estava péssima e além disso tinha bastante trabalho, valia mais a pena ficar em casa mesmo. Faz 5 dias que ele viajou e estou aproveitado muito. Vejo essas raras oportunidades de ficar sozinha como um imenso presente.  

Quando me casei estava certa que nosso casamento terminaria em divórcio, em poucos anos. Mas continuamos juntos, apesar de todas as diferenças. Ele acorda tarde e dorme até bem tarde; eu gosto de dormir e acordar cedo. Ele é sociável, mega simpático, adora reunir os amigos; eu sou bicho do mato e prefiro sossego. Nas finanças ele era mão aberta e eu a maior sovina do planeta, mas ao menos nisso conseguimos mudar: ele deixou de esbanjar (tanto) e aprendeu a poupar (um pouco) e eu deixei de ser (tão) sovina e aprendi a gastar (sem exageros). Então a vida a dois, para a minha surpresa, vai seguindo feliz - exigindo muita tolerância, compreensão e concessões. Admito que de vez em quando é bom ter férias disso também.  

Então estou fazendo tudo do meu jeito, indo pra cama no horário que me dá na telha e fazendo as refeições do jeito que mais gosto. Ontem fui pra cama as 20h30. Todos os dias eu acordo cedo, geralmente entre 4h e 5h, então estou recuperando muito sono atrasado. E está sendo tão bom acordar as 5h e agir normalmente, acender a luz e fazer barulho de maneira normal, sem me preocupar em acordar meu marido. E estou aproveitando que ele não está para comer todos os dias a mesma coisa: arroz, feijão + alguma coisa verde. Já preparei brocolis, alcachofra, pimentão com cebola, salada mega caprichada, etc. Quando meu marido está em casa, cada almoço é um leque de possibilidades: vamos almoçar em casa ou comer fora? Em qual restaurante? Ele adora almoçar fora, se dependesse dele almoçaríamos fora todos os dias. Já eu sou tão rotineira que podia viver feliz comendo exatamente a mesma coisa todos os dias até o fim da minha vida. Etc etc. 

E tem um outro aspecto de estar só que eu adoro: não ter que me preocupar com mais ninguém. Sou uma pessoa extremamente empática e sensível as necessidades dos demais, de uma maneira exagerada - queria ser menos assim. Mas não sei como mudar. Estou sempre facilitando a felicidade alheia, sempre buscando a harmonia. Estar sozinha é ter uma folga disso tudo, me ver livre dos humores e das necessidades alheias que tanto me afetam. E aqui tenho que reconhecer que ufa! acertei em não ter filhos! Por alguns anos fiquei na dúvida se tinha tomado a decisão correta, mas a medida que o tempo foi passando eu comecei a sentir um alívio em relação a isso. E hoje sinto um imenso alívio. Que bom que não embarquei na viagem sem volta, hoje vejo que obviamente não era pra mim. Curioso que esse excesso de empatia e sensibilidade não tem a ver apenas com a convivência com o marido, parentes e amigos, afeta meu comportamento e a convivência com estranhos. Se estou no supermercado, antes de parar meu carrinho eu sempre escolho um lugar onde incomode menos. Noto que muita gente deixa o carrinho em qualquer lugar, até mesmo no meio do corredor barrando a passagem dos demais. Já eu estou sempre evitando incomodar, não quero ser grosseira, não sou de fazer barulho, não sou de estacionar em fila dupla, não sou de deixar a porta do carro aberta por cima da calçada, atrapalhando a passagem dos eventuais pedestres (mesmo se a primeira vista a calçada está vazia), enfim podia dar vários exemplos de como estou sempre buscando a ordem e a convivência harmônica. É uma coisa instintiva e inescapável, essa busca da harmonia. Então é bom tirar férias disso também, na medida do possível. 

Dito tudo isso, admito que também gosto muito do "convívio das gentes" - em doses homeopáticas. Adoro mesmo conviver com os amigos, gosto de visitar os parentes, gosto inclusive de jogar conversa fora com estranhos. Faço parte de uma comunidade de hospitalidade online e de vez em quando recebo pessoas randômicas em casa - desde 2005 estou abrindo as portas da minha casa para estranhos (="amigos que ainda não conhecemos"). E no geral os randômicos da internet são uns amores. Bora curtir o restinho do meu sossego, antes de buscar o marido no aeroporto.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

#8 retormar o foco (várias vezes ao longo do dia)


Percebi que tenho uma mentalidade "tudo ou nada" que está me atrapalhando. Só para dar um exemplo: eu uso um app de hábitos onde anoto se naquele dia eu perdi tempo online ou não. Mas se visito um site que estou querendo evitar (como o jornal Guardian ou o Financial Times), minha resolução de evitar perda de tempo online se vai para o ralo e aproveito e fico perdendo tempo com vários outros sites, "já que o dia está perdido mesmo". Outro dia visitei o FT, depois conferi o Guardian, onde li uma notícia sobre olimpíadas de inverno, resolvi conferir o video correspondente no youtube... e o que se seguiu foi uma tremenda perda de tempo: uma coisa puxou a outra e 1h depois estava quase clicando num video de Leonardo di Caprio sendo agraciado com um oscar!? Nossa que viagem. Sim, tudo isso foi perda de tempo, mas porque o dia estaria perdido? Tenho que reformular as perguntas que me faço. "Perdi tempo online hoje?" só possibilita sim ou não. 

E isso não vale apenas para perda de tempo online, é um monte de coisa mesmo. Se não meditei de manhã cedo... pronto o dia está perdido! Se perdi um dia da minha meditação, sou um fracasso. Se esqueci de anotar meu diário da gratidão, etc.. Em que momento eu me estipulei tantas regras? É como se minha vida ideal estivesse toda engessada - e eu me angustiando por não conseguir seguir essa regimentação toda que eu mesma criei.

No meu exemplo foi quase 1h perdida online, mas não foi o dia todo. São vários os momentos ao longo do dia para dedicar aos meus objetivos. Tenho que fazer aqui o mesmo que faço durante a meditação: assim que notar que perdi o foco, simplesmente voltar a atenção ao momento presente e às minhas intenções. De novo, e de novo, quantas vezes precisar ao longo do dia. Sem palavras duras, sem julgamentos, sem considerar tudo perdido... Um "ops, me atrapalhei" é suficiente.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

#7 resiliência


A vida de cada um apresenta altos e baixos e dificuldades variadas. Por muitos e muitos e muitos anos eu vivi vários altos, ou talvez estivesse conseguindo lidar melhor com os problemas. Mas desde 2015 a sensação que tenho é que a estou me deixando afetar pelas dificuldades. Mas tem mesmo que ser assim? Desconfio que está me faltando "resiliência" e gostaria muito de desenvolver isso. Perguntei então para o google como me tornar uma pessoa mais resiliente e cheguei em várias sugestões. Entre as quais:  

Praticar a autocompaixão: fiquei feliz de encontrar esta sugestão, já que recentemente comecei a incorporar autocompaixão na minha vida. Consiste em enfrentar nosso sofrimento com bondade, sem julgamento. Os três aspectos da autocompaixão são os seguintes:
  1. Observar que estou passando por um momento difícil, inclusive dizendo para mim mesma algo do tipo 'este é um momento complicado'
  2. Lembrar que não estou sozinha, sofrer faz parte da condição humana: 'todos nós passamos por isso', 'sofrer faz parte da vida'
  3. Ser gentil comigo, tratar a mim mesma como eu trataria uma amiga, ou como minha irmã me trataria.

Buscar o lado positivo das situações. O texto que estava lendo apresenta um exemplo: digamos que vc perca o ônibus para o trabalho, quais seriam os lados positivos da situação? Não lembro agora o que eles listaram. Mas já notei que tenho facilidade em lidar com atrasos e percalços, engarrafamentos, filas intermináveis, greve em aeroportos, hotéis que cancelam a reserva etc. Coisas pequenas assim não me abalam, ainda mais se forem causadas por terceiros. Pra falar a verdade uma vez me incomodavam e muito, mas uns 10 anos atrás fiz um grande esforço para mudar: passei todo um ano me desafiando a não demonstrar irritação nem reclamar de nada. Foi muito difícil! Mas isso me fez pensar antes de reagir; eventualmente me fez colocar as coisas sob perspectiva. O lado bom disso tudo é que deixei de ser a pessoa explosiva que era. Só para exemplificar: alguém se distraiu no trânsito e entrou no meu carro, estragando a lataria atrás - ao lidar com o motorista não perdi o bom humor nem as boas maneiras. Nunca imaginei que chegaria nesse estágio de serenidade. Lembrar que mudança sempre envolve esforço. 
 
Mas admito que tenho muitas vezes tenho dificuldade em buscar o lado positivo das situações. Principalmente no caso de problemas mais graves - me parece que algumas coisas não tem lado positivo, não importa quanto a gente procure. E desconfio que ficar procurando o lado positivo pode até trazer sofrimento. Penso que o melhor é simplesmente aceitar a situação e sentir nossos sentimentos. Tristeza faz parte da vida. Temos que aceitar nossa tristeza, deixar o tempo fazer sua parte, seguir adiante. Para dar um exemplo bem concreto: minha Mãe está na fase terminal de Alzheimer e por mais que eu procure, não vejo absolutamente nada de positivo em terminar a vida assim. Então não é procurando o lado positivo que vou lidar melhor com isso. Tenho que aceitar que a vida é do jeito que ela é, e não do jeito que eu gostaria que ela fosse - me parece uma melhor saída. Acho que aqui entra a meditação, já que na meditação tem muito disso de estar aberta às coisas como elas são, sem julgamentos.   

E justamente, uma das sugestões é meditar. Tenho que lembrar de meditar todos os dias, praticar sempre, a vida toda, evitando ruminar sobre o passado ou me preocupar com o futuro. Reler o livro de meditação que já tenho.  

Uma sugestão mega interessante: mudar a narrativa. Um sábio grego já disse que "o que nos comove não são as coisas, mas nossa opinião sobre elas" (Epiteto).  As coisas acontecem, simplesmente - o significado está aberto a interpretação. A interpretação que dou às situações tem o poder de mudar a maneira como experimento a vida.   

Lembrar de uma situação que me aconteceu num trem em maio de 2016, quando a funcionária foi grosseira comigo - como eu interpretei aquilo? Dentro de um contexto de hostilidade na época, mas estava presente naquele momento? Como eu contei aquela história depois? Lembro de ter interpretado aquele evento da pior maneira possível.  

Como fazer para mudar a narrativa? Uma sugestão é se perguntar: o que mais isso pode significar?  

Lendo essa pergunta, lembrei do meu velho vizinho SP, para quem tudo era 'uma experiência', ou então uma 'oportunidade de aprendizado'. Ele tinha perdido um monte de dinheiro na bolsa de valores, mas quando me contou a história acrescentou 'valeu como aprendizagem'. Depois tentou defraudar o governo (?!), teve que restituir tudo e ainda pagar uma multa, mas no fim das contas 'aprendeu uma lição'. Investiu um monte de grana num negócio que não deu certo, enfim era uma atrás da outra, mas o cara seguia sempre feliz na mentalidade 'vivendo e aprendendo'. Na época eu achei curioso, mas hoje eu vejo que essa é a melhor maneira de encarar a vida.  

Lembrar de 1999, quando perdi meu emprego, na mesma semana que meu marido perdeu o seu... O que significou aquilo para nós? Num primeiro momento, uma grande chateação - mas logo percebemos que era uma oportunidade de começar nosso próprio negócio, que segue até hoje.

Lembrar também de antes disso: quando deu tudo errado no país X, o que meu marido e eu fizemos? Foi uma oportunidade de mudança para o país Y. Foi difícil emocionalmente e financeiramente, no começo foi como caminhar num atoleiro, mas eventualmente tudo ficou bem. E 20 anos depois, quando nos decepcionamos no país Y, o que fizemos? Nos mudamos para o país Z. Mas porque esta última mudança foi tão mais difícil para mim, se todas as condições (emprego, finanças etc) estavam mais favoráveis? Será que em boa parte não tem a ver com a maneira que narrei tudo isso para mim mesma?  

Já consegui superar dificuldades no passado (tinha até me esquecido delas), encarando tudo como novas oportunidades. E relendo os exemplos que eu escrevi aqui e pensando nisso tudo me dei conta que no passado já consegui ver o lado positivo de algumas situações.

Ainda sobre mudar a narrativa, no site greater good da UdB encontrei a sugestão de escrita expressiva: ao invés de ruminar, sentar e escrever sobre o que incomoda. Sem se preocupar em produzir uma obra literária, apenas colocar pra fora, por 20 minutos. Ao escrever somos forçados a confrontar as idéias, o que pode levar a novas perspectivas. Aliás em mais de um lugar li essa sugestão de manter um diário.   

Enfrentar os medos: "O primeiro passo é lentamente e repetidamente, se expor ao que o assusta, em pequenas doses."   

Lembrar que já fiz isso, com sucesso, em relação a minha fobia social. Se hoje consigo entrar em qualquer ambiente / festa / evento, mesmo sem conhecer ninguém, e conversar com quem quer que seja, isso se deve ao meu grande desafio de 2010/2011. Resolvi dizer SIM a todos os convites e oportunidades sociais e me empenhar em conversar com todo mundo que cruzou o meu caminho. Desde diretores e funcionários das empresas para as quais eu trabalhava na época, passando por todos os desconhecidos que encontrei em tantos eventos de trabalho e grupos disso e daquilo, até mesmo estranhos na rua; não perdi oportunidade para praticar minhas habilidades sociais. Foi extremamente cansativo e em muitos momentos doloroso - de sentir um pânico e vontade de sumir! Mas não sumi e valeu tanto a pena. Continuo a pessoa introvertida que sempre fui, mas agora sempre que quero (ou sou obrigada a) sair do meu casulo consigo interagir com segurança e desenvoltura, yes! Lembrar disso e me animar para superar outros medos e dificuldades.

Destralhar as expectativas: de todas as coisas que eu estou precisando destralhar, talvez essa expectativa irreal de que "tudo vai dar bem, sempre" seja a mais importante. Aceitar que a vida é impermanência. As situações mudam, as pessoas se vão; nada garante que o que está bem hoje, continuará bem amanhã. Não há nenhuma lei do universo ditando que EU não vou ter dificuldades nem passar por sofrimentos.  

E por último a sugestão de perdoar. Admito que é uma grande dificuldade, tenho que trabalhar muito aqui. As vezes fico remoendo situações e também palavras duras que me foram ditas anos atrás! Quanta perda de tempo e de energia. Lembro de uma experiência positiva em que consegui perdoar um parente. Ele me feriu com um ataque verbal grave e sem sentido (ameaça de lesões corporais, nesse nível). Ficamos 2 anos sem trocar uma palavra, mas eventualmente consegui superar aquilo (sem ele jamais ter se desculpado) e hoje quando me lembro do ocorrido não sinto mais aquelas emoções de perplexidade, surpresa, raiva e principalmente profunda tristeza (pelo relacionamento tão especial que tínhamos e se perdeu). Hoje quando olho pra trás às vezes sinto pena da pessoa e dos seus problemas, mas interiormente consegui desculpar. Consigo interagir com o parente, sair para tomar um café e jogar conversa fora, numa boa (sem todo o afeto de antes, é como se estivesse conhecendo uma pessoa nova). Meu marido não desculpou a pessoa até hoje e não quer contato nenhum. Não vou mentir: se não fosse um parente tão próximo eu JAMAIS teria me esforçado tanto em perdoar. Teria virado as costas e pensado "gente louca assim eu quero distância". Mas é alguém que eu conheço desde que veio ao mundo (troquei as fraldas da criatura, várias vezes! Convivi por anos e anos), tive 25 anos de relacionamento positivo com a pessoa, enfim um grande investimento emocional aí. E uma esperança também que as coisas melhorassem no futuro.

Mas não superei coisas muito menores (insignificantes em comparação) que amigos ou conhecidos me fizeram ou disseram. Porque tanta dificuldade em passar por cima de certas coisas? Não queria guardar esses ressentimentos todos, tenho que descobrir como superar isso. Algumas dessas pessoas já ficaram no meu passado, não há porque reencontrá-las, não quero uma reaproximação, nada disso - apenas gostaria de evitar reviver sentimentos negativos quando me lembro de determinadas pessoas. Será que ajudaria se eu tentasse lembrar de coisas positivas delas? Ou incluí-las na meditação "bondade amorosa"? Sinceramente não sei o que fazer aqui, se vale a pena dedicar energia mental nisso ou se devo deixar pra lá e esperar que o tempo faça a sua parte.

Pra terminar o texto que ficou excepcionalmente longo, não sei em que momento vou poder dizer: estou mais resiliente agora! Mas vou começar um diário anotando meu progresso com isso tudo e como estou lidando com as dificuldades que vão surgindo.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

#6 vencendo a procrastinação


 Acabo de voltar do aeroporto, onde larguei um velho amigo que veio passar uns dias aqui conosco. Fazia quase um ano que a gente não se via. Acabei fazendo algumas coisas na casa em preparação à sua chegada:
.plantei floreiras na janela do quarto das visitas
.mandei emoldurar 3 quadros que foram pintados pela minha Mãe
.pendurei 2 desses quadros
.comprei floreira e gerânios para alegrar a sacada da frente
 
O amigo está ameaçando voltar em abril ou maio, e aqui está uma lista do que gostaria de fazer na casa até lá:
.plantar uma trepadeira ou outra planta no cantinho ensolarado da sacada da frente
.fazer mudinhas da trepadeira laranja para a sacada de trás
.comprar uma passiflora para a área
.fazer mesinha com madeira reciclada para o repetidor
.pendurar o último quadro da minha Mãe 
.escolher, imprimir, emoldurar e pendurar fotos de árvores na sala
.imprimir fotos dos amigos e pendurar no quarto de visitas
.terminar a cortina de macramê para o banheiro  

Além disso:
.entrar num grupo de caminhadas, aquele que se encontra 2x por mês
.organizar minhas finanças
.praticar inglês, que nos últimos 18 meses praticamente sem falar nada de inglês notei que perdi minha desenvoltura 

Esses últimos 3 items foram assuntos que conversei com o amigo. Caso ele se lembre de perguntar, quero sinceramente poder dizer que fiz algum progresso.


Flor para alegrar a janela

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

#5 cuidar bem do meu tempo


Outro dia, relendo umas notas antigas, cheguei em objetivos de anos anteriores. Um deles era "ficar menos tempo na internet". E anotações sobre isso. Tinha escrito (num papel) um experimento de ficar todo um final de semana sem internet. Desliguei o pc no sábado de manhã, depois do trabalho, e só liguei novamente na segunda - como a vida era uma vez. E fiz o seguinte com o meu final de semana:

.dei montes de atenção aos meus bichinhos de estimação
.devolvi um par de sapatos numa loja
.almocei no centro da cidade com o marido
.caminhei pelo centro da cidade com ele, tirei umas fotos
.tomei chá com docinhos no restaurante chinês
.caminhei por 45 minutos
.limpei o banheiro
.tomei um longo banho de banheira, na companhia dos livros
.terminei de ler um livro, li um outro e comecei um terceiro
.destralhei o armário: me desfiz de roupas que não me serviam mais
.tirei uma soneca no meio da tarde
.amigo veio jantar conosco, conversamos bastante
.lavei a louça e ajeitei a cozinha depois que o amigo se foi
.pensei sobre tempo e prioridades
.fiz minhas anotações num papel, ao invés de escrever no computador 

Lembro que naquela época eu já trabalhava de casa, mas ainda não tinha internet no celular. Morava bem perto (apenas 25 minutos de bicicleta) do centro da cidade, uma cidade universitária e interessante cheia de museus, concertos gratuitos, palestras e outras coisas legais para se fazer. E prestando atenção para "ficar menos tempo na internet", passei a curtir tudo isso muito mais. Sem falar nas pedaladas e caminhadas. Eu já era frequentadora assídua da biblioteca pública. Estava sempre com 3 ou 4 livros em casa, quando terminava um já tinha outro pra começar. Eu também tinha um jardim, onde investia muito tempo, amor e energia. Ficava um tempão no meu jardim: revirando a terra, removendo inços, plantando, podando, fotografando, ou só sentada ali lendo um livro ou olhando pra tudo e só curtindo... amava meu jardim com todo o meu coração. Era tão fácil ficar em casa e não estar conectada, porque sempre tinha alguma coisa pra ser feita. Quando não estava lendo ou jardinando, estava cortando lenha. Eu vivia cortando lenha (com um serrote) e nunca era lenha que chega para esquentar nosso pequeno cafofo no inverno, naquela época morávamos num lugar muito frio.

Do jeito que descrevo tudo parece que isso aconteceu um tempããão atrás, mas essas anotações aí são de 2011.

E hoje: eu conseguiria ficar um final de semana sem internet? Tenho achado bem difícil não levar o smartphone pra cama! Fico lendo abobrinhas antes de dormir, e quando acordo a primeira coisa que eu faço é dar uma conferida nas notícias. Em 2017 eu achei que estava tudo fora de controle e fiquei vários meses (quase 6 meses!) sem ler jornal, mas infelizmente retomei meu velho hábito de ler o jornal online, e voltei a obcecar com o assunto que tanto me incomodou no passado. 

Estou precisando então:
-parar de ler jornal online. Vou ter que dar um grande tempo, outra vez. Meu marido está sempre comentando as notícias, não tem o menor risco de ficar sem saber o que está acontecendo no mundo. E mesmo se eu ficar sem saber o que está acontecendo, sinceramente, que diferença faz? Absolutamente nenhuma pro meu trabalho, sendo que provavelmente vai fazer muita diferença na minha felicidade.
-desligar o celular antes da janta e só ligá-lo no dia seguinte, depois que saio da cama. Eu comecei a fazer isso em outubro do ano passado... fiz durante um mês, gostei bastante, mas em algum momento parei. Hora de recomeçar!
-por sorte não tenho facebook/instagram/twitter etc, minha única rede social é strava e meu único seguidor já me abandonou, então posso seguir feliz sozinha no strava. Como já comentei aqui no blog estou adorando usar a tecnologia sem qualquer pressão social, apenas reparando na beleza dos lugares onde eu passo e guardando as fotos, então essa prática aí vou manter.
-ler os livros que já tenho em casa
-encontrar outras coisas pra fazer longe da internet. Não tenho mais jardim nem lenha pra cortar, mas desde 2016  tenho espanhol pra aprender e meu instrumento pra praticar, além de montes de lugares diferentes pra pedalar, piscina pública pra frequentar etc etc enfim não falta coisa pra fazer!

Claro que tem o lado positivo também de estar conectada: através de internet tenho escutado programas da rádio clássica, em especial o programa música antigua, que adoro! E com meu marido tenho assistido videos interessantes no youtube sobre política e história, é uma coisa divertida que fazemos juntos. Não quero cortar a internet completamente fora, apenas quero ter mais critério.

Está na hora de retomar meu desafio "46 dias repensando meu tempo online". Pensar, antes de clicar: é necessário? Acrescenta? Traz felicidade? E voltar a desligar o celular, antes da janta.